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Algumas entrevistas com Sergio Viula

VIDA MODERNA

Link da própria revista Época, clique aqui.

Libertando-se do armário

Sergio Viula, um dos criadores do grupo que defende a “cura” da homossexualidade, se assume como gay e diz que tratamento é uma farsa



Gisela Anauate

 


O carioca Sergio Viula, de 35 anos, foi um dos fundadores do Movimento pela Sexualidade Sadia (Moses), ONG evangélica que dá auxílio a pessoas que desejam abandonar a homossexualidade. Chegou a ser pastor da Igreja Batista, casou-se e teve dois filhos. Há um ano e meio, porém, assumiu ser gay, deixou a igreja e rompeu o casamento. Viula, atualmente professor de Inglês e estudante de Filosofia na Uerj, conhece como poucos os métodos dos grupos de ''reorientação'' sexual. Sabe que não funcionam e critica o projeto de lei do deputado estadual Édino Fonseca (PSC) que prevê o custeio de tratamento psicológico para pessoas interessadas em ''virar heterossexuais''. O texto, condenado por psicólogos e psiquiatras, já passou por três comissões na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro e pode ser aprovado até o fim do mês.


SERGIO VIULA

Selmy Yassuda/ÉPOCA

Formação
Formado pelo Seminário Teológico Betel, estudante de Filosofia na Uerj

Trajetória
Abandonou o grupo evangélico Movimento pela Sexualidade Sadia e assumiu ser gay

Dados pessoais
Ex-pastor da Igreja Batista, é separado e pai de dois filhos


ÉPOCA - Como surgiu o Movimento pela Sexualidade Sadia, que atua em várias denominações evangélicas?


Sergio Viula - O objetivo era a evangelização de homossexuais, que nada mais é do que fazer proselitismo religioso. Pretendíamos mostrar que a homossexualidade não é natural e deveria ser abandonada pelos que quisessem agradar a Deus. O Moses também queria dar uma resposta aos grupos gays, que tinham espaço na mídia.


ÉPOCA - Como o grupo pretende reverter a homossexualidade?


Viula - Vendem uma solução, enchendo as pessoas de culpa. No tempo em que eu estava lá, ouvia relatos de sofrimento e tentava arrumar razões para a homossexualidade, sempre ligadas à desestruturação familiar ou a traumas. Era um absurdo. O discurso do Moses é homofóbico e cruel: ''Jesus te ama, nós também, mas você precisa deixar de ser gay''. O homossexual continua sentindo desejo, mas com um pé no prazer e o outro na dor, com sentimento de culpa, medo, auto-rejeição. Criávamos uma paranóia na cabeça deles.


ÉPOCA -Quando você percebeu que o ''tratamento'' era uma farsa?


Viula - A gota d'água foi quando um rapaz soropositivo, que chegou a ser da diretoria do Moses, morreu. Ele havia se envolvido sexualmente com dois integrantes do grupo. Um deles estava tão apaixonado que chorou mais que a viúva no enterro. Comecei a pensar que o grupo não funcionava nem para os que estavam dentro dele.



ÉPOCA - Nem para você?


Viula - Sou o melhor exemplo de que não existe ''cura'' da homossexualidade. Sabia que era gay desde os 16 anos. As pessoas que dizem que mudaram, na verdade, continuam sentindo desejo. Um padre que é celibatário e heterossexual não deixa de ser heterossexual porque é celibatário. Um homossexual que não transa porque quer ä renunciar a isso pela fé é gay. Só não está em atividade.


ÉPOCA - O que acontecia nos bastidores do movimento?


Viula - Uma vez criaram uma célula de homossexuais que se reunia na Tijuca para fazer uma espécie de terapia em grupo. Em vez de virarem heterossexuais, começou a rolar paquera. Tinha gente que saía da reunião para namorar. Dentro do próprio apartamento que sediava os encontros aconteceram experiências sexuais. A célula acabou cancelada. Outra situação absurda ocorreu em um congresso da Exodus - grupo cristão internacional que combate a homossexualidade - em Viçosa. Os caras paqueravam e ficavam juntos durante o evento. A mensagem da militância gay, que se reuniu na porta, era: ''Nos deixem em paz''. Lá dentro, dizíamos que Deus transforma. Mas quem estava no evento fazia o mesmo que o pessoal de fora (risos). Era uma incoerência total.


'' O aconselhamento sexual praticado entre os evangélicos é homofóbico e cruel: 'Jesus te ama, nós também, mas você precisa deixar de ser gay''



ÉPOCA -Sua saída do Moses coincidiu com sua ''saída do armário''?


Viula - Sim. Há três anos abri o jogo com as lideranças da Igreja Batista e do Moses e me separei de minha mulher. Depois de um mês isolado, voltei para o casamento e para o Moses. Tinha chegado à conclusão de que era gay, mas não tinha resolvido a questão de fé em minha cabeça. Dois anos depois, me desliguei de vez.



ÉPOCA - Como sua família reagiu?


Viula - A relação com minha ex-mulher é amigável, mas com meus pais está extremamente abalada. São evangélicos e negaram a vida inteira que tinham um filho gay. Não suportaram ouvir de mim o que sempre quiseram esconder. Não nos falamos mais. Tenho um filho de 9 anos e uma menina de 12. Contei a verdade a ela e expliquei por que não podia continuar casado. Ela diz que me ama e não tem vergonha do pai.



ÉPOCA -A mensagem evangélica alimenta a homofobia?


Viula - A maioria dos evangélicos discrimina. O deputado Édino Fonseca é notadamente desequilibrado. Disse na Assembléia de Deus que os gays desejam fazer clonagem para criar um exército e dominar a sociedade. Há muitas pessoas desinformadas nos templos e, para elas, o gay é inimigo em potencial. O Moses deveria orientar as famílias assim: ''Seu filho é gay, mas pode ser saudável, bonito, inteligente e bem-sucedido, como qualquer heterossexual''. Isso nunca foi feito.


ÉPOCA -Você atualmente freqüenta alguma igreja?


Viula - Não. Mas isso não está só relacionado a minha homossexualidade. Conheço muitos gays que são religiosos. Abandonei a igreja por pensar que o Deus cristão é um mito. Mas acho importante militar por uma abertura na igreja. Como grupo social, ela tem de ter uma representatividade gay para não ser discriminatória. Não sou ativista, mas incentivo os movimentos gays, sobretudo o de Luiz Mott (Grupo Gay da Bahia), que foi massacrado por nós, do Moses. Neste ano, fui à ParadaGay do Rio pela primeira vez como homossexual assumido. Antes ia como evangelista. Foi uma experiência maravilhosa. Nunca estive tão em paz.


Revista Época: http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT868192-1664-1,00.html
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Site do MGM:


Site Dolado (release):
 http://www.dolado.com.br/diversao-arte/livro/em-busca-de-mim-mesmo.html


Site Ilhados (release):
 http://www.ilhados.com/2011/01/em-busca-de-mim-mesmo-sergio-viula.html


Blog O Livro de Hélio:
http://olivrodehelio.webnode.com.br/blog/


A entrevista para o Blog O Livro de Hélio foi copiada para o site da Liga Humanista Secular do Brasil aqui: http://ligahumanista.org/profiles/blogs/ate-smo-liberdade-sexual-e-outras-guloseimas

 Blog O Bule Voador:
http://bulevoador.haaan.com/2011/01/19677/



The Flying Tea Pot Project (O Bule Voador in English)
http://flyingteapot.haaan.com/2011/10/433


Eleições Hoje:
http://www.eleicoeshoje.com.br/entrevista-fundador-cura-homossexuais/#axzz1bqj0xPzx


Tradução inglesa da entrevista do Eleições Hoje 
no Flying Tea Pot:
http://flyingteapot.haaan.com/2011/11/475



Repercussão Internacional da entrevista do Eleições Hoje reproduzida no The Flying Pot:


http://instinctmagazine.com/blogs/blog/brazilian-ex-gay-leader-comes-out-says-conversion-therapy-is-a-fraud?directory=100011


http://thinkprogress.org/lgbt/2011/11/03/360334/brazil-ex-gay-comes-out/


http://www.gayapolis.com/news/artdisplay-people.php?artid=11873 

http://gay.americablog.com/2011/11/ex-gay-leader-in-brazil-comes-out-says.html


http://www.justout.com/blog/world-news/brazillian-ex-gay-leader-repents-of-condemning-gays/

http://onespot.wsj.com/politics/2011/11/03/9ff15/brazilian-ex-gay-leader-comes-out-rebuke

http://www.prop8trialtracker.com/qh/brazilian-ex-gay-leader-comes-out-rebukes-%E2%80%98act-of-violence%E2%80%99-of-reinforcing-internalized-homophobia-think-progress/


Revista Trip (comentando a entrevista do Eleições Hoje:
http://revistatrip.uol.com.br/so-no-site/notas/ex-ex-gay.html


The Advocate
http://www.advocate.com/News/Daily_News/2011/11/04/ExGay_Movement_Weaker_By_the_Minute/


IN LANGUAGES OTHER THAN PORTUGUESE AND ENGLISH


EM LÍNGUAS QUE NÃO A PORTUGUESA E A INGLESA




Brasilialainen evankelisen liikkeen jäsen on myöntänyt, ettei ex-homoja ole olemassa

Lassijuhani ~ 10.11.2011 11:15 ~ Uutiset: ulkomaat
Evankelista järjestöä Brasiliaan aikoinaan perustamassa ollut Sergio Viula on haastattelussa myöntänyt, ettei ex-homoja ole olemassa; se on puhdasta itsesuggestiota. Järjestö on väittänyt, että homot pystyvät lakkaamaan tuntemasta vetovoimaa samaa sukupuolta oleviin henkilöihin.

Sergio Viula, yksi Brasilian evankelisen järjestön 'Liike terveen seksuaalisuuden puolesta' perustajista, on tuominnut menetelmät, joita tämä uskonnollinen ryhmä on viime vuosina käyttänyt yrittäessään muuttaa homoseksuaalisia ihmisiä heteroseksuaalisiksi.

Viula myönsi brasilialaisille tiedotusvälineille antamassaan haastattelussa, ”ettei ex-homoja ole olemassa; se on pelkkää itsesuggestiota” ja, että hän perusti järjestön tavattuaan niin monia omasta homoseksuaalisuudesta huolestuneita ihmisiä brasilialaisissa kirkoissa.

Viula kertoi: ”Ex-homoja ei ole; se on pelkkää itsesuggestiota. Aloin käydä kirkossa ja huomasin, etteivät homot osaa taistella 'vaikeuksineen', koska heidän henkiset johtajansa eivät pysty opastamaan heitä, joten päätin perustaa järjestön 'Liike terveen seksuaalisuuden puolesta'. Silloin aloin väittää olevani ex-homo.”. Hän jatkoi: ”Nyt tiedän pettäneeni itseäni, mutta silloin ajattelin kaikkien tunteiden ja vetovoiman olevan pelkkää viettiä, jonka voisi tukahduttaa rukoilemalla ja omistautumalla Jumalalle.”

Niin sanottujen ex-homojen järjestön johtaja totesi: ” Meillä oli ryhmässä tapana ajatella homouden olevan synti, joka on tunnustettava ja hylättävä, minkä takia annoimme neuvoja, rukoilimme, saarnasimme sekä suosittelimme ja vaadimme Raamatun lukemista leimaten aina homoseksuaalisen rakkauden Pirun salajuoneksi.”


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Un líder evangélico de Brasil que defendió la posibilidad de dejar de ser homosexuales ha expresado que "los ex-gays no existen"102011Un líder evangélico de Brasil que defendió la posibilidad de dejar de ser homosexuales ha expresado que "los ex-gays no existen"Por Alexander RochaSergio Viula, uno de los fundadores de una organización evangélica de Brasil que ha defendido en los últimos años la posibilidad de que los homosexuales dejen de sentirse atraídos por otras personas de su mismo sexo, ha expresado en una entrevista que "los ex-gays no existen, es pura autosugestión".

http://noticias.universogay.com/un-lider-evangelico-de-brasil-que-defendio-la-posibilidad-de-dejar-de-ser-homosexuales-ha-expresado-que-los-ex-gays-no-existen__10112011.html

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Никогда не поздно изменить свою жизнь

Do not take a chance from yourself


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Еще один экс-гей раскаялся в содеянном и признал, что занимался самообманом
samuraevi_dumi
[info]danny0071
Еще один экс-гей понял, что "бывшим геем" быть невозможно, и заявил, что занимался самообманом.

Серджио Виула (Sergio Viula - на фото слева) возглавлял движение экс-геев в Бразилии. Сегодня в интервью блогу The Flying Teapot Project он развенчивает взгляды, сторонником которых сам еще не так давно являлся. По словам Виулы, его сексуальная жизнь началась рано: "У меня были отношения с парнями-геями, но сам себя я к геям не причислял, потому что считал это "временной фазой". Первые отношения у меня случились, когда мне было 12, с парнем чуть постарше - и, конечно же, в тайне. Они продолжались два года".

Виула был одним из организаторов евангелистской группы "Движение за здоровую сексуальность", которая проповедовала христианство во время гей-парадов и фестивалей и раздавала листовки, рассказывающие о том, как "бывшие геи и лесбиянки" успешно излечились от своего "порока", стали гетеросексуалами и ведут счастливую, самодостаточную жизнь.

"Экс-геев не существует, это - чистой воды самовнушение, - утверждает Виула. - Я стал ходить в церковь и заметил, что гомосексуалы не знают, как бороться с их "трудностями", поэтому решил организовать группу "Движение за здоровую сексуальность". Это было время, когда я начал называть себя экс-геем. Сейчас я знаю, что занимался самообманом. Но тогда я действительно считал, что любое [гомосексуальное] чувство, или влечение является греховным искушением, и искушение это можно побороть с помощью молитвы и посвящения себя Господу".

Виула оставил созданную им же группу после того, как провел в ней 7 лет. Это случилось в 2006 году. Он рассказывает, что ее участники продолжали вступать в сексуальные отношения с представителями своего пола даже после того, как громогласно заявляли, что благодаря обращению в веру изменились и стали натуралами. "На самом деле никто из них не перестал быть геем. Случались отношения даже между членами группы, в перерывах между ее активизмом: они всегда находили для этого время".

В октябре аналогичное заявление сделал другой бывший руководитель организации экс-геев под названием "Любовь в действии", американец Джон Смид (John Smid). Когда-то он активно пропагандировал конверсионную терапию, однако сейчас говорит, что глубоко ошибался, и что гомосексуальность - это не выбор и не болезнь. "Ничто из того, что я предпринимал, не сделало меня гетеросексуалом - даже несмотря на женитьбу, подразумевающую гетеросексуальное поведение", - сообщил он.

Gay.Ru
Подготовила Александра Лопата





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Еще один экс-гей раскаялся в содеянном и признал, что занимался самообманом


Еще один экс-гей понял, что "бывшим геем" быть невозможно, и заявил, что занимался самообманом.

Серджио Виула (Sergio Viula - на фото слева) возглавлял движение экс-геев в Бразилии. Сегодня в интервью блогу The Flying Teapot Project он развенчивает взгляды, сторонником которых сам еще не так давно являлся. По словам Виулы, его сексуальная жизнь началась рано: "У меня были отношения с парнями-геями, но сам себя я к геям не причислял, потому что считал это "временной фазой". Первые отношения у меня случились, когда мне было 12, с парнем чуть постарше - и, конечно же, в тайне. Они продолжались два года".
Виула был одним из организаторов евангелистской группы "Движение за здоровую сексуальность", которая проповедовала христианство во время гей-парадов и фестивалей и раздавала листовки, рассказывающие о том, как "бывшие геи и лесбиянки" успешно излечились от своего "порока", стали гетеросексуалами и ведут счастливую, самодостаточную жизнь.

"Экс-геев не существует, это - чистой воды самовнушение, - утверждает Виула. - Я стал ходить в церковь и заметил, что гомосексуалы не знают, как бороться с их "трудностями", поэтому решил организовать группу "Движение за здоровую сексуальность". Это было время, когда я начал называть себя экс-геем. Сейчас я знаю, что занимался самообманом. Но тогда я действительно считал, что любое [гомосексуальное] чувство, или влечение является греховным искушением, и искушение это можно побороть с помощью молитвы и посвящения себя Господу".


Виула оставил созданную им же группу после того, как провел в ней 7 лет. Это случилось в 2006 году. Он рассказывает, что ее участники продолжали вступать в сексуальные отношения с представителями своего пола даже после того, как громогласно заявляли, что благодаря обращению в веру изменились и стали натуралами. "На самом деле никто из них не перестал быть геем. Случались отношения даже между членами группы, в перерывах между ее активизмом: они всегда находили для этого время".


В октябре аналогичное заявление сделал другой бывший руководитель организации экс-геев под названием "Любовь в действии", американец Джон Смид (John Smid). Когда-то он активно пропагандировал конверсионную терапию, однако сейчас говорит, что глубоко ошибался, и что гомосексуальность - это не выбор и не болезнь. "Ничто из того, что я предпринимал, не сделало меня гетеросексуалом - даже несмотря на женитьбу, подразумевающую гетеросексуальное поведение", - сообщил он.


▼「同性愛は治せる」と主張してきた団体の設立者、ウソを告白

「同性愛は治せる」と主張する団体の設立者の一人で、自らも「ex-gay(元ゲイ)」を自称していたリオデジャネイロに住むSergio Viula氏が、インタビューに答えて、「誰もゲイであることをやめることはできない、そのグループ内ですら関係があった」と告白し、波紋を広げている。

彼が設立したグループは、the Healthy Sexuality (MOSES)という、キリスト教の福音派のグループで、「同性愛をやめる」ことを手伝っていた。自身も、結婚し、二人の子どもをもうけている。

インタビューに答え、教会に行くようになる中で、元ゲイと名乗り、その団体を設立する流れになったことを語り、自分自身を偽っていたと認めている。






















↑インタビューが掲載されている「the FLYING TEAPOT PROJECT」のサイト

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もちろん、日本のゲイ関係としては、ハッテン場に警察が入り、公然わいせつで客三人が逮捕され(すぐに解放)、公然わいせつほう助で店の経営者が逮捕されるという出来事が、大きなニュースとなったが、このブログでは、そのことについて三日にわたって文章を書いたので、ニュースからは外しました。

一つ加えておくと…警察が入ったハッテン場は、ドラッグや暴力団との関係が指摘されていて、それが最大の理由だろうと言われている。しかし、こうした動きは、動いた側(警察)の思惑とは違う方向で、「一般市民」の意識を動かしてしまうことが往々にしてあることがこわい。

長い目でみると、こういう「被害者がいない犯罪」と言われる、しかし、一部の人が「道徳的退廃」とみるものが事件化され、逮捕とその報道が積み重ねられることが、人々の社会統制への欲望をつくりあげてしまう。

また、その欲望と、「強い政治的リーダー」を求める欲望が合致した先にファシズムが待っていることは言うまでもない。


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Sergio Viula, fondatore fra tanti dell’organizzazione evangelica Movimento per una sessualità sana in Brasile, ha recentemente condannato l’attività di “riorientamento sessuale” portata avanti dall’associazione negli ultimi anni.
Viula, durante un intervista con i media brasiliani, ha dichiarato:
 ”Gli ex-gay non esistono, è pura autosuggestione. Iniziando ad andare in Chiesa mi sono reso conto che le persone omosessuali non sono in grado di gestire le problematiche riguardanti la propria sessualità a causa di una mancanza di orientamento da parte dei leaders spirituali, ed è per questo che ho deciso di fondare il Movimento per una sessualità sana“.
E aggiunge:
“Al giorno d’oggi so di essermi sbagliato, però inizialmente pensavo che il sentimento e l’attrazione per le persone dello stesso ses*o poteva essere una tentazione superabile con la preghiera e la devozione a Dio“.
“All’interno del gruppo pensavamo essenzialmente che essere omosessuale fosse un peccato, da confessare e rimuovere, per questo davamo consigli, pregavamo e predicavamo, raccomandavamo e esigevamo di leggere la Bibbia, demonizzando sempre e comunque l’amore gay“.



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Brazilian Former Ex-Gay Leader Calls His Past “Existential Castration”

Posted November 15th, 2011 by Jenny Blair


Sergio Viula was a leading purveyor of evangelical ex-gay treatments in Brazil, but has now left all that behind, referring to it as “brainwashing” in aninterview he gave to the Secular Humanist League of Brazil. In his words:


In fact, ex-gays don’t exist – it’s pure self-suggestion.

Today I know that I was deceiving myself. But back then, I thought that every sentiment or attraction was a mere case of ‘temptation’ and that it could be overcome with prayer and dedication to god.

Nobody really quit being gay.

Can you figure out how much suffering to myself and to all of those who have already worked or been influenced by this kind of ‘ministry’? That’s enraging! And there are people repeating that stupid discourse until today.

Yes, I am in peace with myself today, happy, and I wonder how I could stand such useless existential castration for such a long time.

[What we ex-gay purveyors did]was an act of violence against ourselves, as we had internalized the homophobia that surrounded us from early childhood, as well as against the others, because we reproduced that very homophobia which they had internalized by themselves long before. We just reinforced it even more.

If you want to attend a church, search for one which is mature enough to even question the validity of its own religious statements.

Viula was brainwashed, he did bad things, he gave it some thought, he outgrew it and now he’s not mincing words. Go and read it; it’s a breath of fresh air.

[h/t Ex-Gay Watch]

Tags: Brazil, Sergio Viula

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Avon, Silas Malafaia e a propagação da homofobia: 

Beatriz Mendes

Beatriz Mendes

Preconceito

07.05.2012 13:02

Avon, Silas Malafaia e a propagação da homofobia

Silas Malafaia é um velho conhecido da comunidade gay no Brasil. O pastor, líder da igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo, costuma protagonizar polêmicas a envolver intolerância e preconceito. Em 2006, foi ele o responsável por uma manifestação diante do Congresso Nacional contra a lei criminalizadora da homofobia. Na ocasião o pastor afirmou que relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo são a porta de entrada para a pedofilia. “Eu vou descer o porrete nesses homossexuais”, decretou, certa vez, em seu programa de tevê – em rede nacional, diga-se, valendo-se de seu direito de liberdade de expressão.

O All Out, site que divulga abaixo-assinados do mundo todo, divulgou a causa de Sérgio Viúla e definiu Malafaia como 'extremista anti-gay'
Por estes e outros motivos, foi uma surpresa para o professor de inglês Sérgio Viula, de 42 anos, e seu namorado, Emanuel Façanha da Silva, quando em meio a promoções de maquiagens, perfumes e bijuterias, depararam-se com livros de Malafaia no catálogo da Avon. “Não são somente obras devocionais ou de leitura budista, católica ou uma novena. Os livros dele são de militância fundamentalista aberta, assim como seus programas de televisão”, diz Viúla a CartaCapital.
O professor conta que a gota d’água foi a inclusão do livro A Estratégia entre os títulos comercializados pela empresa. A obra, escrita pelo pastor americano Louis Sheldon, também é distribuída pela Editora Central Gospel – cujo dono é Silas Malafaia – e levanta a teoria de que os homossexuais estão fazendo um complô contra a humanidade.
Diante da situação, Viula – que não faz parte de nenhuma organização LGBT – resolveu se manifestar. Seu argumento se baseou em um tratado de direitos humanos emitido no ano passado pela Avon, comprometendo-se a não contribuir com qualquer tipo de prática discriminatória. “Escrevi uma carta para a empresa brasileira, falando sobre a minha indignação. Como eles não se manifestaram de imediato, resolvi traduzir a mensagem e encaminhá-la para a Avon dos Estados Unidos”, conta.
Pouco tempo depois, a empresa brasileira escreveu um comunicado em sua página do Facebook, alegando que a “variedade de títulos comercializados contempla a diversidade de estilos de vida, religião e filosofia presentes em nosso País”. Complementou falando não ter a intenção de promover conteúdo desrespeitoso aos direitos humanos.
“A carta contribuiu para eles entrarem em contato comigo, mas o fator determinante foi o fato de o Emanuel ter resolvido parar de trabalhar com a Avon”, acredita o professor. Segundo ele, o parceiro era o que a empresa chama de “Consultor Estrela”, pois vendia produtos em grande quantidade. Quando se deu conta de que os livros de Malafaia estavam no catálogo, abriu mão do cargo. “A gente nunca tinha reparado nos títulos porque ele trabalhava mais com o setor de cosméticos. Mas quando saiu da Avon, representantes da marca o procuraram no escritório, pedindo para ele voltar”.
Nesse meio tempo, as pessoas começaram a se solidarizar com a causa. Representantes de grupos LGBT também entraram em contato com a Avon. Duas mulheres redigiram uma petição em inglês, divulgada no All Out, site que publica abaixo-assinados do mundo todo. “No texto, eles explicaram quem é Silas Malafaia e quais são as ideias propagadas por ele. O negócio está bombando, a Avon vai ter que tomar uma atitude”, enfatiza o militante.
“Muitas pessoas também me perguntaram se valia a pena lutar por essa questão. Eu acho que sim porque se fosse o livro do Hitler, os judeus protestariam, se fosse um livro que negasse a existência da escravidão, os negros ficariam indignados. Por que os gays não podem se manifestar também?”, questiona.
Outro lado
CartaCapital pediu entrevistas à direção da Avon, mas a empresa informou que seu posicionamento oficial é aquele já divulgado por meio do comunicado. “Estamos avaliando as ponderações recebidas e buscando a melhor solução para seguir atendendo nossos consumidores com base em nossos valores”.
Silas Malafaia, por sua vez, tratou a questão com desdém. Em nota divulgada em sua página, o pastor ironizou a movimentação dos ativistas. “Esses gays estão dando um ‘tiro no pé’, estão me promovendo com uma tamanha grandeza que nunca pensei de ser tão citado e até defendido por jornalistas como, por exemplo, Reinaldo Azevedo’, escreveu.
Ele afirmou ainda que essas ações dão a ele elementos para lutar contra o Projeto de Lei 122 – aquele que criminaliza a homofobia. “Se antes de ter leis que dão a eles privilégios, já se acham no direito de perseguir e intimidar os que são contra seus ideais, imaginem se a lei for aprovada”, disse.
Também incentivou os fiéis a mandarem emails para a empresa, pedindo para os livros continuarem no catálogo. “Nós, evangélicos, representamos pelo menos 30% das vendas de produtos Avon. Os gays talvez 2%. Eles são tão abusados que pensam que com ameaças vão nos calar”, concluiu.
Diante do comunicado, Viula afirmou: “Malafaia é um extremista. Inclusive, outros pastores não concordam com as atitudes dele. Dá para ser cristão sem ser homofóbico, agora eu não sei como é possível ser homofóbico e cristão. Essas são contradições que podem matar pessoas”.
O professor fala com autoridade: ele já trabalhou como pastor da Igreja Batista e ajudou, na época, a fundar o Movimento pela Sexualidade Sadia (Moses), ONG prestadora de serviços de “assistência” a homossexuais que gostariam de mudar sua orientação sexual. “Depois de um tempo no Moses eu percebi que aquilo era uma falácia, uma hipocrisia. As pessoas sofriam e viviam uma vida dupla, é impossível deixar de ser gay”, contou.

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QUANDO A LITERATURA SAI DO ARMÁRIO

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Por Nelson Neto
Foto de divulgação de Sergio Viula
“Uma vez lado a lado com o grumete, sentindo-lhe o calor do corpo a corpo roliço, a branda tepidez daquela carne desejada e virgem de contactos impuros, um apetite  selvagem cortou a palavra ao negro. A claridade não chegava sequer à meia distância do  esconderijo onde eles tinham se refugiado. Não se viam um ao outro: sentiam-se, adivinhavam-se por debaixo dos cobertores.”

Este é um trecho de “O bom crioulo”, considerado o primeiro conto homoafetivo do ocidente. Foi escrito por Adolfo Ferreira Caminha, nascido 1867 na cidade de Aracati,  ceará. Romances com temáticas homoafetivas não são novidade no Brasil, entretanto, há cinco anos esse tipo de tema está em evidência. Muito da repercussão é atribuída à evolução da sociedade brasileira que, mesmo a passos curtos, tem progredido em relação aos diversos debates envolvendo questões relacionadas à comunidade LGBTT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Travestis).
Assumir a sexualidade, hoje no Brasil, é mais fácil do que há 30 anos. Por um lado, esse avanço nas relações de gêneros é positivo. Entretanto, como afi rma o escritor Raphael Mello, ainda é preciso discutir o amadurecimento do homossexual. Este é o tema do seu livro “Mentiras sobre o travesseiro”.
Nicho de mercado
Quando questionado sobre o homossexual como um nicho de mercado para a literatura, o escritor diz ter ficado surpreso com a quantidade de leitores homossexuais. “Antes  creditava que o gay tinha outras preferências deconsumo cultural. Mas quando lancei o livro percebi que há um público bem assíduo”, comenta, observando que, no entanto, não são apenas gays que compram seu livro. Algumas editoras classificam os livros com temática LGBTT como literatura gay. Mas a maioria dos editores e escritores não considera adequado fazer esse tipo desclassificação. “O que existe é um conteúdo LGBT, que pode vir sob a forma de qualquer gênero literário já criado”, explica Sergio Viula, autor do livro “Em busca de mim mesmo”.
Raphael Mello vai um pouco mais longe, questionando: “se o meu livro tivesse como personagem principal um rapaz com câncer, a obra deveria ser catalogada como literatura de saúde?”, indaga. Giselle Jacques e Roberto Muniz Dias, editores da Editora Escândalo, especializada nessa área, explicam que seu objetivo editorial é selecionar textos (poesia, romance, texto acadêmico e literatura infantil) de forma a expor uma literatura de qualidade,
distanciando-se de qualquer rótulo que possa colocar as obras em condição inferior à literatura convencional. Ou seja, para eles, não existe um gênero literário gay, como não existe um gênero literário hetero. “O que temos são diversos formatos de literatura que usam a temática homoafetiva como enredo principal”, argumentam.
Militância e literatura
“Sobre o livro como afirmação do público, diria que uma obra com temática LGBTT, que desconstrua preconceitos sem se tornar refém da pieguice hipócrita do moralismo fundamentalista, é, de fato, um meio de emancipação fantástico para a comunidade LGBTT como um todo”, defende Viula, concordando que um livro que conta uma história homoafetiva pode ser apreciado por um leitor hetero. “Mas o objeto literário acaba sendo um produto que afirma esse tipo de consumidor, público e cidadão que tem necessidades como qualquer pessoa”, diz.
O autor do livro “Mentiras sobre o travesseiro” não acredita no livro como uma militância politizada. “Não escrevo querendo dizer algo que contribua diretamente com a sociedade  como um todo; apenas quero contar uma história”, explica Raphael Mello.
Giselle e Roberto, da Escândalo, enfatizam que abordar a literatura gay ou homoafetiva é falar sobre personagens além da ficção, buscar o protagonismo, uma escritura corporal, sobretudo masculina. “É falar sobre um passado que não pôde ousar tanto quanto o modelo hodierno; sobre uma militância velada, às vezes nem tanto; sobre um sentimento universal”, atestam.Talvez o mais importante, como defende Viula, é que enquanto se discute isso existem autores produzindo, editoras lançando,lojas vendendo e leitores desfrutando de conteúdo diversificado e enriquecedor sob os mais diversos pontos de vista da experiência humana. “Vamos nos livrando do encapsulamento psicológico e social a que todos somos submetidos muito antes de podermos raciocinar sobre isso”, conclui.


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ENTREVISTA COM O ESCRITOR SÉRGIO VIULA‏

AUTOR POSTADO EM 
Por: Roberto Muniz Dias     
O que você acha do viés do testemunho como Literatura?
Considero o testemunho fundamental, quando este consegue ser existencialmente enriquecedor e capaz de mexer tanto com a razão e quanto com a emoção do leitor. O último livro-testemunho que li – e isso foi há pouco mais de um mês – chama-se Eu, Pierre Seel, Deportado Homossexual. É, sem sombra de dúvida, um livro perturbador. O autor – um dos últimos sobreviventes do holocausto nazista – compartilha os terrores que sofreu nos campos de concentração como prisioneiro homossexual, e como conseguiu sair vivo, ainda que nunca mais o mesmo. É uma leitura doída, mas necessária, porque nos faz pensar sentidamente o significam a dignidade e os direitos fundamentais do ser humano.
Você acha que sua Literatura é gay? O que é Literatura gay?
Não sei se posso dizer que existe literatura gay, hetero, bi, trans, masculina, feminina, etc. Adoraria classificar meus textos como literatura gay, porque o termo me agrada. Parece facilitar a busca. Se quero um livro com temática homossexual e vejo uma prateleira com a etiqueta ‘Literatura Gay’ ou ‘Literatura LGBT’, isso otimiza o meu tempo na livraria. Com isso, quero dizer que, sob uma perspectiva mercadológica, parece ser útil falar em literatura gay. Porém, sob o ponto de vista de uma teoria da literatura, não há razão para se falar em gênero literário gay. Todo livro pode abordar algum tema gay ou ter personagens gays, mas seu gênero será conto, crônica, romance, ensaio, etc.
Assim como existem autores LGBT escrevendo sobre esse tema ou para esse público, também existem autores heterossexuais produzindo (ou que já produziram) conteúdo dentro dessa temática. Um autor LGBT pode escrever um romance envolvendo personagens heterossexuais, e um autor heterossexual pode escrever um romance que envolva personagens gays. Isso é arte. Bom seria que todo mundo lessem de tudo, porque isso ampliaria muito os horizontes de todos. A gente enriquece o acervo existencial com essa troca.
Você prefere a Literatura gay em Prateleiras específicas ou prefere diluída nas convencionais?
Penso que uma coisa não precisa excluir a outra; elas podem até ser complementares. As livrarias deveriam ter prateleiras específicas para material com temática LGBT, mas também precisam inseri-los em seções com outras classificações. Por exemplo, o livro Reflexões sobre a Questão Gay, de Didier Eribon, poderia constar na prateleira de sociologia. Ao passo que Crônicas de um Pastor Gay, do Rev. Marcio Retamero, poderia constar na prateleira de religiões. E o Em Busca de Mim Mesmo, de Sergio Viula, poderia estar na prateleira de autoajuda. Cito também A Casa da Montanha, de Giselle Jacques, e o seu (Roberto Muniz Dias) Adeus a Aleto, os quais poderiam figurar na prateleira de romances.
Existem livros que abordam a temática LGBT na área do direito, da política, etc. Eles poderiam ser classificados como ensaios, mas geralmente não são etiquetados assim. Geralmente, as livrarias classificam como política, direito, etc. Portanto, as livrarias poderiam fazer a mesma coisa com os livros que abordam temas ligados à população LGBT, ou seja, coloca-los na classificação de direito, política, comportamento, romance, etc. Muitas pessoas ignoram as prateleiras com etiqueta LGBT, mas poderiam ter inesperados e salutares encontros com esse material em outras áreas das livrarias.
E cabe aqui falar também sobre a literatura infantil que aborda a temática LGBT. Existem iniciativas interessantes, mas ainda pouco frequentes nesse sentido. Tive o prazer de saber que a Editora Metanoia lançou o primeiro livrinho da série Coleção Família Legal. Esse primeiro livro, todo ilustrado e em linguagem infantil, chama-se Toda Família é Legal, de Lea Carvalho, e fala sobre os diversos tipos de famílias que encontramos na sociedade hoje. Espero que muitos outros venham. Quem quiser ter uma ideia de como a literatura infantil pode ser enriquecida com a temática LGBT, pode assistir um vídeo que eu produzi baseado no livro Papai Tem Namorado: Tomara que as editoras brasileiras invistam mais nesse segmento também.
                        
Leituras gays ou autores gays influenciaram na sua forma de pensar? Que autores vc leu ou está lendo?
Já fiz muitas leituras gays. Dentre os livros que já li, alguns foram escritos por autores gays, outros não. Outros ainda foram escritos em parceria entre autores LGBT e autores heterossexuais. Por exemplo, Diversidade Sexual e Homofobia no Brasil foi produzido através de uma parceria entre o Instituto Rosa Luxemburg Stiftung e a Fundação Perseu Abramo, baseado numa pesquisa sobre homofobia realizada por ambas no Brasil. Os escritores eram gays, lésbicas, bissexuais e heterossexuais. Dentre os autores heterossexuais, cito a ilustríssima e caríssima Dra. Maria Berenice Dias, uma das maiores defensoras no campo do direito homoafetivo na história desse país.
Outro livro interessante que li e que também tem essa característica foi Minoria Sexuais – Direitos e Preconceitos, organizado por Tereza Rodrigues Vieira e prefaciado por Marta Suplicy.
Um livro como Viagem Solitária, do João W. Nery, não permite que o leitor termine sua leitura sendo a mesma pessoa que era quando começou. Quem leu, descobriu um Brasil que não conhecia, ou seja, uma pátria amada que não foi, sob qualquer ponto de vista, mãe gentil para esse transhomem, assim como não tem sido para vários outros transexuais. Quem lê o relato de João fica sem saber se foi ele (o leitor) que se apropriou da narrativa ou se foi a narrativa que se apropriou dele. Isso me traz à mente uma velha verdade: Toda história bem contada provoca transformação, seja para melhor ou para pior. No caso do livro do João a mudança é para melhor, sem dúvida.
Sem dúvida alguma, devo muito do que penso às leituras e aos autores LGBT ou simpatizantes. Até mesmo as leituras anti-gay que fiz quando ainda estava envolvido com o fundamentalismo religioso (tempos obscuros) acabaram contribuindo – depois de minha própria superação da homofobia internalizada – para me dar uma visão melhor dos malefícios que esse mesmo fundamentalismo pode promover na vida dos indivíduos e da sociedade. Em suma, o que não me matou acabou me fortalecendo.
Atualmente (comecei nesta sexta 13 de julho de 2012), estou lendo Retratos do Brasil Homossexual – Fronteiras, Subjetividades e Desejos, organizado por Horácio Costa. Estou gostando muito. O livro que li imediatamente antes desse foi o já citado A Casa da Montanha, de Giselle Jacques, um romance que eu recomendo com entusiasmo, pois de tão bom que é, deixou-me triste, quando finalmente tive que me separar dos personagens ao término da leitura. Sem que eu percebesse, eles passaram a fazer parte da minha vida. Amei o texto!
A Literatura Gay pode ser panfletária e política?
Pode. E deve, desde que por política entendamos a arte de viver em paz com o outro. Mas não é possível ter paz enquanto as políticas públicas não forem igualitárias. Por isso, precisamos eliminar a desigualdade, a injustiça, a privação de direitos, especialmente dos direitos fundamentais. Nem todo o livro vai desempenhar esse papel, mas muitos livros podem fazê-lo com esmero.
Porém, precisamos tomar muito cuidado para que não sirvamos a meros interesses de partidos, os quais – no pior sentido – podem ser apenas instituições que almejam se manter no poder e que, para tanto, negociam até o fundamental. Já fomos vítimas dessa artimanha vezes o suficiente para sabermos que trata-se de sórdida sabotagem contra a causa da igualdade, tão cara aos cidadãos LGBT, adiando qualquer avanço republicano.
Se tratarmos de temas ligados ao direito e à política, que seja para promovermos o humanismo pleno, com foco principalmente (mesmo que não exclusivamente) sobre os direitos LGBT.
Contudo, é importante lembrar que a literatura chamada gay também deve entreter, surpreender, comover, divertir, informar, inspirar. Ela deve ser capaz de dialogar com todos e todas.
O que acha de gay ler Literatura gay?
Acho que a literatura com temática LGBT é um must para toda pessoa homoafetiva que se preze ou despreze (risos). Talvez para esta mais do que para aquela. Mas, não acho que gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais, etc. devam ler somente material voltado para esse segmento. Seria interessante ler de tudo, como eu disse antes. Mas, infelizmente, pelo que eu vejo, ainda tem muito LGBT que nunca leu um livro com essa temática. Além disso, muita gente diz que ama ler, mas não lê, de fato. Se eu fosse usar uma metáfora relacionada ao amor e ao sexo, eu diria que a maioria das pessoas nutre amor pelos livros, à distância, mas dificilmente trepam com eles. Existe, porém, uma minoria que não passa um dia sem dar ‘umazinha’ com um livro, mesmo que não haja amor envolvido. Eu mesmo já li muita coisa com a qual não me identificava, porque precisava me apoderar daquele conteúdo para pavimentar o terreno para novas ideias.
A Literatura Gay salva almas ou pessoas?
Depende do que se entende por salvar. Se por salvar, a gente quer dizer tirar a pessoa de um estado de subserviência imposta pela heteronormatividade, produzir perspectivas mais libertárias, romper com a uniformização de pensamento e comportamento imposta pela cultura homofóbica circundante, então a Literatura Gay – como você a designa – salva! Um livro com temática LGBT que seja bem escrito, produzido por autores ousados, cujo pensamento seja maduro e interdisciplinar, comprometido com a vida, com a liberdade e com a felicidade humanas pode mostrar-se realmente soteriológico do ponto de vista existencialista e humanista, mas sempre haverá uma parte que caberá apenas ao indivíduo: transformar esses impulsos para a vida em vida na prática.
Como você avalia seu trabalho como autor gay?
Partindo da resposta dos próprios leitores, eu diria que comecei bem (risos). Mesmo assim, acredito que ainda precise melhorar muito.
Tomando Em Busca de Mim Mesmo, que é um livro testemunhal, escrito por um homossexual, fico feliz em ver que ele tem sido apreciado por muita gente heterossexual. A maioria das pessoas diz que passou a ter uma compreensão maior do que significa ser gay numa sociedade ainda tão carregada de homofobia e hipocrisia como a nossa. O livro, porém, não tem nada de vitimizante. Ele é, acima de tudo, um testemunho de superação com forte apelo existencial.
Novos projetos?
Gostaria muito de publicar dois tipos bem diferentes de texto: contos e ensaios na área de filosofia política. Sobre os contos, fiz uma singela experiência publicando dois deles num site de e-books só para ver a reação dos leitores, e recebi feedback muito positivo. Quem desejar, poderá encontra-los aqui: http://www.foradoarmario.net/p/no-meio-da-vir-ilha-conto-por-sergio.html
Mas eu costumo ver a vida como aquilo que acontece a despeito de todos os planos. O imponderável está sempre à espreita. Por isso, muita coisa que faço acaba sendo resultado de uma vontade que tenta saber esperar o momento mais adequado. Nem sempre consegue. E não é exatamente isso que torna tudo mais emocionante?

Roberto Muniz  Dias /   Mestrando em Literatura pela UnB (Universidade de Brasília)
Fonte: http://www.todosiguais.com/?p=2821

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24 DE JULHO DE 2012


ENTREVISTA COM SERGIO VIULA: Responsável pela retirada dos livros de Silas Malafaia da AVON!


No dia 25 de junho, postei aqui uma matéria sobre a AVON ter deixado de vender os livros do pastor homofóbico Silas Malafaia [confira aqui]. Tentei entrar em contato com Sergio Viula, autor do abaixo assinado online da All Out em abril deste ano [2012], muito simpático, ele respondeu algumas perguntas que nos ajudam a entender o que houve, de fato.

Sergio foi pastor e se dedicou à cura de homossexuais. Ele participou da fundação do MOSES [Movimento pela Sexualidade Sadia] em 1997 e trabalhou nesta entidade tentando curar homossexuais até 2003. Segundo ele, esse tempo foi o bastante para entender que todo o esforço era vão:
“Este grupo pretendia ajudar pessoas homossexuais a se tornarem heterossexuais. De 1997 a 2003, eu vi o suficiente para saber que essa mudança não acontecia de fato, e somando-se a isso o tempo todo em que estive na igreja e fui pastor, posso dizer que nunca encontrei um caso de verdadeira mudança. Foi por isso que, em 2004, eu vim a público denunciar a falácia desse tipo de promessa. Isso aconteceu, porque a revista Época estava interessada em saber mais a respeito desse assunto, por causa de uma polêmica gerada por um deputado e pastor da Assembleia de Deus na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro”.


Quando perguntei sobre as motivações que o levou a questionar a empresa de cosméticos sobre a venda de livros homofóbicos do pastor Silas Malafaia, ele citou a homofobia e o empenho de Malafaia em criticar os homossexuais, o compromisso que a AVON selou pelos direitos humanos e a possibilidade de vender os seus livros, expondo as suas opiniões em outros espaços: “Primeiro, o fato de que esse pastor usa suas ferramentas midiáticas para espalhar preconceito contra os homossexuais... Segundo, a AVON firmou compromisso com o Human Rights Campaign que textualmente diz que ela não apoiará organizações que discriminem as pessoas por orientação sexual ou de gênero... Terceiro, o referido pastor pode vender seus livros através de suas igrejas, das livrarias evangélicas, de seu telemarketing, etc”.

Segundo alguns sites, a gota d’água foi o fato de Sergio ter encontrado no catálogo o livro A Estratégia: o plano dos homossexuais para transformar a sociedade. Porém, “isso foi um equívoco do jornalista que fez a entrevista. Eu não falei desse livro. O que eu disse é que o livro dele ‘Vínculos do Amor’ difamava a homossexualidade. Era esse livro que constava no catálogo daquele mês”. E brinca: “Quando eu tiver oportunidade de ler esse lixo sem gastar um centavo, lerei. Pode ter certeza. (risos)”.

Sergio acredita que existe uma conveniência silenciosa sobre conteúdos homofóbicos e que por isso os livros com esse teor preconceituoso deveriam estar fora do mercado. “Provavelmente, se fosse contra negros, judeus e índios, esse livro já teria sido banido”.

Certo juiz proibiu a venda do livro “Lampião: o mata sete”, porque trazia outra versão da vida do cangaceiro, apresentando um homem bissexual e apaixonado pelo mesmo homem que sua esposa, Maria Bonita, o teria traído. Esse é um exemplo fantástico para demonstrar a homofobia "nossa de cada dia". “De tudo o que Lampião fez na vida, amar um homem e uma mulher pode ter sido a única coisa que realmente mereça aplausos”. Já alguns livros da editora de Malafaia, “denigrem, difamam e incitam o ódio contra uma minoria já vulnerável na sociedade”.

Em 2006 Silas realizou uma manifestação diante do Congresso Nacional contra a lei que criminalizava a homofobia. Segundo ele, os relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo são a porta de entrada para a pedofilia. Em seu programa de tevê, ele disse que “Deveriam descer o porrete nesses homossexuais”, demonstrando o seu ódio, intolerância e incitando a violência contra os homossexuais. Ele respondeu processo, mas foi absolvido. “Não sei como um representante religioso pode dizer tamanha besteira. As estatísticas mostram que o número de meninas abusadas por homens é, de longe, maior do que o número de meninos abusados por homens. E ninguém dirá que a culpa é dos heterossexuais”.

Silas Malafaia é atualmente, um ícone religioso, super respeitado no Brasil. Porém, Sergio disse não ter medo de comprar a briga. “Minha indignação contra esse tipo de obscurantismo e homofobia é maior do que qualquer receio. Ele é muito midiático, espalhafatoso, mas existem muitos pastores que o desprezam. Isso sem falar em igrejas inteiras que jamais o convidariam para uma pregação”.

O companheiro de Sergio, Emanuel Façanha da Silva, era revendedor da AVON, reconhecido como “estrela”,  e o fato de ter abandonado as vendas, por causa da presença dos livros veiculadores de mensagens homofóbicas, fez com que a empresa de cosméticos o procurasse para tentar fazer com que o vendedor voltasse a trabalhar com os produtos da empresa. Porém, até a data desta entrevista, Emanuel não tinha voltado. Ele “tem se dedicado à venda de produtos NATURA e outras marcas. Ele é maquiador profissional e as clientes dele sempre dizem que confiam nele. Ele trabalha com muita responsabilidade e, por isso, se ele oferecer outro produto, as clientes não hesitarão em experimentar”.

A AVON publicou uma nota pública no facebook, mas não comentou nada oficialmente sobre a retirada dos livros de Malafaia do catálogo de vendas. “A empresa nos escreveu, oferecendo uma explicação que me parece ser a resposta-padrão para qualquer impasse semelhante... A AVON tem mais de 125 anos de existência e nunca precisou dos livros do Malafaia para acumular riqueza, mas pode perder muito se tiver sua imagem permanentemente associada à homofobia e ao fanatismo”.

Já o site Gospel+ trouxe uma matéria divulgando uma nota de Silas Malafaia acerca do acorrido: É importante esclarecer que em algumas quinzenas não sai propaganda do nosso produto. Isto é comum neste catálogo. Temos programação para até o final do ano, portanto, mais uma mentira e safadeza de ativistas gays, o que é bem peculiar do caráter deles.

Enfim, mais um mês se passa e nada de livros de Malafaia na AVON. 


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POR CECILIA GIANNETTI - 23 de outubro de 2012.



Os homossexuais, conforme retratados pelo livro “A Estratégia”

No debate político o assunto da cartilha anti-homofobia – acusado de fazer apologia à homossexualidade, em vez de prevenir a homofobia – foi antes um joguete às vésperas das eleições do segundo turno em São Paulo; em seguida foi deixado de lado, quando provou não ser capaz de mostrar nem um candidato nem o outro sob luz favorável. A discussão não funcionava bem para angariar votos.

Enquanto isso – o que não é de causar espanto, nesta conjuntura – um livro que atenta contra os direitos civis de homossexuais, bissexuais, transexuais e travestis. A Avon, que distribuía o livro, retirou-o de seu catálogo em junho, graças a protestos e a um abaixo-assinado que rapidamente se espalharam pelas redes sociais. Mas ainda está à venda em livrarias e lojas online.

Na Amazon, no espaço dedicado a críticas, clientes se declaram espantados com a presença do livro na loja, como o “Really Disgusted Costumer“, a seguir: [traduzido do inglês] “Eu não consigo acreditar que livros como este são publicados. Qualquer editor com um mínimo de bom senso deve perceber o quão perturbativamente ele é preconceituoso. Basicamente, é o mesmo tipo de discurso que surgiu contra negros após a Guerra Civil, basta substituir “negro” por “homossexuais”. Realmente perturbador e nojento.”

Assinado pelo pastor norte-americano e presidente da Traditional Values Coalition Louis Sheldon, e lançado no Brasil pela editora Central Gospel, do pastor Silas Malafaia (Assembleia de Deus Vitória em Cristo), “A Estratégia – O plano dos homossexuais para transformar a sociedade” (“The Agenda“) revela a fonte da qual Malafaia, o deputado federal Jair Bolsonaro e o senador Magno Malta, entre outros da mesma cepa, copiam seu discurso contra a comunidade LGBT.

“O discurso deles é um plágio descarado do livro (…) e de outros semelhantes e anteriores a esse,” afirma Sergio Viula, um dos fundadores do MOSES (Movimento pela Sexualidade Sadia) e autor do livro “Em busca de mim mesmo”.

Plágio é o menor dos problemas em relação à “Estratégia” propagada pelos pastores. Vale a palhinha:

O livro começa retratando gays em geral como gente perigosamente promíscua, muito fã de saunas onde o sexo rola solto. Mas o que será que acontece em casas de massagem, casas de prostituição e clubes de troca de casais para heterossexuais, que também têm seu público numeroso e cativo? Ora bolas, a heterossexualidade também possui variadas opções de espaços de recreação sexual. Porém, “A Estratégia” retrata os gays como os únicos tarados do pedaço. O que, aliás, não diz nada sobre sexualidade em si.

Mas é assim que esse livro joga.

Na página 6, o pastor Louis Sheldon equipara os gays a terroristas:

“Não são apenas os terroristas estrangeiros que devemos temer hoje. Os radicais mais perigosos que ameaçam nosso estilo de vida são aqueles que vivem entre nós. Eles já têm posições privilegiadas no governo, nos tribunais e em nossas escolas e faculdades, e até mesmo no mundo dos negócios, e você pode ter certeza de que eles nos destruirão se não tomarmos medidas para derrotar o movimento radical deles agora.”

Para o autor de “A Estratégia”, os gays são piores do que terroristas e devem ser derrotados se a sociedade quiser viver em segurança. Tal discurso é um discurso de ódio. E qualquer publicação que propaga e incita discurso de ódio merece ao menos uma investigação e algumas denúncias ao Ministério Público.

Na página 19, Sheldon declara guerra, oficialmente, contra os homossexuais, empregando terminologia de guerra, como relata Luiz Henrique Coletto, presidente do Conselho LGBT da Liga Humanista Secular do Brasil, que comprou o livro para estudá-lo e rebater o discurso do autor em um vídeo veiculado no Youtube, com algo que o texto original do pastor não possui: lógica.

“A Estratégia” afirma que “O debate moral a que políticos e analistas de pesquisas de opinião se referem como guerra cultural na América é uma guerra verdadeira no sentido restrito da palavra, o resultado é que estamos engajados em uma luta de vida ou morte, com batalhas ferozes, baixas verdadeiras, e consequências muito reais para nós, que abracamos uma compreensão tradicional de fé, família e liberdade, o desafio não poderia ser maior.”

É uma guerra declarada e os gays são os terroristas.

Na página 35 o pastor Louis Sheldon afirma que “por quase toda uma década a mídia liberal tem alardeado a notícia de que pesquisadores encontraram a prova de que a homossexualidade é inata, genética e um comportamento normal entre considerável porcentagem da população.” O livro renega tais descobertas científicas.

“A Estratégia” é construído também em cima de várias distorções propositais.

Uma dessas distorções diz respeito a uma sátira publicada originalmente no Gay Community News, em fevereiro de 1987, intitulado “The Gay Manifesto“. O autor do suposto “Manifesto” usou de um humor agressivo ao retratar a visão homofóbica de grupos anti-gay. O humor agressivo foi o estilo escolhido pelo autor para colocar-se na posição extremista em que tais grupos enxergam e retratam os homossexuais e obter um efeito cômico que demonstrasse, na própria escolha de suas palavras, o absurdo das teorias homofóbicas:

“Nós vamos sodomizar os seus filhos, símbolo de sua frágil masculinidade, de seus sonhos superficiais e mentiras vulgares, vamos seduzi-los em suas escolas, em suas repúblicas, em seus ginásios, em seus vestiários, em suas arenas de esporte, em seus seminários, em seus grupos de jovens, nos banheiros dos seus cinemas, nos alojamentos dos seus exércitos, nas paradas de seus caminhões, em todos os seus clubes masculinos, em todas as suas sessões plenárias, em todos os lugares onde homens estejam juntos com outros homens. Seus filhos se tornarão nossos subordinados e farão tudo o que dissermos. Serão remodelados à nossa imagem. Eles (…) nos adorarão.”

O livro de Sheldon retira o texto publicado pela Gay Community News do contexto da sátira e o apresenta como um ataque dos gays contra a sociedade, acusando-o de fazer ameaças reais. O texto em questão tem sido reproduzido pela internet como se fosse literal, e não um deboche ao radicalismo próprio dos grupos anti-gays, como o que é liderado pelo pastor.

Na página 9, prega que a homossexualidade mata mais do que a heterossexualidade, citando dados de 1988 relacionados a mortes por HIV. (O que nada prova contra a homossexualidade.) Como lembra Coletto, os números atuais são muito diferentes e não serviriam à pregação do pastor:

“Dados do Ministério da Saúde do Brasil (2011/2012) afirmam que os homens jovens que praticam sexo com outros homens jovens usam camisinha 2.2 vezes mais do que os heterossexuais jovens em relações casuais. Nos últimos dez anos observa-se redução de 11.1 % na mortalidade por AIDS no Brasil, graças a políticas de divulgação do sexo seguro (…).”

Para Coletto, “isso tem que ser analisado sob o ponto de vista sociológico também. A homossexualidade não coloca o gay em risco. Mas a maneira como ele vive a sua homossexualidade pode colocá-lo em risco. Por exemplo: um jovem gay com parceiro fixo e ambos sejam saudáveis, e praticam sexo com camisinha, correm risco praticamente zero. O jovem heterosseuxal que vai a um baile funk e transa com várias meninas na mesma noite sem usar camisinha, só naquela história de “baixa a sainha”, corre muito mais risco. Mas isso não diz nada sobre a homossexualidade ou a heterossexualidade. Isso diz respeito à maneira como as pessoas vivem a sua sexualidade.”

Outro exemplo de questão que “A Estratégia” levanta como argumento e do qual não há provas: não há qualquer evidência de que Sodoma e Gomorra – que o autor de “A Estratégia” considera fato histórico – sucumbiram à destruição por conta de atos de homossexuais. O pastor usa esse mito como prova de que Deus reprova a homossexualidade. “Mito não pode servir para fazer política pública,” lembra Coletto.

Tais são os argumentos do pastor.



Em seu vídeo, Coletto cita dados de uma resolução da APA – Associação Psicológica Americana a respeito da homossexualidade que valem ser ressaltados:

“O consenso de longa data (desde 1975) das ciências sociais e comportamentais, de saúde mental e de profissionais de saúde, é que a homossexualidade em si é uma variação normal e positiva da orientação sexual humana e identidade. A homossexualidade por si não é uma desordem mental. A APA tem se oposto ao estigma, preconceito, discriminação e violência baseados em orientação sexual e tem tomado posição de liderança em apoiar os direitos iguais de LGBT. (…) A APA reafirma sua posição de que a homossexualidade por si não é uma desordem mental e se opõe a retratos da minoria sexual jovem e adulta como mentalmente doente devido a sua orientação sexual.”

E aí, MPF?

***

p.s.: O livro “A Estratégia” tem uma página no Facebook esperando a sua denúncia por “Discurso de violência direcionado a gênero ou orientação”: https://www.facebook.com/pages/A-Estrat%C3%A9gia-O-plano-dos-homossexuais-para-transformar-a-sociedade/421335444545028


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PESSOAL, esse mortal aprontou mais uma uma. Falei sobre paternidade gay à revista H (Homem de Verdade) número 05. A revista é nova e está se consolidando no mercado editorial, mas desde a primeira (eu tenho!) está fazendo um trabalho excelente!

Confiram essa edição! Já nas bancas.

Meus agradecimentos a André Fischer (editor), Felipe Dias (entrevistador) e Sergio Santoian (fotógrafo)

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CONEXÃO JORNALISMO
Página com duas entrevistas minhas (uma em vídeo e outra em podcast). São entervistas diferentes. A do vídeo trata da "cura gay" e do podcast toca nesse assunto, mas fala principalmente de Marco Feliciano na Comissão de Direitos Humanos e na sucessão Papal.

Confira:

Terça-feira, 12 de Março de 2013

Gay e ex-pastor condena homofobia no interior das religiões 

Por Gabriela Vasconcellos
Ex pastor gay, Sergio Viula
Ex pastor gay, Sergio Viula
Apesar de ser uma questão muito antiga, o embate entre religião e homossexualidade está vindo à tona principalmente nestas duas últimas semanas, tanto no cenário nacional quanto no internacional.

No Brasil, a problemática envolve o pastor Marco Feliciano (PSC-SP), indicado para presidir a Comissão de Direitos Humanos da Câmara e acusado de ser racista e homofóbico.

No cenário internacional, em plena época de conclave, onde o novo líder da Igreja Católica será escolhido, cresce a expectativa que o novo Pontífice abra os horizontes da Igreja para a questão que já gerou tanta polêmica e envolve, inclusive, a saída de Bento XVI. 

Às vésperas do início do conclave, mais uma bomba estourou no Vaticano. O jornal "Independent” denunciou o investimento de 23 milhões de libras em um condomínio de luxo que abriga a maior sauna gay da Europa.

O Conexão jornalismo entrevistou o teólogo, ex-pastor da Igreja Batista, Sérgio Viula, que dedicou 18 anos da sua vida a “curar” gays. Hoje, homossexual assumido e ativista da causa, tem fortes posicionamentos acerca das duas questões.

Sérgio considera inaceitável que o pastor Marco Feliciano assuma o cargo de presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. Segundo ele, existem duas questões fundamentais a serem defendidas na comissão: a primeira, a defesa da vida do homossexual, e a segunda grande bandeira é a do casamento gay. Questões essas que dificilmente seriam defendidas pela bancada religiosa. 

“Quanto mais gente espancada, quanto mais gente morta por ser gay, mais eles vão reforçar a mensagem de que é impossível ser gay e ser feliz. Eles estão ali para impedir o avanço do direito”, afirma. 

Sobre a questão da “cura gay”, comprovado cientificamente que não existe, Sergio afirma que em 18 anos de igreja, nunca viu uma pessoa “curada”. 
“Isso não passa de charlatanismo. Porque quando você diz que uma coisa é doença só para vender o remédio, você não passa de um tremendo trapaceiro”, diz ele, referindo-se a Feliciano.

(Veja aqui a entrevista com o pastor Alexandre Marques Cabral, a favor da homossexualidade:)




Já no que toca a Igreja Católica, Sergio acredita que um primeiro passo seria a escolha de um Papa que fosse mais simpático às questões homossexuais. Segundo ele, o Pontífice, como líder religioso e político, precisa abrir os olhos para atender as demandas da sociedade, que hoje discute muito mais a questão da homofobia e, mais do que isso, discute de outra forma.


Ouça a entrevista na íntegra:

Conheça a história de Sérgio Viula:



PARA OUVIR O PODCAST, ACESSE A PÁGINA DO CONEXÃO JORNALISMO E VÁ ATÉ A PARTE DEBAIXO DESSE VÍDEO ONDE VOCÊ ENCONTRARÁ O PLAYER DO PODCAST (NÃO CONSIGO COLAR AQUI). VOCÊ ENCONTRARÁ A SEGUINTE CHAMADA PARA A ENTREVISTA:
Ouça aqui a entrevista de Gabriela Vasconcellos com Sergio Viula



IDAHO - HOLAND - INTERVIEW TO A DUTCH MAGAZINE. CHECK LINK, PLEASE.


Só para compartilhar, essa revista online holandesa (disponível só para assinantes), publicou uma citação minha hoje em comemoração ao Dia Internacional de Combate à Homofobia (IDAHO):  http://www.denieuwepers.com/nederland-steekt-braziliaanse-homos-en-lesbiennes-hart-onder-de-riem/ 

Eles me perguntaram o que eu achava do hasteamento da bandeira do arco-íris em frente à Embaixada da Holanda em Brasília. Minha resposta foi: "Essa iniciativa é maravilhosa. O Brasil precisa se espelhar em países pioneiros na igualdade de direitos da sexodiversidade. A Holanda tem sido um exemplo desde que aprovou o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Nenhum país até então havia feito isso. Foi um marco histórico e o início de uma mudança de paradigma no direito. Fico feliz em saber que a nação holandesa não apenas inclui, mas celebra a sexodiversidade. Queremos ver o dia em nossa presidente e nossos congressistas trabalharão pela inclusão tanto quanto nosso Judiciário. Parabéns a Holanda pelo vanguardismo. Hoje mesmo colocarei esse post no www.foradoarmario.net."


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No Blog da Folha (PE), uma entrevista minha publicada hoje sobre o infame projeto de "cura gay" do Dep. João Campos: http://www.folhape.com.br/blogdafolha/?p=104002


Recife, 09 de Junho de 2013



POLÍTICA



Ex-ex-gay não acredita em tratamentos para cura gay


Publicado por Maurício Júnior, em 9.06.2013 às 12:31


O teólogo (ex-pastor da Igreja Batista), filósofo, autor e hoje professor de inglês Sergio Viula conviveu na pele com o sofrimento de ter que esconder sua homossexualidade por 14 anos. Optou pelo caminho que muitos gays preferem seguir com medo da reprovação social – casar e construir família contra a sua vontade.
Lei polêmica quer permitir psicólogos ‘curando’ gays

Conselho Federal de Psicologia vê retrocesso

Deputado pernambucano solicita aprovação de projeto

Papo com o Blog: pode existir a “cura gay”?

Feliciano defende tramitação do projeto ‘cura gay’

Psicólogos defendem o cuidado

Votação marcada para última semana foi adiada


No período em que precisou ‘entrar no armário’, Viula não só buscou ajuda dos ditos “psicólogos cristãos” como também foi um dos fundadores do Movimento pela Sexualidade Sadia – organização criada em 1997.


“Durante todo o tempo em que convivi nesse ambiente, nunca vi qualquer pessoa que tivesse realmente mudado sua afetividade/desejo. Pelo contrário, algumas desenvolveram sentimentos e comportamentos egodistônicos e depressivos”, disse em entrevista ao Blog da Folha.


Depois de reassumir sua opção sexual, Sérgio criou um blog sobre essa temática – (
www.foradoarmario.net). Confira entrevista concedida ao nosso blog.


1- Você concorda com o projeto da cura gay?


Não concordo, porque trata-se de um projeto de proselitismo religioso que pretende silenciar os homossexuais através da patologização de sua afetividade. O interesse é tirar a diversidade sexual da arena pública e devolvê-la ao manicômio onde já esteve confinada, graças ao fundamentalismo religioso e ao conservadorismo heterossexista. Não tem qualquer base científica.


2- Você acha que pode existir a cura gay? Qual o motivo?


Não. Primeiro, ser gay é tão natural quanto ser heterossexual ou bissexual. Pode até haver doença sem cura, mas jamais cura para o que não é doença.


3- Você se declara homossexual. Como foi trabalhar isso? Fácil, difícil? Teve o apoio da família?


Não foi fácil me assumir como homossexual, primeiro por causa do bullying sofrido na escola, depois pela total falta de apoio da família, que ignorava tudo o que dissesse respeito à diversidade da sexualidade humana. E, por fim, tudo isso era realçado pela homofobia embutida nas pregações religiosas, primeiro no Catolicismo e depois no Protestantismo. Isso não tem nada a ver com a homossexualidade em si, mas ao modo como desde cedo ouvimos as pessoas mais conservadoras referirem-se a ela. Depois de um casamento de 14 anos, uma jornada de 18 anos no evangelicalismo, incluindo atuação junto a “ministérios de cura gay” e ministério pastoral, saí do armário. Isso se deu há 10 anos e só foi possível porque percebi que já era hora de assumir as rédeas da minha vida e andar por mim mesmo, sem o peso morto dos preconceitos reforçados por pessoas ou instituições homofóbicas.


4- Você procurou ajuda psicológica? Pensou alguma vez em buscar se curar do fato de ser homossexual?


Sim. Não só busquei ajuda dos ditos “psicólogos cristãos” como também fui um dos fundadores do Movimento pela Sexualidade Sadia – organização criada em 1997. Durante todo o tempo em que convivi nesse ambiente, nunca vi qualquer pessoa que tivesse realmente mudado sua afetividade/desejo. Pelo contrário, algumas desenvolveram sentimentos e comportamentos egodistônicos e depressivos. Dessa experiência, nasceu o livro Em Busca de Mim Mesmo, no qual descrevo minha trajetória e alerto para os riscos do envolvimento com esse tipo de “grupos de terapia gay.”








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My Dutch friends (and those who speak Dutch) may like it:
http://www.denieuwepers.com/van-predikant-tot-homoactivist/



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Donderdag 18.07.13



Van predikant tot homoactivist



Tekst Alex Hijmans15 uur geleden







Sergio Viula. Beeld: Alex Hijmans





INTERVIEW // Jarenlang probeerde hij als predikant van een Braziliaanse baptistengemeente homo’s te ‘redden’, tot hij zelf tijdens een evangelisch congres in Singapore door een Filipijn gered werd. Een gesprek met vooraanstaand homoactivist Sergio Viula.





Homo’s ‘genezen’ – het klinkt even absurd als achterhaald. Maar vorige maand nog sneuvelde er in Brazilië een wetsvoorstel dat psychiaters weer in staat zou hebben gesteld om homo’s en lesbiennes voor hun ‘ziekte’ te behandelen. Dat soort kuurtjes is sinds 1999 verboden.Homo’s ‘redden’ mag wel. Evangelisch-christelijke kerken, in Brazilië de laatste twintig jaar bezig aan een enorme opmars, hebben er zelfs speciale brigades voor. Daarvan richtte Sergio Viula (44) er hoogstpersoonlijk een op.“Tijdens de gay parade stond ik zieltjes te winnen,” vertelt hij. “In bars en discotheken lokte ik homo’s en lesbiennes naar evangelische bijeenkomsten.”Het doel van de mede door Viula opgerichte ‘Beweging voor Gezonde Seksualiteit’ Moses, die nog steeds actief is: homoseksuelen bekeren en op die manier tot ‘gezonde’ heteroseksuelen omtoveren.Van katholiek jochie tot baptistenpredikantViula, een geboren en getogen Carioca, groeide zoals de meeste Brazilianen van zijn generatie op in een traditioneel katholiek gezin. Maar toen hij vijftien was ging hij met een vriend mee naar een pinkstergemeente – en wat hij daar zag sprak hem aan. Zodanig zelfs dat hij zich nog hetzelfde jaar bekeerde en dat de rest van zijn familie zijn voorbeeld volgde. “In die tijd waren er in Brazilië bijna geen protestanten. We – ik zeg nog steeds ‘we’, want ik maakte nu eenmaal…



Wil je toegang tot het hele artikel?




Alex Hijmans



Brazilië van binnenuit
Alex Hijmans (1975) is internationaal correspondent en schrijver. Zijn standplaats is Salvador, de derde stad van Brazilië, waar hij in een volksbuurt woont en verder kijkt dan voetbal, samba en zogenaamde Wirtschaftswunderen. Hij schrijft, net zoals weleer voor de papieren De Pers, journalistieke reportages en persoonlijke columns. Met veel beeld en altijd met de blik van een local.



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GCN - IRISH LGBT MAGAZINE - ISSUES AN INTERVIEW WITH SERGIO VIULA (BY ALEX HIJMANS)


In the first semester of 2013, I was interviewed by Alex Hijmans, a Dutch journalist who lives in Brazil. The interview was first issued in the July's edition of DNP Magazine, exclusively to subscribers.


Now, it's possible to read the interview in the November's edition of the Irish LGBT magazine GCN. The text is on page 31 and 32 of the magazine.


Just flicker through the magazine here: You will find it here for free: GCN -
http://edition.pagesuite-professional.co.uk/launch.aspx?eid=0dc24d50-7171-4b26-805d-9babf5891862


DNP issued the interview in the Netherlands (only for subscribers) here: http://www.denieuwepers.com/van-predikant-tot-homoactivist/

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Dia 17 de novembro de 2013
REVISTA DO CORREIO - edição 444: Renascer masculino As histórias de cinco homens que, após constituir família em casamentos heterossexuais duradouros, tiveram a coragem de assumir a verdadeira sexualidade
REPORTAGEM DE CAPA » Renascer masculino - As histórias de cinco homens que, após constituir família em casamentos heterossexuais duradouros, tiveram a coragem de assumir a verdadeira sexualidade

Rafael Campos
Publicação: 17/11/2013 08:00 Atualização: 15/11/2013 17:59


Família. Há poucas palavras mais carregadas de significados que essa. E que tenha sofrido tantas mudanças em sua concepção através do tempo. O que antes era formado por um homem, uma mulher e seus filhos, hoje assume configurações que dão conta até mesmo de grupos de amigos que decidem viver juntos. Mas a busca pelo modelo tradicional ainda é constante.

Os avanços nos direitos dos homossexuais ainda não conseguiram amainar por completo os preconceitos que envolvem a atitude de sair do armário. Dessa forma, ainda são milhares os homens que, na ânsia por uma determinada imagem familiar, eclipsam a própria sexualidade. Eles se casam, têm filhos, mas não veem seus desejos indo embora. Acabam enredados em uma angústia que leva tempo para passar.

"Muitos homens se dão conta, quando se percebem num casamento apenas social, que isso não é justo — nem para eles nem para as mulheres com quem constituíram família, muito menos para os filhos, que merecem saber que o pai não é heterossexual e não precisam se envergonhar disso", explica Vera Moris, psicoterapeuta especializada em paternidade homoafetiva e criadora do Homopater, um grupo que reúne pais gays cujos filhos nasceram de relações heterossexuais.

As histórias dos homens que venceram preconceitos e contaram aos filhos as suas verdades mostram que a paternidade não está vinculada ao que os casais — hetero ou homossexuais — fazem no quarto. O sentimento de ser responsável por uma vida não permite conflitos decorrentes da orientação sexual. E, quando decidem ser verdadeiros com aqueles que mais amam, têm a certeza de que fizeram escolhas certas: na hora de ter filhos e, depois, de contar a eles que eram gays.

"Para realizar esse grande feito — mostrar ao filho quem ele é —, o homem tem que ser muito forte, convicto, seguro de que ele pode, sim, ser um homem e pai, pode ser admirado, amado e respeitado, embora sua orientação não seja heterossexual", completa Vera. Nas próximas páginas, cinco desses pais contam como foi revelar a homossexualidade à prole e o quanto a vida deles mudou após essa decisão.




Os outros três presentes se entreolharam. Isaac exigia uma resposta. Sérgio pegou na mão dele e o levou para um passeio. Era a hora inevitável de falar tudo. Com calma, sem meias-verdades, Sérgio explicou ao filho toda sua história, sempre reforçando o amor que sentia por ele. Ao fim da conversa, Isaac o olhou com certa tristeza, o que deixou o pai temeroso. "Pensei que ele estivesse com vergonha de mim. Até que ele me disse que teria um problema: ‘Pai, eu gosto mesmo é de meninas’. Ri muito e disse que ele poderia gostar do que quisesse e eu o respeitaria".

Hoje, com os dois filhos adultos, tanto Sérgio quanto eles sabem que, de fato, não importa se um pai é hétero ou homossexual. O amor paterno está acima das diferenças. Mas o escritor precisou de 34 anos para aceitar isso. "Sempre tive ciência de que eu era diferente, mesmo sem conseguir nomear. Tanto a família quanto a escola me retraíram e acabei me envolvendo com igrejas evangélicas na expectativa de controlar meus desejos homossexuais."

Ao buscar o divino, Sérgio esperava encontrar um sentido numa vida que ele considerava errada. Quando se tornou evangélico, viu-se com dois caminhos: o celibato ou o casamento heterossexual. Sua dificuldade em aceitar a si mesmo era tanta que o escritor chegou a se envolver profundamente com um grupo que visava trazer homossexuais para a igreja na intenção de "curá-los". "Ele se chamava Movimento pela Sexualidade Sadia. Veja só o preconceito. Fiz parte dele entre 1997 e 2003." Aos 18 anos, conheceu a ex-mulher. Aos 20, casaram-se.

Por 14 anos, ele viveu um relacionamento que o fazia sentir culpa diariamente. Os filhos, de certa forma, eram um alento. Contudo, em uma viagem religiosa para Singapura, ficou um mês longe de casa e acabou tendo uma noite com outro homem. Depois disso, chegou ao seu limite — foi quando pediu separação e contou para a família e para os membros da igreja que era homossexual. A enxurrada de preconceitos estava por vir. No auge da crise, o gesto mais sensato veio da filha, então com 11 anos. "Pai, por que está todo mundo contra você? Todos deveriam te amar do jeito que você é", disse Larissa.

Era o que Sérgio precisava. Colocou a filha no colo e contou toda sua vida, desde a infância. "Quando terminei, perguntei o que ela estava sentindo. Ela me respondeu: ‘Estou sentindo o quanto você sofreu’." A partir daí, a influência que sua sexualidade teve nas suas relações com as outras pessoas foi mínima. E, de acordo com Sérgio, a própria família percebeu que ele sempre fora pai e mãe, participando ativamente de todos os momentos deles. "Hoje, minha filha mora na casa acima da minha e do meu marido. E meu filho mora com a minha mãe, na casa dos fundos. Estamos todos juntos."

Sérgio acredita que, somente ao sair do armário, pôde se dar conta do quanto ter filhos é uma decisão que deve ser pensada, seja qual for a sexualidade do casal. "Criamos expectativas demais e devemos ficar felizes só de pensar que eles nasceram totalmente saudáveis. Seja você gay, seja hetero, isso não vai mudar a forma como você cuidará do seu filho."

Larissa e Isaac são heterossexuais e, quando apresentam o pai aos amigos ou namorados, deixam claro que ele é gay. Ele acredita que isso demonstra não só que eles estão bem com a orientação sexual do genitor, mas que estão dispostos a não reproduzir preconceitos caso desejem ter sua prole. "Antes de ter uma criança, racionalize o que você espera dela. Só tenha um filho se você puder cuidar dele. Seja qual for a sua sexualidade", pondera o escritor.

Larissa, hoje com 21 anos, conseguiu atravessar a adolescência protegida de bullying graças, em parte, à sua franqueza. "Cheguei na escola e contei para todas as minhas amigas. Elas se assustaram, mas nunca fizeram qualquer comentário ruim, até porque sempre deixei bem claro o quanto eu tenho orgulho do meu pai." Para a consultora, a única diferença entre ter sido criada por um pai homossexual é que, tanto ela quanto o irmão, cresceram em um ambiente bem mais tolerante. "Nós aprendemos a respeitar muito mais as pessoas porque olhamos o próximo da mesma forma como olhamos para nós mesmos", acredita a jovem.

Leia a reportagem completa na edição nº 444 da Revista do Correio.
Fonte:
http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/revista/2013/11/17/interna_revista_correio,398767/renascer-masculino.shtml



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Mães pela igualdade protestam no Rio contra assassinatos por homofobia









  atualizado às 22h50

Mães pela igualdade protestam no Rio contra assassinatos por homofobia









A manifestação na Cinelândia, no Rio, pediu a criminalização da homofobia
Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil

O grupo Mães pela Igualdade se reuniu nesta sexta-feira na escadaria da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, na Cinelândia, centro da cidade, para protestar contra os assassinatos de 39 pessoas por crime de homofobia somente em janeiro. Com cartazes e uma enorme bandeira com as cores do arco-íris, os manifestantes exigiram a criminalização do ódio contra gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros (LGBTs). Uma das integrantes do grupo, composto por mães de pessoas LGBTs, Georgina Martins, explicou que este foi o primeiro ato que elas organizaram desde a criação do movimento, em 2011.
“É um absurdo, em menos de um mês, 39 assassinatos de pessoas LGBTs. Queremos que o crime de homofobia seja tipificado como crime e sairemos para a rua com mais frequência”, disse ela, ao informar que a prefeitura vai disponibilizar um espaço para servir de sede para atendimento para pais e mães que têm dificuldade para aceitar a condição sexual dos filhos ou que precisam de apoio.

O filho de Georgina, Camilo Martins, explicou que os assassinatos são sempre extremamente violentos e agressivos. “A gente fica muito mexido com isso, pois a pessoa não leva um tiro, ela é enforcada, apedrejada, morta a facadas, então realmente é muito ódio, muita frieza, que não dá para entender”, disse.









O blogueiro Sérgio Viula e ativista da causa LGBT contou sobre casos em que as vítimas tiveram o pênis cortado e objetos penetrados nos orifícios tanto de homens quanto de mulheres. "Alguns foram violentados antes, estrangulados, são coisas bem chocantes", narrou.
Dados coletados por integrantes do Grupo Gay da Bahia (GGB) apontam que  o Brasil concentrava 44% de todas os casos de homofobia letal no mundo em 2013. "Os números superam os de países que têm leis que perseguem homossexuais, como Uganda, Nigéria e Rússia", ressaltou Viula.
Para o casal Fernanda de Moura e Gisleide Gonçalves, que passava pela manifestação e decidiu permanecer com o grupo, a maioria das práticas de preconceito não mata, mas são extremamente danosas. "Não é só a questão do assassinato, é o dia a dia. Os olhares, as piadas, a mídia. Claro que o pior é quando acaba com assassinato, mas não é só isso que sofremos cotidianamente", declarou Gisleide, que é diretora de escola. "Precisamos de investimento em educação, como formação de professores onde abram o debate sobre a questão da sexualidade dentro da escola, tem que começar na base."
Para Kelly de Mendonça Bandeira, que é mãe de um rapaz homossexual de 23 anos, é preciso conscientizar também as famílias contra o preconceito. "Como mãe que já foi preconceituosa, estou aqui justamente dizendo que o amor transforma, de verdade. Quando meu filho me contou eu não aceitei, mas o amor me transformou", disse. 
O advogado Sérgio Roque passava pela Cinelândia e parou para ler os cartazes. "Acho importante, pois é uma forma de denunciar o que está acontecendo e cobrar políticas públicas sociais que possam agregar, incluir e conscientizar e pressionar a Justiça a receber esses casos e punir com rigor", disse.











Outras matérias com teor semelhante sobre a manifestação das Mães Pela Igualdade: 

http://www.ebc.com.br/cidadania/2014/01/maes-pela-igualdade-protestam-no-rio-contra-assassinatos-por-homofobia 
 e
http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_secao=8&id_noticia=235014


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Ser gay não é uma escolha e é tão natural quanto ser heterossexual
2

Yannik D'Elboux
Do UOL, no Rio de Janeiro
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  • Caio Borges/UOL
    Se ser gay fosse uma escolha, ninguém optaria por isso devido ao preconceito Se ser gay fosse uma escolha, ninguém optaria por isso devido ao preconceito
Até a década de 1970, a homossexualidade era considerada doença. Foi somente em 1973 que o homossexualismo, palavra antigamente usada para designar a condição, deixou de figurar na lista de transtornos mentais da Associação Americana de Psiquiatria. A OMS (Organização Mundial de Saúde) retirou a homossexualidade da classificação internacional de doenças somente em 1990.

Apesar dos avanços no sentido de considerá-la apenas como parte da variabilidade humana, ainda existe preconceito e pessoas que acreditam que ser gay ou não é uma questão de escolha. A ciência busca respostas no DNA.
Segundo o psiquiatra e pesquisador norte-americano Alan Sanders, da Universidade de Chicago e do Instituto de Pesquisa Northshore University HealthSystem, em Illinois, nos Estados Unidos, a contribuição genética representa de 30% a 40% da influência na orientação sexual masculina. Resultados similares foram encontrados em relação à sexualidade feminina, porém do ponto de vista genético, nesse caso, homens e mulheres são investigados separadamente.
Sanders explica que essa conclusão veio de estudos anteriores com gêmeos idênticos, em que a probabilidade da orientação sexual ser a mesma é maior. Em sua pesquisa com 409 pares de irmãos homossexuais, a mais ampla realizada até agora, publicada este ano, o psiquiatra e geneticista buscou mapear as regiões no DNA que possam estar ligadas à sexualidade. "Encontramos duas regiões de cromossomos com genes que influenciam a orientação sexual masculina", revela.


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A cantora Daniela Mercury postou na rede social Instagram fotos com a jornalista Malu Verçosa e escreveu: "Malu agora é minha esposa, minha família, minha inspiração pra cantar" Jose Sena Goulao/EPA/EFE
Para o pesquisador, mesmo com esses resultados, ainda há muito a se descobrir acerca do desenvolvimento da sexualidade humana. "A informação que temos até agora aponta para influências biológicas, que não é uma escolha do indivíduo, não há como escolher vou ser hétero ou gay", diz Alan Sanders.
O psicólogo Marcos Roberto Vieira Garcia, professor da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), campus Sorocaba, e membro da Comissão de Direitos Humanos do CFP (Conselho Federal de Psicologia), também defende que a orientação sexual não é passível de escolha. Garcia afirma que há várias teorias a respeito do desenvolvimento da sexualidade, entretanto o que mais se admite atualmente é a existência de múltiplos fatores, de biológicos a ambientais.
Porém, na opinião do psicólogo, um elemento muito mais simples demonstra que ser gay não configura uma opção. "Ser homossexual na nossa sociedade é um caminho mais difícil. Há ainda discriminação e preconceito. Se fosse uma escolha, as pessoas não escolheriam ser homossexual", constata.

Desejo e conversão

A homossexualidade, tanto masculina quanto feminina, manifesta-se a partir do desejo, que pode surgir em diferentes fases da vida. Para o psicólogo Ageu Heringer Lisboa, integrante do CPPC (Corpo de Psicólogos e Psiquiatras Cristãos), esse aspecto não é suficiente para determinar a vida sexual de alguém. "O desejo é uma variável, mas há outras, como a razão, a ética e os valores", diz.
Lisboa acredita que a identidade sexual resulta de uma construção que conjuga uma série de fatores: educacionais, culturais, emocionais, familiares, eventuais experiências precoces, entre outros, inclusive de natureza inconsciente. Contudo, o psicólogo do CPPC não enxerga essa construção como definitiva. "Acredito que as pessoas, por questões filosóficas, valores e crenças particulares podem se definir na vida de muitos modos", fala. 
Marcos Garcia também não vê a orientação sexual como permanente e imutável, entretanto observa que não depende da vontade da pessoa. "Pode mudar no decorrer da vida, mas não é algo sujeito a uma escolha consciente", analisa o professor da UFSCar.
O professor de inglês, filósofo e téologo Sergio Viula, 45 anos, do Rio de Janeiro (RJ), bem que tentou de todas as formas possíveis controlar seu desejo homossexual, percebido por ele na infância, e viver como heterossexual. Viula converteu-se a uma religião evangélica, casou-se com uma mulher, teve dois filhos e atuou até como pastor por nove anos, quando fundou um movimento que pregava a "cura gay".

"Eu quis mudar. (...) E eu passei a acreditar que podia casar e ser fiel à minha mulher", conta o professor em entrevista ao UOL Comportamento sobre sua história. Depois de 12 anos de casamento, Viula resolveu se separar e admitir sua verdadeira orientação sexual para si mesmo e para a família.
"Isso é algo que não muda. Ou você 'sai do armário' [assumir a homossexualidade] e paga o preço de enfrentar todo mundo e viver mais feliz ou fica no armário e também paga o preço, que é mais alto, de ficar fingindo, se escondendo o tempo todo e vivendo duplamente", diz.
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Lésbicas respondem: é difícil assumir a homossexualidade?13 fotos

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"É difícil se aceitar gay. Depois, é mais difícil ainda contar para a família e para as pessoas que a gente ama. Mas é necessário. Este processo geralmente começa na adolescência, enquanto ainda acreditamos que o mundo se resume ao nosso umbigo, e com a idade e a maturidade muita gente --e eu me incluo aí-- percebe que esse é um detalhe da nossa personalidade que, em tese, não deveria ser relevante para o resto da sociedade, mas é. E a luta por direitos iguais começa a se fazer necessária. Revelar-se gay para a família, os amigos, os colegas de trabalho, enfim, para todos os círculos sociais, é importante para desmitificar o estigma do que é ser gay, para mostrar que não somos tão minoria assim e que somos humanos, com erros e acertos, como todo mundo", Ana Angélica Martins, jornalista conhecida como Morango, ex -BBB Photo Rio News

Cura?

Por não fazer parte do desejo dominante, em que prevalece a atração pelo sexo oposto, houve ao longo da história no mundo todo tentativas de converter os homossexuais à heterossexualidade, por meio de terapias que iam de orientação psicológica a choques elétricos. "Os estudos mostram que essas terapias nunca tiveram muito sucesso. Parece que a orientação sexual é bastante resistente a mudanças", observa Alan Sanders.

Sergio Viula percebeu na prática com a experiência no movimento pela "cura gay" que a conversão não funcionava. "Ninguém mudava, foram anos de trabalho e ninguém mudando", lembra.
No Brasil, uma resolução de 1999 do CFP (Conselho Federal de Psicologia) determina que os psicólogos não podem colaborar com eventos e serviços que "proponham tratamento e cura das homossexualidades". Além disso, o CFP preconiza que os psicólogos contribuam para o desaparecimento de discriminações e estigmatizações contra aqueles que apresentam comportamentos ou práticas homoeróticas.

Já que a homossexualidade não é considerada doença nem distúrbio ou perversão, não cabe tratamento, mas o acompanhamento psicológico serve para lidar com questões que causem sofrimento, como a rejeição na família, a autoaceitação e o estigma ainda presente na sociedade. "A terapia não é para curar a homossexualidade, mas para ajudar a pessoa a lidar melhor com isso", esclarece Marcos Garcia.

http://mulher.uol.com.br/comportamento/noticias/redacao/2015/01/14/ser-gay-nao-e-uma-escolha-e-e-tao-natural-quanto-ser-heterossexual.htm


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Ex-pastor que pregava 'cura gay' é homossexual e diz: 'é uma farsa'

Yannik D'Elboux
Do UOL, no Rio de Janeiro
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  • Arquivo pessoal
    "O indivíduo gay sofre inutilmente", diz Sergio Viula, ex-pastor que já pregou a "cura gay" "O indivíduo gay sofre inutilmente", diz Sergio Viula, ex-pastor que já pregou a "cura gay"
Se fosse mesmo possível escolher a orientação sexual, o professor de inglês, filósofo e teólogo Sergio Viula, 45 anos, do Rio de Janeiro (RJ), certamente teria conseguido manter sua vida como heterossexual. Esforços para isso não faltaram. Além de negar seus sentimentos homoafetivos durante muito tempo e buscar sua conversão na religião, ele foi um dos fundadores do Moses (Movimento pela Sexualidade Sadia), que pregava a "cura gay".

Viula também foi casado com uma mulher por 12 anos, teve dois filhos e atuou como pastor batista por nove anos. Somente aos 34 anos criou coragem para escancarar sua homossexualidade de vez. Separou-se da mulher, abandonou a vida religiosa, tornou-se ateu e, depois disso, manteve um relacionamento com um homem durante sete anos. Apesar das críticas que recebeu de todos os lados, não se arrepende de ter feito as pazes consigo mesmo.
Ele conta sua história em detalhes no livro "Em Busca de Mim Mesmo" (edição do autor pela Livre Expressão) e mantém o blog "Fora do Armário". Em entrevista ao UOL Comportamento, Sergio Viula discorre abertamente sobre os dilemas que enfrentou até aceitar a própria homossexualidade e assumir que a "cura gay" não funciona.

UOL: Você se reconheceu gay com qual idade?

Sergio Viula: Acho que não posso dizer que me reconheci gay só quando saí do armário. Há 11 anos, disse que não dava mais para ficar casado. Mas desde os oito anos de idade já tinha sentimentos diferentes da maioria dos meninos. Olhava para Lauro Corona e Lídia Brondi na TV, mas não sentia carinho pela Lídia Brondi, achava ela uma gracinha, bonitinha, porém sentia um carinho especial pelo Lauro Corona. Era capaz de sonhar com ele. Mas eu não sabia o que era sexualidade ainda, não sabia o que era transar. O que era isso? Homoafetividade. É aquela afetividade que se lança naturalmente, sem forçar a barra, não existe abuso, nada exterior, ela naturalmente se lança para alguém do mesmo sexo. Mesmo sem nem estar pensando em sexo de fato. É inato, está dentro de você, não está sob seu controle, ainda que as decisões possam estar. Posso decidir, como qualquer homem, se eu vou fazer amor com "A" ou com "B". Mas não é possível alterar o desejo, do mesmo jeito que um heterossexual.

UOL: Então você já sabia desde a infância que era homossexual?

Viula: Isso foi problematizado para mim quando fui para escola, no jardim de infância. Comecei a ser rotulado. Os outros meninos já percebiam que eu era diferente deles. E era engraçado porque eu não tinha coisas de menina, não usava rosa. Mas eles sacavam. Era engraçado porque nenhum de nós ali sabia o que era sexo. Comecei a me perguntar o que tinha de errado comigo. Comecei a perceber que aquilo que eu sentia podia ser um problema para os outros. Foi quando passou a ser um problema para mim. E aí veio a rejeição, a auto-homofobia.

UOL: Quando você se converteu para a religião evangélica sua homossexualidade era algo que o incomodava?

Viula: Incomodava porque desde pequeno eu estava acostumado a ouvir dos meus pais e parentes que a homossexualidade era pecado. Cresci com esse medo. E pensava que tinha de mudar isso. Eu me perguntava se só eu era assim. A gente não tinha noção do que é a comunidade LGBT planetária. Hoje, a gente tem graças à internet. Eu ficava na dúvida: quem sou eu? E não tinha a quem recorrer. Uma vez uma psicóloga conversando comigo percebeu. Ela me falou que eu não tinha de ter vergonha de quem eu era, que aquilo que eu sentia era absolutamente normal, não tinha nada de errado e que eu precisava aprender a me aceitar. Ela pediu para conversar com a minha mãe, mas eu fiquei com medo. Disse que nunca mais ia voltar naquela psicóloga. A verdade é que eu estava fugindo de mim mesmo.
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Dia dos Pais 201115 fotos

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O banqueteiro Marcelo Eduardo Sampaio, 43 anos, e o dentista Eduardo Luis Indig, 48, enfrentaram uma batalha árdua até conquistarem a guarda definitiva de Manoel, de quatro anos Leia mais Bob Donask/UOL

UOL: Foi essa fuga que o levou para a igreja? Você queria mudar isso?

Viula: Eu quis mudar. Você acaba sublimando certas coisas, achando que a conversão é um momento de mudança, em que as coisas dão uma reviravolta. Você pensa que passa a viver uma vida nova. Vem aquele papo evangélico que aquele que está em Cristo nova criatura é. Você acredita nisso. E eu passei a acreditar que podia casar e ser fiel à minha mulher e extrair da relação todo o gozo que precisasse e dar a ela a mesma coisa.

UOL: Mas você acreditava realmente na sua conversão de gay para hétero?

Viula: Eu acreditava. Essa foi a pior coisa que eu fiz. Eu queria nunca ter acreditado. Eu queria ter estado na igreja sem nunca acreditar de verdade. Porque em pouco tempo eu pularia fora. Mas, como eu acreditava, era capaz de tudo em nome da fé. Deixei um bom cargo em uma companhia de petróleo para fazer trabalho missionário.

UOL: E depois disso você virou pastor?

Viula: Sim, fui para o seminário teológico enquanto ia trabalhando como missionário. E fui pastor dos 25 anos 34 anos. Eu era duro na queda. Sofrendo, mas trabalhando. Fazia aconselhamento, evangelização, casamento, funeral, batismo. Ajudei a fundar o Moses (Movimento pela Sexualidade Sadia), em 1997, e o primeiro trabalho que a gente fez foi evangelizar durante a Parada Gay.

UOL: O Moses pregava a conversão?

Viula: Pregava a conversão [de homossexual para heterossexual] e cura. Eu acabava virando exemplo, mas levou um tempinho até eu começar a falar do meu passado. Muitas pessoas da igreja ficaram surpresas.

UOL: Sua mulher sabia que você tinha tido experiências homossexuais?

Viula: A minha mulher sabia porque eu tinha contado para ela quando me casei. Mas contei que havia superado. E ela acreditou, pois era tão crente quanto eu.

UOL: Se você acreditava na "cura gay" e fundou até um movimento para isso, como isso mudou?

Viula: O problema foi que ninguém mudou. Sei disso por que, como pastor, você fica no gabinete ouvindo tudo. Eles me falavam tudo. Ninguém mudava. Foram anos de trabalho e ninguém mudando. E um dia a vice-presidente do Moses me perguntou: que mudança é essa que a gente tanto fala e ninguém vive? Porque não vejo ninguém mudar. E eu respondi que me perguntava a mesma coisa.

UOL: Mas nesses anos todos de casamento você não saía com homens?

Viula: No começo não saía. Mas, depois, começou a ficar difícil. Porém com membros de igreja nunca aconteceu nada, eram como irmãos para mim. Mas fora aconteceu. Quando aconteceu a primeira vez fiquei muito balançado. Mas insistia na minha vida, achava que tinha errado, mas tinha conserto.

UOL: Você acreditava, então, que era uma escolha?

Viula: Eu acreditava ainda. Essa que é a tragédia do ser humano: acreditar que é uma escolha. Porque aí ele fica lutando contra uma coisa impossível de mudar. Imagine, por exemplo, se um cavalo acreditasse que pudesse pular de uma montanha e voar. Ele ia se estabacar. O cavalo se estabaca uma vez só. Mas a gente se estabaca várias vezes nessa situação ou vive na falsidade.

UOL: O que você fez quando percebeu que não conseguia mais levar uma vida como hétero?

Viula: Percebi que tinha algo errado, que não estava funcionando e que precisava falar com alguém. E eu falei. A pessoa com quem falei jurava que era uma coisa passageira, que eu era uma pessoa de Deus, que isso era visível no meu trabalho, e que isso era apenas um deslize, que eu devia seguir em frente.

UOL: O que aconteceu de novo para você resolver sair de uma vez por todas do armário?

Viula: A gota d'água foi uma viagem para Singapura, em um treinamento de liderança religiosa. Uma tarde, saí e rolou uma paquera em um shopping. Ficamos juntos e foi maravilhoso. Parecia que eu estava no céu. Eu estava reencontrando comigo. Porém, no dia seguinte, eu tinha sido escolhido para fazer o discurso de encerramento do meu grupo. E eu estava em frangalhos, porque estava feliz da vida por tudo que tinha acontecido com aquele homem, mas arrasado porque as pessoas que confiaram em mim pensavam que eu estava lá muito bem, cercado do espírito santo. Ali, "caiu a ficha".
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Pais gays falam dos desafios que enfrentam na criação dos filhos6 fotos

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"Minha gravidez não foi planejada e eu eduquei a Bruna sozinha até os quatro anos, quando conheci a Cida. Nós nos ajudamos muito, porque, na época em que fomos morar juntas, eu fazia faculdade à noite, então ela cuidava da minha filha durante esse período. Em contrapartida, sou uma pessoa mais severa e ela queria alguém que tivesse mais pulso com os filhos. Como eu tinha flexibilidade de horário durante o dia, ficava com eles (a Bruna mais os dois filhos da companheira) nesse tempo e a gente invertia os cuidados. Uma preocupação nossa foi criá-los sem ter preconceitos, então, lá em casa, meninos e meninas sempre dividiram as mesmas tarefas de casa. O mais gratificante é que, apesar de muita gente defender o modelo de família tradicional, nós conseguimos criar três pessoas de bem e de caráter" | Rosangela Garcia Salatiel (à direita), 48 anos, advogada e mãe de Bruna, 23 anos, de São Bernardo do Campo (SP) Arquivo Pessoal

UOL: O que você fez?

Viula: Decidi falar com minha mulher, mas ainda demorei um pouco. Em 2002, falei. Ela não quis se separar. Acreditava que a gente tinha uma chance, que Deus podia fazer uma mudança, porque a gente tinha uma vida construída há 12 anos. Ficamos dois anos tentando. Em 2004, disse chega. Não mudou nada. Abri o jogo, saí do armário e escancarei tudo. Dei uma entrevista para uma revista, denunciei essa coisa de ministério de cura. Denunciei essa farsa e comecei minha militância.

UOL: Você rompeu com tudo de uma vez: com o casamento e a igreja?

Viula: Rompi. Passei a viver minha vida, minha verdade, porém nunca esquecendo dos meus filhos. A única coisa que eu preservei foram meus filhos.

UOL: Como foi esse rompimento para sua família?

Viula: Foi muito doloroso. Meus pais não entendiam nada, me criticavam. Minha ex-mulher chorava, se sentia traída porque não fui fiel até a morte, como havia prometido. Concordo. Mas eu também me senti traído por um monte de coisas que acreditei e por um monte de gente que falou tanta besteira que levei a sério. Porém fui honesto para acabar com isso. Tem gente que vive essa farsa para o resto da vida. Eu fui fiel à minha fé enquanto acreditei nisso. Quando vi que era bobagem, perda de tempo, fui fiel a mim mesmo. Abri o jogo e falei.

UOL: Como ficou sua vida?

Viula: Fui viver livremente, conheci outras pessoas, tive alguns namorados. Até que conheci meu ex-marido, com quem fiquei por sete anos.

UOL: E como você se sentiu depois disso tudo?

Viula: Eu me senti livre, absolutamente livre. Parecia que um peso havia saído de cima de mim, que eu podia flutuar. Porque a força que eu fazia para ficar em pé, embaixo daquele peso todo, era tão grande que, sem o peso, parecia que eu podia voar. Era uma coisa maravilhosa, como se eu tivesse nascido de novo.

UOL: Você ficou mais feliz?

Viula: Muito mais feliz. A dor que eu passei da rejeição foi terrível, mas o prazer do encontro comigo mesmo não tinha preço. Pensei assim: posso perder todo mundo, com exceção dos meus filhos. Eu nunca mais vou sofrer o que sofri por 34 anos para agradar os outros.

UOL: Como os seus filhos encararam a verdade sobre a sua sexualidade?

Viula: Meus filhos desde cedo nunca tiveram nenhum problema com isso. Minha filha desde os 12 anos já sabia, meu filho de 11 para 12 me perguntou já sabendo. E nunca demonstraram nenhuma rejeição. Traziam amigos em casa. Minha filha fala para os colegas de trabalho que o pai é gay.

UOL: Você está convicto que ser gay não é uma escolha?

Viula: Isso é algo que não muda. Ou você sai do armário e paga o preço de enfrentar todo mundo e viver mais feliz ou fica no armário e também paga o preço, que é mais alto, de ficar fingindo pra todo mundo, se escondendo o tempo todo e vivendo duplamente. Não tem saída. Para as mulheres, é a pior coisa que pode acontecer: um marido gay que vive duplamente. Ela pode ser fiel e se colocar em risco. E não é porque ele seja gay que ela corre risco, é porque ele não é fiel. Ele nunca vai ficar satisfeito só com ela, já tem muito mais chances de traí-la. Mas tem gente que faz vista grossa.

UOL: Pela sua experiência, o que você acha do trabalho das igrejas que insistem na conversão?

Viula: Elas prestam um desserviço. Primeiro, o gay sofre inutilmente. E quanto mais sofre, mais reforça a ideia de que não tem valor, que é um pecador inveterado. Segundo, ele não constrói uma vida, uma biografia de acordo consigo mesmo. Ele tenta agradar os outros e uma hora isso rui e ele tem que reconstruir tudo como eu, que não levei de casa nem um garfo, tive de recomeçar tudo do zero. Ou então ele fica naquela situação porque parece mais confortável do que se arriscar em uma vida independente. Tem gente que é covarde pra isso. A pessoa não tem a alegria de se realizar no que deseja, tudo passa a ser um dever. É um dever casar, ter filhos, e isso tem um peso absurdo. O que mais me preocupa é a criança, com oito, dez anos, e o adolescente, que são chantageados vergonhosamente por pessoas que deviam ser seus protetores. Isso cria uma série de transtornos, medos, fobias. Isso é ignorância. Porém essa ignorância custa um preço muito alto.





Ex-pastor que pregava 'cura gay' é homossexual e diz: 'é uma farsa'

Yannik D'Elboux
Do UOL, no Rio de Janeiro
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    "O indivíduo gay sofre inutilmente", diz Sergio Viula, ex-pastor que já pregou a "cura gay" "O indivíduo gay sofre inutilmente", diz Sergio Viula, ex-pastor que já pregou a "cura gay"
Se fosse mesmo possível escolher a orientação sexual, o professor de inglês, filósofo e teólogo Sergio Viula, 45 anos, do Rio de Janeiro (RJ), certamente teria conseguido manter sua vida como heterossexual. Esforços para isso não faltaram. Além de negar seus sentimentos homoafetivos durante muito tempo e buscar sua conversão na religião, ele foi um dos fundadores do Moses (Movimento pela Sexualidade Sadia), que pregava a "cura gay".

Viula também foi casado com uma mulher por 12 anos, teve dois filhos e atuou como pastor batista por nove anos. Somente aos 34 anos criou coragem para escancarar sua homossexualidade de vez. Separou-se da mulher, abandonou a vida religiosa, tornou-se ateu e, depois disso, manteve um relacionamento com um homem durante sete anos. Apesar das críticas que recebeu de todos os lados, não se arrepende de ter feito as pazes consigo mesmo.
Ele conta sua história em detalhes no livro "Em Busca de Mim Mesmo" (edição do autor pela Livre Expressão) e mantém o blog "Fora do Armário". Em entrevista ao UOL Comportamento, Sergio Viula discorre abertamente sobre os dilemas que enfrentou até aceitar a própria homossexualidade e assumir que a "cura gay" não funciona.

UOL: Você se reconheceu gay com qual idade?

Sergio Viula: Acho que não posso dizer que me reconheci gay só quando saí do armário. Há 11 anos, disse que não dava mais para ficar casado. Mas desde os oito anos de idade já tinha sentimentos diferentes da maioria dos meninos. Olhava para Lauro Corona e Lídia Brondi na TV, mas não sentia carinho pela Lídia Brondi, achava ela uma gracinha, bonitinha, porém sentia um carinho especial pelo Lauro Corona. Era capaz de sonhar com ele. Mas eu não sabia o que era sexualidade ainda, não sabia o que era transar. O que era isso? Homoafetividade. É aquela afetividade que se lança naturalmente, sem forçar a barra, não existe abuso, nada exterior, ela naturalmente se lança para alguém do mesmo sexo. Mesmo sem nem estar pensando em sexo de fato. É inato, está dentro de você, não está sob seu controle, ainda que as decisões possam estar. Posso decidir, como qualquer homem, se eu vou fazer amor com "A" ou com "B". Mas não é possível alterar o desejo, do mesmo jeito que um heterossexual.

UOL: Então você já sabia desde a infância que era homossexual?

Viula: Isso foi problematizado para mim quando fui para escola, no jardim de infância. Comecei a ser rotulado. Os outros meninos já percebiam que eu era diferente deles. E era engraçado porque eu não tinha coisas de menina, não usava rosa. Mas eles sacavam. Era engraçado porque nenhum de nós ali sabia o que era sexo. Comecei a me perguntar o que tinha de errado comigo. Comecei a perceber que aquilo que eu sentia podia ser um problema para os outros. Foi quando passou a ser um problema para mim. E aí veio a rejeição, a auto-homofobia.

UOL: Quando você se converteu para a religião evangélica sua homossexualidade era algo que o incomodava?

Viula: Incomodava porque desde pequeno eu estava acostumado a ouvir dos meus pais e parentes que a homossexualidade era pecado. Cresci com esse medo. E pensava que tinha de mudar isso. Eu me perguntava se só eu era assim. A gente não tinha noção do que é a comunidade LGBT planetária. Hoje, a gente tem graças à internet. Eu ficava na dúvida: quem sou eu? E não tinha a quem recorrer. Uma vez uma psicóloga conversando comigo percebeu. Ela me falou que eu não tinha de ter vergonha de quem eu era, que aquilo que eu sentia era absolutamente normal, não tinha nada de errado e que eu precisava aprender a me aceitar. Ela pediu para conversar com a minha mãe, mas eu fiquei com medo. Disse que nunca mais ia voltar naquela psicóloga. A verdade é que eu estava fugindo de mim mesmo.
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Dia dos Pais 201115 fotos

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O banqueteiro Marcelo Eduardo Sampaio, 43 anos, e o dentista Eduardo Luis Indig, 48, enfrentaram uma batalha árdua até conquistarem a guarda definitiva de Manoel, de quatro anos Leia mais Bob Donask/UOL

UOL: Foi essa fuga que o levou para a igreja? Você queria mudar isso?

Viula: Eu quis mudar. Você acaba sublimando certas coisas, achando que a conversão é um momento de mudança, em que as coisas dão uma reviravolta. Você pensa que passa a viver uma vida nova. Vem aquele papo evangélico que aquele que está em Cristo nova criatura é. Você acredita nisso. E eu passei a acreditar que podia casar e ser fiel à minha mulher e extrair da relação todo o gozo que precisasse e dar a ela a mesma coisa.

UOL: Mas você acreditava realmente na sua conversão de gay para hétero?

Viula: Eu acreditava. Essa foi a pior coisa que eu fiz. Eu queria nunca ter acreditado. Eu queria ter estado na igreja sem nunca acreditar de verdade. Porque em pouco tempo eu pularia fora. Mas, como eu acreditava, era capaz de tudo em nome da fé. Deixei um bom cargo em uma companhia de petróleo para fazer trabalho missionário.

UOL: E depois disso você virou pastor?

Viula: Sim, fui para o seminário teológico enquanto ia trabalhando como missionário. E fui pastor dos 25 anos 34 anos. Eu era duro na queda. Sofrendo, mas trabalhando. Fazia aconselhamento, evangelização, casamento, funeral, batismo. Ajudei a fundar o Moses (Movimento pela Sexualidade Sadia), em 1997, e o primeiro trabalho que a gente fez foi evangelizar durante a Parada Gay.

UOL: O Moses pregava a conversão?

Viula: Pregava a conversão [de homossexual para heterossexual] e cura. Eu acabava virando exemplo, mas levou um tempinho até eu começar a falar do meu passado. Muitas pessoas da igreja ficaram surpresas.

UOL: Sua mulher sabia que você tinha tido experiências homossexuais?

Viula: A minha mulher sabia porque eu tinha contado para ela quando me casei. Mas contei que havia superado. E ela acreditou, pois era tão crente quanto eu.

UOL: Se você acreditava na "cura gay" e fundou até um movimento para isso, como isso mudou?

Viula: O problema foi que ninguém mudou. Sei disso por que, como pastor, você fica no gabinete ouvindo tudo. Eles me falavam tudo. Ninguém mudava. Foram anos de trabalho e ninguém mudando. E um dia a vice-presidente do Moses me perguntou: que mudança é essa que a gente tanto fala e ninguém vive? Porque não vejo ninguém mudar. E eu respondi que me perguntava a mesma coisa.

UOL: Mas nesses anos todos de casamento você não saía com homens?

Viula: No começo não saía. Mas, depois, começou a ficar difícil. Porém com membros de igreja nunca aconteceu nada, eram como irmãos para mim. Mas fora aconteceu. Quando aconteceu a primeira vez fiquei muito balançado. Mas insistia na minha vida, achava que tinha errado, mas tinha conserto.

UOL: Você acreditava, então, que era uma escolha?

Viula: Eu acreditava ainda. Essa que é a tragédia do ser humano: acreditar que é uma escolha. Porque aí ele fica lutando contra uma coisa impossível de mudar. Imagine, por exemplo, se um cavalo acreditasse que pudesse pular de uma montanha e voar. Ele ia se estabacar. O cavalo se estabaca uma vez só. Mas a gente se estabaca várias vezes nessa situação ou vive na falsidade.

UOL: O que você fez quando percebeu que não conseguia mais levar uma vida como hétero?

Viula: Percebi que tinha algo errado, que não estava funcionando e que precisava falar com alguém. E eu falei. A pessoa com quem falei jurava que era uma coisa passageira, que eu era uma pessoa de Deus, que isso era visível no meu trabalho, e que isso era apenas um deslize, que eu devia seguir em frente.

UOL: O que aconteceu de novo para você resolver sair de uma vez por todas do armário?

Viula: A gota d'água foi uma viagem para Singapura, em um treinamento de liderança religiosa. Uma tarde, saí e rolou uma paquera em um shopping. Ficamos juntos e foi maravilhoso. Parecia que eu estava no céu. Eu estava reencontrando comigo. Porém, no dia seguinte, eu tinha sido escolhido para fazer o discurso de encerramento do meu grupo. E eu estava em frangalhos, porque estava feliz da vida por tudo que tinha acontecido com aquele homem, mas arrasado porque as pessoas que confiaram em mim pensavam que eu estava lá muito bem, cercado do espírito santo. Ali, "caiu a ficha".
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Pais gays falam dos desafios que enfrentam na criação dos filhos6 fotos

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"Minha gravidez não foi planejada e eu eduquei a Bruna sozinha até os quatro anos, quando conheci a Cida. Nós nos ajudamos muito, porque, na época em que fomos morar juntas, eu fazia faculdade à noite, então ela cuidava da minha filha durante esse período. Em contrapartida, sou uma pessoa mais severa e ela queria alguém que tivesse mais pulso com os filhos. Como eu tinha flexibilidade de horário durante o dia, ficava com eles (a Bruna mais os dois filhos da companheira) nesse tempo e a gente invertia os cuidados. Uma preocupação nossa foi criá-los sem ter preconceitos, então, lá em casa, meninos e meninas sempre dividiram as mesmas tarefas de casa. O mais gratificante é que, apesar de muita gente defender o modelo de família tradicional, nós conseguimos criar três pessoas de bem e de caráter" | Rosangela Garcia Salatiel (à direita), 48 anos, advogada e mãe de Bruna, 23 anos, de São Bernardo do Campo (SP) Arquivo Pessoal

UOL: O que você fez?

Viula: Decidi falar com minha mulher, mas ainda demorei um pouco. Em 2002, falei. Ela não quis se separar. Acreditava que a gente tinha uma chance, que Deus podia fazer uma mudança, porque a gente tinha uma vida construída há 12 anos. Ficamos dois anos tentando. Em 2004, disse chega. Não mudou nada. Abri o jogo, saí do armário e escancarei tudo. Dei uma entrevista para uma revista, denunciei essa coisa de ministério de cura. Denunciei essa farsa e comecei minha militância.

UOL: Você rompeu com tudo de uma vez: com o casamento e a igreja?

Viula: Rompi. Passei a viver minha vida, minha verdade, porém nunca esquecendo dos meus filhos. A única coisa que eu preservei foram meus filhos.

UOL: Como foi esse rompimento para sua família?

Viula: Foi muito doloroso. Meus pais não entendiam nada, me criticavam. Minha ex-mulher chorava, se sentia traída porque não fui fiel até a morte, como havia prometido. Concordo. Mas eu também me senti traído por um monte de coisas que acreditei e por um monte de gente que falou tanta besteira que levei a sério. Porém fui honesto para acabar com isso. Tem gente que vive essa farsa para o resto da vida. Eu fui fiel à minha fé enquanto acreditei nisso. Quando vi que era bobagem, perda de tempo, fui fiel a mim mesmo. Abri o jogo e falei.

UOL: Como ficou sua vida?

Viula: Fui viver livremente, conheci outras pessoas, tive alguns namorados. Até que conheci meu ex-marido, com quem fiquei por sete anos.

UOL: E como você se sentiu depois disso tudo?

Viula: Eu me senti livre, absolutamente livre. Parecia que um peso havia saído de cima de mim, que eu podia flutuar. Porque a força que eu fazia para ficar em pé, embaixo daquele peso todo, era tão grande que, sem o peso, parecia que eu podia voar. Era uma coisa maravilhosa, como se eu tivesse nascido de novo.

UOL: Você ficou mais feliz?

Viula: Muito mais feliz. A dor que eu passei da rejeição foi terrível, mas o prazer do encontro comigo mesmo não tinha preço. Pensei assim: posso perder todo mundo, com exceção dos meus filhos. Eu nunca mais vou sofrer o que sofri por 34 anos para agradar os outros.

UOL: Como os seus filhos encararam a verdade sobre a sua sexualidade?

Viula: Meus filhos desde cedo nunca tiveram nenhum problema com isso. Minha filha desde os 12 anos já sabia, meu filho de 11 para 12 me perguntou já sabendo. E nunca demonstraram nenhuma rejeição. Traziam amigos em casa. Minha filha fala para os colegas de trabalho que o pai é gay.

UOL: Você está convicto que ser gay não é uma escolha?

Viula: Isso é algo que não muda. Ou você sai do armário e paga o preço de enfrentar todo mundo e viver mais feliz ou fica no armário e também paga o preço, que é mais alto, de ficar fingindo pra todo mundo, se escondendo o tempo todo e vivendo duplamente. Não tem saída. Para as mulheres, é a pior coisa que pode acontecer: um marido gay que vive duplamente. Ela pode ser fiel e se colocar em risco. E não é porque ele seja gay que ela corre risco, é porque ele não é fiel. Ele nunca vai ficar satisfeito só com ela, já tem muito mais chances de traí-la. Mas tem gente que faz vista grossa.

UOL: Pela sua experiência, o que você acha do trabalho das igrejas que insistem na conversão?

Viula: Elas prestam um desserviço. Primeiro, o gay sofre inutilmente. E quanto mais sofre, mais reforça a ideia de que não tem valor, que é um pecador inveterado. Segundo, ele não constrói uma vida, uma biografia de acordo consigo mesmo. Ele tenta agradar os outros e uma hora isso rui e ele tem que reconstruir tudo como eu, que não levei de casa nem um garfo, tive de recomeçar tudo do zero. Ou então ele fica naquela situação porque parece mais confortável do que se arriscar em uma vida independente. Tem gente que é covarde pra isso. A pessoa não tem a alegria de se realizar no que deseja, tudo passa a ser um dever. É um dever casar, ter filhos, e isso tem um peso absurdo. O que mais me preocupa é a criança, com oito, dez anos, e o adolescente, que são chantageados vergonhosamente por pessoas que deviam ser seus protetores. Isso cria uma série de transtornos, medos, fobias. Isso é ignorância. Porém essa ignorância custa um preço muito alto.
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http://gaucha.clicrbs.com.br/rs/noticia-aberta/ex-pastor-dispara-contra-marco-feliciano-ele-deve-ter-problema-em-se-aceitar-128459.html

ENTREVISTA DADA AO VIVO EM 19/01/15

OUÇA NESSE LINK: http://gaucha.clicrbs.com.br/rs/noticia-aberta/ex-pastor-dispara-contra-marco-feliciano-ele-deve-ter-problema-em-se-aceitar-128459.html



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THE GUARDIAN:
Online em 13/03/2016:

http://www.theguardian.com/global-development-professionals-network/2016/feb/09/electrocution-and-submersion-gay-cures-and-the-fight-to-end-them


Electric shocks, rape and submersion: 'gay cures' and the fight to end them

From China to Latin America clinics claim to offer ‘cures’ for homosexuality to vulnerable people. How are activists planning to stop them?



Yang Teng
 Yang Teng successfully sued the clinic that gave him electric shocks in an attempt to ‘cure’ him of being gay. Photograph: Ng Han Guan/AP

“The doctor took me into a small room then asked me to relax and focus on my breath. He told me to remember when I was having sex with a man. Suddenly I felt an electric shock. I jumped, wondering what had happened. He just smiled and told me that was how he would cure me of being gay.”



When Yang Teng visited the Xinyu Piaoxiang clinic in the southern Chinese city of Chongqing in February 2014 he didn’t know what to expect. Yang hadn’t yet come out and was getting pressure from his parents to start a family. He had heard from others in the gay community that the “therapy” could “cure” him of homosexuality but his curiosity turned to terror when he realised that the treatment involved getting electrocuted, and he left before the session ended. He claims a full course of 30 hour-long session, with three or four electric shocks each, cost 30,000 yuan (£3,126).
Angry and determined to expose the clinic’s abuse of gay men and women, Yang sought to sue the clinic. In December 2014, a Beijing court ruled in his favour, declaring such treatments illegal, and demanding that the clinic give Yang 3,500 yuan (£359) in compensation and post an apology on its website.
Despite Yang and other activists’ hope that the case would stop the practise, the clinic continues to offer the therapy – at an even higher price – as do many other medical centres around the country. Although China legalised homosexual relations in 1997 and removed it from a list of mental illnesses in 2001, it is still considered taboo in wider society and many gay people feel pressured by their families to get married and have children.



So while it has been difficult to stop the clinics offering this abusive practice, Yang claims the publicity surrounding the case is important to raise awareness of the issue and change public opinion. “Our aim during this campaign is to educate the public that gay people cannot be cured,” he explains. “Because we won the case and the media published this information, many parents of gay people now know that if they send their son or daughter to the clinic it is not legal.”
Unfortunately these kind of clinics are not just found in China, but all over the world. LGBT rights campaign group All Out are asking people to report “gay cure” activities happening around the world – whether they have had direct experience of conversion therapy in their local community or seen it reported in the media – on the Gay Cure Watch website. The database of incidences will then be studied and All Out will launch targeted campaigns against them.
All Out director Matthew Beard says the findings from the campaign show “gay cures”, which have been found to lead to anxiety, depression and suicide, is endemic in many developing countries.



The practice is a particular problem in Latin America where the church is hugely influential. Brazilian Sergio Viula was targeted by evangelists when he was just 16. Although gay himself, he recalls how he was brainwashed into thinking that homosexuality was a sin. When he was 18 he became a pastor, married a woman and had two children.
He formed a movement with other members of the church that targeted gay people on the streets, outside nightclubs and at pride events. Those who agreed to convert were treated as if they were addicts and encouraged to purge themselves of anything associated with their old lives. That included throwing away magazines which might arouse gay feelings and cutting contact with friends connected to the gay community. The idea was to make people isolated, he explains, in order to manipulate them into being closer to the church.
When Viula was 34 he finally came out, divorced his wife and is now a leading LGBT activist living in Rio. In 2013, he helped campaign against legislation that would allow psychiatrists in the country to treat homosexuality as a disease andthe bill was eventually withdrawn.
Viula applauds the law’s defeat in congress but says the fight against religious fundamentalism in Brazil will continue for many years to come. He says the power of the church extends to politicians afraid to go against it for fear of losing votes.


Participants at Pride in Sao Paulo, Brazil - the largest Pride parade in the world.
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 Participants at Pride in Sao Paulo, Brazil - the largest Pride parade in the world. In 2013, 5 million people took part. Photograph: Mauricio Lima/AFP/Getty Images

The activist believes education is the key to ending “gay cure” therapy in Brazil. “No matter how many laws we have, people get to adulthood already poisoned by homophobia,” he says. “People need to understand from an early age that there is nothing wrong with someone being gay, lesbian or transgender.”



In Ecuador, “gay cure” clinics may claim to offer spiritual redemption but are not run by religious organisations. Families will often force their children to go to privately run conversion therapy centres which have been found to use torture such as electrocution and submersion in ice-cold water as corrective measures for patients. The country’s health minister Carina Vance Mafla says that she’s received reports of women being rapedat the centres.
Tatiana Cordero from the Urgent Action Fund has led research on gay rights in Ecuador and claims that although the government promised to shut down clinics in the country in 2012, little has changed and clinics are still being allowed to operate. She says the clinics make up to a $140,000 (£96,500) per month and some are even owned bygovernment officials. Corruption, she says, is therefore a major obstacle and she calls for an in-depth investigation into the problem.



Cordero believes legal reforms are urgently needed to put an end to gay conversion. She would therefore like to see a law passed inEcuador that bans any therapy that claims to cure homosexuality. She says there is a constitutional law that forbids discrimination on the basis of gender identity or sexual orientation, but that is not currently enforced.
Activists globally may differ in their approach to ending gay conversion therapy, but they are united in their belief that educating people about the absurdity of the practice is paramount.
Crucially, Beard adds, campaigners need to reach out to families. He says: “Parents are often those responsible for sending their children to conversions, so we need to expose them to some of the realities of the practice through education.”
From 8-14 February the Guardian Global Development Professionals Network is highlighting the work of LGBT rights activists throughout the world. Follow the conversation at #LGBTChange.
Fonte: http://www.theguardian.com/global-development-professionals-network/2016/feb/09/electrocution-and-submersion-gay-cures-and-the-fight-to-end-them


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Fui pastor e tentei curar gays... Até que saí do armário!

Após 18 anos de luta contra meus desejos, percebi que não se deixa de ser gay. Me assumi e parei de doutrinar outros homossexuais

Reportagem: Luiza Furquim (com colaboração de Luiza Schiff)
Me aceitar do jeito que sou me fez ver beleza na vida e nas pessoas. Sinto como se vivesse num canto iluminado do mundo. | <i>Crédito: Reportagem: Luiza Furquim (com colaboração de Luiza Schiff)
Me aceitar do jeito que sou me fez ver beleza na vida e nas pessoas. Sinto como se vivesse num canto iluminado do mundo. | Crédito: Reportagem: Luiza Furquim (com colaboração de Luiza Schiff)
Não existe cura gay. Ex-gay é uma coisa tão real quanto vaca que voa. Vai por mim! Lutei contra o meu desejo por mais de 18 anos, tempo que dediquei à obra de Deus. Sim, eu sou gay. Mas também estudei teologia e virei pastor. Dei meu tempo e dinheiro à Igreja evangélica. Sempre que achava que estava curado, o desejo voltava. Fui até conselheiro de um grupo de “reversão de homossexualidade” por sete anos e nunca vi nenhum gay virar hétero. Muito pelo contrário: vários homens lá de dentro acabavam se envolvendo.

É sério. Já houve vários casos em que membros do Moses (Movimento pela Sexualidade Sadia), do qual eu fazia parte, confessaram ter transado com outros. E hoje eu sei que isso não é prova de devassidão. Imagina um grupo cheio de homens belos, abrindo sua vida e chorando. Eles acabavam criando intimidade, um dia se abraçavam e rolava... Aconteceria o mesmo se fosse um grupo de homens e mulheres.

Tentei me curar por 18 anos

Claro que, na época, eu tentava separar esses casais. Isso foi nos anos 90, quando eu ainda me debatia contra minha própria homossexualidade. Nasci em uma família católica tradicional e cresci acreditando que ser gay fazia de mim uma pessoa de segunda categoria. Achava que iria para o inferno. Por isso, fiz o que estava ao meu alcance para me reprimir e cumprir o que se esperava de mim: casar e ter filhos. 

A verdade é que sei que sou gay desde criança. Eu não sabia o nome que isso tinha, mas já achava os meninos muito mais interessantes que as meninas. E não tinha nada de sexual nisso, porque aos 9 anos de idade eu nem sabia para que servia meu pintinho. Era só para fazer xixi mesmo. Com medo do meu comportamento, meus pais me levaram para a terapia e acabei me entregando num dos jogos da sessão. Na hora, percebi que a terapeuta sabia e também soube que ela ia contar para a minha mãe.

Fiquei com medo porque desde criança sabia que era feio ser gay. Que bicha era tudo pervertida, moralmente degenerada. Toda minha educação foi machista e homofóbica: em casa, na escola e na igreja. E, se dependesse disso, eu seria hoje o macho alfa. Mas não dá para lutar contra o desejo.

Minha primeira experiência sexual foi aos 12 anos. Estava brincando com amigos e, de repente, vi um garoto. Era como olhar um tesouro. Que menino lindo! Quando ele me chamou para brincar separado, senti que ali tinha alguma coisa, que eu não sabia o que era, mas queria. A gente transou. Foi consensual e muito gostoso.

Aos 16 anos, abandonei o catolicismo e fui para a igreja evangélica. Trabalhava como office-boy numa empresa com vários evangélicos e começou a doutrinação. Gostei do entusiasmo que eles tinham com a palavra de Deus. Conheci um pastor e fiquei maravilhado com sua educação. Aquilo tudo me encantou.

Evangélico, fiquei dois anos sem ligar para sexo

Cheguei à igreja evangélica carregando o fardo de ser gay, mas não revelei meu “problema”. Os irmãos me ofereceram conforto e acolhimento. “Deus vai cuidar de você. Ele perdoa.” A partir do dia da minha “conversão” à igreja evangélica, vivia atarefado, e até meus pais se juntaram ao culto. Por dois anos, fiquei tão envolvido com a obra que parei de pensar em sexo. Achei que estava curado. Mas meu desejo não deu trégua por muito tempo. Conheci um rapaz na igreja e ficamos. Tentei me afastar, mas estava apaixonado. Chorava toda noite perguntando a Deus por que tinha nascido assim e, já que tinha, por que isso era errado. Ficamos outra vez, mas eu achava que tinha que me esforçar mais para virar heterossexual.

Na minha cabeça da época, essa “recaída” se devia ao fato de eu ser novo na igreja. Acreditei que o que me faltava era uma relação sexual adequada, ou seja, com uma mulher. Mas, pelas leis da igreja, eu não poderia transar namorando. “Tenho que casar”, pensei. Pouco tempo depois, comecei a namorar a mulher que viria a ser minha esposa. Para mim, era a redenção. Eu ficaria livre da “tentação da carne”, da “abominação” que era ser gay.

Casei antes dos 20 anos. Minha esposa também era da igreja, uma mulher ótima.
Eu a amava e conseguia, sim, me excitar e ter relações com ela. Nós dois chegávamos ao orgasmo, inclusive, porque não sou besta. Sabia como dar prazer a ela. Achei que estava livre da homossexualidade. Curado, como se diz. Mas, aos poucos, fui percebendo que o tesão que eu sentia por ela era diferente do que eu sentia por homens.

Entrei para o seminário aos 22 anos e fui estudar teologia para virar pastor da igreja batista – diferentemente da católica, ela permite que os pastores/padres se casem. Trabalhei para a congregação de graça por anos, porque achava que aquilo dava sentido à minha vida. Recusei ofertas de emprego e até aumento de salário para conciliar meu trabalho como professor com a vida religiosa. Não falo isso para me vangloriar, mas para mostrar que tentei, de coração, seguir os princípios da religião.

Estudar teologia me ajudou a acordar. 

Antes, eu lia a Bíblia como uma verdade absoluta, sem contestação. Mas, no seminário, a gente se aprofundava a ponto de saber que a Bíblia não é uma coisa que Deus entregou pronta na mão de alguém. Foram vários textos e alguém decidiu “este serve”, “este não serve”. Um dos livros supostamente escritos por Moisés narra a morte dele. Como é que ele poderia ter escrito depois de morrer? Psicografou?!

Demorei para formular esses questionamentos, porque a pior coisa para o crente é ser blasfemador. E duvidar dos dogmas é pecar em pensamento. Eu dizia para mim: “Não vou pensar nisso. Ainda não sou teólogo formado nem com experiência o suficiente. Depois volto a essa questão.” Mas não conseguia deixar totalmente pra lá.

Os caras do grupo de cura gay se pegavam

O grupo para curar a sexualidade, o Moses, só agravou meu sentimento de que alguma coisa não estava certa. Um dos líderes do grupo era nosso garoto-propaganda, um ex-gay que teria se curado ao entrar para a igreja e arrumado uma noiva. O que pouca gente sabe é que os dois se separaram sem terem tido relações e ele continua solteiro até hoje. Eu via gays de todos os tipos. Uma vez veio um cara trazendo o sobrinho, que era uma bicha daquelas afetadas. Tive pena dele, um alvo fácil para o preconceito. Depois que o tio saiu da sala, ele me contou que tinha sido abusado por todos da família! Depois de sofrer tanto, o “demônio” era ele.

Escondíamos as recaídas dos “ex-gays”

Depois de saber de mais uma de muitas escapadas, uma das organizadoras me disse: “Sergio, será que estamos nos enganando? As pessoas não mudam!”. Nosso discurso era “Deus transforma. Deus te cura”. Só que isso não acontecia! E tinha muita má-fé envolvida, já que o grupo costumava usar como casos de sucesso os gays que se “tornavam” héteros, mas nunca mostrava o contrário. E, de 50 ex-gays que a gente via, 51 voltavam à vida de antes!

Mesmo com todas essas evidências, só resolvi me assumir e abandonar o grupo Moses depois de uma viagem a Cingapura, em 2000, pela igreja. Eu estava tentando reprimir sonhos que andava tendo com homens e só orar e jejuar não estava resolvendo. Passei um mês rezando com líderes da igreja evangélica. Ao fim da viagem, conheci um filipino por acaso e tivemos uma noite intensa. Eu estava cansado de brigar com quem eu era, mas ainda levaria dois anos para me assumir.


Saí do armário e da igreja!

Em 2002, me abri para minha mulher e passei a dormir no quarto do meu filho. Ela não aceitava. Fui à minha primeira boate gay, sozinho, e passei a noite ouvindo Madonna. Eu adorava, mas era outra coisa que eu não podia assumir na igreja. O problema é que me senti desamparado e sem amigos. Todo mundo que eu conhecia era da igreja. Me vi privado de contar histórias para meus filhos à noite antes de dormir. Aí, minha esposa pediu para voltar e topei.

Tentei essa vida hétero por mais dois anos, mas não dava certo. Saí do armário de vez em 2004, após 14 anos de casamento. Meus filhos e meu sogro foram os únicos que encararam a situação numa boa. Dessa vez consegui me adaptar porque encontrei um antigo aconselhado, gay, que me ajudou na transição ao me apresentar pessoas novas.
Vivo fora do armário há dez anos. Tive um casamento com um homem, o Emanuel, que durou sete anos e terminamos em um divórcio amigável. Levei quatro anos para ser tolerado pela minha ex e aceito pelos meus pais. Eles achavam que casa de gay tinha porta giratória, de tanto homem que entra e sai. Também pensavam que as camisinhas usadas ficavam espalhadas no corredor. Tudo bobagem!

Foi difícil superar a separação, mas em fevereiro de 2016 conheci o André no carnaval e renasci. Fui viajar para Belo Horizonte e nos apaixonamos. Em março, um mês depois, ele jogou tudo para o alto e se mudou para o Rio de Janeiro. Foi lindo. Hoje estamos vivendo juntos e muito felizes. Nossa relação é formada por parceria. E não me arrependo. Me aceitar do jeito que sou me fez ver beleza na vida e nas pessoas. Sinto como se vivesse num canto iluminado do mundo. E o melhor é que não tenho que pagar o dízimo para entrar.

Sérgio Viula, 47 anos, professor, Rio de Janeiro, RJ
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Fonte: http://soumaiseu.uol.com.br/noticias/superacao/fui-pastor-e-tentei-curar-gays-ate-que-sai-do-armario.phtml#.WPaH2vkrIdW​


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Pastor que tentou “curar” gays por 18 anos, resolveu sair do armário

Publicado por: Alana Beltrão
PUBLICADO EM : 21/04/2017 ÀS 11:19

Depois de lutar contra sua homossexualidade e tentar “curar” gays, pastor revela sua verdadeira orientação sexual.

Sérgio Viula, professor, de 47 anos, revelou para a revista “Sou Mais Eu”, do portal UOL, que durante 18 anos atuou como #Pastor de uma igreja evangélica e neste périodo ele tentou sem sucesso “curar” gays. Na verdade o que ele tentava era reprimir seus desejos homossexuais. Em seu depoimento Sérgio, afirmou que não existe ex-gays e que é mais fácil uma ´”vaca voar” do que um homossexual ser curado.

Desisti de “curar” gays e saí do armário


O ex-pastor contou que fez de tudo para anular seus desejos, ele conta que acreditava que a igreja seria seu refúgio e que através da sua fé e dedicação as palavras sagradas conseguiria se manter longe de outros homens. Contudo os desejos sempre assombravam sua vida.



Sérgio contou que nasceu em uma família católica conservadora, mas que desde de criança sabia que era #gay, contudo vivendo no seio de uma família preconceituosa, ele nunca teve liberdade para conversar sobre sexualidade. Ele relata que teve uma educação machista e homofóbica tanto em casa como na escola e igreja.

O professor disse que sua primeira experiência sexual com outro garoto foi aos 12 anos de idade. Aos 16 ele abandonou o catolicismo e conheceu a igreja evangélica quando era office-boy de uma empresa onde trabalhava.

Nesta época ele se viu encantado com a empolgação dos evanglicos com a palavra de Deus e então conseguiu durante dois anos suprimir seus desejos sexuais. Ele não revelou a ninguém na igreja sobre sua homossexualidade e passou a fazer parte do “Moses” (Movimento da Sexualidade Sadia), onde os gays procuram a conversão e/ou cura.

Sérgio disse que estava se sentindo seguro até que conheceu um rapaz na igreja e eles acabaram saindo juntos. Nesta época ele acabou se desesperando e chegou a conclusão que o melhor era se casar e formar uma família tradicional. Sérgio de casou antes dos 20 anos, com uma jovem da igreja.

Aos 22 anos entrou para o seminário com a intenção de se tornar pastor da igreja Batista. O ex-pastor continuou trabalhando no “Moses”, onde continuava a vivenciar a farsa da “cura” gay. Durante doto este tempo ele continuava dando suas escapadas e chegou a conclusão que ele não poderia mais continuar vivendo uma grande ilusão.

Depois de 14 anos de casamento, com dois filhos, em 2004, Sérgio resolveu assumir sua homossexualidade, ele confessa que não foi fácil, sua ex-esposa nunca o aceitou assim, já seus filhos e sogro o apoiaram.

O professor contou que esteve casado por sete anos com um homem, que foi muito feliz e que o relacionamento terminou de maneira amigável. De acordo com Sérgio não foi fácil superar a separação, porém no carnaval de 2016 ele viajou para Belo Horizonte onde conheceu André, o grande amor de sua vida e eles estão vivendo felizes no Rio de Janeiro.

Fonte: Blasting News


FONTE: http://www.polemicaparaiba.com.br/polemicas/pastor-que-tentou-curar-gays-por-18-anos-resolveu-sair-armario/


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Pastor que tentava “curar” gays há 18 anos sai do armário e apresenta namorado



Sérgio contou que nasceu em uma família católica conservadora, mas que desde de criança sabia que era gay, contudo vivendo no seio de uma família preconceituosa, ele nunca teve liberdade para conversar sobre sexualidade. Ele relata que teve uma educação machista e homofóbica tanto em casa como na escola e igreja.
O professor disse que sua primeira experiência sexual com outro garoto foi aos 12 anos de idade. Aos 16 ele abandonou o catolicismo e conheceu a igreja evangélica quando era office-boy de uma empresa onde trabalhava.
Nesta época ele se viu encantado com a empolgação dos evangélicos com a palavra de Deus e então conseguiu durante dois anos suprimir seus desejos sexuais. Ele não revelou a ninguém na igreja sobre sua homossexualidade e passou a fazer parte do “Moses” (Movimento da Sexualidade Sadia), onde os gays procuram a conversão e/ou cura.
Sérgio Viula, professor, de 47 anos, revelou para a revista “Sou Mais Eu”, do portal UOL, que durante 18 anos atuou como Pastor de uma igreja evangélica e neste período ele tentou sem sucesso “curar” gays. Na verdade o que ele tentava era reprimir seus desejos homossexuais. Em seu depoimento, Sérgio afirmou que não existe ex-gays e que é mais fácil uma “vaca voar” do que um homossexual ser curado.
O ex-pastor contou que fez de tudo para anular seus desejos, ele conta que acreditava que a igreja seria seu refúgio e que através da sua fé e dedicação as palavras sagradas conseguiria se manter longe de outros homens. Contudo os desejos sempre assombravam sua vida.
Sérgio disse que estava se sentindo seguro até que conheceu um rapaz na igreja e eles acabaram saindo juntos. Nesta época ele acabou se desesperando e chegou a conclusão que o melhor era se casar e formar uma família tradicional. Sérgio se casou antes dos 20 anos, com uma jovem da igreja.
Aos 22 entrou para o seminário com a intenção de se tornar pastor da igreja Batista. O ex-pastor continuou trabalhando no “Moses”, onde continuava a vivenciar a farsa da “cura” gay. Durante todo esse tempo ele continuava dando suas escapadas e chegou a conclusão que não poderia mais continuar vivendo uma grande ilusão.
Depois de 14 anos de casamento, com dois filhos, em 2004, Sérgio resolveu assumir sua homossexualidade, ele confessa que não foi fácil, sua ex-esposa nunca o aceitou assim, já seus filhos e sogro o apoiaram.
O professor contou que esteve casado por sete anos com um homem, que foi muito feliz e que o relacionamento terminou de maneira amigável. De acordo com Sérgio não foi fácil superar a separação, porém no carnaval de 2016 ele viajou para Belo Horizonte onde conheceu André, o grande amor de sua vida e eles estão vivendo felizes no Rio de Janeiro.
(UOL)
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