Algumas entrevistas com Sergio Viula

A PRIMEIRA ENTREVISTA FOI PARA A REVISTA ÉPOCA EM 2004


VIDA MODERNA 

Link da própria revista Época, clique aqui.


Libertando-se do armário



Sergio Viula, um dos criadores do grupo que defende a “cura” da homossexualidade, se assume como gay e diz que tratamento é uma farsa



Gisela Anauate 


O carioca Sergio Viula, de 35 anos, foi um dos fundadores do Movimento pela Sexualidade Sadia (Moses), ONG evangélica que dá auxílio a pessoas que desejam abandonar a homossexualidade. Chegou a ser pastor da Igreja Batista, casou-se e teve dois filhos. Há um ano e meio, porém, assumiu ser gay, deixou a igreja e rompeu o casamento. Viula, atualmente professor de Inglês e estudante de Filosofia na Uerj, conhece como poucos os métodos dos grupos de ''reorientação'' sexual. Sabe que não funcionam e critica o projeto de lei do deputado estadual Édino Fonseca (PSC) que prevê o custeio de tratamento psicológico para pessoas interessadas em ''virar heterossexuais''. O texto, condenado por psicólogos e psiquiatras, já passou por três comissões na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro e pode ser aprovado até o fim do mês. 


SERGIO VIULA

Selmy Yassuda/ÉPOCA 



Formação 

Formado pelo Seminário Teológico Betel, estudante de Filosofia na Uerj 


Trajetória 


Abandonou o grupo evangélico Movimento pela Sexualidade Sadia e assumiu ser gay


Dados pessoais 


Ex-pastor da Igreja Batista, é separado e pai de dois filhos



ÉPOCA - Como surgiu o Movimento pela Sexualidade Sadia, que atua em várias denominações evangélicas? 

Sergio Viula - O objetivo era a evangelização de homossexuais, que nada mais é do que fazer proselitismo religioso. Pretendíamos mostrar que a homossexualidade não é natural e deveria ser abandonada pelos que quisessem agradar a Deus. O Moses também queria dar uma resposta aos grupos gays, que tinham espaço na mídia.



ÉPOCA - Como o grupo pretende reverter a homossexualidade?

Viula - Vendem uma solução, enchendo as pessoas de culpa. No tempo em que eu estava lá, ouvia relatos de sofrimento e tentava arrumar razões para a homossexualidade, sempre ligadas à desestruturação familiar ou a traumas. Era um absurdo. O discurso do Moses é homofóbico e cruel: ''Jesus te ama, nós também, mas você precisa deixar de ser gay''. O homossexual continua sentindo desejo, mas com um pé no prazer e o outro na dor, com sentimento de culpa, medo, auto-rejeição. Criávamos uma paranóia na cabeça deles.



ÉPOCA -Quando você percebeu que o ''tratamento'' era uma farsa?

Viula - A gota d'água foi quando um rapaz soropositivo, que chegou a ser da diretoria do Moses, morreu. Ele havia se envolvido sexualmente com dois integrantes do grupo. Um deles estava tão apaixonado que chorou mais que a viúva no enterro. Comecei a pensar que o grupo não funcionava nem para os que estavam dentro dele.




ÉPOCA - Nem para você? 

Viula - Sou o melhor exemplo de que não existe ''cura'' da homossexualidade. Sabia que era gay desde os 16 anos. As pessoas que dizem que mudaram, na verdade, continuam sentindo desejo. Um padre que é celibatário e heterossexual não deixa de ser heterossexual porque é celibatário. Um homossexual que não transa porque quer ä renunciar a isso pela fé é gay. Só não está em atividade. 



ÉPOCA - O que acontecia nos bastidores do movimento? 

Viula - Uma vez criaram uma célula de homossexuais que se reunia na Tijuca para fazer uma espécie de terapia em grupo. Em vez de virarem heterossexuais, começou a rolar paquera. Tinha gente que saía da reunião para namorar. Dentro do próprio apartamento que sediava os encontros aconteceram experiências sexuais. A célula acabou cancelada. Outra situação absurda ocorreu em um congresso da Exodus - grupo cristão internacional que combate a homossexualidade - em Viçosa. Os caras paqueravam e ficavam juntos durante o evento. A mensagem da militância gay, que se reuniu na porta, era: ''Nos deixem em paz''. Lá dentro, dizíamos que Deus transforma. Mas quem estava no evento fazia o mesmo que o pessoal de fora (risos). Era uma incoerência total. 


'' O aconselhamento sexual praticado entre os evangélicos é homofóbico e cruel: 'Jesus te ama, nós também, mas você precisa deixar de ser gay'' 



ÉPOCA -Sua saída do Moses coincidiu com sua ''saída do armário''? 

Viula - Sim. Há três anos abri o jogo com as lideranças da Igreja Batista e do Moses e me separei de minha mulher. Depois de um mês isolado, voltei para o casamento e para o Moses. Tinha chegado à conclusão de que era gay, mas não tinha resolvido a questão de fé em minha cabeça. Dois anos depois, me desliguei de vez.




ÉPOCA - Como sua família reagiu? 

Viula - A relação com minha ex-mulher é amigável, mas com meus pais está extremamente abalada. São evangélicos e negaram a vida inteira que tinham um filho gay. Não suportaram ouvir de mim o que sempre quiseram esconder. Não nos falamos mais. Tenho um filho de 9 anos e uma menina de 12. Contei a verdade a ela e expliquei por que não podia continuar casado. Ela diz que me ama e não tem vergonha do pai.




ÉPOCA -A mensagem evangélica alimenta a homofobia? 

Viula - A maioria dos evangélicos discrimina. O deputado Édino Fonseca é notadamente desequilibrado. Disse na Assembléia de Deus que os gays desejam fazer clonagem para criar um exército e dominar a sociedade. Há muitas pessoas desinformadas nos templos e, para elas, o gay é inimigo em potencial. O Moses deveria orientar as famílias assim: ''Seu filho é gay, mas pode ser saudável, bonito, inteligente e bem-sucedido, como qualquer heterossexual''. Isso nunca foi feito.



ÉPOCA -Você atualmente freqüenta alguma igreja? 

Viula - Não. Mas isso não está só relacionado a minha homossexualidade. Conheço muitos gays que são religiosos. Abandonei a igreja por pensar que o Deus cristão é um mito. Mas acho importante militar por uma abertura na igreja. Como grupo social, ela tem de ter uma representatividade gay para não ser discriminatória. Não sou ativista, mas incentivo os movimentos gays, sobretudo o de Luiz Mott (Grupo Gay da Bahia), que foi massacrado por nós, do Moses. Neste ano, fui à ParadaGay do Rio pela primeira vez como homossexual assumido. Antes ia como evangelista. Foi uma experiência maravilhosa. Nunca estive tão em paz. 


Revista Época: 
http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT868192-1664-1,00.html

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O FANTÁSTICO TAMBÉM FEZ ENTREVISTA EM 2009 

Edição do dia 04/01/2009 - Atualizado em 05/01/2009 07h12

É possível uma pessoa deixar de ser homossexual?

Personagem Orladinho causa polêmica.



A novela "A Favorita" está chegando ao fim e, além do mistério sobre o destino que o autor João Emanuel Carneiro dará à malvada da Flora, o povo, na rua, discute o futuro de outro personagem: Orlandinho, interpretado pelo ator Iran Malfitano. Será que essa mudança é possível?

"Eu acho que é uma violência total e absoluta querer interferir na orientação sexual de uma pessoa, na singularidade dessa pessoa. É a mesma coisa que se fazia antigamente com quem era canhoto", diz a psicanalista Regina Navarro Lins.

"Quando o cara é macho, é macho. Quando o cara é homem, é homem. E quando o cara é gay, é gay", opinou um homem.

"Não conheço ex-homossexual. Nunca ouvi falar.", explicou outro.
"Homossexualidade não é doença e acho que todos deviam encarar como normalidade", defende Regina.

A Igreja Católica não concorda. Na antevéspera do Natal, o Papa Bento XVI, em sua saudação de fim de ano, comparou o combate ao homossexualismo ao esforço para a proteção às florestas. Segundo ele, são duas coisas importantes no século 21.
"A prática homossexual é entendida como pecado", explica o bispo-auxiliar do Rio de Janeiro Don Antonio Dias Duarte.

Os evangélicos compartilham do mesmo ponto de vista e acreditam que é necessário um trabalho para transformar gays em ex-gays.
"O homossexual é objeto do amor de Deus. Nós precisamos, através desse amor de Deus, trabalhar para que ele volte a ser aquilo que originalmente o homem foi criado para ser: heterossexual", diz o pastor da Igreja Batista Alexandre Macedo de Oliveira.

"Aos 9 anos eu sofri um abuso sexual e passei a viver no homossexualismo durante 16 anos da minha vida. Fiquei dentro da prática do homossexualismo da adolescência e início da juventude até chegar aos 25 anos. A igreja me apoiou de tal forma que eu pude vencer todo o trauma sofrido e passar a viver uma nova vida em Cristo. Precisei do apoio da minha família e dos irmãos da igreja para que eu pudesse realmente hoje poder dizer que não sou mais homossexual, e sim heterossexual", conta o cabeleireiro Guilherme Chagas da Conceição.

Sérgio Viula, gay assumido, 35 anos, evangélico que chegou a ser pastor e se dedicou ao Movimento pela Sexualidade Sadia (Moses), especializado na recuperação de gays, acredita que esse tipo de trabalho não é eficiente.

"A única coisa que eu consegui fazer foi me reprimir enquanto estive lá dentro. Na verdade, eu me casei. Fiquei 14 anos casado e tive 2 filhos maravilhosos. Depois me separei, assumi a minha homossexualidade e continuei amando meus filhos. Hoje eu tenho um relacionamento fixo, eles conhecem, não têm nenhuma crise com isso. Passamos o Natal juntos. Minha filha já até viajou com o meu parceiro", explicou. (GRIFO MEU)

De um lado, a vida real. Do outro, a ficção da novela. Como será que vai terminar a história de Orlandinho?


Online em:
http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL943037-15605,00-E+POSSIVEL+UMA+PESSOA+DEIXAR+DE+SER+HOMOSSEXUAL.html 


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ALGUNS SITES TAMBÉM PRODUZIRAM ENTREVISTAS OU ARTIGOS (2010 EM DIANTE)



Site ParouTudo:

Ex-ex-gay brasileiro escreve livro e defende que LGBTs podem enfrentar homofóbicos religiosos

Por Welton Trindade em 22.12.2010 : 13h57


Negando que era homossexual, tentando viver um personagem, o teólogo, filósofo, ex-pastor e professor de inglês Sergio Viula achava que era feliz, mas se enganou. Apenas quando ele deixou de fugir de si mesmo é que ele pôde saber o que era ser pleno. No caminho, ele foi um dos responsáveis por uma das entidades de conversão de homossexuais mais atuantes no país. Hoje, ele abomina tudo que é feito nesse sentido e conta sua história no livro “Em Busca de Mim Mesmo”.

Você já foi casado com mulher. Mas você já tinha desejo por homens antes disso?

Desde cedo eu me sentia diferente dos meninos. Eles se empolgavam com as garotas, e eu me sentia atraído por eles. Isso me causou sofrimento, não porque eu me sentisse atraído por eles, mas porque eu já ouvia as críticas dos adultos e dos colegas contra o que eles chamavam de “bichinha”, “viadinho”, etc. Essa rotulação me induzia a pensar que houvesse algo errado em gostar de meninos. E foi isso que, em parte, preparou o campo para as crenças que viriam mais tarde, como a crença de que gays devem mudar.

Como você lidava com o conflito entre religião e homossexualidade quando você era pastor?

Eu acreditava que a homossexualidade era pecado, desvio, patologia psicológica, etc. Tudo isso por causa do preconceito introjetado desde a infância, somado à homofobia das interpretações bíblicas tradicionais e ao modo como a sociedade imediatamente próxima (família, igreja, amigos, parentes) lidavam com os homossexuais que conheciam. O sofrimento era intenso. E eu passei a me considerar ex-gay quando me coverti ao evangelicalismo.

Toda essa questão é abordada com detalhes em meu livro, visto ser impossível cobrir campo tão vasto em algumas linhas aqui. Quando dei entrevistas à revista Época, ao Fantástico e a outros meios de comunicação, falei sobre isso, mas sempre superficialmente. Por isso, a idéia do livro: não só registrar uma biografia, mas questionar paradigmas que as pessoas geralmente não ousam criticar.

Você diz que defendia processos de reversão da homossexualidade. Qual era sua relação com quem fazia isso? E como você vê hoje o fato de você ter defendido esses métodos?

Eu defendia processos de reversão, e por isso mesmo fui um dos fundadores do MOSES (Movimento pela Sexualidade Sadia). Essa ONG evangélica pregava a reversão da homossexualidade em heterossexualidade e afirmava que somente esta era saudável e aceitável diante de Deus.

Durante anos, atuei com aconselhamento, produção de textos, folhetos, divulgação de livros voltados para essa questão, palestras, congressos, etc. Desde que eu rompi com tudo isso, tenho afirmado veementemente a falácia desses movimentos e teorias evangélicas a respeito da homossexualidade.

Como foi o processo de você ter decidido viver sua homossexualidade? O que você teve de vencer para tal?

Eu tive que vencer tudo! Eu tive que primeiro me encontrar e amar a mim mesmo. Daí, o nome do meu livro “Em Busca de Mim Mesmo”. A trajetória entre o reconhecimento de mim mesmo como gay e noção de que não havia vantagem alguma em ser hetero ou em ser gay foi dolorosa, mas o resultado, maravilhoso.

Desfazer toda estrutura que eu havia construído como marido de uma mulher, pastor, fundador e colaborador de um movimento de suposta reversão sexual, professor de seminário teológico, editor de um jornal de apologética cristã, conferencista, etc, não foi nada fácil.

Os religiosos homofóbicos são os principais inimigos da cidadania LGBT. Como você, que já foi voz contrária a LGBTs e hoje trabalha pela igualdade, acha que nós podemos minar os discursos e as práticas homofóbicas dos religiosos?

Eles não resistem a um exame sério. Caem por causa de suas próprias contradições internas, e é isso que eu mostar no “Em Busca de Mim Mesmo,” e também no blog “Fora do Armário” (clique aqui) e com as palestras que apresento quando convidado.

Votar em representantes políticos que tenham um projeto de democracia baseado na laicidade do Estado é outra coisa fundamental. Denunciar os abusos dos homofóbicos à Justiça e processá-los de acordo com as leis disponíveis é importantíssimo!

No local de trabalho ou de estudo, o homossexual consciente e amante de si mesmo deve demonstrar no dia-a-dia as falácias desses movimentos e pregações através do próprio comportamento e do que diz aos amigos quando esse assunto surge.

Mas a maioria dos homossexuais só vêem a homossexualidade como comportamento de final de semana. Ir à boate, ir à sauna, participar de uma balada. Tudo é isso é lícito e prazeroso, mas se o homossexual só enxerga isso, então ele enxerga muito pouco e não percebe que até mesmo para ter essas liberdades é preciso agir politicamente no dia-a-dia e nos momentos de grandes decisões, no campo das leis e dos projetos governamentais e da sociedade civil como um todo.

http://paroutudo.com/noticias/2010/12/22/ex-ex-gay-escreve-livro-e-defende-que-lgbts-podem-enfrentar-discurso-homofobico-de-religiosos/


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Site A Capa (duas entrevistas):

COLUNAS | RELIGIÃO

"Sair do armário vale a pena", diz ex-pastor Sérgio Viúla
Por Márcio Retamero* em 27/08/2009 às 12h55

"Sair do armário vale a pena", diz ex-pastor Sérgio Viúla
Neste mês de agosto, a Comunidade Betel do Rio de Janeiro, igreja onde sou pastor, completou três anos de atividades públicas. Nesses três anos, conquistamos e fomos conquistados por muitos amigos muito especiais, dentre esses, Sérgio Viúla, que esteve entre nós no último domingo para falar sobre processo de libertação LGBT, "sair do armário" como dizemos popularmente.

Sérgio tem uma rica experiência de vida e no que diz respeito à religião e homossexualidade, ele é um mestre! Estudou Teologia, foi pastor batista, missionário e professor de seminário. Nesta fase, casou, é pai de dois filhos e fundou o Movimento pela Sexualidade Sadia (MOSES) junto com João Santolin. Trabalhando no MOSES, aos poucos foi percebendo o quão falacioso é a tentativa de ser o que não é e, então, rompeu com tudo. Separou da esposa, saiu da igreja, deixou de ser pastor e assumiu sua homossexualidade. Concedeu uma bombástica entrevista à revista Época, revelando-se e também revelando a falácia do MOSES. Tornou-se ateu. Hoje é professor de inglês, estudante de Filosofia na UERJ, é dono do blog "Fora do Armário" e vive feliz ao lado do seu amor, Emanuel.

Para muitos cristãos fundamentalistas, Sérgio é um desertor; para mim, Sérgio é um profeta. Na entrevista que segue, Sérgio compartilha conosco sua experiência de vida e visão de mundo.

Sérgio, como aconteceu sua adesão à fé cristã e qual foi o ápice dessa trajetória?

Eu me converti na Igreja Missionária Evangélica Maranata durante um culto realizado no auditório da A.B.I. (Associação Brasileira de Imprensa). Depois de muito insistirem, dois amigos meus finalmente conseguiram me convencer a ir ao culto. Fui duas vezes, e na segunda vez entreguei-me publicamente a Cristo. Tinha apenas 16 anos de idade, mas levei tão a serio a decisão que rapidamente subi na hierarquia da igreja. Fui professor de EBD, líder de mocidade, missionário com a Operação Mobilização. Mais tarde, saí da Maranata e fui para outra igreja pentecostal, onde continuei trabalhando arduamente no ministério. Quando percebi que esta igreja desviara-se do que considerava bíblico, migrei para a Igreja Batista (CBB). Já havia me formado no Seminário Teológico Betel, no qual também lecionei. Fui ordenado pastor. Trabalhava como editor do jornal Desafio das Seitas, que era administrado pelo Centro de Pesquisas Religiosas (CPR). Fiz duas pós-graduações em missiologia no Seminário Teológico Betel em parceria com o Fuller Theological Seminary dos Estados Unidos. Fiz um Seminário de Liderança Avançada pelo Instituto Haggai em Cingapura. Este foi meu último grande feito como crente. Nenhum destes ministérios, porém, foi mais INÚTIL para o bem da humanidade do que o MOSES (Movimento pela Sexualidade Sadia), do qual eu fui um dos fundadores em 1997.

Você foi um dos fundadores do MOSES [Movimento pela Sexualidade Sadia] que prega a conversão de homossexuais em heterossexuais. Como foi o processo até você entender que essa conversão é uma falácia?

Diversas coisas aconteceram para que eu pudesse despertar do sono dogmático em que me encontrava. Primeiro, fui percebendo eu mesmo - a despeito de toda fé e dedicação - não experimentara nenhuma mudança real. Depois, passei a prestar atenção à vida das inúmeras pessoas que nos procuravam e passavam pelos aconselhamentos, retiros, orações etc. Nenhuma delas havia mudado de fato. Só sabiam sofrer com a tensão entre o que diziam os fundamentalistas cristãos e o que desejavam de coração. Várias pessoas se envolveram com pessoas que estavam no MOSES. Várias vezes presenciei confrontações entre a liderança do MOSES e gente que havia transado com amigos conhecidos no ministério. Além daqueles que transavam fora e traziam suas histórias aos prantos para as sessões de aconselhamento.

O MOSES hoje me parece em declínio, não ouvimos mais falar de ações desta instituição. Você atribui isso a quê? Muitos pensam que sua entrevista à revista Época, naquele tempo, foi um duro golpe na instituição.

Certamente que a minha denúncia foi um divisor de águas. Não é todo dia que um homem com 18 anos de crença e ministério, fundador de um grupo de "reversão", pastor de uma igreja respeitada, com vasta experiência ministerial, vem a público e denuncia as falácias de uma organização e crença deste tipo. Os próprios crentes passaram a desconfiar daquela organização. Não só isso, mas entre a própria liderança já havia aqueles que se perguntavam por que as pessoas não mudavam realmente. Devem ter visto em tudo isso um ponto final para a pergunta. Porém, sempre há os saudosistas e não me admiraria se alguém retomasse o nome desta organização e sua proposta.

Sair do armário é um duro processo! O título do seu blog é "Fora do Armário" diz muito sobre a sua atual condição existencial. Como foi esse processo de sair do armário para você e para a sua família?

Foi duro. Fui perseguido por meus pais e irmãs, minha ex-mulher, incompreendido por "amigos" etc. Meus filhos foram surpreendentemente maduros, apesar de tão novos. Nunca deixaram de me amar e querer estar comigo. Deixei minha casa e tudo o que havia dentro dela nas mãos da minha ex-mulher por causa dos meus filhos. Comecei do tudo do zero de novo. Arrumei novo emprego, porque a escola na qual lecionava estava nas mãos de gente da igreja batista, e a convivência ficou insustentável. Nunca me arrependi de ter saído do armário. Fui em frente. Batalhei. E por isso progredi para um emprego melhor, consegui minha casa própria, conheci Emanuel (com quem estou casado hoje), passei a morar perto dos meus filhos (que estão com minha mãe atualmente), meus pais passaram a aceitar a realidade e se dão bem comigo e com Emanuel atualmente. Estou colhendo a tranquilidade que plantei no meio da maior tempestade que enfrentei na vida. Valeu a pena!

Pesando tudo isso, apesar das lutas internas e externas, valeu a pena? O que você diria para alguém que deseja muito sair do armário, mas ainda não encontrou forças para isso?

Sair do armário vale a pena! É muito melhor viver 100% na autenticidade com relação à sua homoafetividade do que "de dia ser Maria e de noite ser João", como cantava o Chacrinha. A pessoa nem é realmente heterossexual e nem vive plenamente sua homossexualidade. Quando a gente é resolvido e assumido, a chantagem, a ameaça, as acusações indiretas e coisas semelhantes perdem totalmente o efeito. Você assume o controle de sua própria vida e desejo. Se tiver que mudar tudo para viver plenamente, mude! Eu mudei de emprego, de endereço, de amigos, mas ganhei qualidade de vida, tranquilidade e as condições necessárias para me realizar plenamente.

O ateísmo que hoje você professa é fruto de um processo de entendimento acerca da religião, sua natureza e papel social ou reação emocional, portanto, reativa, a tudo o que você viveu na igreja evangélica? Como você de cristão passou a ateu?

Tudo isso junto. Compreendi que - essencialmente falando - o cristianismo não está em posição melhor do que qualquer outra religião atual ou antiga. A religião egípcia, grega, cananita pode ser encarada até como superior em alguns aspectos. Qual é o fundamento seguro, ou seja, evidente e infalível que me garante que Deus existe, ou que a Bíblia é uma revelação divina, ou que o céu existe, ou que o inferno seja real? Como saber seguramente que Jesus e não Maomé ou Buda é o caminho, a verdade e a vida? Quem me garante que Jesus - se existiu de fato - não foi meramente um judeu, inconformado e ressentido com os dominadores da época, que acabou sendo mitificado por seus seguidores como ainda hoje acontece com aqueles que inspiram os desesperados. O próprio Inri Cristo que vive no sul do Brasil e alega ser a reencarnação de Cristo tem seus seguidores. 

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O autoconhecimento é libertador

Por Márcio Retamero* em 27/01/2011 às 15h53

Márcio Retamero: O autoconhecimento é libertador

Sérgio Viula (foto) é, como ele mesmo gosta de se definir, uma metamorfose ambulante. Ex-pastor batista, teólogo, professor, pai e gay não definem, de maneira alguma, o que ele é.

Hoje ele sabe que é bem mais que tudo isso e que nenhum rótulo lhe cabe, mas somente descobriu isso mergulhando para dentro dos quartos escuros que cada um de nós temos na alma. Esta fascinante viagem, o autoconhecimento, além de libertação existencial de muitas amarras impostas pelo adestramento social, produziu o livro “Em Busca de Mim Mesmo”, que Sérgio lançará na Igreja da Comunidade Metropolitana do Rio de Janeiro (Comunidade Betel), no próximo dia 20 de fevereiro às 17h30.

Confira abaixo a entrevista que ele concedeu, por e-mail, à coluna Religião do nosso site. Desejamos que, assim como ele, você também faça essa viagem existencial libertadora.

Quando e como surgiu a ideia de escrever "Em Busca de Mim Mesmo"?

Quando eu finalmente saí do armário, encerrei alguns conflitos e iniciei outros. Estava resolvido quanto a mim mesmo, mas incompreendido pelas pessoas da igreja e da família quanto à minha homossexualidade e a decisão de me emancipar. Também pensei muito no sofrimento de tantos homossexuais ainda não resolvidos, alguns dos quais eu conheci pessoalmente. Vi a crescente onda de fundamentalismo tentando atropelar os direitos civis que os homossexuais têm pleiteado por tanto tempo. Tudo isso me fez crer que colocar minha experiência e analisar alguns questionamentos de ordem existencial poderia ser uma forma de contribuir para o esclarecimento de muitas pessoas. Foram quase sete anos cozinhando as ideias que apresento no livro.

Na contracapa do livro você declara que a canção do Raul Seixas, "Metamorfose Ambulante" poderia ser o jingle da obra. Como aconteceu sua metamorfose?

Essa metamorfose custou muito tempo e sofrimento. Acredito que não seja prazeroso tudo o que a lagarta passa dentro do casulo até finalmente poder romper o invólucro que a aprisiona para finalmente abrir as asas e voar. No meu caso, o sofrimento emocional foi insuportável. Quando criança, eu tinha medo da reação da família, dos amigos, da igreja etc. Achava que no dia em que eles soubessem (com certeza) que eu era homoafetivo a casa iria cair sobre a minha cabeça. O tempo passou, eu saí do armário depois de ter casado com uma mulher, ter tido dois filhos e ter atuado como pastor, e descobri que tinha razão: a casa caiu. O sofrimento desse enfrentamento, porém, não se comparava ao do enrustimento. Além disso, não durou para sempre. Hoje mesmo, antes de dar essa entrevista, estava conversando sobre essa fase com meu parceiro, minha filha e o namorado dela, enquanto jantávamos num restaurante e trocávamos ideias sobre o livro. Ela lembra bem de muitos desses momentos e se emocionou bastante lendo alguns desses episódios.

Continua se metamorfoseando?

Sim. O melhor da vida é a mudança e não a permanência. Aliás, nada permanece do mesmo jeito na natureza de fato. Até as montanhas sofrem erosão e viram pó com o passar dos anos. Eu sou muito mais frágil que uma montanha, apesar da força com que enfrento os desafios da vida. Sofro mudanças todo dia - cada dia um pouco. Depois que saí do armário, muita coisa mudou para melhor na minha vida, não por ter me assumido simplesmente (isso foi só o começo), mas por viver de modo transparente, racional, afetuoso, ético. Perfeição não existe. É apenas uma ideia que geralmente se torna um ideal. Felizmente, para ser bom e feliz, o indivíduo não precisa ser perfeito. Se preciso fosse, ninguém seria bom ou feliz. Não sou perfeito, mas procuro viver eticamente, e essa ética tem tudo a ver com a liberdade e a felicidade. No livro, esse conceito é melhor explicado do que no espaço de que disponho aqui.

Seu livro é autobiográfico. De que maneira seu livro contribui para a causa LGBT?

"Em Busca de Mim Mesmo", como sugere o título, é uma biografia, mas não se esgota aí. Na verdade, os dados biográficos são o fio condutor que alinhava tudo o que discuto no livro.

A meu ver, o conteúdo que apresento pode contribuir de muitas maneiras. Primeiro penso que ele possa contribuir para encorajar os homossexuais que ainda se sentem acossados pelo preconceito dos outros e atormentados pelo preconceito que já foi internalizado por muitos deles mesmos. Depois, penso que o livro contribui para a causa LGBT principalmente no que diz respeito aos embates com os fundamentalistas homofóbicos. Alguns "calcanhares de Aquiles" dos fundamentalistas ficam bem expostos ao longo das discussões que eu apresento no livro. Quem procurar ler com atenção, destacando os pontos mais relevantes vai ter muito conteúdo para pensar e expandir. Quero que seja um ponto de partida mais do que um ponto de chegada.

No livro você fala sobre responsabilidade e ética no comportamento sexual LGBT. Fale-nos mais sobre isso.

Eu amo a liberdade. Penso que todos têm o direito de ser como são ou desejam ser, desde que isso não atinja os direitos básicos dos outros. Quando se fala em ética, muita gente logo pensa nesse ou naquele estereótipo. Não penso assim. Para mim, um dos maiores problemas dos LGBT é a indiferença. É de extrema importância para a manutenção e expansão das liberdades e dos direitos - muitas vezes sinônimos - que ajamos com ética e responsabilidade, e isso implica algum tipo de engajamento. A maioria dos LGBT nem sabe a que veio: só pensa na diversão. Precisamos ter responsabilidade e ética em tudo - desde a relação sexual com o(a) parceiro(a) até o trato com a coisa pública. Muitos homossexuais só agora estão se dando conta da importância do engajamento político, por exemplo, por causa dos fundamentalistas neuróticos que têm povoado as eleições e os horários de programação independente em certas emissoras de TV.

Entendi que você faz uma crítica positiva em relação às "Paradas do Orgulho". Na sua opinião, o modelo está ultrapassado? Quais alternativas temos?

Eu gosto das "Paradas do Orgulho LGBT". Gosto dessa visibilidade. A questão é: se estamos na vitrine, o que estamos mostrando? A festa é fantástica e deve continuar a existir! Festejar a liberdade e o amor também é comunicar. Agora, se paramos aí, não atingimos nosso objetivo principal: pleitear direitos, denunciar injustiças, exigir a punição adequada aos crimes de homofobia, etc. A Parada LGBT do Rio tem mantido esse caráter combativo. Não posso falar de todas, porque não estive nas outras cidades, exceto as mais próximas: Duque de Caxias, Niterói, Friburgo, por exemplo. Em todas elas, pude ver o lado político da parada bem vivo, mas a voz dos organizadores ainda fica restrita ao carro de abertura. É preciso ampliar isso. O discurso tem que ser veiculado por todos os carros de som simultaneamente. E o povo LGBT tem que prestigiar esse momento, ao invés de ficar apressado para dar pinta ao som dos DJs. Eu adoro brincar nas paradas, rir, tirar fotos, encontrar amigos, cortejar as drag queens. É um momento festivo, sim. Porém, também é um momento de protesto, de demanda, de informação. E todos precisamos estar muito cientes disso. A parada não é o único meio de expressão, mas é um meio valiosíssimo se bem utilizado. E a prova disso é o ressentimento amargurado dos fundamentalistas e homofóbicos de plantão contra as Paradas do Orgulho LGBT, assim como o crescente número de simpatizantes que prestigiam as paradas com a própria família.

O PLC 122/2006 acaba de ser engavetado e sabemos que o fundamentalismo religioso contribuiu muito para isso. Na sua opinião, a militância LGBT sabe fazer frente ao fundamentalismo religioso? Como combatê-lo?

Penso que ainda não. A militância se movimenta, mas algumas ações não parecem estar funcionando bem, porque os fundamentalistas continuam alcançando seus objetivos. Há que se dizer também que as ONGs LGBT não podem fazer muito sem o devido apoio. Fico impressionado com o fato de não se ter conseguido um milhão de assinaturas entre os próprios LGBT para pressionar o Congresso e o Senado a aprovar a lei. Na Parada de Copacabana (acho que de 2009) havia até carro de som com computadores em cima disponíveis para as pessoas aderirem à campanha, e mesmo assim não se atingiu esse número. Isso demonstra desarticulação e indiferença da parte dos próprios indivíduos LGBT. Os direitos civis dos LGBT têm alcançado mais êxito no Judiciário (que age tecnicamente) e no Executivo (por meio de decretos e medidas provisórias) do que no Legislativo (dominado pelo lobby evangélico e católico).
Estou muito convencido de que informação correta em linguagem acessível a todos é o melhor caminho para combater o fundamentalismo que tenta contaminar as massas. Enquanto as coisas ficarem na troca de "slogans", o esclarecimento genuíno não vai avançar. A mídia tem favorecido esse esclarecimento em alguns momentos. Na novela Ti-ti-ti, por exemplo, o fundamentalismo cedeu ao bom senso quando o casal formado por Julinho (André Arteche) e Osmar (Gustavo Leão) foi separado pela morte de Osmar. A mãe do falecido fez todo o discurso do fundamentalismo homofóbico nas cenas seguintes, mas acabou cedendo diante do amor genuíno de Julinho pelo filho dela. Esse tipo de texto colabora para o esclarecimento das massas, mas ainda tem muita gente elegendo candidatos financiados por essa ala neurótica, e eles acabam fazendo o jogo daqueles que os apoiaram e que provavelmente voltarão a apoiar se não forem contrariados.

No livro você também faz uma crítica às igrejas ditas inclusivas. Como você enxerga tais instituições?

Podem ser úteis quando servem de porto seguro para aqueles que ainda se acham solitários depois de uma experiência traumática de emancipação ou que estão em vias de se emanciparem. Por outro lado, podem ser contraproducentes para o próprio movimento LGBT quando são uma cópia das outras, com a única diferença de estarem voltadas para o público LGBT. Pessoas gays, lésbicas, bissexuais e os três Ts (travestis, transexuais e transgêneros) podem continuar amarradas a dogmas escravizadores se fizerem parte de grupos que mantém a mesma mentalidade das igrejas ditas tradicionais e pentecostais. Todavia, é possível que uma igreja transcenda tudo isso e seja uma alavanca para a verdadeira emancipação e amadurecimento pessoal. Isso, porém, demanda mais coragem e maturidade do que o ato de sair do armário.

Como teólogo e ateu, professor, pai, gay assumido, acredita que a exposição de sua vida contribui de alguma maneira à causa LGBT no Brasil? Como?

Acredito. Penso que quando as pessoas veem tantos paradoxos no mesmo indivíduo e notam que esse indivíduo conjuga equilíbrio e alegria na vida de uma forma saudável e construtiva, elas acabam notando que as "caixinhas" que a sociedade lhes deu para classificarem tudo o que encontram pela frente são pequenas demais para coisas tão grandes como o ser humano e a vida, e acabam se abrindo para as diferenças, inclusive a as próprias. Na realidade, nada há de mais comum do que a diferença.

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Deixe uma mensagem para os leitores da coluna religião do site A Capa.

Não tenha medo de mudar. Não use o pretexto de que ser você mesmo vai fazer os outros sofrerem. As pessoas aprendem e o sofrimento delas passa. O seu, não. Viver frustrado a vida toda, por negar quem você realmente é, significa perder tudo o que você tem de mais precioso: tempo. E se lhe disseram que tempo é dinheiro, mentiram. Dinheiro você perde e ganha de novo. Tempo, se você perder, não ganha nunca mais. Seja você mesmo em seu mais nobre e belo estilo! Organize sua vida para viver de forma independente. Esteja perto de quem ama você por amor retribuído e não por dependência financeira ou emocional. Ser dono de si e amar a si mesmo é o primeiro passo para ser feliz. E só as pessoas felizes conseguem respeitar e amar o outro do modo intenso e genuíno.

* Márcio Retamero, 36 anos, é teólogo e historiador, mestre em História Moderna pela UFF/Niterói. É pastor da Comunidade Betel/ICM RJ e da Igreja Presbiteriana da Praia de Botafogo. É autor de "O Banquete dos Excluídos" e "Pode a Bíblia Incluir?", ambos publicados pela Editora Metanoia. E-mail: marcio.retamero@gmail.com.


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Site Bule Voador:


Sergio Viula: antes evangélico ex-gay, agora ativista LGBT secular

12 jan, 2011 - Eli Vieira

Do Conselho de Mídia da LiHS

Sergio Viula

Sergio Viula é um ex-ex-gay. Isso mesmo, ele viu todos os lados da situação, casou, tem dois filhos, foi pastor e participou de um movimento para “curar” gays, mas acabou percebendo todas as inconsistências disso. Só por isso ele merece aplausos, pela sua capacidade de ter sido total e dolorosamente honesto consigo mesmo e com todos que o cercam.

Teólogo, filósofo, professor de língua inglesa e gay, mantém o blog Fora do Armário, onde também pode ser encontrada a orientação para comprar o seu livro, Em Busca de Mim Mesmo, onde ele conta toda a sua trajetória.

Leitura altamente recomendável, por colocar a nu de forma muito clara o quanto a religião prejudica e faz sofrer quem é homossexual, incutindo culpa e autorrejeição totalmente desnecessárias.

Na última segunda-feira, Sergio concedeu esta entrevista ao Bule Voador.


LiHS – Há mais de cem anos, num Reino Unido ainda legalmente homofóbico, Alfred Douglas, amante do grande Oscar Wilde, chamou a homoafetividade de “o amor que não ousa dizer seu nome”. O verso foi usado como prova para incriminar Wilde e sentenciá-lo a trabalhos forçados. E aqui, hoje, este amor ousa dizer seu nome? Quem ainda o impede?

Sergio – Muitos avanços foram feitos desde então. Os Direitos Universais do Homem, promulgados pela Organização das Nações Unidas depois da 2a. Guerra Mundial têm conquistado cada vez mais espaço na legislação de cada país filiado à mesma. E até nos países que ainda não comungam com a ONU existem pressões internas e externas para que o ser humano seja cada vez mais respeitado em seus direitos, independentemente de seu sexo, raça, religião, orientação sexual, etc.

No campo da homoafetividade, os maiores avanços ocorreram a partir de 1969, quando da intervenção policial num bar gay de Nova York, o Stonewall Inn. A resistência dos gays ali presentes gerou o moderno movimento pelos direitos civis dos LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais). Graças aos desdobramentos desse movimento (quem desejar compreender melhor seu começo, veja o fime americano “Milk, a Voz da Igualdade”), o amor que não ousava dizer o nome passou a ter orgulho do nome que tem. Milhões de homossexuais vivem hoje assumidamente. Ainda há os que temem o preconceito e os que internalizam a homofobia com a qual convivem desde que se conhecem por gente, os quais resistem a se expor e chegam até a agir de modo antipático aos outros gays tentado se diferenciar. Porém, cada vez mais, as pessoas vão compreendendo que o amor é igual, as dinâmicas são as mesmas. A diferença está apenas nos gêneros envolvidos nesse amor. Ambos são do gênero masculino ou do gênero feminino, mas as alegrias e sofrimentos que o amor produz tanto para gays como para heterossexuais são as mesmas.

LiHS – Você é ateu e teólogo. Pensa que uma religiosidade moderada poderia ser benéfica à situação dos gays no Brasil? Afinal de contas, sendo a Bíblia a compilação de livros diversos que é, tem tanto passagens em que condena a homossexualidade quanto descrições de homoerotismo entre Jônatas e Davi e entre Noemi e Rute. Estes personagens não poderiam servir de exemplos para um cristianismo sem homofobia? Há cristianismo sem homofobia?

Sergio – Atualmente, algumas denominações consideradas “inclusivas” estão fazendo esse trabalho. Elas procuram vivenciar um cristianismo sem homofobia ou outros preconceitos. Existe, sim, a meu ver, espaço para esse tipo de comunidade de fé. Considero benéfica a existência desses espaços para aqueles que realmente não conseguem viver sem religião. É melhor que sejam religiosos moderados e mais equilibrados do que acabar vivendo entre fundamentalistas cegos. Eu, porém, abandonei totalmente o cristianismo, não por considerá-lo incompatível com minha orientação sexual, mas por perceber que ele não leva vantagem em termos epistemológicos, digamos assim, sobre qualquer outra religião, mitologia ou sistema de fé.

LiHS – Você foi um dos fundadores do Movimento pela Sexualidade Sadia (MOSES), destinado a “curar” gays com base na sua crença anterior de que a sua orientação sexual tinha sido mudada e outros poderiam passar pelo mesmo processo. Que medidas contrárias ao MOSES podem ser tomadas para evitar que outros gays passem pela mesma rota dolorosa que você enfrentou até se aceitar?

Sergio – A demonstração de suas falácias e a divulgação de seus repetidos fracassos são boas medidas a serem tomadas para alertar as pessoas. Por isso, mantenho um blog e publico videos no Youtube a respeito disso. Quem desejar, pode procurar por meu canal no YouTube. Ali, tenho diversos videos, inclusive um sobre Oscar Wilde, que você citou no início da entrevista. A denúncia de psicólogos envolvidos com essa fraude é fundamental também.

Tivemos o exemplo da psicóloga Rozângela Justino (veja um video sobre isso também no meu canal do Youtube). Ela se apresentava como psicológa e dizia que a psicologia avalizava os métodos desses grupos e que havia, sim, essa coisa chamada “reversão sexual”. Ela foi denunciada pelos homossexuais ao Conselho de Psicologia e foi advertida formalmente, havendo o risco de ter seu registro cassado, porque a psicologia não avaliza de modo algum esse tipo de preconceito e abordagem. Os homossexuais precisam estar alertas a esse tipo de achincalhamento. Além disso, eu diria que uma das melhores formas de prevenir as pessoas contra esses manipuladores é a educação. Respeitar o filho ou filha gay dentro de casa, educar para a diversidade em casa e na escola, combater o bullying homofóbico no ambiente escolar e nas áreas de convivência de crianças e adolescentes são atitudes fundamentais para que eles não se tornem presas fáceis desse tipo de manipulação mental.

LiHS – Há ainda discussão sobre se alguém é gay por escolha ou por determinação biológica. Muitos respondem que isso é irrelevante, porque ainda que seja uma escolha, fazer escolhas é um direito. Outros dizem que a determinação biológica deve ser levada em conta porque demonstraria que uma família maltratar um filho por ser gay seria parecido com maltratá-lo por ser canhoto. Qual é a posição correta, e qual é a posição útil para os gays?

Sergio – Penso que ambas as posturas têm suas vantagens e desvantagens, mas eu diria que nenhuma das duas acaba automaticamente com a homofobia dentro ou fora de casa. Se dissermos que é uma escolha, mesmo sendo um direito, o homofóbico vai dizer que o homossexual é um sem-vergonha que deliberadamente escolheu o que – segundo esses fundamentalistas – é contrário à natureza (na verdade, não é, e eu mostro isso adiante). Se dissermos que é biológico, o homofóbico vai dizer que é uma anomalia e não deve ser valorizado, mas modificado o máximo possível . Eu prefiro dizer que a homossexualidade simplesmente é. Tanto quanto, a heterossexualidade também é. Ou tanto quanto a bissexualidade é. Cada uma delas é manifestação do desejo humano e constitui a identidade de uma pessoa. O desejo é espontâneo. A gente não planeja desejar. A identidade é construída. Por isso, existem homossexuais com todos os tipos de aparência e comportamento, desde o fortão (chamado “Barbie”) até o aparentemente frágil e afetado (chamado “Mona”), e uma infinidade de outras identidades entre um pólo e outro.

LiHS – Recentemente o Bule Voador foi criticado por defender não apenas o ateísmo, mas também a liberdade de orientação sexual. Vê algum paralelo entre ser gay e ser ateu – e entre homofobia e “ateofobia”?

Sergio – A conexão, a meu ver, está na liberdade humana. Todo fundamentalista teme a liberdade. Parabenizo o Bule Voador por tomar essa postura totalmente pró-liberdade. Infelizmente, ainda existem alguns ateus que, sem perceberem, se juntam aos religiosos e fazem esse tipo de crítica. Talvez, não percebam o quanto a religião ainda circula em suas veias. Eles cortam a cabeça da estátua (deus), mas mantém o corpo (costumes e conceitos criados e/ou alimentados pela religião). Vou exemplificar: um dia, durante uma mesa redonda sobre ateísmo, na qual todos sabiam que eu era gay, e meu parceiro estava no auditório, um dos participantes usou frases do tipo “isso feito para aquilo”, ou seja, “a mulher foi feita para o homem, portanto, casamento é só entre homem e mulher”. Já era o momento das considerações finais. Eu tomei a palavra e disse o seguinte: Precisamos ter muito cuidado para não nos livrarmos somente da idéia de deus como criador e senhor, mas também dos pensamentos viciados que trouxemos da religião. Nada do que existe foi necessariamente feito para o que quer que seja. As coisas simplesmente são. E elas interagem sem que haja uma cartilha de bom funcionamento ditada por uma divindade ou pela mítica “personificação” da natureza. Não há um pai celestial ou uma mãe natureza dizendo a seus filhos como devem funcionar. Mas, se alguém quiser tomar a natureza como espelho, uma vez que também somos natureza, vale lembrar que existem mais de 450 espécieis de animais que se relacionam com parceiros do mesmo sexo. Quem é o ateu ou religioso que vai dizer a eles que o macho foi feito para a fêmea e que, portanto, eles não podem se relacionar?

Toda fobia é irracional. Por isso, o homofóbico e o ateofóbico agem irracionalmente quando se deparam com um homossexual ou um ateu. Para complicar, existem fundamentalistas religiosos ocupando a mídia com mensagens de ataque a homossexuais e ateus, o que torna qualquer tentativa de diálogo mais complicada. O melhor antídoto contra o veneno do fundamentalismo religioso talvez seja uma vida bela, saudável e produtiva. O fundamentalista fica perplexo com isso e talvez tenha finalmente coragem de se perguntar: “como esse ateu ou esse homossexual pode ser tão diabólico e ao mesmo tempo tão nobre? Algo não deve estar certo na minha maneira de ver as coisas.” Infelizmente, nem isso é garantido.

Espero que assim como o Bule Voador, outros veículos ateístas, agnósticos e secularistas percebam as falácias religiosas embutidas na homofobia que ainda perturba tantas mentes aparentemente livres da religião e não tenham medo de levar o conceito de liberdade e felicidade humanas ao máximo, desde que dentro de um único limite: o respeito pelos direitos universais do ser humano.

LiHS – Um presidente negro nos EUA e uma presidente mulher no Brasil aludem a alguma vitória de antigas lutas liberais que encontraram a resistência das religiões em seu tempo. Que avaliação você faz do uso do tema do ateísmo e da homossexualidade nas campanhas das últimas eleições presidenciais no Brasil?

Sergio – Infelizmente, tenho que reconhecer que os homossexuais continuam sendo usados como “massa de manobra.” Quando um candidato quer agradar à parcela mais esclarecida da população faz alusão simpática aos direitos civis dos homossexuais, mas quando quer agradar à ala fundamentalista, se cala ou diz alguma coisa que relega tudo isso a segundo plano. Uma das coisas mais vergonhosas na campanha presidencial de 2010 – do meu ponto de vista – foi a apelação do candidato José Serra. Colocar Silas Malafaia, José Wellington e Valdemiro Santiago como cabos eleitorais em horário gratuito foi o cúmulo da apelação desesperada. Os dois primeiros são da Igreja Assembléia de Deus e o último da Igreja Mundial do Poder de Deus. Todos pregam contra os homossexuais e outros grupos. Os ateus sabem, por experiência própria, o quanto são demonizados por esses pregadores.

LiHS – Você acha que ainda verá a homofobia criminalizada junto ao racismo, e que poderá trocar alianças com seu parceiro numa cerimônia civil de casamento neste país?

Sergio – Espero que sim. Vejo a sociedade civil cada vez mais horrorizada com os cruéis atos de homofobia praticados nas grandes e pequenas cidades do Brasil. Casos como os que têm ocorrido na Av. Paulista são emblemáticos. O bom-senso deverá prevalecer, espero. Muitos homossexuais, porém, ainda carecem de uma mentalidade política mais apurada. O movimento em prol da aprovação da PL 122/06 poderia ser mais forte se cada homossexual percebesse a importância de sua participação. Existem, em contrapartida, muitas pessoas não-homossexuais empenhadas em ver essa lei aprovada, porque compreendem que não se pode ter um país plenamente desenvolvido enquanto a discriminação por orientação sexual não for coibida e punida de modo eficaz e exemplar pelas instituições democráticas.

Quanto ao casamento numa cerimônia civil, penso que é um direito de todos. Não me vejo casando numa cerimônia religiosa, porque seria contraditório ao que pensamos em casa, tanto eu como meu parceiro. Não nutrimos nenhuma simpatia por sacramentos. Por outro lado, penso que os gays religiosos deveriam ter o direito de casarem em suas respectivas igrejas. E para isso, já existem as comunidades inclusivas. Elas já celebram o religioso, mas sem o casamento civil, ele não passa de uma simples cerimônia. É preciso aprovar, sim, o casamento civil.

LiHS – Há alguma atitude dos homofóbicos que lhe causa empatia em vez de antipatia?

Sergio – Dos homofóbicos por esporte, não. Agora, dos auto-homofóbicos, aqueles que internalizaram a homofobia à qual foram expostos desde pequenos e que se enfiaram no armário, buscando soluções miraculosas para o que eles consideram um problema, por esses eu sinto alguma empatia. Penso no tempo em que eu sofri do mesmo mal – a auto-homofobia. Sinto muita vontade de compartilhar com eles a minha experiência com o objetivo de vê-los livres desse ciclo vicioso que mina suas forças e impede sua realização plena, especialmente no campo afetivo.

LiHS – Você mudou sua vida completamente. E agora? O que preenche seus dias e seus planos?

Sergio – Bem, antigamente, quando eu era crente e pastor, minha vida era trabalhar para a igreja e para o que eu considerava o “Reino de Deus.” Quando deixei o ministério e as aspirações espirituais relacionadas a ele, passei a ter mais tempo para pensar, ler, estudar, curtir a mim mesmo, meus filhos e meu parceiro. Além disso, escrevi e lancei um livro onde conto minha experiência e analiso diversos aspectos da socidade, da igreja, da teologia e do comportamento humano de uma forma direta, simples e humanista. Isso não teria sido possível se eu estivesse ainda cego pelos dogmas cristãos e absorvido pelo ministério que eu exercia. Posso dizer que é um alívio.

Quando alguém deixa a igreja geralmente sente alguma falta daquela rotina de cultos, escola dominical, evangelização, etc. A igreja absorve o indivíduo ao máximo. Não lhe dá tempo para pensar ou ficar longe de suas atividades eclesiásticas. Isso também é uma forma de manter o ‘”rebanho dentro do aprisco”. Pode causar algum estranhamento no começo, mas o mundo está diante de nós, cheio de coisas fantásticas a serem descobertas, experimentadas, vivenciadas. Vale a pena dedicar tempo a isso!

LiHS – Sergio Viula, admiramos sua coragem, certamente é corajoso um homem que lutou contra si mesmo até a trégua da autoaceitação. É uma coragem de fazer inveja a generais. Que o Brasil aprenda a lutar contra si mesmo contigo. A Liga Humanista Secular pretende ser sempre um porto seguro para pessoas como você. Obrigado pela atenção.

Sergio – Eu agradeço muito a consideração que vocês demonstraram para comigo nessa entrevista. Sinto-me honrado. É bom sentir-me parte de uma comunidade que pensa sem medo, que quer saber ao invés de crer, que quer viver de maneira que a humanidade seja engrandecida e não uma “divindade” (mito) glorificada. Espero que iniciativas como essa se multipliquem até que possamos ter no Brasil um país realmente de todos, como diz a propaganda do governo federal.

Eli Vieira
Biólogo pela UnB, mestre em genética pela UFRGS, doutorando em genética pela University of Cambridge (Reino Unido). Membro fundador e ex-presidente da Liga Humanista Secular do Brasil. em EliVieira.com e Evolucionismo.org.


Fonte: http://www.bulevoador.com.br/2011/01/sergio-viula/


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Site Muza:

Sábado, 24 de janeiro de 2009

Exclusivo: Entrevista com Sérgio Viula sobre "ex-gay" (Sérgio Viula é gay assumido e já foi fundador de um grupo especializado em "curar" gays)

Postado por Valmique às 17:22

O entrevistado: Sérgio Viula


Há uma semana a novela “A Favorita”, exibida pela Rede Globo, chegou ao fim. E uma de suas polêmicas na reta-final foi o personagem Orlandinho, interpretado pelo ator Iran Malfitano, que divulgou de forma, no mínimo equivocada, a figura do “ex-gay”. Tanto, que a própria emissora exibiu uma matéria em seu programa Fantástico sobre se é possível ou não existir o “ex-gay”. Clique aqui para ver a matéria.

E quando o assunto do "ex-gay" parecia “encerrado” na mídia, na úlitma semana, um cantor italiano chamou a atenção por fazer uma música sobre um ex-gay baseado em sua própria experiência.

Para elucidar a questão o MUZA BLOG traz uma entrevista exclusiva com Sérgio Viula*, um dos entrevistados na matéria exibida pelo Fantástico. Sérgio é gay assumido, vive um relacionamento estável com outro homem há aproximadamente dois anos, e é responsável pelo blog “Fora do Armário”, com voltados para assuntos gays. Entretanto, Viula também já foi pastor evangélico e um dos fundadores do Grupo MOSES (Movimento pela sexualidade sadia), também evangélico, especializado em recuperação dos gays.

Confira abaixo a entrevista na íntegra, na qual compartilha sua experiência de vida e visão de mundo, sobretudo sobre a homossexualidade e a relação homossexualidade e religiosidade. E claro, deixa sua opinião sobre o personagem Orlandinho e responde o que diria a alguém que se auto-denomina “ex-gay”:


Como foi para você, em sua vida, assumir sua homossexualidade?

Assumir minha homossexualidade foi um processo longo. Fui criado para rejeitar a orientação homossexual. Meus familiares sempre foram muito tradicionais e religiosos ao mesmo tempo. Ter vivenciado grande parte de minha vida na igreja só fez complicar as coisas. Quando finalmente decidi assumir publicamente minha homossexualidade foi doloroso. Muita gente não entendeu, rejeitou, perseguiu. Mas nenhuma dor dura pra sempre. Eu decidi manter minha decisão e seguir em frente. Alguns compreenderam e aceitaram. Outros ainda têm uma ou outra dificuldade com o assunto, mas meu relacionamento com meus pais melhorou muito nos últimos meses.

Você é evangélico e já chegou a ser pastor. Como você lidava/lida com sua homossexualidade e a religião que você segue? Considerando que a religião evangélica considera a homossexualidade um pecado.

O Fantástico cometeu um erro. Eles não deixaram claro que eu FUI evangélico e pastor. Não sou mais crente. Minha renúncia a religiosidade antecedeu minha decisão de assumir a homossexualidade. Foram duas coisas distintas, mas que aconteceram muito próximas. Muita gente confunde as coisas e pensa que gay não pode ser religioso ou que religioso não pode ser gay. Eu tenho vários amigos gays que freqüentam igrejas que os aceitam como são. Há outros que ficam enrustidos nas igrejas mais tradicionais. Eu não tenho nenhuma filiação religiosa atualmente. É preciso que fique claro: sou ateu. Poderia ser crente e gay. Fui convidado para ser pastor de uma igreja inclusiva. Mas, não tenho qualquer motivação para atuar como pastor hoje. É preciso acreditar muito sinceramente ou ser um hipócrita muito talentoso para ser pastor. Eu era daqueles que acreditavam muito sinceramente, mas a Bíblia não resiste à menor análise crítica genuinamente isenta. Só existem duas pessoas que acreditam na Bíblia: aquelas que não a conhecem bem e aquelas que fazem vista grossa para suas incontáveis contradições e doutrinas absurdas ou absolutamente incompatíveis com o bom senso (falando minimamente). À medida que ia conhecendo mais profundamente o texto bíblico, a teologia, a história da formação da Bíblia, dentre outros assuntos correlatos, ia vendo as discrepâncias. A mesma sinceridade que me levou a crer na Bíblia não pode se calar diante das evidências contra ela contidas nela mesma.

Você já participou do Grupo evangélico MOSES (Movimento pela sexualidade sadia,) especializado em recuperação dos gays. O que fez você participar do grupo? Como era o funcionamento dele?

Eu fui um dos três fundadores do MOSES, depois vieram muitos outros colaboradores, e quando o MOSES finalmente ganhou estatuto de pessoa jurídica, eu passei a fazer parte do Conselho de Referência junto com outros pastores. Entretanto, minha participação excedia o raio de ação do Conselho de Referêcia. Atuei pregando, escrevendo artigos, folhetos, organizando eventos de "evangelismo" a homossexuais (inclusive na Parada Gay do Rio), fazendo aconselhamento. Minha primeira igreja contribuía mensalmente para o sustento do MOSES. Fui o primeiro a levar um ônibus cheio de gente da minha igreja para evangelizar com a equipe do MOSES no Miss Brazil Gay de Juiz de Fora. E por aí vai.

Como você decidiu sair do Grupo MOSES? Como você avalia essa experiência hoje?

Saí por uma questão de racionalidade, honestidade e coerência. Racionalidade, porque não fazia sentido tentar modificar a orientação sexual de ninguém. Honestidade, porque eu mesmo não estava vendo modificação genuína na minha vida. O que havia era simplesmente repressão e não "reorientação" sexual. Coerência, porque depois de ver tanta gente que passou pelo MOSES permanecendo na mesma situação ou em situações mais complicadas do que antes, seria totalmente incoerente continuar afirmando o que eu acreditava e mantinha como verdade até então, ou seja, que Jesus transforma homossexuais em heterossexuais. Enquanto acreditei nisso, fui veemente. Quando percebi que não passava de um engano, fui mais veemente ainda em contrariar tudo o que havia dito até então. Não podia simplesmente sair calado e indiferente a tudo o que eu mesmo havia ajudado a construir. Eu me sentia impelido a esclacer que razões me levaram a tomar essa decisão. O que cada um fizesse daí em diante já não seria problema meu. O recado havia sido dado. Por isso, procurei a liderança do MOSES, do seminário onde lecionava, da igreja onde era membro e do jornal para o qual escrevia, e pedi desligamento. Deixei claro qual era o motivo.

Avalio essa experiência como uma iniciativa tola por parte de um jovem deslumbrado com o cristianismo e pouco prudente para avaliar o embuste no qual estava se metendo. Também credito muito disso tudo ao tipo de educação que recebi em casa e que foi reforçada na igreja católica (quando era pequeno) e na evangélica (a partir da adolescência).

O personagem Orlandinho, da novela A Favorita, na reta-final da novela foi associado a possível figura do "ex-gay". Tanto que muitos outros personagens se referiram a ele como "curado". Baseado em sua experiência no MOSES, como você percebe o personagem Orlandinho?

Eu vejo Orlandinho como mais uma estratégia da Rede Globo para criar polêmica. Fiquei enfastiado com tanta tagarelice daquelas amigas da Céu (interpretado pela atriz Deborah Secco) que ficavam o tempo todo suspirando por ele como se fosse o homem perfeito. Ninguém é perfeito: nem gay nem hétero. No final, o autor (João Emanuel Carneiro) deixou tudo na interrogação. Ninguém sabe mais se ele é gay mesmo, hétero de fato ou bissexual. Se for bissexual, isso talvez explique a atração dele pelo Haley (interpretado pelo ator Cauã Reymond) e pela Céu em diferentes momentos da novela.

Você acha que o personagem Orlandinho foi bem construído, desenvolvido? Acha que é uma boa representação da sexualidade?

Não. Acho que é caricato. Acho que é mais um personagem para fazer rir. Ele é totalmente estereotipado. Quando age como gay, faz a bichinha. Quando age com hétero, faz o machão. Ambos os extremos são meros estereótipos. Homossexuais e heterossexuais estão muito distantes de tudo isso. Pode haver um caso aqui ou outro ali que se encaixe no estereótipo, mas as pessoas, de um modo geral, continuam sendo incapazes de enxergar além do estereótipo ou mesmo através dele.

Baseado na experiência do MOSES, você acredita ser possível existir o "ex-gay"?

Ex-gay pra mim é lenda urbana. É mito. Pode haver o caso de algum bissexual muito mais tendente à heterossexualidade do que à homossexualidade que venha a ficar feliz com uma relação exclusivamente heterossexual. Se isso acontece, ele não pode dizer que é ex-gay. É apenas um bissexual que se sente muito satisfeito com alguém do outro sexo, ao ponto de não sentir falta angustiante de alguém do mesmo sexo. Agora, o homossexual de fato, ou o bissexual que tem desejo por mulher e homem em medidas semelhantes, ou que tende mais para o seu próprio gênero do que para outro, jamais ficarão satisfeitos e dificilmente serão fiéis numa relação exclusivamente heterossexual. Ex-gay é mito, repito.

Você participou de uma matéria exibida no programa Fantástico, da Rede Globo, sobre esse mesmo assunto. Na minha opinião ficou um embate antigo entre religião e ciênica, o que considerei desnecessário. Poderia inclusive ter entrevistado o autor da novela. O que você achou do resultado exibido na matéria?

O resultado me surpreendeu positivamente. Muita gente elogiou minha participação, apesar do Fantástico ter veiculado muito pouco da entrevista que foi feita. Acho que os religiosos tiveram tempo demais. Um pastor, um padre e um membro de igreja!!! Espero que um dia a televisão consiga encarar o assunto levantando uma série de aspectos, quais sejam: emocional, afetivo, biológico, cultural, histórico, social, civil, etc.

Você já foi casado e inclusive tem filhos. Como você avalia essa sua "experiência" heterossexual em relação a sua homossexualidade?

Fui casado por 14 anos e tive dois filhos. Encaro minha experiência heterossexual no casamento com relativa tranqüilidade. Por um lado, angustiava-me não poder dar curso à minha homoafetividade. Por outro lado, vejo a experiência de casar com uma mulher como fruto de um enorme condicionamento sem qualquer efeito sobre minha homoafetividade em si. Lógico que adorei ser pai. Mas muitos gays são pais sem terem casado com uma mulher. Outros são pais, casados com mulher, e enrustidos pelo resto da vida. Quando percebi que, apesar do meu relacionamento com minha ex-mulher, continuava angustiado por desejar uma relação homoafetiva, decidi dar a ela uma chance de refazer a vida ainda jovem e a mim, idem. Foi doloroso, mas foi muito melhor. Meus filhos são preciosos. Entendem tudo o que aconteceu. Compreendem meu estilo de vida atual, finalmente adequado à minha homoafetividade. Eu amo os dois (filhos) intensamente e sinto a mesma coisa da parte deles.

O que você diria para alguém que lhe dissese "eu sou ex-gay" ou "eu não quero mais ser gay"?

Se me dissesse "eu sou ex-gay", eu poderia dizer (não necessariamente diria) que eu também já disse a mesma coisa um dia. Se a pessoa me dissesse "eu não quero mais ser gay", eu perguntaria "por quê?" e a partir das respostas procuraria avaliar o que a leva a se auto-rejeitar. Se a resposta fosse pressão social, medo da rejeição familiar, crenças religiosas, ou coisas parecidas, eu faria o possível para demonstrar que estas coisas não precisam ser encaradas assim. Há outras vias. O pensamento viciado em pensar a partir do preconceito pode ser reestruturado, tornando-se capaz de pensar a partir da liberdade e da responsabilidade pelo próprio destino.

* Entrevista realizada por e-mail.

Fonte: http://www.muza.com.br/2009/01/exclusivo-entrevista-com-srgio-viula.html






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Site Ilhados (release):

QUARTA-FEIRA, 5 DE JANEIRO DE 2011

Em Busca de Mim Mesmo - Sérgio Viula

Eu não entendo como alguém termina o segundo grau e continua sendo católico. Nenhuma outra doutrina no mundo matou tanta gente quanto o catolicismo, e continua matando ao proibir o uso de camisinhas e ao proteger padres pedófilos que cometem diversas atrocidades dentro das igrejas. Minha digníssima sogra pensa da mesma forma e tentou anular seu batismo, ritual ao qual foi submetida quando criança. Desistiu depois de descobrir que é necessário contratar um advogado para entrar com um processo no Vaticano, o que é uma empreitada de alto custo.

Eu não preciso de deus para levar minha de forma honesta. Não preciso de bengala para fazer o bem, assim como meu amigo Sérgio Viula.

Sérgio foi meu professor de inglês e só tomei conhecimento da sua homossexualidade depois de sua entrevista para a Revista Época. Tem uma história de vida fantástica, um verdadeiro guerreiro que, apesar das bordoadas que levou, nunca deixou que o sorriso abandonasse seu rosto.

Acompanho seu blog desde aquela época (www.glsgls.blogspot.com - cuidado ao abrir) e li relatos dramáticos de sua vida: a briga com os pais por conta da sua sexualidade, a conversa com os filhos na qual esclarece sua posição, como conheceu o atual companheiro, a reconciliação com a família, entre muitas outras coisas.

Ele já foi pastor evangélico, com formação superior em teologia e duas pós-graduações, galgou importantes posições dentro da hierarquia da igreja, escreveu para jornais e foi um dos fundadores do Moses (Movimento Pela Sexualidade Sadia), instituição que tinha como objetivo "curar" gays. Casou e teve que travar uma luta consigo contra seus desejos, se punindo diariamente até o dia que resolveu ser feliz de fato.


A história é longa, por isso ele resolveu colocar tudo num livro que escreveu secretamente e lançou sem aviso prévio. Talvez muita gente teria tido um ataque cardíaco ao saber que suas memórias estavam sendo postas no papel, mas seu objetivo não foi escandalizar ou colocar outras pessoas numa situação constrangedora. Não existem detalhes íntimos, nomes revelados ou qualquer outra coisa sensacionalista. Sérgio sempre foi muito discreto e se não fez revelações, não foi para proteger os protagonistas dos fatos, mas para se preservar e, principalmente, preservar seus filhos que provavelmente leram a obra. Seu objetivo, exposto no início de seu relato, é mostrar como "sair do armário" foi a decisão mais acertada da sua vida, constribuindo para que outras pessoas façam o mesmo, principalmente aquelas oprimidas por motivos religiosos.

Diante do seu histórico dentro da Igreja Batista, boa parte do livro refuta os argumentos bíblicos que condenam a homossexualidade, e sua formação em teologia e filosofia legitimam e dão embasamento para tal. Sérgio explica de forma muito didática por que não acredita em deus e mostra diversas contradições da Bíblia e de seus defensores, conduzindo de forma eficiente o leitor em seu raciocínio.

Não é um texto emocionante, ele não vai te fazer chorar, mas vai, certamente, te fazer refletir sobre algumas idéias que grande parte das pessoas possuem como verdade absoluta. Os clichês presentes na obra (o título, a letra de Metamorfose Ambulante na quarta capa e linguagem) podem deixar leitores mais experientes um pouco entediados, mas funcionam ao tornar o texto acessível a um público mais amplo.

O livro é vendido por R$25,00 R$29,00 (frete incluso) e pode ser encomendado aqui.

Já que o assunto também é religião, segue abaixo vídeo engraçadíssimo do Padre Marcelo Rossi e seus "sábios" conselhos:


http://www.ilhados.com/2011/01/em-busca-de-mim-mesmo-sergio-viula.html




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BLOG O LIVRO DE HÉLIO
Reproduzido no site da Liga Humanista

A entrevista para o Blog O Livro de Hélio (e que não está mais online) foi copiada para o site da Liga Humanista Secular do Brasil aqui:

Confira o belo trabalho feito por Felipe Dias. Uma entrevista que ele fez comigo e que me deu prazer de ler, apesar de conhecer o conteúdo melhor do que ninguém. ;)

 Leia abaixo.

LEMBRETE: FELIPE, MEU ENTREVISTADOR, NÃO É ATEU. NO ENTANTO, REPRODUZIU MEU PENSAMENTO FIELMENTE. EM SUA FALA, PORÉM, ELE FAZ MENÇÕES A DEUS E SANTOS, MAS AS PERGUNTAS SÃO BASTANTE OUSADAS. LEIA E COMENTE. ;)

ACEITAÇÃO, NÃO. RESPEITO, SIM - COM SERGIO VIULA

2011-10-10 23:52

Há 14 anos, no mês de junho, durante a marcha do Dia do Orgulho Gay em Copacabana, um movimento homofóbico começou a dar o ar da graça durante o evento. A ação de cunho religioso distribuiu entre os participantes da marcha milhares de panfletos com mensagens que visavam “reverter” os gays para a heterossexualidade através das palavras de Deus.

O Movimento pela Sexualidade Sadia (MOSES) ia muito bem até Sergio Viula, um de seus três fundadores, dar um basta no grande teatro que se revelou o movimento e “sair do armário”. A partir daí o MOSES entrou em declínio, revelando assim o grande equívoco que é supor ser possível “consertar” alguém de algo que não deve ser encarado como defeito. Até porque, caso seja “defeito”, é de fábrica. Então, que reclamem com o dono da fábrica (neste caso, Deus). E aí, vai encarar?
 
Viula, que é professor de inglês e estudante de Filosofia na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), teve a coragem de dar a cara à tapa e assumir sua homossexualidade, enganjou-se à sua maneira no movimento LGBT, escreveu o livroEm busca de mim mesmo e mantém o blog Fora do armário. Sinceramente não me recordo de como tomei conhecimento de Viula, mas desde que fiquei sabendo de sua história passei a ter interesse em entrevistá-lo, ainda mais nesse momento em que alguns religiosos-políticos (ou políticos-religiosos?) passaram a agir como missionários do MOSES (que, diga-se de passagem, não existe mais... Pelo menos oficialmente).

(Blog Fora do armário: http://www.foradoarmario.net)

Mais do que atacar qualquer espécie de movimento que vise “reverter” gays, o diálogo de Viula mais serve para esclarecer aqueles que encaram suas sexualidades como algo errado, pecaminoso e, por isso mesmo, passível de uma punição divina. Como uma vez li numa tirinha genial do Ryot IRAS, “tolices inventadas por homens tolos para homens tolos”!

Com vocês, nesta edição do Aceitação, não. Respeito, sim, Sergio Viula.

Boa leitura!

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Quando e como a homossexualidade surgiu em sua vida?

R: Bem, a homossexualidade como elaboração refletida vem sempre depois. Primeiro a gente é, e depois a gente se torna (risos). Parece complicado, mas não é. Geralmente, o que acontece é que a gente deseja. Uma sensação de querer estar próximo vai ganhando cada vez mais intensidade. Na puberdade, passamos a desejar intensamente, como acontece com qualquer pessoa, seja ela gay, heterossexual ou bissexual. A identidade gay, lésbica, bissexual, transexual, etc., é elaborada a partir da interação com o outro, quando percebemos que nem todo mundo é igual: uns são atraídos por pessoas do mesmo sexo, outros não, e outros por ambos. Com pouquíssima idade, eu já me sentia atraído pelos meninos da minha faixa etária. Depois, comecei a admirá-los e desejá-los com mais intensidade. Mais tarde, passei a desejar homens mais velhos que eu. De início, não havia ainda a elaboração de uma identidade que acompanhasse imediatamente o desejo. Levou algum tempo para que eu dissesse: Eu sou gay. Brincadeiras sexuais aconteceram bem cedo na infância. Minha primeira relação sexual, porém, aconteceu aos doze anos com um colega pouco mais velho do que eu e durou dois anos. A maioria dos heterossexuais passa pelas mesmas etapas que vivenciei no desenvolvimento sexual. A diferença está apenas no objeto do desejo. Além disso, as crianças e adolescentes heterossexuais não se sentem fora de lugar quando despertam para a sexualidade, porque todo o cenário social construído em volta delas é heteronormativo, ou seja, impõe a heterossexualidade como norma. Para a criança ou adolescente homossexual, descobrir-se gay nesse tipo de sociedade é como ser um peixe fora d’água por um tempo, enquanto o heterossexual vive confortavelmente como um peixe no meio oceano. Os LGBT felizmente subvertem essa ordem mesquinha de normatização da sexualidade pelo simples fato de existirem.

Como foi seu processo de aceitação desta condição? Chegou a tentar se convencer que era algo passageiro? O que o levou a tomar esta atitude?

R: Sim, como a maioria das pessoas criada em lares muito tradicionais, eu preferia pensar que fosse algo passageiro. E isso se deu por causa da intensa propaganda heterossexual a que fui submetido desde cedo. A única forma de ser e de amar que me era retratada como aceitável pelos adultos do meu círculo era a da heterossexualidade. Daí, a ideia de que não poderia ser gay, e as subsequentes tentativas de me conformar ao molde arbitrariamente imposto pela família, pelo círculo social mais imediato, pela mídia da época, muito diferente da atual na abordagem das sexualidades humanas.

Quais foram seus medos / receios?

R: Meu principal medo era o de ser rejeitado, especialmente pela minha família. Depois, devido aos dogmas religiosos transmitidos desde cedo, havia o medo de pecar, de ser julgado por Deus. Veja que esses medos / receios não são coisas naturalmente dadas. Eles são construídos a partir das relações interpessoais. É assim que o preconceito dos outros acaba se tornando o nosso preconceito também. O problema é que um LGBT preconceituoso é alguém que coloca uma arma apontada para a própria cabeça, ou seja, ele ou ela está armado contra si mesmo(a). A melhor alternativa é desarmar-se, ou seja, abandonar a visão viciada pelo preconceito e viver em paz consigo mesmo.

Como foi a reação de seus familiares e amigos quando estes souberam de sua condição? Sentiu-se discriminado? Perdeu amizades?

R: Sim. Quando saí do armário (como gosto de dizer), muita gente se distanciou. Outros se aproximaram apenas para julgar, questionar. Outros pensavam que se me dessem meia-dúzia de conselhos ou fizessem algumas orações, tudo estaria resolvido. Mas, também houve amigos e familiares que me surpreenderam com uma mentalidade realista, aberta e humanista. Com o tempo, ficaram apenas os verdadeiros amigos e hoje a vida vai bem - incomparavelmente melhor do que antes.

Que dificuldades / preconceitos enfrentou assim que se assumiu homossexual? Sofreu alguma violência física ou verbal?

R: Violência física, não. Verbal, sim. Porém, como sou um cara muito destemido atualmente, enfrentei. Cheguei a recorrer à polícia para fazer valer alguns direitos. Atualmente, não enfrento mais esse problema. Parece que se alguém duvidava da minha disposição para brigar pelo meu espaço e minha liberdade, agora não duvida mais.

Que comparação você faz da época em que se assumiu para a de um jovem que se assume nos dias de hoje?

R: Hoje é mais fácil dizer “sou gay” ou não dizer nada e mesmo assim ser completamente compreendido quanto ao seu desejo e identidade. Porém, ao mesmo tempo em que a homossexualidade está na pauta do dia, a homofobia em suas formas mais violentas aumentou. Muitos jovens já conseguem desfrutar de paz em casa, mas são espancados na rua, simplesmente por serem gays.

A Fundação Perseu Abramo (FPA) realizou a mais completa pesquisa sobre gênero, identidade e orientação sexual já realizada no país, tendo em vista – entre outras coisas – mensurar e mapear a homofobia no Brasil. Uma das coisas que eles constataram é que 99% dos entrevistados manifestam algum preconceito contra pessoas LGBT, sendo 6% considerados como tendo forte preconceito, 39% mediano e 55% leve. Apesar disso, 88% dos gays e lésbicas entrevistados afirmaram que a situação dos homossexuais e bissexuais melhorou no Brasil. Ao passo que somente 59% dos heterossexuais entrevistados consideram que houve melhora para essa parcela da população.

Quanto ao agente discriminador (a pessoa que discrimina os homossexuais), a pesquisa encontrou que 22% dos discriminadores são os próprios pais, 31% outros familiares, 27% colegas da escola, 26% pessoas em lugares de lazer, 24% são amigos e 13% são membros ou líderes da instituição que a pessoa frequenta. É óbvio que a soma desses números não fecha em 100, porque uma mesma pessoa pode ter sido discriminada em mais de uma categoria citada na pesquisa. Além disso, existem outras categorias que eu não apontei aqui para evitar me estender muito, mas cito essas para mostrar como o preconceito cerca o indivíduo em locais dos quais ele não pode escapar facilmente. Esses números referem-se a seu núcleo familiar e círculo social mais imediato. Isto é uma terrível realidade, e precisa mudar, mas só mudará quando forem desenvolvidos e implementados dispositivos sociais, educacionais, jurídicos e políticos com vistas a modificar o modo como as autoridades, as instituições e a população encaram as relações de gênero, identidade e orientação sexual, promovendo o genuíno reconhecimento de que estas são muito mais diversas do que imaginamos e igualmente válidas.

Conte um pouco da história do surgimento do Movimento pela Sexualidade Sadia (MOSES) e sua função na instituição.

R: O MOSES surgiu como um “braço da igreja” para a “evangelização” de homossexuais, apesar de não ser uma organização denominacional, uma vez que não pertencia a uma igreja específica. O objetivo era atender a toda e qualquer igreja e atrair gays para o seio das mesmas, sempre com o objetivo de reverter sua orientação / condição sexual. E dizíamos reverter como se a condição original fosse a heterossexualidade, sendo a homossexualidade simplesmente um desvio que podia ser corrigido. O MOSES foi criado em 1997, e sua primeira atividade foi a evangelização de homossexuais na praia de Copacabana durante a Parada Gay daquele ano. Eu fui um dos três fundadores, juntamente com João Luiz Santolin e Liane França. Nossos nomes constam, inclusive, de matéria do jornal O Globo no dia seguinte ao da referida Parada Gay. Eu fazia aconselhamento, produzia literatura, organizava estratégias de evangelização de pessoas LGBT, colaborava na organização de eventos e participava de alguns deles como palestrante. Também incentivava minha igreja a colaborar financeiramente para a organização. Meu trabalho era realizado quase sempre em apoio ao presidente, que era o João Luiz.

Na prática, como funcionava o trabalho de “reorientação” sexual feito pelo Moses?

R: Basicamente, o trabalho era de aconselhamento – o que se chama nas igrejas de “discipulado” – com foco na sexualidade. Às vezes, encaminhávamos a pessoa para algum psicólogo que compartilhava da mesma visão, misturando psicologia com fé cristã – o que é um absurdo, logicamente. Procurávamos envolver os homossexuais o mais rapidamente possível com a igreja e suas atividades. Tudo isto, porém, não passava de uma grande perda de tempo e acabava por fomentar novos sofrimentos para os envolvidos, pois não deixavam de ser gays e ainda ficavam se sentindo culpados sem um motivo genuíno.

Em que momento você percebeu que não podia continuar “ajudando” as pessoas que procuravam o MOSES?

R: Quando percebi que a proposta do MOSES era furada, infundada, absurda.Ninguém mudava coisa alguma em termos de desejo. Comecei a ver que as pessoas acabavam vivendo em duplicidade. Mentiam para si mesmas e para os outros. Eu mesmo comecei a ver que esse era meu caso, ou seja, eu também não havia deixado de ser gay. Estava apenas me reprimindo. E para isso tinha que matar um leão a grito por dia. Em alguns dias o leão gritava mais do que eu (risos). Então, decidi reavaliar tudo e comecei a alertar as pessoas (como faço até hoje) para os riscos desse tipo de “terapia” fajuta. Não há o que curar, tratar, reverter, consertar em termos de ser ou não gay. Ser bissexual, homossexual ou heterossexual não faz a mínima diferença em termos de saúde mental. O problema pode ser falta de amor próprio ou coisa parecida, mas não a orientação / condição sexual do indivíduo.

Ex-gay é um assunto polêmico. Para você, é possível um gay deixar de sentir atração pelo mesmo sexo, ou o que ocorre é um processo semelhante ao dos padres, que apesar de sublimarem o tesão, teoricamente continuam sendo heterossexuais?

R: Exatamente! Gay que se diz ex-gay está na mesma condição de repressão que um padre heterossexual que não transa com ninguém por causa do voto de celibato. Ambos continuam sendo o que sempre foram, mesmo que não estejam dando curso ao seu desejo por meio do sexo. E tem mais: isso cria problemas de diversas ordens. Uma das pessoas mais proeminentes que eu conhecia nesses movimentos de “cura” tomava remédios fortíssimos, inclusive tarja preta. A repressão de algo tão básico como a orientação sexual vai desembocar em desordens mentais de diversos tipos.Tem gente que toma remédio para tentar diminuir a libido, acaba sexualmente impotente e mentalmente doente.

Atualmente, como é sua religiosidade? Como é o relacionamento de Sergio Viula com Deus?

R: Atualmente, não tenho religião alguma. Também não acredito que o Deus cristão seja melhor do que os Deuses astecas, maias, incas, gregos, egípcios, hindus, africanos, etc. Vejo as divindades como criações da poderosa imaginação humana, alimentada pelo medo do desconhecido, da morte, das catástrofes naturais que nos ameaçam diariamente desde que a descoberta do fogo ainda era a manchete do dia. Entretanto, não penso que uma pessoa que crê em alguma divindade não possa realizar-se. Tudo depende de como ela se relaciona com essa ideia de Deus. Gosto de dizer que muitos cristãos que conheço são pessoas maravilhosas. Isso, porém, não significa que sejam pessoas fantásticas graças ao cristianismo, mas apesar dele. É o caso dos meus pais que provavelmente seriam maravilhosos mesmo que não fossem cristãos, porque são pessoas acima da média. Por outro lado, a igreja deles empobreceria imensamente no dia em que eles se desligassem dela. Eles, porém, talvez ganhassem muito em termos de tempo livre e economia financeira (risos). Posso dizer a mesma coisa de muita gente que eu conheço do candomblé, da umbanda, do kardecismo, do budismo, etc. São pessoas fantásticas a despeito da religião ou falta dela.

Seu livro Em busca de mim mesmo é o resultado desse período em que você se desligou do MOSES e “saiu do armário”? Fale um pouco sobre ele.

R: Sim. Em busca de mim mesmo é a história de uma caminhada. Falo de coisas que vão da infância até bem pouco tempo atrás, mas o fator biográfico é apenas a linha que costura tudo o mais. Falo sobre sexualidade humana, felicidade, liberdade, homofobia, crença, relacionamentos, etc. A leitura é fácil e cativante. Muita gente me disse que leu o livro todo em dois ou três dias, apesar serem pessoas extremamente ocupadas. Tenho recebido comentários positivos de gente gay, heterossexual, crente, ateia, até de pastores, acredita?

Então, como sempre digo, é um livro para todos e todas, independentemente de faixa etária. Pode ser lido por um adolescente ou por alguém da terceira idade, pois todos vão compreender e tirar algum proveito. Estou feliz de ver que, apesar de ser uma iniciativa independente, o livro tem chegado às diversas regiões desse Brasil gigantesco. É sempre válido lembrar que o livro não está disponível em livrarias. Só pode ser adquirido comigo, conforme explico no meu blog, ou então com uma editora que fez parceria recentemente comigo: a Editora Metanoia. De qualquer maneira, online.

A criação de igrejas voltadas para pessoas LGBT não seria uma forma de fortalecer a ideia de gueto, uma vez que essas pessoas supostamente precisam de um lugar exclusivo, como se a convivência entre heteros, homos e bis fosse impraticável?

R: Assim como tudo na vida, essa é uma questão que também tem mais de um lado. É verdade que algumas dessas igrejas podem se transformar em simples guetos. Porém, depois do surgimento da Metropolitan Community Church (MCC) nos EUA, no final da década de 60, as igrejas mais tradicionais do mundo tiveram que repensar sua atitude para com a comunidade gay. O crescimento da MCC (ICM no Brasil) foi tamanho que obrigou muitos teólogos a analisarem seus pressupostos sobre a participação dos LGBT na vida eclesiástica. Isso é muito bom, mas o ideal é que futuramente tanto os LGBT como os heterossexuais possam se reunir em qualquer ambiente de culto sem qualquer discriminação. Uma coisa, porém, que me preocupa é a tendência de algumas comunidades voltadas para o público LGBT de se tornarem tão fanáticas quanto algumas igrejas que vemos hoje, especialmente as neopentecostais que adotam o chamado “evangelho da prosperidade”, através do qual exploram a congregação e enriquecem os pastores. A ICM, porém, mantém geralmente uma visão e uma prática bastante contextualizadas socialmente, sem muita esquizofrenia religiosa. A Comunidade Betel em Botafogo, Rio de Janeiro, pastoreada por Marcio Retamero, por exemplo, não tem medo de me chamar para falar sobre temas pertinentes para os LGBT, apesar de eu ser ateu. As lideranças daquela comunidade nunca me discriminaram por isso. Já ouvi frequentador de outra igreja inclusiva dizer que seu pastor orientou os membros da igreja dele a nem visitar meu blog (risos). Isso é apenas um exemplo do que chamo de esquizofrenia religiosa, e demonstra como é forte o adestramento das igrejas tradicionalmente reconhecidas sobre a mente de seus membros, ao ponto de continuarem envenenados com o segregacionismo religioso e social, mesmo depois de saírem delas.

Os religiosos homofóbicos costumam citar várias passagens bíblicas para provar que a homossexualidade é algo condenável por Deus. Com seu conhecimento da Bíblia, a questão da homossexualidade é, de fato, abordada e de que forma?

R: O perfil homofóbico de alguns dos escritores bíblicos não é o único caso de violação do que chamamos hoje de direitos básicos do ser humano. Muita gente tem parado para pensar o seguinte: Se apesar da Bíblia ser misógina, as mulheres estão no ministério eclesiástico; se apesar da Bíblia ser xenofóbica, o evangelho prosperou mais entre os gentios que entre os judeus; se apesar da Bíblia aprovar a pena de morte, o infanticídio, e a escravidão, nenhum cristão ou judeu pratica isso hoje em nome de Deus; então por que penalizar só os homossexuais? Se tudo isso foi reavaliado sob perspectivas mais humanistas, por que não a participação dos LGBT no que a igreja chama de “Reino de Deus”?

Eu, porém, tenho outra perspectiva ainda mais incisiva: Para que consultar a Bíblia no que diz respeito às liberdades humanas? Se dependesse exclusivamente da ética pregada pela Bíblia, seríamos tão cruéis quanto alguns fundamentalistas islâmicos a quem veementemente condenamos. Então, coloquemos a Bíblia em seu devido lugar: uma coleção de livros de mitos, de leis, de crônicas e de cartas originados da visão de um povo que aspirava a uma posição privilegiada no mundo em nome de um Deus a quem eles mesmos concederam uma exclusividade que ele não tinha. E se analisarmos friamente quanto mal o literalismo bíblico já produziu, faríamos o possível para manter especialmente as crianças e jovens longe dela. A criança nem sabe ainda o que é um poema de amor, mas já é submetida a estórias de assassinato, saque, invasão na escola bíblica dominical (Davi matando Golias, Josué invadindo Jericó, etc.). Não admira que haja tanta gente desequilibrada nas igrejas hoje.

Você concorda que o Brasil é um país gay friendly, apesar dos casos de homofobia?

R: O Brasil é um país de contradições. Nada é mais gay friendly do que o carnaval. E o Brasil é considerado o país do carnaval. No entanto, é no período da folia que muitas igrejas se retiram e pregam veementemente contra a liberdade sexual. Eles vão para retiros, mas pensam com muito ressentimento no que está acontecendo lá do outro lado do muro. Isso é um retrato do que acontece no Brasil: uma esquizofrenia que vai da admiração pela cultura LGBT até o ódio às identidades desses mesmos LGBT. Felizmente, os governos e as prefeituras são geralmente defensores da diversidade, mesmo que não seja por motivos meramente humanistas. O judiciário tem dado um show de civilidade, mas no legislativo tem muito pastorzinho querendo bancar o “defensor dos bons costumes”, só para alimentar ainda mais o preconceito e a discriminação contra as pessoas que não se enquadram em seus próprios pressupostos religiosos. Precisamos reafirmar de modo concreto a laicidade do Estado. Por isso, os movimentos pelo fortalecimento do Estado Laico são extremamente atuais e necessários.

Qual sua opinião a respeito de grupos religiosos que interferem na questão LGBT junto ao governo?

R: Como eu disse anteriormente, eles são inimigos da democracia. Desta, eles só gostam mesmo é do direito à livre expressão (para caluniarem bastante aqueles que não se sujeitam aos seus ditames) e do direito à liberdade de culto (para poderem abrir igrejas dos mais variados tipos e fazerem milhões de reais sem qualquer taxação por parte do Fisco). Politicamente falando, se eles pudessem, colocariam o Brasil novamente sob alguma ditadura. Aliás, a maioria dos líderes de igreja sempre posou ao lado dos ditadores para fotos que a história não nos deixa esquecer. O Papa Pio XII e Hitler configuram uma das mais chocantes. O Brasil também teve seus próprios padres, pastores e bispos ligados aos ditadores militares. O lema “Deus, Pátria e Família” pode parecer muito piedoso, mas era usado para abençoar o totalitarismo político em nome da fé. E tem mais: a maiorias dessas pessoas que ficam vociferando contra os LGBT, mais cedo ou mais tarde, acaba sendo flagrada em algum escândalo sexual. A história recente está cheia desses episódios, especialmente nos países onde líderes cristãos procuram influenciar a política. Veja o caso dos EUA, da Inglaterra, e do Brasil – só para citar três.
 

No começo é comum nos sentirmos desorientados em relação a qual postura tomar quanto ao fato de sermos homossexuais. Muitos chegam a sofrer agressões verbais e físicas, mas não tem coragem de falar abertamente com seus familiares e amigos, e com isso sofrem calados, julgando até mesmo serem merecedores de tal “castigo”. Que conselho você pode dar para quem está passando por um momento como esse?

R: Primeiro, aprenda a amar-se. Depois, reconheça que ninguém é melhor que você simplesmente por ser heterossexual. Além disso, é seu direito buscar a felicidade e ninguém pode ser feliz vivendo contra si mesmo. Faça amigos fora do círculo homofóbico com o qual você está acostumado (se esse for seu caso, logicamente). Leia material sério sobre a homossexualidade (cuidado com coisas produzidas por igrejas e organizações ligadas a elas). Pare de dar ouvidos a pregadores homofóbicos. Saia e conheça novas pessoas. Não confie no primeiro que disser “eu te amo”, porque pessoas que vivem uma carência muito grande de afeto e aceitação tendem a ser presas fáceis de aproveitadores, mas não se feche para o amor se ele acontecer de fato. Não tenha medo de transar com quem você deseja, mesmo que seja só por hoje, mas só transe com segurança, ou seja, num lugar onde você não corra o risco de ser agredido e sempre use camisinha. Quando encontrar alguém com quem você queira mesmo compartilhar a vida, case-se, se quiser, porque não precisamos nos enquadrar em moldes inspirados no conservadorismo que nos cerca para sermos felizes. Podemos viver como bem entendermos, desde que não afetemos os direitos dos outros. Se não conseguir administrar seus sentimentos sozinho, procure apoio de um grupo como o Arco-íris (RJ), o Grupo Gay da Bahia (Salvador), o MGM (Juiz de fora), a ABGLT (Curitiba) ou outros. Um grupo muito bom é o Grupo de Pais de Homossexuais (GPH), fundado por Edith Modesto (veja detalhes mais adiante). A Internet também pode ajudar com endereços e telefones dessas organizações. Você não é uma ilha. Só não admita que os outros o destruam por causa das loucuras que eles mesmos alimentam.

Muitos jovens me escrevem falando sobre o fato de ainda não terem se assumido para suas famílias e amigos. Uns alegam medo da reação das pessoas, outros dizem que ainda se acham muito novos para isso, e alguns acreditam que possam viver uma vida aparentemente heterossexual (casamento, filhos etc.) com momentos em que se permitam relações homossexuais. Que conselhos você pode dar para eles?

R: A pior coisa que um homossexual pode fazer é tentar viver como um heterossexual, especialmente se casando com alguém do outro sexo. Imagine o contrário: um verdadeiro heterossexual tentando viver como homossexual. Isso não seria ridículo? Pois bem, o contrário também é. Contudo, é muito melhor se assumir quando já se pode pagar as próprias contas, o que não significa que adolescentes não possam se assumir para seus pais. Afinal, se forem alvos de agressões verbais ou físicas, podem procurar o conselho tutelar. Também podem ligar para o telefone 100 e pedir ajuda em caso de violência física ou verbal. Há leis para protegê-lo, inclusive dentro de casa. Agora, isso exige disposição para fazer valer seus direitos. Geralmente, o máximo que acontece é a família tentar mudar o jovem, ficar dando conselhos e perguntando por que ele “quer” ser gay. Com o tempo, isso passa e as coisas se acomodam. O importante é falar na hora que achar que está preparado e não voltar atrás, mesmo que seja diante de lágrimas ou ameaças. Fingir que é diferente do que realmente é só cria mais problemas. Se casar com alguém do outro sexo só para se acomodar ao modelo esperado pelos sexistas, isso vai ser ainda pior. Haverá mais sofrimento para todos os envolvidos. Eu também fiz isso, movido por crenças religiosas e pressão social, mas depois me desvencilhei do casamento – o que me causou problemas desnecessários. Os filhos que tenho – e que amo muito – são duas grandes alegrias, mas até a paternidade ou a maternidade podem ser alcançadas sem a necessidade de casar com alguém do outro sexo. Para isso, existe a inseminação artificial, a barriga-de-aluguel, a adoção, e os acordos em um homem gay e uma mulher lésbica que desejem compartilhar a criação de um filho sem a obrigatoriedade das núpcias.

Cite exemplos de filmes, livros, músicas etc., que podem ajudar nesse processo de entender e aceitar-se homossexual?

R: Além do meu livro Em busca de mim mesmo, que acredito também poder ajudar nessa questão, existem vários outros. Cito só algumas fontes interessantes:
- Revista Veja (sobre adolescentes gays
- Grupo Gay da Bahia (Orientações para jovens LGBT
- Os livros da escritora Edith Modesto indicados para pais e filhos: Mãe Sempre Sabe? e Vidas em arco-íris
- Para quem precisa de apoio há o Grupo de Pais de Homossexuais
- O filme Caindo na real, que pode ser baixado gratuitamente. Vale a pena ver. É um dos melhores sobre os dilemas de se assumir gay diante da família e sociedade
 
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R: Nada é mais belo que o amor, especialmente aquele que se reflete numa autoestima saudável. Portanto, ame-se. Ao mesmo tempo, nada é mais urgente do que a felicidade, e esta geralmente se dá na interação com o outro. Cerque-se de gente que lhe faça bem e a quem você também possa fazer bem. Duvide da perfeição que lhe vendem aqueles que posam de família perfeita. Toda família tem problemas e alegrias. A sua não é diferente e se você formar outra (hetero ou homoafetiva) também não será. O grande barato da vida é viver e deixar viver, porque liberdade e felicidade, acompanhadas de uma forte convicção de que a garantia dos meus direitos depende do respeito a esses mesmos direitos no outro são a chave para uma vida mais leve e realizada. Agradeço a paciência e atenção durante a leitura dessa singela entrevista e espero que apareçam no meu blog. Um forte abraço!
---X---X---X---

Aproveitando o gancho da discussão religiosidade X sexualidade, tomei conhecimento por esses dias de São Sérgio (que não é o Viula, até porque ele é Sergio, sem acento agudo na letra E) e São Baco. Os santos são comemorados no dia 07 de outubro, e são tidos como padroeiros dos gays, tendo, inclusive, uma oração dirigida a eles quando é feito um "casamento" gay. Desta eu não sabia!

Bye, bye, Santo Antônio! De agora em diante, "questões do coração" só conversarei com São Sérgio e São Baco!

Fonte: http://ligahumanista.org/profiles/blogs/ate-smo-liberdade-sexual-e-outras-guloseimas



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Repercussão Internacional da entrevista do Eleições Hoje reproduzida no The Flying Pot:




THINK PROGRESS:

Zack Ford

LGBTQ Editor at ThinkProgress.org. Gay, Atheist, Pianist, Proud SJW. Contact me: zford@thinkprogress.org.

Nov 3, 2011

Brazilian Ex-Gay Leader Comes Out, Rebukes ‘Act Of Violence’ Of Reinforcing Internalized Homophobia

AMERICAblog Gay points to a Brazilian ex-gay leader who has come out as gay and harshly condemned the ineffective therapy he spent decades promoting. Sergio Viula co-founded the Movement for the Healthy Sexuality (MOSES), but now says ex-gays don’t exist and promoting ex-gay therapy is “brainwashing” and an “act of violence” that relies upon reinforcing internalized homophobia. Viula is now encouraging young gay people to find spiritual outlets that affirm their sexual orientation:

VIULA: Nobody really quit being gay. There were relationships even within the group, between an activity and another, they would always find time for that. Can you figure out how much suffering to myself and to all of those who have already worked or been influenced by this kind of ‘ministry’? That’s enraging! And there are people repeating that stupid discourse until today. […]

Yes, it was an act of violence against ourselves, as we had internalized the homophobia that surrounded us from early childhood, as well as against the others, because we reproduced that very homophobia which they had internalized by themselves long before. We just reinforced it even more. […]

Religious conversion which does not admit and CELEBRATES your homosexuality does not deserve your time and talent. If you want to attend a church, search for one which is mature enough to even question the validity of its own religious statements. But, preferably, live your life without relying on existential braces whatever they are.

Viula is only the latest ex-gay leader to recant his previous teachings. John Smid of Love In Action recently began doing the same. The testimony these changed men share is important to highlight, but it does not undo the harm that ex-gay therapy continues to cause individuals every day. The desire to change one’s sexual orientation (and the belief that it is possible) is motivated by the anti-gay stigma present throughout society. Only by challenging that demonization will the harm ever come to an end.


http://thinkprogress.org/lgbt/2011/11/03/360334/brazil-ex-gay-comes-out/




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GAYAPOLIS:


Ex Ex-Gay Comes Out in Brazil

Nothing better than an example to rebuke the supposed efficiency of treatments to convert sexual orientation, which claim that gay people can "go" straight. The English and philosophy teacher, also a theologian, Sergio Viula, 42, born and resident in Rio de Janeiro, was one of the founders of the Movement for the Healthy Sexuality (MOSES), an evangelical NGO which helps people interested in quitting homosexuality. He got married, had two children and saw by himself the very methods of 'sexual re-orientation'. In an exclusive interview, Sergio talked to me and showed that methods to change sexual orientation are useless, causing pain and suffering to those who are willing to go through any of them.

How did your life within the evangelical church begin? How did you get in?

- I started at 16, in a neo-charismatic, but later on I migrated to a Baptist church. I was converted by the preaching of some friends'; it was not a family tradition, which was catholic. Nowadays, some of them are catholic and some are evangelical.

Full Story From the Flying Teapot


Fonte: http://www.gayapolis.com/news/artdisplay-people.php?artid=11873




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AMERICA BLOG:


“Ex-gay” leader in Brazil comes out, says it’s all a fraud

11/3/11 9:15am by John Aravosis  


It’s sad the damage these people are causing worldwide. From FlyingTeapot:

Nothing better than an example to rebuke the supposed efficiency of treatments to convert sexual orientation, which claim that gay people can “go” straight. The English and philosophy teacher, also a theologian, Sergio Viula, 42, born and resident in Rio de Janeiro, was one of the founders of the Movement for the Healthy Sexuality (MOSES), an evangelical NGO which helps people interested in quitting homosexuality. He got married, had two children and saw by himself the very methods of ‘sexual re-orientation’. In an exclusive interview, Sergio talked to me and showed that methods to change sexual orientation are useless, causing pain and suffering to those who are willing to go through any of them.

Nobody really quit being gay. There were relationships even within the group, between an activity and another, they would always find time for that. Can you figure out how much suffering to myself and to all of those who have already worked or been influenced by this kind of ‘ministry’? That’s enraging! And there are people repeating that stupid discourse until today.

John Aravosis
Follow me on Twitter: @aravosis | @americablog | @americabloggay | Facebook | Instagram | Google+ | LinkedIn. John Aravosis is the Executive Editor of AMERICAblog, which he founded in 2004. He has a joint law degree (JD) and masters in Foreign Service from Georgetown; and has worked in the US Senate, World Bank, Children's Defense Fund, the United Nations Development Programme, and as a stringer for the Economist. He is a frequent TV pundit, having appeared on the O'Reilly Factor, Hardball, World News Tonight, Nightline, AM Joy & Reliable Sources, among others. John lives in Washington, DC. John's article archive.

Fonte: http://gay.americablog.com/2011/11/ex-gay-leader-in-brazil-comes-out-says.html




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REVISTA TRIP (comentando a entrevista do Eleições Hoje, que já não está mais no ar):



EX-EX-GAY
Trip
TRIP / ATIVISMO

Fundador de ONG de "cura" de homossexuais abre o jogo sobre lavagem cerebral do programa

POR LUIZ FILIPE TAVARES 01.11.2011

O site Eleições Hoje publicou nessa semana uma longa entrevista com Sergio Viula, professor de inglês, filosofia e teólogo carioca de 42 anos que fundou a ONG Movimento pela Sexualidade Sadia (Moses). O grupo, ligado a uma igreja evangélica, prestava serviços de "assistência" a homossexuais que gostariam de mudar sua orientação sexual. Anos depois, após passar por um casamento que rendeu dois filhos, ele se voltou contra a organização e decidiu abrir o jogo sobre os métodos da ONG e o sofrimento das pessoas que muitas vezes se viram forçadas a passarem por ex-gays.

Ele comentou a visão religiosa da homossexualidade e mostrou diversas ineficiências do projeto. Como o próprio Viula conta na entrevista, o grupo de apoio causava muito mais dor do que conforto e forçava as pessoas a agirem contra sua natureza. Depois de 18 anos trabalhando com o Moses, tendo tentado evangelizar novos fieis até nas paradas do orgulho LGBT, Sergio hoje vê com mais clareza a relação do homossexual com si mesmo.

"Na verdade, ex-gay não existe, é pura auto-sugestão", ele conta. "Hoje sei que estava me enganando. Na época, pensava que qualquer sentimento ou atração fosse mera ‘tentação’ e que isso poderia ser superado com oração e dedicação a deus. No grupo, basicamente, pensávamos que ser gay fosse pecado, que devia ser confessado e abandonado e para isso, fazíamos proselitismo, aconselhamento, oração, pregação, recomendávamos certos livros, leitura bíblica, coisas que os crentes geralmente fazem, mas com foco na homossexualidade, sempre demonizando a homoafetividade, infelizmente."

"Isso não acontecia de fato, era o que se chamava discipulado. Acaba sendo uma lavagem cerebral. Você tem que se isolar do seu antigo círculo de amigos, começar a se enfiar nas reuniões da igreja, fazer sessões de aconselhamento, orar, jejuar, essas coisas. Quando acontecia de alguém se envolver com outro homossexual, ele tinha que confessar o que fez. Uma loucura do caralho", ele se irrita. "Ninguém deixava de ser gay, houve relacionamentos até dentro do grupo, entre uma atividade e outra da igreja, eles sempre arrumavam tempo pra isso. Você consegue imaginar quanto sofrimento para mim mesmo e para todos os que atuaram ou foram influenciados por esse trabalho? É irritante! E tem gente até hoje repetindo esse discurso imbecil."

Na entrevista, o ex-ex-gay peita até o pastor Silas Malafaia, inimigo público número um dos direitos dos homossexuais no Brasil. "Ele é um idiota! Eu era um garoto quando me envolvi com tudo isso, tinha pouquíssima experiência de vida e não ainda não havia tanta informação como hoje. Agora, ele atua na base da má-fé mesmo, com interesses financeiros, projetos de poder.", detona. "E diz ele que nunca foi gay, será? Fico muito desconfiado de gente que gasta tanta energia e dinheiro para combater algo que não tenha nada a ver consigo mesma. Entendo heterossexuais que compreendem os riscos da homofobia, mas não entendo heterossexuais que quase surtam só por saberem que os gays estão felizes, saudáveis e produzindo para o país."

Vai lá: www.eleicoeshoje.com.br/entrevista-fundador-cura-homossexuais

Fonte: http://revistatrip.uol.com.br/so-no-site/notas/ex-ex-gay.html




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THE ADVOCATE:


'Ex-Gay' Movement: Weaker By the Minute

BY NEAL BROVERMAN
NOVEMBER 04 2011 5:30 PM EDT

Current and former "ex-gay" leaders are backing off previous assertions that gay people can be "converted" to heterosexuality, especially after a study of Exodus members showed many were not "cured" of same-sex attractions.

A study in the Journal of Sex & Marital Therapy tracked almost 100 longtime members of Exodus, a group that encourages gay people to drop same-sex behavior. Of the three-quarters of people who remained in the study over seven years, only a quarter said their orientation changed. Alan Chambers, president of Exodus, says sexuality is complicated, but he's now careful about strongly suggesting people can switch orientations without major effort. Another group called The Sight Ministry teaches that God wants people to be heterosexual, but also says it cannot "cure" people of homosexuality. Members of such groups who see themselves as successful admit that they still have same-sex attractions, they just deny themselves the satisfaction of gay relationships, according to a story in The Tennessean.

Peterson Toscano, who endured the "ex-gay" movement for 17 years, says he thinks Christians will evolve in their thinking on gays. Regarding their beliefs on slavery and divorce, "The Bible didn’t change,” Toscano told The Tennessean. “But the way they interpreted the Bible did.”

Meanwhile, in Brazil, a former "ex-gay" leader has come out against "conversion therapy." Sergio Viula now says "ex-gays" don't exist and that the "therapy" amounts to "brainwashing" and a form of "violence." Read more here.


Fonte: http://www.advocate.com/News/Daily_News/2011/11/04/ExGay_Movement_Weaker_By_the_Minute/


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EM LÍNGUAS QUE NÃO A PORTUGUESA E A INGLESA


IN LANGUAGES OTHER THAN PORTUGUESE AND ENGLISH




FINLÂNDIA 


Brasilialainen evankelisen liikkeen jäsen on myöntänyt, ettei ex-homoja ole olemassa


Lassijuhani ~ 10.11.2011 11:15 ~ Uutiset: ulkomaat


Evankelista järjestöä Brasiliaan aikoinaan perustamassa ollut Sergio Viula on haastattelussa myöntänyt, ettei ex-homoja ole olemassa; se on puhdasta itsesuggestiota. Järjestö on väittänyt, että homot pystyvät lakkaamaan tuntemasta vetovoimaa samaa sukupuolta oleviin henkilöihin.


Sergio Viula, yksi Brasilian evankelisen järjestön 'Liike terveen seksuaalisuuden puolesta' perustajista, on tuominnut menetelmät, joita tämä uskonnollinen ryhmä on viime vuosina käyttänyt yrittäessään muuttaa homoseksuaalisia ihmisiä heteroseksuaalisiksi.


Viula myönsi brasilialaisille tiedotusvälineille antamassaan haastattelussa, ”ettei ex-homoja ole olemassa; se on pelkkää itsesuggestiota” ja, että hän perusti järjestön tavattuaan niin monia omasta homoseksuaalisuudesta huolestuneita ihmisiä brasilialaisissa kirkoissa.


Viula kertoi: ”Ex-homoja ei ole; se on pelkkää itsesuggestiota. Aloin käydä kirkossa ja huomasin, etteivät homot osaa taistella 'vaikeuksineen', koska heidän henkiset johtajansa eivät pysty opastamaan heitä, joten päätin perustaa järjestön 'Liike terveen seksuaalisuuden puolesta'. Silloin aloin väittää olevani ex-homo.”. Hän jatkoi: ”Nyt tiedän pettäneeni itseäni, mutta silloin ajattelin kaikkien tunteiden ja vetovoiman olevan pelkkää viettiä, jonka voisi tukahduttaa rukoilemalla ja omistautumalla Jumalalle.”


Niin sanottujen ex-homojen järjestön johtaja totesi: ” Meillä oli ryhmässä tapana ajatella homouden olevan synti, joka on tunnustettava ja hylättävä, minkä takia annoimme neuvoja, rukoilimme, saarnasimme sekä suosittelimme ja vaadimme Raamatun lukemista leimaten aina homoseksuaalisen rakkauden Pirun salajuoneksi.”



Fonte: http://ranneliike.net/teema/brasilialainen-evankelisen-liikkeen-jasen-on-myontanyt-ettei-ex-homoja-ole-olemassa?cid=1&aid=6360



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ESPANHA






10, 2011

Un líder evangélico de Brasil que defendió la posibilidad de dejar de ser homosexuales ha expresado que "los ex-gays no existen"

Por Alexander Rocha 

Sergio Viula, uno de los fundadores de una organización evangélica de Brasil que ha defendido en los últimos años la posibilidad de que los homosexuales dejen de sentirse atraídos por otras personas de su mismo sexo, ha expresado en una entrevista que "los ex-gays no existen, es pura autosugestión".


Sergio Viula, uno de los fundadores de la organización evangélica 'Movimiento para una Sexualidad Sana', en Brasil, ha rechazado las prácticas que ha llevado a cabo la agrupación religiosa en los últimos años para que las personas homosexuales fuesen heterosexuales.

Viula, en el transcurso de una entrevista reciente con medios brasileños, ha expresado que "los ex-gays no existen, es pura autosugestión" y que la organización la fundó al ver a tanta gente preocupada por su homosexualidad en las iglesias del país.

"Los ex-gays no existen, es pura autosugestión. Empecé a ir la iglesia y me di cuenta de que los homosexuales no saben cómo lidiar con sus 'dificultades' debido a que les falta orientación por parte de sus líderes espirituales, así que decidí fundar el Movimiento para una Sexualidad Sana. Fue entonces cuando empecé a decir que era un ex-gay", ha manifestado Viula.

"Hoy sé que me estaba engañando, pero en aquel entonces, yo pensaba que todo sentimiento o atracción era pura tentación que podría ser superada con la oración y la dedicación a Dios", ha manifestado Viula.

"En el grupo solíamos pensar, básicamente, que ser gay es un pecado que debe ser confesado y abandonado, por lo que dábamos consejos, orábamos, predicábamos, recomendábamos y exigíamos leer la Biblia, siempre demonizando el amor homosexual", ha expresado el líder de la organización de supuestos "ex-gays".


Fonte: http://noticias.universogay.com/un-lider-evangelico-de-brasil-que-defendio-la-posibilidad-de-dejar-de-ser-homosexuales-ha-expresado-que-los-ex-gays-no-existen__10112011.html



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RÚSSIA


Никогда не поздно изменить свою жизнь
Do not take a chance from yourself



Еще один экс-гей раскаялся в содеянном и признал, что занимался самообманом 

danny0071


November 11th, 9:42


Еще один экс-гей понял, что "бывшим геем" быть невозможно, и заявил, что занимался самообманом.


Серджио Виула (Sergio Viula - на фото слева) возглавлял движение экс-геев в Бразилии. Сегодня в интервью блогу The Flying Teapot Project он развенчивает взгляды, сторонником которых сам еще не так давно являлся. По словам Виулы, его сексуальная жизнь началась рано: "У меня были отношения с парнями-геями, но сам себя я к геям не причислял, потому что считал это "временной фазой". Первые отношения у меня случились, когда мне было 12, с парнем чуть постарше - и, конечно же, в тайне. Они продолжались два года".

Виула был одним из организаторов евангелистской группы "Движение за здоровую сексуальность", которая проповедовала христианство во время гей-парадов и фестивалей и раздавала листовки, рассказывающие о том, как "бывшие геи и лесбиянки" успешно излечились от своего "порока", стали гетеросексуалами и ведут счастливую, самодостаточную жизнь.

"Экс-геев не существует, это - чистой воды самовнушение, - утверждает Виула. - Я стал ходить в церковь и заметил, что гомосексуалы не знают, как бороться с их "трудностями", поэтому решил организовать группу "Движение за здоровую сексуальность". Это было время, когда я начал называть себя экс-геем. Сейчас я знаю, что занимался самообманом. Но тогда я действительно считал, что любое [гомосексуальное] чувство, или влечение является греховным искушением, и искушение это можно побороть с помощью молитвы и посвящения себя Господу".

Виула оставил созданную им же группу после того, как провел в ней 7 лет. Это случилось в 2006 году. Он рассказывает, что ее участники продолжали вступать в сексуальные отношения с представителями своего пола даже после того, как громогласно заявляли, что благодаря обращению в веру изменились и стали натуралами. "На самом деле никто из них не перестал быть геем. Случались отношения даже между членами группы, в перерывах между ее активизмом: они всегда находили для этого время".

В октябре аналогичное заявление сделал другой бывший руководитель организации экс-геев под названием "Любовь в действии", американец Джон Смид (John Smid). Когда-то он активно пропагандировал конверсионную терапию, однако сейчас говорит, что глубоко ошибался, и что гомосексуальность - это не выбор и не болезнь. "Ничто из того, что я предпринимал, не сделало меня гетеросексуалом - даже несмотря на женитьбу, подразумевающую гетеросексуальное поведение", - сообщил он.


Gay.Ru
Подготовила Александра Лопата


Fonte: http://danny0071.livejournal.com/193654.html#cutid1





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RÚSSIA


Радужные новости


Еще один экс-гей раскаялся в содеянном и признал, что занимался самообманом


11 ноября 2011

Еще один экс-гей понял, что "бывшим геем" быть невозможно, и заявил, что занимался самообманом.
Серджио Виула (Sergio Viula - на фото слева) возглавлял движение экс-геев в Бразилии. Сегодня в интервью блогу The Flying Teapot Project он развенчивает взгляды, сторонником которых сам еще не так давно являлся. По словам Виулы, его сексуальная жизнь началась рано: "У меня были отношения с парнями-геями, но сам себя я к геям не причислял, потому что считал это "временной фазой". Первые отношения у меня случились, когда мне было 12, с парнем чуть постарше - и, конечно же, в тайне. Они продолжались два года".

Виула был одним из организаторов евангелистской группы "Движение за здоровую сексуальность", которая проповедовала христианство во время гей-парадов и фестивалей и раздавала листовки, рассказывающие о том, как "бывшие геи и лесбиянки" успешно излечились от своего "порока", стали гетеросексуалами и ведут счастливую, самодостаточную жизнь.

"Экс-геев не существует, это - чистой воды самовнушение, - утверждает Виула. - Я стал ходить в церковь и заметил, что гомосексуалы не знают, как бороться с их "трудностями", поэтому решил организовать группу "Движение за здоровую сексуальность". Это было время, когда я начал называть себя экс-геем. Сейчас я знаю, что занимался самообманом. Но тогда я действительно считал, что любое [гомосексуальное] чувство, или влечение является греховным искушением, и искушение это можно побороть с помощью молитвы и посвящения себя Господу".

Виула оставил созданную им же группу после того, как провел в ней 7 лет. Это случилось в 2006 году. Он рассказывает, что ее участники продолжали вступать в сексуальные отношения с представителями своего пола даже после того, как громогласно заявляли, что благодаря обращению в веру изменились и стали натуралами. "На самом деле никто из них не перестал быть геем. Случались отношения даже между членами группы, в перерывах между ее активизмом: они всегда находили для этого время".

В октябре аналогичное заявление сделал другой бывший руководитель организации экс-геев под названием "Любовь в действии", американец Джон Смид (John Smid). Когда-то он активно пропагандировал конверсионную терапию, однако сейчас говорит, что глубоко ошибался, и что гомосексуальность - это не выбор и не болезнь. "Ничто из того, что я предпринимал, не сделало меня гетеросексуалом - даже несмотря на женитьбу, подразумевающую гетеросексуальное поведение", - сообщил он.

Gay.Ru
Подготовила Александра Лопата

Фото Advocate - http://www.gay.ru/news/rainbow/2011/11/11-22138.htm


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JAPÃO



「同性愛は治せる」と主張してきた団体の設立者、ウソを告白

「同性愛は治せる」と主張する団体の設立者の一人で、自らも「ex-gay(元ゲイ)」を自称していたリオデジャネイロに住むSergio Viula氏が、インタビューに答えて、「誰もゲイであることをやめることはできない、そのグループ内ですら関係があった」と告白し、波紋を広げている。

彼が設立したグループは、the Healthy Sexuality (MOSES)という、キリスト教の福音派のグループで、「同性愛をやめる」ことを手伝っていた。自身も、結婚し、二人の子どもをもうけている。

インタビューに答え、教会に行くようになる中で、元ゲイと名乗り、その団体を設立する流れになったことを語り、自分自身を偽っていたと認めている。



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ITÁLIA

Gli ex-gay non esistono, è tutta autosuggestione!



scritto da DANIELE il giorno 10 NOVEMBRE 2011 · in MONDOSCREEN



Sergio Viula, fondatore fra tanti dell’organizzazione evangelica Movimento per una sessualità sana in Brasile, ha recentemente condannato l’attività di “riorientamento sessuale” portata avanti dall’associazione negli ultimi anni.


Viula, durante un intervista con i media brasiliani, ha dichiarato:


”Gli ex-gay non esistono, è pura autosuggestione. Iniziando ad andare in Chiesa mi sono reso conto che le persone omosessuali non sono in grado di gestire le problematiche riguardanti la propria sessualità a causa di una mancanza di orientamento da parte dei leaders spirituali, ed è per questo che ho deciso di fondare il Movimento per una sessualità sana“.


E aggiunge:


“Al giorno d’oggi so di essermi sbagliato, però inizialmente pensavo che il sentimento e l’attrazione per le persone dello stesso ses*o poteva essere una tentazione superabile con la preghiera e la devozione a Dio“.


“All’interno del gruppo pensavamo essenzialmente che essere omosessuale fosse un peccato, da confessare e rimuovere, per questo davamo consigli, pregavamo e predicavamo, raccomandavamo e esigevamo di leggere la Bibbia, demonizzando sempre e comunque l’amore gay“.


Fonte: http://gaymagazine.likepage.it/2011/11/10/gli-ex-gay-non-esistono-e-tutta-autosuggestione/


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EUA (Truth Wins Out)

Brazilian Former Ex-Gay Leader Calls His Past “Existential Castration”


Posted November 15th, 2011 by Jenny Blair



Sergio Viula was a leading purveyor of evangelical ex-gay treatments in Brazil, but has now left all that behind, referring to it as “brainwashing” in an interview he gave to the Secular Humanist League of Brazil. In his words:


In fact, ex-gays don’t exist – it’s pure self-suggestion.


Today I know that I was deceiving myself. But back then, I thought that every sentiment or attraction was a mere case of ‘temptation’ and that it could be overcome with prayer and dedication to god.


Nobody really quit being gay.


Can you figure out how much suffering to myself and to all of those who have already worked or been influenced by this kind of ‘ministry’? That’s enraging! And there are people repeating that stupid discourse until today.


Yes, I am in peace with myself today, happy, and I wonder how I could stand such useless existential castration for such a long time.


[What we ex-gay purveyors did]was an act of violence against ourselves, as we had internalized the homophobia that surrounded us from early childhood, as well as against the others, because we reproduced that very homophobia which they had internalized by themselves long before. We just reinforced it even more.


If you want to attend a church, search for one which is mature enough to even question the validity of its own religious statements.


Viula was brainwashed, he did bad things, he gave it some thought, he outgrew it and now he’s not mincing words. Go and read it; it’s a breath of fresh air.


[h/t Ex-Gay Watch]


Tags: BrazilSergio Viula


Fonte: https://truthwinsout.org/blog/2011/11/20117/




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BRASIL (CARTA CAPITAL)


Avon, Silas Malafaia e a propagação da homofobia:



Beatriz Mendes

Preconceito


07.05.2012 13:02

Avon, Silas Malafaia e a propagação da homofobia



Silas Malafaia é um velho conhecido da comunidade gay no Brasil. O pastor, líder da igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo, costuma protagonizar polêmicas a envolver intolerância e preconceito. Em 2006, foi ele o responsável por uma manifestação diante do Congresso Nacional contra a lei criminalizadora da homofobia. Na ocasião o pastor afirmou que relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo são a porta de entrada para a pedofilia. “Eu vou descer o porrete nesses homossexuais”, decretou, certa vez, em seu programa de tevê – em rede nacional, diga-se, valendo-se de seu direito de liberdade de expressão.


O All Out, site que divulga abaixo-assinados do mundo todo, divulgou a causa de Sérgio Viúla e definiu Malafaia como 'extremista anti-gay'


Por estes e outros motivos, foi uma surpresa para o professor de inglês Sérgio Viula, de 42 anos, e seu namorado, Emanuel Façanha da Silva, quando em meio a promoções de maquiagens, perfumes e bijuterias, depararam-se com livros de Malafaia no catálogo da Avon. “Não são somente obras devocionais ou de leitura budista, católica ou uma novena. Os livros dele são de militância fundamentalista aberta, assim como seus programas de televisão”, diz Viula a CartaCapital.


O professor conta que a gota d’água foi a inclusão do livro A Estratégia entre os títulos comercializados pela empresa. A obra, escrita pelo pastor americano Louis Sheldon, também é distribuída pela Editora Central Gospel – cujo dono é Silas Malafaia – e levanta a teoria de que os homossexuais estão fazendo um complô contra a humanidade.


Diante da situação, Viula – que não faz parte de nenhuma organização LGBT – resolveu se manifestar. Seu argumento se baseou em um tratado de direitos humanos emitido no ano passado pela Avon, comprometendo-se a não contribuir com qualquer tipo de prática discriminatória. “Escrevi uma carta para a empresa brasileira, falando sobre a minha indignação. Como eles não se manifestaram de imediato, resolvi traduzir a mensagem e encaminhá-la para a Avon dos Estados Unidos”, conta.


Pouco tempo depois, a empresa brasileira escreveu um comunicado em sua página do Facebook, alegando que a “variedade de títulos comercializados contempla a diversidade de estilos de vida, religião e filosofia presentes em nosso País”. Complementou falando não ter a intenção de promover conteúdo desrespeitoso aos direitos humanos.


“A carta contribuiu para eles entrarem em contato comigo, mas o fator determinante foi o fato de o Emanuel ter resolvido parar de trabalhar com a Avon”, acredita o professor. Segundo ele, o parceiro era o que a empresa chama de “Consultor Estrela”, pois vendia produtos em grande quantidade. Quando se deu conta de que os livros de Malafaia estavam no catálogo, abriu mão do cargo. “A gente nunca tinha reparado nos títulos porque ele trabalhava mais com o setor de cosméticos. Mas quando saiu da Avon, representantes da marca o procuraram no escritório, pedindo para ele voltar”.


Nesse meio tempo, as pessoas começaram a se solidarizar com a causa. Representantes de grupos LGBT também entraram em contato com a Avon. Duas mulheres redigiram uma petição em inglês, divulgada no All Out, site que publica abaixo-assinados do mundo todo. “No texto, eles explicaram quem é Silas Malafaia e quais são as ideias propagadas por ele. O negócio está bombando, a Avon vai ter que tomar uma atitude”, enfatiza o militante.


“Muitas pessoas também me perguntaram se valia a pena lutar por essa questão. Eu acho que sim porque se fosse o livro do Hitler, os judeus protestariam, se fosse um livro que negasse a existência da escravidão, os negros ficariam indignados. Por que os gays não podem se manifestar também?”, questiona.


Outro lado


CartaCapital pediu entrevistas à direção da Avon, mas a empresa informou que seu posicionamento oficial é aquele já divulgado por meio do comunicado. “Estamos avaliando as ponderações recebidas e buscando a melhor solução para seguir atendendo nossos consumidores com base em nossos valores”.


Silas Malafaia, por sua vez, tratou a questão com desdém. Em nota divulgada em sua página, o pastor ironizou a movimentação dos ativistas. “Esses gays estão dando um ‘tiro no pé’, estão me promovendo com uma tamanha grandeza que nunca pensei de ser tão citado e até defendido por jornalistas como, por exemplo, Reinaldo Azevedo’, escreveu.


Ele afirmou ainda que essas ações dão a ele elementos para lutar contra o Projeto de Lei 122 – aquele que criminaliza a homofobia. “Se antes de ter leis que dão a eles privilégios, já se acham no direito de perseguir e intimidar os que são contra seus ideais, imaginem se a lei for aprovada”, disse.


Também incentivou os fiéis a mandarem emails para a empresa, pedindo para os livros continuarem no catálogo. “Nós, evangélicos, representamos pelo menos 30% das vendas de produtos Avon. Os gays talvez 2%. Eles são tão abusados que pensam que com ameaças vão nos calar”, concluiu.


Diante do comunicado, Viula afirmou: “Malafaia é um extremista. Inclusive, outros pastores não concordam com as atitudes dele. Dá para ser cristão sem ser homofóbico, agora eu não sei como é possível ser homofóbico e cristão. Essas são contradições que podem matar pessoas”.


O professor fala com autoridade: ele já trabalhou como pastor da Igreja Batista e ajudou, na época, a fundar o Movimento pela Sexualidade Sadia (Moses), ONG prestadora de serviços de “assistência” a homossexuais que gostariam de mudar sua orientação sexual. “Depois de um tempo no Moses eu percebi que aquilo era uma falácia, uma hipocrisia. As pessoas sofriam e viviam uma vida dupla, é impossível deixar de ser gay”, contou.



Fonte: http://www.cartacapital.com.br/sociedade/avon-silas-malafaia-e-a-propagacao-da-homofobia/



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QUANDO A LITERATURA SAI DO ARMÁRIO


Publicado por hhomo em 27 de junho de 2012 · Deixe um comentário





Por Nelson Neto

Foto de divulgação de Sergio Viula



“Uma vez lado a lado com o grumete, sentindo-lhe o calor do corpo a corpo roliço, a branda tepidez daquela carne desejada e virgem de contactos impuros, um apetite selvagem cortou a palavra ao negro. A claridade não chegava sequer à meia distância do esconderijo onde eles tinham se refugiado. Não se viam um ao outro: sentiam-se, adivinhavam-se por debaixo dos cobertores.”


Este é um trecho de “O bom crioulo”, considerado o primeiro conto homoafetivo do ocidente. Foi escrito por Adolfo Ferreira Caminha, nascido 1867 na cidade de Aracati, Ceará. Romances com temáticas homoafetivas não são novidade no Brasil, entretanto, há cinco anos esse tipo de tema está em evidência. Muito da repercussão é atribuída à evolução da sociedade brasileira que, mesmo a passos curtos, tem progredido em relação aos diversos debates envolvendo questões relacionadas à comunidade LGBTT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Travestis).


Assumir a sexualidade, hoje no Brasil, é mais fácil do que há 30 anos. Por um lado, esse avanço nas relações de gêneros é positivo. Entretanto, como afi rma o escritor Raphael Mello, ainda é preciso discutir o amadurecimento do homossexual. Este é o tema do seu livro “Mentiras sobre o travesseiro”.


Nicho de mercado


Quando questionado sobre o homossexual como um nicho de mercado para a literatura, o escritor diz ter ficado surpreso com a quantidade de leitores homossexuais. “Antes creditava que o gay tinha outras preferências de consumo cultural. Mas quando lancei o livro percebi que há um público bem assíduo”, comenta, observando que, no entanto, não são apenas gays que compram seu livro. Algumas editoras classificam os livros com temática LGBTT como literatura gay. Mas a maioria dos editores e escritores não considera adequado fazer esse tipo desclassificação. “O que existe é um conteúdo LGBT, que pode vir sob a forma de qualquer gênero literário já criado”, explica Sergio Viula, autor do livro “Em busca de mim mesmo”.


Raphael Mello vai um pouco mais longe, questionando: “se o meu livro tivesse como personagem principal um rapaz com câncer, a obra deveria ser catalogada como literatura de saúde?”, indaga. Giselle Jacques e Roberto Muniz Dias, editores da Editora Escândalo, especializada nessa área, explicam que seu objetivo editorial é selecionar textos (poesia, romance, texto acadêmico e literatura infantil) de forma a expor uma literatura de qualidade,


distanciando-se de qualquer rótulo que possa colocar as obras em condição inferior à literatura convencional. Ou seja, para eles, não existe um gênero literário gay, como não existe um gênero literário hetero. “O que temos são diversos formatos de literatura que usam a temática homoafetiva como enredo principal”, argumentam.


Militância e literatura


“Sobre o livro como afirmação do público, diria que uma obra com temática LGBTT, que desconstrua preconceitos sem se tornar refém da pieguice hipócrita do moralismo fundamentalista, é, de fato, um meio de emancipação fantástico para a comunidade LGBTT como um todo”, defende Viula, concordando que um livro que conta uma história homoafetiva pode ser apreciado por um leitor hetero. “Mas o objeto literário acaba sendo um produto que afirma esse tipo de consumidor, público e cidadão que tem necessidades como qualquer pessoa”, diz.


O autor do livro “Mentiras sobre o travesseiro” não acredita no livro como uma militância politizada. “Não escrevo querendo dizer algo que contribua diretamente com a sociedade como um todo; apenas quero contar uma história”, explica Raphael Mello.


Giselle e Roberto, da Escândalo, enfatizam que abordar a literatura gay ou homoafetiva é falar sobre personagens além da ficção, buscar o protagonismo, uma escritura corporal, sobretudo masculina. “É falar sobre um passado que não pôde ousar tanto quanto o modelo hodierno; sobre uma militância velada, às vezes nem tanto; sobre um sentimento universal”, atestam.Talvez o mais importante, como defende Viula, é que enquanto se discute isso existem autores produzindo, editoras lançando,lojas vendendo e leitores desfrutando de conteúdo diversificado e enriquecedor sob os mais diversos pontos de vista da experiência humana. “Vamos nos livrando do encapsulamento psicológico e social a que todos somos submetidos muito antes de podermos raciocinar sobre isso”, conclui.


Fonte: http://hhomo.wordpress.com/2012/06/27/quando-a-literatura-sai-do-armario/ 




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ENTREVISTA COM O ESCRITOR SÉRGIO VIULA‏ 


AUTOR 

POSTADO EM 14 DE JULHO DE 2012 



Por: Roberto Muniz Dias 


O que você acha do viés do testemunho como Literatura?


Considero o testemunho fundamental, quando este consegue ser existencialmente enriquecedor e capaz de mexer tanto com a razão e quanto com a emoção do leitor. O último livro-testemunho que li – e isso foi há pouco mais de um mês – chama-se Eu, Pierre Seel, Deportado Homossexual. É, sem sombra de dúvida, um livro perturbador. O autor – um dos últimos sobreviventes do holocausto nazista – compartilha os terrores que sofreu nos campos de concentração como prisioneiro homossexual, e como conseguiu sair vivo, ainda que nunca mais o mesmo. É uma leitura doída, mas necessária, porque nos faz pensar sentidamente o significam a dignidade e os direitos fundamentais do ser humano.


Você acha que sua Literatura é gay? O que é Literatura gay?


Não sei se posso dizer que existe literatura gay, hetero, bi, trans, masculina, feminina, etc. Adoraria classificar meus textos como literatura gay, porque o termo me agrada. Parece facilitar a busca. Se quero um livro com temática homossexual e vejo uma prateleira com a etiqueta ‘Literatura Gay’ ou ‘Literatura LGBT’, isso otimiza o meu tempo na livraria. Com isso, quero dizer que, sob uma perspectiva mercadológica, parece ser útil falar em literatura gay. Porém, sob o ponto de vista de uma teoria da literatura, não há razão para se falar em gênero literário gay. Todo livro pode abordar algum tema gay ou ter personagens gays, mas seu gênero será conto, crônica, romance, ensaio, etc.


Assim como existem autores LGBT escrevendo sobre esse tema ou para esse público, também existem autores heterossexuais produzindo (ou que já produziram) conteúdo dentro dessa temática. Um autor LGBT pode escrever um romance envolvendo personagens heterossexuais, e um autor heterossexual pode escrever um romance que envolva personagens gays. Isso é arte. Bom seria que todo mundo lesse de tudo, porque isso ampliaria muito os horizontes de todos. A gente enriquece o acervo existencial com essa troca.


Você prefere a Literatura gay em Prateleiras específicas ou prefere diluída nas convencionais?


Penso que uma coisa não precisa excluir a outra; elas podem até ser complementares. As livrarias deveriam ter prateleiras específicas para material com temática LGBT, mas também precisam inseri-los em seções com outras classificações. Por exemplo, o livro Reflexões sobre a Questão Gay, de Didier Eribon, poderia constar na prateleira de sociologia. Ao passo que Crônicas de um Pastor Gay, do Rev. Marcio Retamero, poderia constar na prateleira de religiões. E o Em Busca de Mim Mesmo, de Sergio Viula, poderia estar na prateleira de autoajuda. Cito também A Casa da Montanha, de Giselle Jacques, e o seu (Roberto Muniz Dias) Adeus a Aleto, os quais poderiam figurar na prateleira de romances.


Existem livros que abordam a temática LGBT na área do direito, da política, etc. Eles poderiam ser classificados como ensaios, mas geralmente não são etiquetados assim. Geralmente, as livrarias classificam como política, direito, etc. Portanto, as livrarias poderiam fazer a mesma coisa com os livros que abordam temas ligados à população LGBT, ou seja, coloca-los na classificação de direito, política, comportamento, romance, etc. Muitas pessoas ignoram as prateleiras com etiqueta LGBT, mas poderiam ter inesperados e salutares encontros com esse material em outras áreas das livrarias.


E cabe aqui falar também sobre a literatura infantil que aborda a temática LGBT. Existem iniciativas interessantes, mas ainda pouco frequentes nesse sentido. Tive o prazer de saber que a Editora Metanoia lançou o primeiro livrinho da série Coleção Família Legal. Esse primeiro livro, todo ilustrado e em linguagem infantil, chama-se Toda Família é Legal, de Lea Carvalho, e fala sobre os diversos tipos de famílias que encontramos na sociedade hoje. Espero que muitos outros venham. Quem quiser ter uma ideia de como a literatura infantil pode ser enriquecida com a temática LGBT, pode assistir um vídeo que eu produzi baseado no livro Papai Tem Namorado: Tomara que as editoras brasileiras invistam mais nesse segmento também.


Leituras gays ou autores gays influenciaram na sua forma de pensar? Que autores vc leu ou está lendo?


Já fiz muitas leituras gays. Dentre os livros que já li, alguns foram escritos por autores gays, outros não. Outros ainda foram escritos em parceria entre autores LGBT e autores heterossexuais. Por exemplo, Diversidade Sexual e Homofobia no Brasil foi produzido através de uma parceria entre o Instituto Rosa Luxemburg Stiftung e a Fundação Perseu Abramo, baseado numa pesquisa sobre homofobia realizada por ambas no Brasil. Os escritores eram gays, lésbicas, bissexuais e heterossexuais. Dentre os autores heterossexuais, cito a ilustríssima e caríssima Dra. Maria Berenice Dias, uma das maiores defensoras no campo do direito homoafetivo na história desse país.


Outro livro interessante que li e que também tem essa característica foi Minoria Sexuais – Direitos e Preconceitos, organizado por Tereza Rodrigues Vieira e prefaciado por Marta Suplicy.


Um livro como Viagem Solitária, do João W. Nery, não permite que o leitor termine sua leitura sendo a mesma pessoa que era quando começou. Quem leu, descobriu um Brasil que não conhecia, ou seja, uma pátria amada que não foi, sob qualquer ponto de vista, mãe gentil para esse transhomem, assim como não tem sido para vários outros transexuais. Quem lê o relato de João fica sem saber se foi ele (o leitor) que se apropriou da narrativa ou se foi a narrativa que se apropriou dele. Isso me traz à mente uma velha verdade: Toda história bem contada provoca transformação, seja para melhor ou para pior. No caso do livro do João a mudança é para melhor, sem dúvida.


Sem dúvida alguma, devo muito do que penso às leituras e aos autores LGBT ou simpatizantes. Até mesmo as leituras anti-gay que fiz quando ainda estava envolvido com o fundamentalismo religioso (tempos obscuros) acabaram contribuindo – depois de minha própria superação da homofobia internalizada – para me dar uma visão melhor dos malefícios que esse mesmo fundamentalismo pode promover na vida dos indivíduos e da sociedade. Em suma, o que não me matou acabou me fortalecendo.


Atualmente (comecei nesta sexta 13 de julho de 2012), estou lendo Retratos do Brasil Homossexual – Fronteiras, Subjetividades e Desejos, organizado por Horácio Costa. Estou gostando muito. O livro que li imediatamente antes desse foi o já citado A Casa da Montanha, de Giselle Jacques, um romance que eu recomendo com entusiasmo, pois de tão bom que é, deixou-me triste, quando finalmente tive que me separar dos personagens ao término da leitura. Sem que eu percebesse, eles passaram a fazer parte da minha vida. Amei o texto!


A Literatura Gay pode ser panfletária e política?


Pode. E deve, desde que por política entendamos a arte de viver em paz com o outro. Mas não é possível ter paz enquanto as políticas públicas não forem igualitárias. Por isso, precisamos eliminar a desigualdade, a injustiça, a privação de direitos, especialmente dos direitos fundamentais. Nem todo o livro vai desempenhar esse papel, mas muitos livros podem fazê-lo com esmero.


Porém, precisamos tomar muito cuidado para que não sirvamos a meros interesses de partidos, os quais – no pior sentido – podem ser apenas instituições que almejam se manter no poder e que, para tanto, negociam até o fundamental. Já fomos vítimas dessa artimanha vezes o suficiente para sabermos que trata-se de sórdida sabotagem contra a causa da igualdade, tão cara aos cidadãos LGBT, adiando qualquer avanço republicano.


Se tratarmos de temas ligados ao direito e à política, que seja para promovermos o humanismo pleno, com foco principalmente (mesmo que não exclusivamente) sobre os direitos LGBT.


Contudo, é importante lembrar que a literatura chamada gay também deve entreter, surpreender, comover, divertir, informar, inspirar. Ela deve ser capaz de dialogar com todos e todas.


O que acha de gay ler Literatura gay?


Acho que a literatura com temática LGBT é um must para toda pessoa homoafetiva que se preze ou despreze (risos). Talvez para esta mais do que para aquela. Mas, não acho que gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais, etc. devam ler somente material voltado para esse segmento. Seria interessante ler de tudo, como eu disse antes. Mas, infelizmente, pelo que eu vejo, ainda tem muito LGBT que nunca leu um livro com essa temática. Além disso, muita gente diz que ama ler, mas não lê, de fato. Se eu fosse usar uma metáfora relacionada ao amor e ao sexo, eu diria que a maioria das pessoas nutre amor pelos livros, à distância, mas dificilmente trepam com eles. Existe, porém, uma minoria que não passa um dia sem dar ‘umazinha’ com um livro, mesmo que não haja amor envolvido. Eu mesmo já li muita coisa com a qual não me identificava, porque precisava me apoderar daquele conteúdo para pavimentar o terreno para novas ideias.


A Literatura Gay salva almas ou pessoas?


Depende do que se entende por salvar. Se por salvar, a gente quer dizer tirar a pessoa de um estado de subserviência imposta pela heteronormatividade, produzir perspectivas mais libertárias, romper com a uniformização de pensamento e comportamento imposta pela cultura homofóbica circundante, então a Literatura Gay – como você a designa – salva! Um livro com temática LGBT que seja bem escrito, produzido por autores ousados, cujo pensamento seja maduro e interdisciplinar, comprometido com a vida, com a liberdade e com a felicidade humanas pode mostrar-se realmente soteriológico do ponto de vista existencialista e humanista, mas sempre haverá uma parte que caberá apenas ao indivíduo: transformar esses impulsos para a vida em vida na prática.


Como você avalia seu trabalho como autor gay?


Partindo da resposta dos próprios leitores, eu diria que comecei bem (risos). Mesmo assim, acredito que ainda precise melhorar muito.


Tomando Em Busca de Mim Mesmo, que é um livro testemunhal, escrito por um homossexual, fico feliz em ver que ele tem sido apreciado por muita gente heterossexual. A maioria das pessoas diz que passou a ter uma compreensão maior do que significa ser gay numa sociedade ainda tão carregada de homofobia e hipocrisia como a nossa. O livro, porém, não tem nada de vitimizante. Ele é, acima de tudo, um testemunho de superação com forte apelo existencial.


Novos projetos?


Gostaria muito de publicar dois tipos bem diferentes de texto: contos e ensaios na área de filosofia política. Sobre os contos, fiz uma singela experiência publicando dois deles num site de e-books só para ver a reação dos leitores, e recebi feedback muito positivo. Quem desejar, poderá encontra-los aqui: http://www.foradoarmario.net/p/no-meio-da-vir-ilha-conto-por-sergio.html


Mas eu costumo ver a vida como aquilo que acontece a despeito de todos os planos. O imponderável está sempre à espreita. Por isso, muita coisa que faço acaba sendo resultado de uma vontade que tenta saber esperar o momento mais adequado. Nem sempre consegue. E não é exatamente isso que torna tudo mais emocionante?


Roberto Muniz Dias / Mestrando em Literatura pela UnB (Universidade de Brasília)

Fonte: http://www.todosiguais.com/?p=2821


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24 DE JULHO DE 2012


ENTREVISTA COM SERGIO VIULA: Responsável pela retirada dos livros de Silas Malafaia da AVON!



No dia 25 de junho, postei aqui uma matéria sobre a AVON ter deixado de vender os livros do pastor homofóbico Silas Malafaia [confira aqui]. Tentei entrar em contato com Sergio Viula, autor do abaixo assinado online da All Out em abril deste ano [2012], muito simpático, ele respondeu algumas perguntas que nos ajudam a entender o que houve, de fato.

Sergio foi pastor e se dedicou à cura de homossexuais. Ele participou da fundação do MOSES [Movimento pela Sexualidade Sadia] em 1997 e trabalhou nesta entidade tentando curar homossexuais até 2003. Segundo ele, esse tempo foi o bastante para entender que todo o esforço era vão:

“Este grupo pretendia ajudar pessoas homossexuais a se tornarem heterossexuais. De 1997 a 2003, eu vi o suficiente para saber que essa mudança não acontecia de fato, e somando-se a isso o tempo todo em que estive na igreja e fui pastor, posso dizer que nunca encontrei um caso de verdadeira mudança. Foi por isso que, em 2004, eu vim a público denunciar a falácia desse tipo de promessa. Isso aconteceu, porque a revista Época estava interessada em saber mais a respeito desse assunto, por causa de uma polêmica gerada por um deputado e pastor da Assembleia de Deus na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro”.

Quando perguntei sobre as motivações que o levou a questionar a empresa de cosméticos sobre a venda de livros homofóbicos do pastor Silas Malafaia, ele citou a homofobia e o empenho de Malafaia em criticar os homossexuais, o compromisso que a AVON selou pelos direitos humanos e a possibilidade de vender os seus livros, expondo as suas opiniões em outros espaços: “Primeiro, o fato de que esse pastor usa suas ferramentas midiáticas para espalhar preconceito contra os homossexuais... Segundo, a AVON firmou compromisso com o Human Rights Campaign que textualmente diz que ela não apoiará organizações que discriminem as pessoas por orientação sexual ou de gênero... Terceiro, o referido pastor pode vender seus livros através de suas igrejas, das livrarias evangélicas, de seu telemarketing, etc”.

Segundo alguns sites, a gota d’água foi o fato de Sergio ter encontrado no catálogo o livro A Estratégia: o plano dos homossexuais para transformar a sociedade. Porém, “isso foi um equívoco do jornalista que fez a entrevista. Eu não falei desse livro. O que eu disse é que o livro dele ‘Vínculos do Amor’ difamava a homossexualidade. Era esse livro que constava no catálogo daquele mês”. E brinca: “Quando eu tiver oportunidade de ler esse lixo sem gastar um centavo, lerei. Pode ter certeza. (risos)”.

Sergio acredita que existe uma conveniência silenciosa sobre conteúdos homofóbicos e que por isso os livros com esse teor preconceituoso deveriam estar fora do mercado. “Provavelmente, se fosse contra negros, judeus e índios, esse livro já teria sido banido”.

Certo juiz proibiu a venda do livro “Lampião: o mata sete”, porque trazia outra versão da vida do cangaceiro, apresentando um homem bissexual e apaixonado pelo mesmo homem que sua esposa, Maria Bonita, o teria traído. Esse é um exemplo fantástico para demonstrar a homofobia "nossa de cada dia". “De tudo o que Lampião fez na vida, amar um homem e uma mulher pode ter sido a única coisa que realmente mereça aplausos”. Já alguns livros da editora de Malafaia, “denigrem, difamam e incitam o ódio contra uma minoria já vulnerável na sociedade”.

Em 2006 Silas realizou uma manifestação diante do Congresso Nacional contra a lei que criminalizava a homofobia. Segundo ele, os relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo são a porta de entrada para a pedofilia. Em seu programa de tevê, ele disse que “Deveriam descer o porrete nesses homossexuais”, demonstrando o seu ódio, intolerância e incitando a violência contra os homossexuais. Ele respondeu processo, mas foi absolvido. “Não sei como um representante religioso pode dizer tamanha besteira. As estatísticas mostram que o número de meninas abusadas por homens é, de longe, maior do que o número de meninos abusados por homens. E ninguém dirá que a culpa é dos heterossexuais”.

Silas Malafaia é atualmente, um ícone religioso, super respeitado no Brasil. Porém, Sergio disse não ter medo de comprar a briga. “Minha indignação contra esse tipo de obscurantismo e homofobia é maior do que qualquer receio. Ele é muito midiático, espalhafatoso, mas existem muitos pastores que o desprezam. Isso sem falar em igrejas inteiras que jamais o convidariam para uma pregação”.

O companheiro de Sergio, Emanuel Façanha da Silva, era revendedor da AVON, reconhecido como “estrela”, e o fato de ter abandonado as vendas, por causa da presença dos livros veiculadores de mensagens homofóbicas, fez com que a empresa de cosméticos o procurasse para tentar fazer com que o vendedor voltasse a trabalhar com os produtos da empresa. Porém, até a data desta entrevista, Emanuel não tinha voltado. Ele “tem se dedicado à venda de produtos NATURA e outras marcas. Ele é maquiador profissional e as clientes dele sempre dizem que confiam nele. Ele trabalha com muita responsabilidade e, por isso, se ele oferecer outro produto, as clientes não hesitarão em experimentar”.

A AVON publicou uma nota pública no facebook, mas não comentou nada oficialmente sobre a retirada dos livros de Malafaia do catálogo de vendas. “A empresa nos escreveu, oferecendo uma explicação que me parece ser a resposta-padrão para qualquer impasse semelhante... A AVON tem mais de 125 anos de existência e nunca precisou dos livros do Malafaia para acumular riqueza, mas pode perder muito se tiver sua imagem permanentemente associada à homofobia e ao fanatismo”.

Já o site Gospel+ trouxe uma matéria divulgando uma nota de Silas Malafaia acerca do acorrido: “É importante esclarecer que em algumas quinzenas não sai propaganda do nosso produto. Isto é comum neste catálogo. Temos programação para até o final do ano, portanto, mais uma mentira e safadeza de ativistas gays, o que é bem peculiar do caráter deles”.

Enfim, mais um mês se passa e nada de livros de Malafaia na AVON. 


Fonte: http://www.leonardopires.com/2012/07/entrevista-com-sergio-viula-responsavel.html


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POR CECILIA GIANNETTI - 23 de outubro de 2012.


Os homossexuais, conforme retratados pelo livro “A Estratégia”


No debate político o assunto da cartilha anti-homofobia – acusado de fazer apologia à homossexualidade, em vez de prevenir a homofobia – foi antes um joguete às vésperas das eleições do segundo turno em São Paulo; em seguida foi deixado de lado, quando provou não ser capaz de mostrar nem um candidato nem o outro sob luz favorável. A discussão não funcionava bem para angariar votos.


Enquanto isso – o que não é de causar espanto, nesta conjuntura – um livro que atenta contra os direitos civis de homossexuais, bissexuais, transexuais e travestis. A Avon, que distribuía o livro, retirou-o de seu catálogo em junho, graças a protestos e a um abaixo-assinado que rapidamente se espalharam pelas redes sociais. Mas ainda está à venda em livrarias e lojas online.


Na Amazon, no espaço dedicado a críticas, clientes se declaram espantados com a presença do livro na loja, como o “Really Disgusted Costumer“, a seguir: [traduzido do inglês] “Eu não consigo acreditar que livros como este são publicados. Qualquer editor com um mínimo de bom senso deve perceber o quão perturbativamente ele é preconceituoso. Basicamente, é o mesmo tipo de discurso que surgiu contra negros após a Guerra Civil, basta substituir “negro” por “homossexuais”. Realmente perturbador e nojento.”


Assinado pelo pastor norte-americano e presidente da Traditional Values Coalition Louis Sheldon, e lançado no Brasil pela editora Central Gospel, do pastor Silas Malafaia (Assembleia de Deus Vitória em Cristo), “A Estratégia – O plano dos homossexuais para transformar a sociedade” (“The Agenda“) revela a fonte da qual Malafaia, o deputado federal Jair Bolsonaro e o senador Magno Malta, entre outros da mesma cepa, copiam seu discurso contra a comunidade LGBT.


“O discurso deles é um plágio descarado do livro (…) e de outros semelhantes e anteriores a esse,” afirma Sergio Viula, um dos fundadores do MOSES (Movimento pela Sexualidade Sadia) e autor do livro “Em busca de mim mesmo”.


Plágio é o menor dos problemas em relação à “Estratégia” propagada pelos pastores. Vale a palhinha:


O livro começa retratando gays em geral como gente perigosamente promíscua, muito fã de saunas onde o sexo rola solto. Mas o que será que acontece em casas de massagem, casas de prostituição e clubes de troca de casais para heterossexuais, que também têm seu público numeroso e cativo? Ora bolas, a heterossexualidade também possui variadas opções de espaços de recreação sexual. Porém, “A Estratégia” retrata os gays como os únicos tarados do pedaço. O que, aliás, não diz nada sobre sexualidade em si.


Mas é assim que esse livro joga.


Na página 6, o pastor Louis Sheldon equipara os gays a terroristas:


“Não são apenas os terroristas estrangeiros que devemos temer hoje. Os radicais mais perigosos que ameaçam nosso estilo de vida são aqueles que vivem entre nós. Eles já têm posições privilegiadas no governo, nos tribunais e em nossas escolas e faculdades, e até mesmo no mundo dos negócios, e você pode ter certeza de que eles nos destruirão se não tomarmos medidas para derrotar o movimento radical deles agora.”


Para o autor de “A Estratégia”, os gays são piores do que terroristas e devem ser derrotados se a sociedade quiser viver em segurança. Tal discurso é um discurso de ódio. E qualquer publicação que propaga e incita discurso de ódio merece ao menos uma investigação e algumas denúncias ao Ministério Público.


Na página 19, Sheldon declara guerra, oficialmente, contra os homossexuais, empregando terminologia de guerra, como relata Luiz Henrique Coletto, presidente do Conselho LGBT da Liga Humanista Secular do Brasil, que comprou o livro para estudá-lo e rebater o discurso do autor em um vídeo veiculado no Youtube, com algo que o texto original do pastor não possui: lógica.


“A Estratégia” afirma que “O debate moral a que políticos e analistas de pesquisas de opinião se referem como guerra cultural na América é uma guerra verdadeira no sentido restrito da palavra, o resultado é que estamos engajados em uma luta de vida ou morte, com batalhas ferozes, baixas verdadeiras, e consequências muito reais para nós, que abracamos uma compreensão tradicional de fé, família e liberdade, o desafio não poderia ser maior.”


É uma guerra declarada e os gays são os terroristas.


Na página 35 o pastor Louis Sheldon afirma que “por quase toda uma década a mídia liberal tem alardeado a notícia de que pesquisadores encontraram a prova de que a homossexualidade é inata, genética e um comportamento normal entre considerável porcentagem da população.” O livro renega tais descobertas científicas.


“A Estratégia” é construído também em cima de várias distorções propositais.


Uma dessas distorções diz respeito a uma sátira publicada originalmente no Gay Community News, em fevereiro de 1987, intitulado “The Gay Manifesto“. O autor do suposto “Manifesto” usou de um humor agressivo ao retratar a visão homofóbica de grupos anti-gay. O humor agressivo foi o estilo escolhido pelo autor para colocar-se na posição extremista em que tais grupos enxergam e retratam os homossexuais e obter um efeito cômico que demonstrasse, na própria escolha de suas palavras, o absurdo das teorias homofóbicas:


“Nós vamos sodomizar os seus filhos, símbolo de sua frágil masculinidade, de seus sonhos superficiais e mentiras vulgares, vamos seduzi-los em suas escolas, em suas repúblicas, em seus ginásios, em seus vestiários, em suas arenas de esporte, em seus seminários, em seus grupos de jovens, nos banheiros dos seus cinemas, nos alojamentos dos seus exércitos, nas paradas de seus caminhões, em todos os seus clubes masculinos, em todas as suas sessões plenárias, em todos os lugares onde homens estejam juntos com outros homens. Seus filhos se tornarão nossos subordinados e farão tudo o que dissermos. Serão remodelados à nossa imagem. Eles (…) nos adorarão.”


O livro de Sheldon retira o texto publicado pela Gay Community News do contexto da sátira e o apresenta como um ataque dos gays contra a sociedade, acusando-o de fazer ameaças reais. O texto em questão tem sido reproduzido pela internet como se fosse literal, e não um deboche ao radicalismo próprio dos grupos anti-gays, como o que é liderado pelo pastor.


Na página 9, prega que a homossexualidade mata mais do que a heterossexualidade, citando dados de 1988 relacionados a mortes por HIV. (O que nada prova contra a homossexualidade.) Como lembra Coletto, os números atuais são muito diferentes e não serviriam à pregação do pastor:


“Dados do Ministério da Saúde do Brasil (2011/2012) afirmam que os homens jovens que praticam sexo com outros homens jovens usam camisinha 2.2 vezes mais do que os heterossexuais jovens em relações casuais. Nos últimos dez anos observa-se redução de 11.1 % na mortalidade por AIDS no Brasil, graças a políticas de divulgação do sexo seguro (…).”


Para Coletto, “isso tem que ser analisado sob o ponto de vista sociológico também. A homossexualidade não coloca o gay em risco. Mas a maneira como ele vive a sua homossexualidade pode colocá-lo em risco. Por exemplo: um jovem gay com parceiro fixo e ambos sejam saudáveis, e praticam sexo com camisinha, correm risco praticamente zero. O jovem heterosseuxal que vai a um baile funk e transa com várias meninas na mesma noite sem usar camisinha, só naquela história de “baixa a sainha”, corre muito mais risco. Mas isso não diz nada sobre a homossexualidade ou a heterossexualidade. Isso diz respeito à maneira como as pessoas vivem a sua sexualidade.”


Outro exemplo de questão que “A Estratégia” levanta como argumento e do qual não há provas: não há qualquer evidência de que Sodoma e Gomorra – que o autor de “A Estratégia” considera fato histórico – sucumbiram à destruição por conta de atos de homossexuais. O pastor usa esse mito como prova de que Deus reprova a homossexualidade. “Mito não pode servir para fazer política pública,” lembra Coletto.


Tais são os argumentos do pastor.




Em seu vídeo, Coletto cita dados de uma resolução da APA – Associação Psicológica Americana a respeito da homossexualidade que valem ser ressaltados:


“O consenso de longa data (desde 1975) das ciências sociais e comportamentais, de saúde mental e de profissionais de saúde, é que a homossexualidade em si é uma variação normal e positiva da orientação sexual humana e identidade. A homossexualidade por si não é uma desordem mental. A APA tem se oposto ao estigma, preconceito, discriminação e violência baseados em orientação sexual e tem tomado posição de liderança em apoiar os direitos iguais de LGBT. (…) A APA reafirma sua posição de que a homossexualidade por si não é uma desordem mental e se opõe a retratos da minoria sexual jovem e adulta como mentalmente doente devido a sua orientação sexual.”


E aí, MPF?


***


p.s.: O livro “A Estratégia” tem uma página no Facebook esperando a sua denúncia por “Discurso de violência direcionado a gênero ou orientação”: https://www.facebook.com/pages/A-Estrat%C3%A9gia-O-plano-dos-homossexuais-para-transformar-a-sociedade/421335444545028 


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Revista H





PESSOAL, esse mortal aprontou mais uma. Falei sobre paternidade gay à revista H (Homem de Verdade) número 05. A revista é nova e está se consolidando no mercado editorial, mas desde a primeira (eu tenho!) está fazendo um trabalho excelente!


Confiram essa edição! Já nas bancas.



Meus agradecimentos a André Fischer (editor), Felipe Dias (entrevistador) e Sergio Santoian (fotógrafo)




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CONEXÃO JORNALISMO

Página com duas entrevistas minhas (uma em vídeo e outra em podcast). São entervistas diferentes. A do vídeo trata da "cura gay" e do podcast toca nesse assunto, mas fala principalmente de Marco Feliciano na Comissão de Direitos Humanos e na sucessão Papal.

Confira:


Terça-feira, 12 de Março de 2013
Gay e ex-pastor condena homofobia no interior das religiões 


Por Gabriela Vasconcellos



Ex pastor gay, Sergio Viula 



Apesar de ser uma questão muito antiga, o embate entre religião e homossexualidade está vindo à tona principalmente nestas duas últimas semanas, tanto no cenário nacional quanto no internacional.


No Brasil, a problemática envolve o pastor Marco Feliciano (PSC-SP), indicado para presidir a Comissão de Direitos Humanos da Câmara e acusado de ser racista e homofóbico.


No cenário internacional, em plena época de conclave, onde o novo líder da Igreja Católica será escolhido, cresce a expectativa que o novo Pontífice abra os horizontes da Igreja para a questão que já gerou tanta polêmica e envolve, inclusive, a saída de Bento XVI. 


Às vésperas do início do conclave, mais uma bomba estourou no Vaticano. O jornal "Independent” denunciou o investimento de 23 milhões de libras em um condomínio de luxo que abriga a maior sauna gay da Europa.


O Conexão jornalismo entrevistou o teólogo, ex-pastor da Igreja Batista, Sérgio Viula, que dedicou 18 anos da sua vida a “curar” gays. Hoje, homossexual assumido e ativista da causa, tem fortes posicionamentos acerca das duas questões.


Sérgio considera inaceitável que o pastor Marco Feliciano assuma o cargo de presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. Segundo ele, existem duas questões fundamentais a serem defendidas na comissão: a primeira, a defesa da vida do homossexual, e a segunda grande bandeira é a do casamento gay. Questões essas que dificilmente seriam defendidas pela bancada religiosa. 


“Quanto mais gente espancada, quanto mais gente morta por ser gay, mais eles vão reforçar a mensagem de que é impossível ser gay e ser feliz. Eles estão ali para impedir o avanço do direito”, afirma. 


Sobre a questão da “cura gay”, comprovado cientificamente que não existe, Sergio afirma que em 18 anos de igreja, nunca viu uma pessoa “curada”. 

“Isso não passa de charlatanismo. Porque quando você diz que uma coisa é doença só para vender o remédio, você não passa de um tremendo trapaceiro”, diz ele, referindo-se a Feliciano.


Já no que toca a Igreja Católica, Sergio acredita que um primeiro passo seria a escolha de um Papa que fosse mais simpático às questões homossexuais. Segundo ele, o Pontífice, como líder religioso e político, precisa abrir os olhos para atender as demandas da sociedade, que hoje discute muito mais a questão da homofobia e, mais do que isso, discute de outra forma.
Ouça aqui a entrevista de Gabriela Vasconcellos com Sergio Viula no próprio site do Conexão Jornalismo.


Fonte: http://www.conexaojornalismo.com.br/colunas/astral/religiao/ex-pastor-gay-condena-homofobia-no-interior-das-religioes--63-7558


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HOLANDA

IDAHO - HOLAND - INTERVIEW TO A DUTCH MAGAZINE. CHECK LINK, PLEASE.



Só para compartilhar, essa revista online holandesa (disponível só para assinantes), publicou uma citação minha hoje em comemoração ao Dia Internacional de Combate à Homofobia (IDAHO): http://www.denieuwepers.com/nederland-steekt-braziliaanse-homos-en-lesbiennes-hart-onder-de-riem/


Eles me perguntaram o que eu achava do hasteamento da bandeira do arco-íris em frente à Embaixada da Holanda em Brasília. Minha resposta foi: "Essa iniciativa é maravilhosa. O Brasil precisa se espelhar em países pioneiros na igualdade de direitos da sexodiversidade. A Holanda tem sido um exemplo desde que aprovou o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Nenhum país até então havia feito isso. Foi um marco histórico e o início de uma mudança de paradigma no direito. Fico feliz em saber que a nação holandesa não apenas inclui, mas celebra a sexodiversidade. Queremos ver o dia em nossa presidente e nossos congressistas trabalharão pela inclusão tanto quanto nosso Judiciário. Parabéns a Holanda pelo vanguardismo. Hoje mesmo colocarei esse post no www.foradoarmario.net."




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No Blog da Folha (PE), uma entrevista minha publicada hoje sobre o infame projeto de "cura gay" do Dep. João Campos.

Recife, 09 de Junho de 2013


POLÍTICA



Ex-ex-gay não acredita em tratamentos para cura gay

Publicado por Maurício Júnior, em 9.06.2013 às 12:31


O teólogo (ex-pastor da Igreja Batista), filósofo, autor e hoje professor de inglês Sergio Viula conviveu na pele com o sofrimento de ter que esconder sua homossexualidade por 14 anos. Optou pelo caminho que muitos gays preferem seguir com medo da reprovação social – casar e construir família contra a sua vontade.

Lei polêmica quer permitir psicólogos ‘curando’ gays

Conselho Federal de Psicologia vê retrocesso

Deputado pernambucano solicita aprovação de projeto

Papo com o Blog: pode existir a “cura gay”?

Feliciano defende tramitação do projeto ‘cura gay’

Psicólogos defendem o cuidado

Votação marcada para última semana foi adiada



No período em que precisou ‘entrar no armário’, Viula não só buscou ajuda dos ditos “psicólogos cristãos” como também foi um dos fundadores do Movimento pela Sexualidade Sadia – organização criada em 1997.


“Durante todo o tempo em que convivi nesse ambiente, nunca vi qualquer pessoa que tivesse realmente mudado sua afetividade/desejo. Pelo contrário, algumas desenvolveram sentimentos e comportamentos egodistônicos e depressivos”, disse em entrevista ao Blog da Folha.


Depois de reassumir sua opção sexual, Sérgio criou um blog sobre essa temática – (www.foradoarmario.net). Confira entrevista concedida ao nosso blog.


1- Você concorda com o projeto da cura gay?


Não concordo, porque trata-se de um projeto de proselitismo religioso que pretende silenciar os homossexuais através da patologização de sua afetividade. O interesse é tirar a diversidade sexual da arena pública e devolvê-la ao manicômio onde já esteve confinada, graças ao fundamentalismo religioso e ao conservadorismo heterossexista. Não tem qualquer base científica.


2- Você acha que pode existir a cura gay? Qual o motivo?


Não. Primeiro, ser gay é tão natural quanto ser heterossexual ou bissexual. Pode até haver doença sem cura, mas jamais cura para o que não é doença.


3- Você se declara homossexual. Como foi trabalhar isso? Fácil, difícil? Teve o apoio da família?


Não foi fácil me assumir como homossexual, primeiro por causa do bullying sofrido na escola, depois pela total falta de apoio da família, que ignorava tudo o que dissesse respeito à diversidade da sexualidade humana. E, por fim, tudo isso era realçado pela homofobia embutida nas pregações religiosas, primeiro no Catolicismo e depois no Protestantismo. Isso não tem nada a ver com a homossexualidade em si, mas ao modo como desde cedo ouvimos as pessoas mais conservadoras referirem-se a ela. Depois de um casamento de 14 anos, uma jornada de 18 anos no evangelicalismo, incluindo atuação junto a “ministérios de cura gay” e ministério pastoral, saí do armário. Isso se deu há 10 anos e só foi possível porque percebi que já era hora de assumir as rédeas da minha vida e andar por mim mesmo, sem o peso morto dos preconceitos reforçados por pessoas ou instituições homofóbicas.


4- Você procurou ajuda psicológica? Pensou alguma vez em buscar se curar do fato de ser homossexual?


Sim. Não só busquei ajuda dos ditos “psicólogos cristãos” como também fui um dos fundadores do Movimento pela Sexualidade Sadia – organização criada em 1997. Durante todo o tempo em que convivi nesse ambiente, nunca vi qualquer pessoa que tivesse realmente mudado sua afetividade/desejo. Pelo contrário, algumas desenvolveram sentimentos e comportamentos egodistônicos e depressivos. Dessa experiência, nasceu o livro Em Busca de Mim Mesmo, no qual descrevo minha trajetória e alerto para os riscos do envolvimento com esse tipo de “grupos de terapia gay.”


Fonte:  http://www.folhape.com.br/blogdafolha/?p=104002


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HOLANDA

My Dutch friends (and those who speak Dutch) may like it: http://www.denieuwepers.com/van-predikant-tot-homoactivist/ 

To read all the magazine article one needs to subscribe, but it's possible to read the begining for free. Have a look, fellows. :)

Donderdag 18.07.13

Van predikant tot homoactivist

Tekst Alex Hijmans15 uur geleden


Sergio Viula. Beeld: Alex Hijmans 




INTERVIEW // Jarenlang probeerde hij als predikant van een Braziliaanse baptistengemeente homo’s te ‘redden’, tot hij zelf tijdens een evangelisch congres in Singapore door een Filipijn gered werd. Een gesprek met vooraanstaand homoactivist Sergio Viula. 

Homo’s ‘genezen’ – het klinkt even absurd als achterhaald. Maar vorige maand nog sneuvelde er in Brazilië een wetsvoorstel dat psychiaters weer in staat zou hebben gesteld om homo’s en lesbiennes voor hun ‘ziekte’ te behandelen. Dat soort kuurtjes is sinds 1999 verboden.Homo’s ‘redden’ mag wel. Evangelisch-christelijke kerken, in Brazilië de laatste twintig jaar bezig aan een enorme opmars, hebben er zelfs speciale brigades voor. Daarvan richtte Sergio Viula (44) er hoogstpersoonlijk een op. “Tijdens de gay parade stond ik zieltjes te winnen,” vertelt hij. “In bars en discotheken lokte ik homo’s en lesbiennes naar evangelische bijeenkomsten.” Het doel van de mede door Viula opgerichte ‘Beweging voor Gezonde Seksualiteit’ Moses, die nog steeds actief is: homoseksuelen bekeren en op die manier tot ‘gezonde’ heteroseksuelen omtoveren.Van katholiek jochie tot baptistenpredikantViula, een geboren en getogen Carioca, groeide zoals de meeste Brazilianen van zijn generatie op in een traditioneel katholiek gezin. Maar toen hij vijftien was ging hij met een vriend mee naar een pinkstergemeente – en wat hij daar zag sprak hem aan. Zodanig zelfs dat hij zich nog hetzelfde jaar bekeerde en dat de rest van zijn familie zijn voorbeeld volgde. “In die tijd waren er in Brazilië bijna geen protestanten. We – ik zeg nog steeds ‘we’, want ik maakte nu eenmaal…

Wil je toegang tot het hele artikel?



Alex Hijmans

Brazilië van binnenuit Alex Hijmans (1975) is internationaal correspondent en schrijver. Zijn standplaats is Salvador, de derde stad van Brazilië, waar hij in een volksbuurt woont en verder kijkt dan voetbal, samba en zogenaamde Wirtschaftswunderen. Hij schrijft, net zoals weleer voor de papieren De Pers, journalistieke reportages en persoonlijke columns. Met veel beeld en altijd met de blik van een local.


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Aantal zwarte geweldsdoden Brazilië stijgt schrikbarend


Fonte: http://www.denieuwepers.com/van-predikant-tot-homoactivist/ 



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IRLANDA

GCN - IRISH LGBT MAGAZINE - ISSUES AN INTERVIEW WITH SERGIO VIULA (BY ALEX HIJMANS) 


In the first semester of 2013, I was interviewed by Alex Hijmans, a Dutch journalist who lives in Brazil. The interview was first issued in the July's edition of DNP Magazine, exclusively to subscribers. 


Now, it's possible to read the interview in the November's edition of the Irish LGBT magazine GCN. The text is on page 31 and 32 of the magazine. 


Just flicker through the magazine here: You will find it here for free: GCN - http://edition.pagesuite-professional.co.uk/launch.aspx?eid=0dc24d50-7171-4b26-805d-9babf5891862 



DNP issued the interview in the Netherlands (only for subscribers) here: http://www.denieuwepers.com/van-predikant-tot-homoactivist/

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Dia 17 de novembro de 2013



REVISTA DO CORREIO - edição 444: Renascer masculino As histórias de cinco homens que, após constituir família em casamentos heterossexuais duradouros, tiveram a coragem de assumir a verdadeira sexualidade 


REPORTAGEM DE CAPA » Renascer masculino - As histórias de cinco homens que, após constituir família em casamentos heterossexuais duradouros, tiveram a coragem de assumir a verdadeira sexualidade 


Rafael Campos
Publicação: 17/11/2013 08:00 Atualização: 15/11/2013 17:59 


Família. Há poucas palavras mais carregadas de significados que essa. E que tenha sofrido tantas mudanças em sua concepção através do tempo. O que antes era formado por um homem, uma mulher e seus filhos, hoje assume configurações que dão conta até mesmo de grupos de amigos que decidem viver juntos. Mas a busca pelo modelo tradicional ainda é constante.

Os avanços nos direitos dos homossexuais ainda não conseguiram amainar por completo os preconceitos que envolvem a atitude de sair do armário. Dessa forma, ainda são milhares os homens que, na ânsia por uma determinada imagem familiar, eclipsam a própria sexualidade. Eles se casam, têm filhos, mas não veem seus desejos indo embora. Acabam enredados em uma angústia que leva tempo para passar.

"Muitos homens se dão conta, quando se percebem num casamento apenas social, que isso não é justo — nem para eles nem para as mulheres com quem constituíram família, muito menos para os filhos, que merecem saber que o pai não é heterossexual e não precisam se envergonhar disso", explica Vera Moris, psicoterapeuta especializada em paternidade homoafetiva e criadora do Homopater, um grupo que reúne pais gays cujos filhos nasceram de relações heterossexuais.

As histórias dos homens que venceram preconceitos e contaram aos filhos as suas verdades mostram que a paternidade não está vinculada ao que os casais — hetero ou homossexuais — fazem no quarto. O sentimento de ser responsável por uma vida não permite conflitos decorrentes da orientação sexual. E, quando decidem ser verdadeiros com aqueles que mais amam, têm a certeza de que fizeram escolhas certas: na hora de ter filhos e, depois, de contar a eles que eram gays.

"Para realizar esse grande feito — mostrar ao filho quem ele é —, o homem tem que ser muito forte, convicto, seguro de que ele pode, sim, ser um homem e pai, pode ser admirado, amado e respeitado, embora sua orientação não seja heterossexual", completa Vera. Nas próximas páginas, cinco desses pais contam como foi revelar a homossexualidade à prole e o quanto a vida deles mudou após essa decisão.

Os outros três presentes se entreolharam. Isaac exigia uma resposta. Sérgio pegou na mão dele e o levou para um passeio. Era a hora inevitável de falar tudo. Com calma, sem meias-verdades, Sérgio explicou ao filho toda sua história, sempre reforçando o amor que sentia por ele. Ao fim da conversa, Isaac o olhou com certa tristeza, o que deixou o pai temeroso. "Pensei que ele estivesse com vergonha de mim. Até que ele me disse que teria um problema: ‘Pai, eu gosto mesmo é de meninas’. Ri muito e disse que ele poderia gostar do que quisesse e eu o respeitaria".

Hoje, com os dois filhos adultos, tanto Sérgio quanto eles sabem que, de fato, não importa se um pai é hétero ou homossexual. O amor paterno está acima das diferenças. Mas o escritor precisou de 34 anos para aceitar isso. "Sempre tive ciência de que eu era diferente, mesmo sem conseguir nomear. Tanto a família quanto a escola me retraíram e acabei me envolvendo com igrejas evangélicas na expectativa de controlar meus desejos homossexuais."

Ao buscar o divino, Sérgio esperava encontrar um sentido numa vida que ele considerava errada. Quando se tornou evangélico, viu-se com dois caminhos: o celibato ou o casamento heterossexual. Sua dificuldade em aceitar a si mesmo era tanta que o escritor chegou a se envolver profundamente com um grupo que visava trazer homossexuais para a igreja na intenção de "curá-los". "Ele se chamava Movimento pela Sexualidade Sadia. Veja só o preconceito. Fiz parte dele entre 1997 e 2003." Aos 18 anos, conheceu a ex-mulher. Aos 20, casaram-se.

Por 14 anos, ele viveu um relacionamento que o fazia sentir culpa diariamente. Os filhos, de certa forma, eram um alento. Contudo, em uma viagem religiosa para Singapura, ficou um mês longe de casa e acabou tendo uma noite com outro homem. Depois disso, chegou ao seu limite — foi quando pediu separação e contou para a família e para os membros da igreja que era homossexual. A enxurrada de preconceitos estava por vir. No auge da crise, o gesto mais sensato veio da filha, então com 11 anos. "Pai, por que está todo mundo contra você? Todos deveriam te amar do jeito que você é", disse Larissa.

Era o que Sérgio precisava. Colocou a filha no colo e contou toda sua vida, desde a infância. "Quando terminei, perguntei o que ela estava sentindo. Ela me respondeu: ‘Estou sentindo o quanto você sofreu’." A partir daí, a influência que sua sexualidade teve nas suas relações com as outras pessoas foi mínima. E, de acordo com Sérgio, a própria família percebeu que ele sempre fora pai e mãe, participando ativamente de todos os momentos deles. "Hoje, minha filha mora na casa acima da minha e do meu marido. E meu filho mora com a minha mãe, na casa dos fundos. Estamos todos juntos."

Sérgio acredita que, somente ao sair do armário, pôde se dar conta do quanto ter filhos é uma decisão que deve ser pensada, seja qual for a sexualidade do casal. "Criamos expectativas demais e devemos ficar felizes só de pensar que eles nasceram totalmente saudáveis. Seja você gay, seja hetero, isso não vai mudar a forma como você cuidará do seu filho." 

Larissa e Isaac são heterossexuais e, quando apresentam o pai aos amigos ou namorados, deixam claro que ele é gay. Ele acredita que isso demonstra não só que eles estão bem com a orientação sexual do genitor, mas que estão dispostos a não reproduzir preconceitos caso desejem ter sua prole. "Antes de ter uma criança, racionalize o que você espera dela. Só tenha um filho se você puder cuidar dele. Seja qual for a sua sexualidade", pondera o escritor. 

Larissa, hoje com 21 anos, conseguiu atravessar a adolescência protegida de bullying graças, em parte, à sua franqueza. "Cheguei na escola e contei para todas as minhas amigas. Elas se assustaram, mas nunca fizeram qualquer comentário ruim, até porque sempre deixei bem claro o quanto eu tenho orgulho do meu pai." Para a consultora, a única diferença entre ter sido criada por um pai homossexual é que, tanto ela quanto o irmão, cresceram em um ambiente bem mais tolerante. "Nós aprendemos a respeitar muito mais as pessoas porque olhamos o próximo da mesma forma como olhamos para nós mesmos", acredita a jovem. 

Leia a reportagem completa na edição nº 444 da Revista do Correio.


Fonte: http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/revista/2013/11/17/interna_revista_correio,398767/renascer-masculino.shtml


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Mães pela igualdade protestam no Rio contra assassinatos por homofobia


31 de Janeiro de 2014•22h48 • atualizado às 22h50 

Mães pela igualdade protestam no Rio contra assassinatos por homofobia 


A manifestação na Cinelândia, no Rio, pediu a criminalização da homofobiaFoto: Fernando Frazão / Agência Brasil



O grupo Mães pela Igualdade se reuniu nesta sexta-feira na escadaria da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, na Cinelândia, centro da cidade, para protestar contra os assassinatos de 39 pessoas por crime de homofobia somente em janeiro. Com cartazes e uma enorme bandeira com as cores do arco-íris, os manifestantes exigiram a criminalização do ódio contra gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros (LGBTs). Uma das integrantes do grupo, composto por mães de pessoas LGBTs, Georgina Martins, explicou que este foi o primeiro ato que elas organizaram desde a criação do movimento, em 2011.

“É um absurdo, em menos de um mês, 39 assassinatos de pessoas LGBTs. Queremos que o crime de homofobia seja tipificado como crime e sairemos para a rua com mais frequência”, disse ela, ao informar que a prefeitura vai disponibilizar um espaço para servir de sede para atendimento para pais e mães que têm dificuldade para aceitar a condição sexual dos filhos ou que precisam de apoio.

O filho de Georgina, Camilo Martins, explicou que os assassinatos são sempre extremamente violentos e agressivos. “A gente fica muito mexido com isso, pois a pessoa não leva um tiro, ela é enforcada, apedrejada, morta a facadas, então realmente é muito ódio, muita frieza, que não dá para entender”, disse.

O blogueiro Sérgio Viula e ativista da causa LGBT contou sobre casos em que as vítimas tiveram o pênis cortado e objetos penetrados nos orifícios tanto de homens quanto de mulheres. "Alguns foram violentados antes, estrangulados, são coisas bem chocantes", narrou.

Dados coletados por integrantes do Grupo Gay da Bahia (GGB) apontam que o Brasil concentrava 44% de todas os casos de homofobia letal no mundo em 2013. "Os números superam os de países que têm leis que perseguem homossexuais, como Uganda, Nigéria e Rússia", ressaltou Viula.

Para o casal Fernanda de Moura e Gisleide Gonçalves, que passava pela manifestação e decidiu permanecer com o grupo, a maioria das práticas de preconceito não mata, mas são extremamente danosas. "Não é só a questão do assassinato, é o dia a dia. Os olhares, as piadas, a mídia. Claro que o pior é quando acaba com assassinato, mas não é só isso que sofremos cotidianamente", declarou Gisleide, que é diretora de escola. "Precisamos de investimento em educação, como formação de professores onde abram o debate sobre a questão da sexualidade dentro da escola, tem que começar na base."

Para Kelly de Mendonça Bandeira, que é mãe de um rapaz homossexual de 23 anos, é preciso conscientizar também as famílias contra o preconceito. "Como mãe que já foi preconceituosa, estou aqui justamente dizendo que o amor transforma, de verdade. Quando meu filho me contou eu não aceitei, mas o amor me transformou", disse. 

O advogado Sérgio Roque passava pela Cinelândia e parou para ler os cartazes. "Acho importante, pois é uma forma de denunciar o que está acontecendo e cobrar políticas públicas sociais que possam agregar, incluir e conscientizar e pressionar a Justiça a receber esses casos e punir com rigor", disse.

Agência Brasil

Site Terra: 
http://noticias.terra.com.br/brasil/cidades/,ee18c4f35aae3410VgnCLD2000000ec6eb0aRCRD.html


Outras matérias com teor semelhante sobre a manifestação das Mães Pela Igualdade: 


1. http://www.ebc.com.br/cidadania/2014/01/maes-pela-igualdade-protestam-no-rio-contra-assassinatos-por-homofobia

2. http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_secao=8&id_noticia=235014



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Equilíbrio

Ser gay não é uma escolha e é tão natural quanto ser heterossexual


Yannik D'Elboux

Do UOL, no Rio de Janeiro

14/01/201507h06


Caio Borges/UOL 

Se ser gay fosse uma escolha, ninguém optaria por isso devido ao preconceito


Até a década de 1970, a homossexualidade era considerada doença. Foi somente em 1973 que o homossexualismo, palavra antigamente usada para designar a condição, deixou de figurar na lista de transtornos mentais da Associação Americana de Psiquiatria. A OMS (Organização Mundial de Saúde) retirou a homossexualidade da classificação internacional de doenças somente em 1990.

Apesar dos avanços no sentido de considerá-la apenas como parte da variabilidade humana, ainda existe preconceito e pessoas que acreditam que ser gay ou não é uma questão de escolha. A ciência busca respostas no DNA.

Segundo o psiquiatra e pesquisador norte-americano Alan Sanders, da Universidade de Chicago e do Instituto de Pesquisa Northshore University HealthSystem, em Illinois, nos Estados Unidos, a contribuição genética representa de 30% a 40% da influência na orientação sexual masculina. Resultados similares foram encontrados em relação à sexualidade feminina, porém do ponto de vista genético, nesse caso, homens e mulheres são investigados separadamente.

Sanders explica que essa conclusão veio de estudos anteriores com gêmeos idênticos, em que a probabilidade da orientação sexual ser a mesma é maior. Em sua pesquisa com 409 pares de irmãos homossexuais, a mais ampla realizada até agora, publicada este ano, o psiquiatra e geneticista buscou mapear as regiões no DNA que possam estar ligadas à sexualidade. "Encontramos duas regiões de cromossomos com genes que influenciam a orientação sexual masculina", revela.


A cantora Daniela Mercury postou na rede social Instagram fotos com a jornalista Malu Verçosa e escreveu: "Malu agora é minha esposa, minha família, minha inspiração pra cantar" Jose Sena Goulao/EPA/EFE

Para o pesquisador, mesmo com esses resultados, ainda há muito a se descobrir acerca do desenvolvimento da sexualidade humana. "A informação que temos até agora aponta para influências biológicas, que não é uma escolha do indivíduo, não há como escolher vou ser hétero ou gay", diz Alan Sanders.

O psicólogo Marcos Roberto Vieira Garcia, professor da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), campus Sorocaba, e membro da Comissão de Direitos Humanos do CFP (Conselho Federal de Psicologia), também defende que a orientação sexual não é passível de escolha. Garcia afirma que há várias teorias a respeito do desenvolvimento da sexualidade, entretanto o que mais se admite atualmente é a existência de múltiplos fatores, de biológicos a ambientais.

Porém, na opinião do psicólogo, um elemento muito mais simples demonstra que ser gay não configura uma opção. "Ser homossexual na nossa sociedade é um caminho mais difícil. Há ainda discriminação e preconceito. Se fosse uma escolha, as pessoas não escolheriam ser homossexual", constata.
Desejo e conversão

A homossexualidade, tanto masculina quanto feminina, manifesta-se a partir do desejo, que pode surgir em diferentes fases da vida. Para o psicólogo Ageu Heringer Lisboa, integrante do CPPC (Corpo de Psicólogos e Psiquiatras Cristãos), esse aspecto não é suficiente para determinar a vida sexual de alguém. "O desejo é uma variável, mas há outras, como a razão, a ética e os valores", diz.

Lisboa acredita que a identidade sexual resulta de uma construção que conjuga uma série de fatores: educacionais, culturais, emocionais, familiares, eventuais experiências precoces, entre outros, inclusive de natureza inconsciente. Contudo, o psicólogo do CPPC não enxerga essa construção como definitiva. "Acredito que as pessoas, por questões filosóficas, valores e crenças particulares podem se definir na vida de muitos modos", fala. 


Marcos Garcia também não vê a orientação sexual como permanente e imutável, entretanto observa que não depende da vontade da pessoa. "Pode mudar no decorrer da vida, mas não é algo sujeito a uma escolha consciente", analisa o professor da UFSCar.

O professor de inglês, filósofo e téologo Sergio Viula, 45 anos, do Rio de Janeiro (RJ), bem que tentou de todas as formas possíveis controlar seu desejo homossexual, percebido por ele na infância, e viver como heterossexual. Viula converteu-se a uma religião evangélica, casou-se com uma mulher, teve dois filhos e atuou até como pastor por nove anos, quando fundou um movimento que pregava a "cura gay".




"Eu quis mudar. (...) E eu passei a acreditar que podia casar e ser fiel à minha mulher", conta o professor em entrevista ao UOL Comportamento sobre sua história.

Depois de 12 anos de casamento, Viula resolveu se separar e admitir sua verdadeira orientação sexual para si mesmo e para a família.

"Isso é algo que não muda. Ou você 'sai do armário' [assumir a homossexualidade] e paga o preço de enfrentar todo mundo e viver mais feliz ou fica no armário e também paga o preço, que é mais alto, de ficar fingindo, se escondendo o tempo todo e vivendo duplamente", diz.

"É difícil se aceitar gay. Depois, é mais difícil ainda contar para a família e para as pessoas que a gente ama. Mas é necessário. Este processo geralmente começa na adolescência, enquanto ainda acreditamos que o mundo se resume ao nosso umbigo, e com a idade e a maturidade muita gente --e eu me incluo aí-- percebe que esse é um detalhe da nossa personalidade que, em tese, não deveria ser relevante para o resto da sociedade, mas é. E a luta por direitos iguais começa a se fazer necessária. Revelar-se gay para a família, os amigos, os colegas de trabalho, enfim, para todos os círculos sociais, é importante para desmitificar o estigma do que é ser gay, para mostrar que não somos tão minoria assim e que somos humanos, com erros e acertos, como todo mundo", Ana Angélica Martins, jornalista conhecida como Morango, ex -BBB Photo Rio News

Cura?

Por não fazer parte do desejo dominante, em que prevalece a atração pelo sexo oposto, houve ao longo da história no mundo todo tentativas de converter os homossexuais à heterossexualidade, por meio de terapias que iam de orientação psicológica a choques elétricos. "Os estudos mostram que essas terapias nunca tiveram muito sucesso. Parece que a orientação sexual é bastante resistente a mudanças", observa Alan Sanders.


Sergio Viula percebeu na prática com a experiência no movimento pela "cura gay" que a conversão não funcionava. "Ninguém mudava, foram anos de trabalho e ninguém mudando", lembra.

No Brasil, uma resolução de 1999 do CFP (Conselho Federal de Psicologia) determina que os psicólogos não podem colaborar com eventos e serviços que "proponham tratamento e cura das homossexualidades". Além disso, o CFP preconiza que os psicólogos contribuam para o desaparecimento de discriminações e estigmatizações contra aqueles que apresentam comportamentos ou práticas homoeróticas.

Já que a homossexualidade não é considerada doença nem distúrbio ou perversão, não cabe tratamento, mas o acompanhamento psicológico serve para lidar com questões que causem sofrimento, como a rejeição na família, a autoaceitação e o estigma ainda presente na sociedade. "A terapia não é para curar a homossexualidade, mas para ajudar a pessoa a lidar melhor com isso", esclarece Marcos Garcia.

http://mulher.uol.com.br/comportamento/noticias/redacao/2015/01/14/ser-gay-nao-e-uma-escolha-e-e-tao-natural-quanto-ser-heterossexual.htm

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Ex-pastor que pregava 'cura gay' é homossexual e diz: 'é uma farsa'


Yannik D'Elboux

Do UOL, no Rio de Janeiro

14/01/201507h06

Arquivo pessoal
 
"O indivíduo gay sofre inutilmente", diz Sergio Viula, ex-pastor que já pregou a "cura gay"


Se fosse mesmo possível escolher a orientação sexual, o professor de inglês, filósofo e teólogo Sergio Viula, 45 anos, do Rio de Janeiro (RJ), certamente teria conseguido manter sua vida como heterossexual. Esforços para isso não faltaram. Além de negar seus sentimentos homoafetivos durante muito tempo e buscar sua conversão na religião, ele foi um dos fundadores do Moses (Movimento pela Sexualidade Sadia), que pregava a "cura gay".

Viula também foi casado com uma mulher por 12 anos, teve dois filhos e atuou como pastor batista por nove anos. Somente aos 34 anos criou coragem para escancarar sua homossexualidade de vez. Separou-se da mulher, abandonou a vida religiosa, tornou-se ateu e, depois disso, manteve um relacionamento com um homem durante sete anos. Apesar das críticas que recebeu de todos os lados, não se arrepende de ter feito as pazes consigo mesmo.

Ele conta sua história em detalhes no livro "Em Busca de Mim Mesmo" (edição do autor pela Livre Expressão) e mantém o blog "Fora do Armário". Em entrevista ao UOL Comportamento, Sergio Viula discorre abertamente sobre os dilemas que enfrentou até aceitar a própria homossexualidade e assumir que a "cura gay" não funciona.

UOL: Você se reconheceu gay com qual idade?

Sergio Viula: Acho que não posso dizer que me reconheci gay só quando saí do armário. Há 11 anos, disse que não dava mais para ficar casado. Mas desde os oito anos de idade já tinha sentimentos diferentes da maioria dos meninos. Olhava para Lauro Corona e Lídia Brondi na TV, mas não sentia carinho pela Lídia Brondi, achava ela uma gracinha, bonitinha, porém sentia um carinho especial pelo Lauro Corona. Era capaz de sonhar com ele. Mas eu não sabia o que era sexualidade ainda, não sabia o que era transar. O que era isso? Homoafetividade. É aquela afetividade que se lança naturalmente, sem forçar a barra, não existe abuso, nada exterior, ela naturalmente se lança para alguém do mesmo sexo. Mesmo sem nem estar pensando em sexo de fato. É inato, está dentro de você, não está sob seu controle, ainda que as decisões possam estar. Posso decidir, como qualquer homem, se eu vou fazer amor com "A" ou com "B". Mas não é possível alterar o desejo, do mesmo jeito que um heterossexual.

UOL: Então você já sabia desde a infância que era homossexual?

Viula: Isso foi problematizado para mim quando fui para escola, no jardim de infância. Comecei a ser rotulado. Os outros meninos já percebiam que eu era diferente deles. E era engraçado porque eu não tinha coisas de menina, não usava rosa. Mas eles sacavam. Era engraçado porque nenhum de nós ali sabia o que era sexo. Comecei a me perguntar o que tinha de errado comigo. Comecei a perceber que aquilo que eu sentia podia ser um problema para os outros. Foi quando passou a ser um problema para mim. E aí veio a rejeição, a auto-homofobia.

UOL: Quando você se converteu para a religião evangélica sua homossexualidade era algo que o incomodava?

Viula: Incomodava porque desde pequeno eu estava acostumado a ouvir dos meus pais e parentes que a homossexualidade era pecado. Cresci com esse medo. E pensava que tinha de mudar isso. Eu me perguntava se só eu era assim. A gente não tinha noção do que é a comunidade LGBT planetária. Hoje, a gente tem graças à internet. Eu ficava na dúvida: quem sou eu? E não tinha a quem recorrer. Uma vez uma psicóloga conversando comigo percebeu. Ela me falou que eu não tinha de ter vergonha de quem eu era, que aquilo que eu sentia era absolutamente normal, não tinha nada de errado e que eu precisava aprender a me aceitar. Ela pediu para conversar com a minha mãe, mas eu fiquei com medo. Disse que nunca mais ia voltar naquela psicóloga. A verdade é que eu estava fugindo de mim mesmo.
Dia dos Pais 201115 fotos 

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O banqueteiro Marcelo Eduardo Sampaio, 43 anos, e o dentista Eduardo Luis Indig, 48, enfrentaram uma batalha árdua até conquistarem a guarda definitiva de Manoel, de quatro anos Leia mais Bob Donask/UOL

UOL: Foi essa fuga que o levou para a igreja? Você queria mudar isso?

Viula: Eu quis mudar. Você acaba sublimando certas coisas, achando que a conversão é um momento de mudança, em que as coisas dão uma reviravolta. Você pensa que passa a viver uma vida nova. Vem aquele papo evangélico que aquele que está em Cristo nova criatura é. Você acredita nisso. E eu passei a acreditar que podia casar e ser fiel à minha mulher e extrair da relação todo o gozo que precisasse e dar a ela a mesma coisa.

UOL: Mas você acreditava realmente na sua conversão de gay para hétero?

Viula: Eu acreditava. Essa foi a pior coisa que eu fiz. Eu queria nunca ter acreditado. Eu queria ter estado na igreja sem nunca acreditar de verdade. Porque em pouco tempo eu pularia fora. Mas, como eu acreditava, era capaz de tudo em nome da fé. Deixei um bom cargo em uma companhia de petróleo para fazer trabalho missionário.

UOL: E depois disso você virou pastor?

Viula: Sim, fui para o seminário teológico enquanto ia trabalhando como missionário. E fui pastor dos 25 anos 34 anos. Eu era duro na queda. Sofrendo, mas trabalhando. Fazia aconselhamento, evangelização, casamento, funeral, batismo. Ajudei a fundar o Moses (Movimento pela Sexualidade Sadia), em 1997, e o primeiro trabalho que a gente fez foi evangelizar durante a Parada Gay.

UOL: O Moses pregava a conversão?

Viula: Pregava a conversão [de homossexual para heterossexual] e cura. Eu acabava virando exemplo, mas levou um tempinho até eu começar a falar do meu passado. Muitas pessoas da igreja ficaram surpresas.

UOL: Sua mulher sabia que você tinha tido experiências homossexuais?

Viula: A minha mulher sabia porque eu tinha contado para ela quando me casei. Mas contei que havia superado. E ela acreditou, pois era tão crente quanto eu.

UOL: Se você acreditava na "cura gay" e fundou até um movimento para isso, como isso mudou?

Viula: O problema foi que ninguém mudou. Sei disso por que, como pastor, você fica no gabinete ouvindo tudo. Eles me falavam tudo. Ninguém mudava. Foram anos de trabalho e ninguém mudando. E um dia a vice-presidente do Moses me perguntou: que mudança é essa que a gente tanto fala e ninguém vive? Porque não vejo ninguém mudar. E eu respondi que me perguntava a mesma coisa.

UOL: Mas nesses anos todos de casamento você não saía com homens?

Viula: No começo não saía. Mas, depois, começou a ficar difícil. Porém com membros de igreja nunca aconteceu nada, eram como irmãos para mim. Mas fora aconteceu. Quando aconteceu a primeira vez fiquei muito balançado. Mas insistia na minha vida, achava que tinha errado, mas tinha conserto.

UOL: Você acreditava, então, que era uma escolha?

Viula: Eu acreditava ainda. Essa que é a tragédia do ser humano: acreditar que é uma escolha. Porque aí ele fica lutando contra uma coisa impossível de mudar. Imagine, por exemplo, se um cavalo acreditasse que pudesse pular de uma montanha e voar. Ele ia se estabacar. O cavalo se estabaca uma vez só. Mas a gente se estabaca várias vezes nessa situação ou vive na falsidade.

UOL: O que você fez quando percebeu que não conseguia mais levar uma vida como hétero?

Viula: Percebi que tinha algo errado, que não estava funcionando e que precisava falar com alguém. E eu falei. A pessoa com quem falei jurava que era uma coisa passageira, que eu era uma pessoa de Deus, que isso era visível no meu trabalho, e que isso era apenas um deslize, que eu devia seguir em frente.

UOL: O que aconteceu de novo para você resolver sair de uma vez por todas do armário?

Viula: A gota d'água foi uma viagem para Singapura, em um treinamento de liderança religiosa. Uma tarde, saí e rolou uma paquera em um shopping. Ficamos juntos e foi maravilhoso. Parecia que eu estava no céu. Eu estava reencontrando comigo. Porém, no dia seguinte, eu tinha sido escolhido para fazer o discurso de encerramento do meu grupo. E eu estava em frangalhos, porque estava feliz da vida por tudo que tinha acontecido com aquele homem, mas arrasado porque as pessoas que confiaram em mim pensavam que eu estava lá muito bem, cercado do espírito santo. Ali, "caiu a ficha".



Pais gays falam dos desafios que enfrentam na criação dos filhos6 fotos 


"Minha gravidez não foi planejada e eu eduquei a Bruna sozinha até os quatro anos, quando conheci a Cida. Nós nos ajudamos muito, porque, na época em que fomos morar juntas, eu fazia faculdade à noite, então ela cuidava da minha filha durante esse período. Em contrapartida, sou uma pessoa mais severa e ela queria alguém que tivesse mais pulso com os filhos. Como eu tinha flexibilidade de horário durante o dia, ficava com eles (a Bruna mais os dois filhos da companheira) nesse tempo e a gente invertia os cuidados. Uma preocupação nossa foi criá-los sem ter preconceitos, então, lá em casa, meninos e meninas sempre dividiram as mesmas tarefas de casa. O mais gratificante é que, apesar de muita gente defender o modelo de família tradicional, nós conseguimos criar três pessoas de bem e de caráter" | Rosangela Garcia Salatiel (à direita), 48 anos, advogada e mãe de Bruna, 23 anos, de São Bernardo do Campo (SP) Arquivo Pessoal

UOL: O que você fez?

Viula: Decidi falar com minha mulher, mas ainda demorei um pouco. Em 2002, falei. Ela não quis se separar. Acreditava que a gente tinha uma chance, que Deus podia fazer uma mudança, porque a gente tinha uma vida construída há 12 anos. Ficamos dois anos tentando. Em 2004, disse chega. Não mudou nada. Abri o jogo, saí do armário e escancarei tudo. Dei uma entrevista para uma revista, denunciei essa coisa de ministério de cura. Denunciei essa farsa e comecei minha militância.

UOL: Você rompeu com tudo de uma vez: com o casamento e a igreja?

Viula: Rompi. Passei a viver minha vida, minha verdade, porém nunca esquecendo dos meus filhos. A única coisa que eu preservei foram meus filhos.

UOL: Como foi esse rompimento para sua família?

Viula: Foi muito doloroso. Meus pais não entendiam nada, me criticavam. Minha ex-mulher chorava, se sentia traída porque não fui fiel até a morte, como havia prometido. Concordo. Mas eu também me senti traído por um monte de coisas que acreditei e por um monte de gente que falou tanta besteira que levei a sério. Porém fui honesto para acabar com isso. Tem gente que vive essa farsa para o resto da vida. Eu fui fiel à minha fé enquanto acreditei nisso. Quando vi que era bobagem, perda de tempo, fui fiel a mim mesmo. Abri o jogo e falei.

UOL: Como ficou sua vida?

Viula: Fui viver livremente, conheci outras pessoas, tive alguns namorados. Até que conheci meu ex-marido, com quem fiquei por sete anos.

UOL: E como você se sentiu depois disso tudo?

Viula: Eu me senti livre, absolutamente livre. Parecia que um peso havia saído de cima de mim, que eu podia flutuar. Porque a força que eu fazia para ficar em pé, embaixo daquele peso todo, era tão grande que, sem o peso, parecia que eu podia voar. Era uma coisa maravilhosa, como se eu tivesse nascido de novo.

UOL: Você ficou mais feliz?

Viula: Muito mais feliz. A dor que eu passei da rejeição foi terrível, mas o prazer do encontro comigo mesmo não tinha preço. Pensei assim: posso perder todo mundo, com exceção dos meus filhos. Eu nunca mais vou sofrer o que sofri por 34 anos para agradar os outros.

UOL: Como os seus filhos encararam a verdade sobre a sua sexualidade?

Viula: Meus filhos desde cedo nunca tiveram nenhum problema com isso. Minha filha desde os 12 anos já sabia, meu filho de 11 para 12 me perguntou já sabendo. E nunca demonstraram nenhuma rejeição. Traziam amigos em casa. Minha filha fala para os colegas de trabalho que o pai é gay.

UOL: Você está convicto que ser gay não é uma escolha?

Viula: Isso é algo que não muda. Ou você sai do armário e paga o preço de enfrentar todo mundo e viver mais feliz ou fica no armário e também paga o preço, que é mais alto, de ficar fingindo pra todo mundo, se escondendo o tempo todo e vivendo duplamente. Não tem saída. Para as mulheres, é a pior coisa que pode acontecer: um marido gay que vive duplamente. Ela pode ser fiel e se colocar em risco. E não é porque ele seja gay que ela corre risco, é porque ele não é fiel. Ele nunca vai ficar satisfeito só com ela, já tem muito mais chances de traí-la. Mas tem gente que faz vista grossa.

UOL: Pela sua experiência, o que você acha do trabalho das igrejas que insistem na conversão?

Viula: Elas prestam um desserviço. Primeiro, o gay sofre inutilmente. E quanto mais sofre, mais reforça a ideia de que não tem valor, que é um pecador inveterado. Segundo, ele não constrói uma vida, uma biografia de acordo consigo mesmo. Ele tenta agradar os outros e uma hora isso rui e ele tem que reconstruir tudo como eu, que não levei de casa nem um garfo, tive de recomeçar tudo do zero. Ou então ele fica naquela situação porque parece mais confortável do que se arriscar em uma vida independente. Tem gente que é covarde pra isso. A pessoa não tem a alegria de se realizar no que deseja, tudo passa a ser um dever. É um dever casar, ter filhos, e isso tem um peso absurdo. O que mais me preocupa é a criança, com oito, dez anos, e o adolescente, que são chantageados vergonhosamente por pessoas que deviam ser seus protetores. Isso cria uma série de transtornos, medos, fobias. Isso é ignorância. Porém essa ignorância custa um preço muito alto.




Fonte: http://mulher.uol.com.br/comportamento/noticias/redacao/2015/01/14/ex-pastor-que-pregava-cura-gay-e-homossexual-e-diz-e-uma-farsa.htm


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ENTREVISTA DADA AO VIVO EM 19/01/15

OUÇA NESSE LINK: 



Electric shocks, rape and submersion: 'gay cures' and the fight to end them


From China to Latin America clinics claim to offer ‘cures’ for homosexuality to vulnerable people. How are activists planning to stop them?

Yang Teng successfully sued the clinic that gave him electric shocks in an attempt to ‘cure’ him of being gay. Photograph: Ng Han Guan/AP


Matthew Jenkin
Tuesday 9 February 2016 07.00 GMTLast modified on Tuesday 9 February 201615.12 GMT



“The doctor took me into a small room then asked me to relax and focus on my breath. He told me to remember when I was having sex with a man. Suddenly I felt an electric shock. I jumped, wondering what had happened. He just smiled and told me that was how he would cure me of being gay.”

When Yang Teng visited the Xinyu Piaoxiang clinic in the southern Chinese city of Chongqing in February 2014 he didn’t know what to expect. Yang hadn’t yet come out and was getting pressure from his parents to start a family. He had heard from others in the gay community that the “therapy” could “cure” him of homosexuality but his curiosity turned to terror when he realised that the treatment involved getting electrocuted, and he left before the session ended. He claims a full course of 30 hour-long session, with three or four electric shocks each, cost 30,000 yuan (£3,126).


Angry and determined to expose the clinic’s abuse of gay men and women, Yang sought to sue the clinic. In December 2014, a Beijing court ruled in his favour, declaring such treatments illegal, and demanding that the clinic give Yang 3,500 yuan (£359) in compensation and post an apology on its website.


Despite Yang and other activists’ hope that the case would stop the practise, the clinic continues to offer the therapy – at an even higher price – as do many other medical centres around the country. Although China legalised homosexual relations in 1997 and removed it from a list of mental illnesses in 2001, it is still considered taboo in wider society and many gay people feel pressured by their families to get married and have children.


So while it has been difficult to stop the clinics offering this abusive practice, Yang claims the publicity surrounding the case is important to raise awareness of the issue and change public opinion. “Our aim during this campaign is to educate the public that gay people cannot be cured,” he explains. “Because we won the case and the media published this information, many parents of gay people now know that if they send their son or daughter to the clinic it is not legal.”


Unfortunately these kind of clinics are not just found in China, but all over the world. LGBT rights campaign group All Out are asking people to report “gay cure” activities happening around the world – whether they have had direct experience of conversion therapy in their local community or seen it reported in the media – on the Gay Cure Watch website. The database of incidences will then be studied and All Out will launch targeted campaigns against them.


All Out director Matthew Beard says the findings from the campaign show “gay cures”, which have been found to lead to anxiety, depression and suicide, is endemic in many developing countries.

No matter how many laws we have, people get to adulthood already poisoned by homophobia

Sergio Viula

The practice is a particular problem in Latin America where the church is hugely influential. Brazilian Sergio Viula was targeted by evangelists when he was just 16. Although gay himself, he recalls how he was brainwashed into thinking that homosexuality was a sin. When he was 18 he became a pastor, married a woman and had two children.


He formed a movement with other members of the church that targeted gay people on the streets, outside nightclubs and at pride events. Those who agreed to convert were treated as if they were addicts and encouraged to purge themselves of anything associated with their old lives. That included throwing away magazines which might arouse gay feelings and cutting contact with friends connected to the gay community. The idea was to make people isolated, he explains, in order to manipulate them into being closer to the church.

When Viula was 34 he finally came out, divorced his wife and is now a leading LGBT activist living in Rio. In 2013, he helped campaign against legislation that would allow psychiatrists in the country to treat homosexuality as a disease and the bill was eventually withdrawn.

Viula applauds the law’s defeat in congress but says the fight against religious fundamentalism in 
Brazil will continue for many years to come. He says the power of the church extends to politicians afraid to go against it for fear of losing votes.

The activist believes education is the key to ending “gay cure” therapy in Brazil. “No matter how many laws we have, people get to adulthood already poisoned by homophobia,” he says. “People need to understand from an early age that there is nothing wrong with someone being gay, lesbian or transgender.”

In Ecuador, “gay cure” clinics may claim to offer spiritual redemption but are not run by religious organisations. Families will often force their children to go to privately run conversion therapy centres which have been found to use torture such as electrocution and submersion in ice-cold water as corrective measures for patients. The country’s health minister Carina Vance Mafla says that she’s received reports of women being rapedat the centres.

Tatiana Cordero from the Urgent Action Fund has led research on gay rights in Ecuador and claims that although the government promised to shut down clinics in the country in 2012, little has changed and clinics are still being allowed to operate. She says the clinics make up to a $140,000 (£96,500) per month and some are even owned bygovernment officials. Corruption, she says, is therefore a major obstacle and she calls for an in-depth investigation into the problem.

Cordero believes legal reforms are urgently needed to put an end to gay conversion. She would therefore like to see a law passed in Ecuador that bans any therapy that claims to cure homosexuality. She says there is a constitutional law that forbids discrimination on the basis of gender identity or sexual orientation, but that is not currently enforced.

Activists globally may differ in their approach to ending gay conversion therapy, but they are united in their belief that educating people about the absurdity of the practice is paramount.

Crucially, Beard adds, campaigners need to reach out to families. He says: “Parents are often those responsible for sending their children to conversions, so we need to expose them to some of the realities of the practice through education.”

From 8-14 February the Guardian Global Development Professionals Network is highlighting the work of LGBT rights activists throughout the world. Follow the conversation at #LGBTChange.

Fonte: http://www.theguardian.com/global-development-professionals-network/2016/feb/09/electrocution-and-submersion-gay-cures-and-the-fight-to-end-them


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Fui pastor e tentei curar gays... Até que saí do armário!

Após 18 anos de luta contra meus desejos, percebi que não se deixa de ser gay. Me assumi e parei de doutrinar outros homossexuais



Reportagem: Luiza Furquim (com colaboração de Luiza Schiff)


Me aceitar do jeito que sou me fez ver beleza na vida e nas pessoas. Sinto como se vivesse num canto iluminado do mundo. | Crédito: Reportagem: Luiza Furquim (com colaboração de Luiza Schiff)

Não existe cura gay. Ex-gay é uma coisa tão real quanto vaca que voa. Vai por mim! Lutei contra o meu desejo por mais de 18 anos, tempo que dediquei à obra de Deus. Sim, eu sou gay. Mas também estudei teologia e virei pastor. Dei meu tempo e dinheiro à Igreja evangélica. Sempre que achava que estava curado, o desejo voltava. Fui até conselheiro de um grupo de “reversão de homossexualidade” por sete anos e nunca vi nenhum gay virar hétero. Muito pelo contrário: vários homens lá de dentro acabavam se envolvendo.

É sério. Já houve vários casos em que membros do Moses (Movimento pela Sexualidade Sadia), do qual eu fazia parte, confessaram ter transado com outros. E hoje eu sei que isso não é prova de devassidão. Imagina um grupo cheio de homens belos, abrindo sua vida e chorando. Eles acabavam criando intimidade, um dia se abraçavam e rolava... Aconteceria o mesmo se fosse um grupo de homens e mulheres.

Tentei me curar por 18 anos

Claro que, na época, eu tentava separar esses casais. Isso foi nos anos 90, quando eu ainda me debatia contra minha própria homossexualidade. Nasci em uma família católica tradicional e cresci acreditando que ser gay fazia de mim uma pessoa de segunda categoria. Achava que iria para o inferno. Por isso, fiz o que estava ao meu alcance para me reprimir e cumprir o que se esperava de mim: casar e ter filhos. 

A verdade é que sei que sou gay desde criança. Eu não sabia o nome que isso tinha, mas já achava os meninos muito mais interessantes que as meninas. E não tinha nada de sexual nisso, porque aos 9 anos de idade eu nem sabia para que servia meu pintinho. Era só para fazer xixi mesmo. Com medo do meu comportamento, meus pais me levaram para a terapia e acabei me entregando num dos jogos da sessão. Na hora, percebi que a terapeuta sabia e também soube que ela ia contar para a minha mãe.

Fiquei com medo porque desde criança sabia que era feio ser gay. Que bicha era tudo pervertida, moralmente degenerada. Toda minha educação foi machista e homofóbica: em casa, na escola e na igreja. E, se dependesse disso, eu seria hoje o macho alfa. Mas não dá para lutar contra o desejo.

Minha primeira experiência sexual foi aos 12 anos. Estava brincando com amigos e, de repente, vi um garoto. Era como olhar um tesouro. Que menino lindo! Quando ele me chamou para brincar separado, senti que ali tinha alguma coisa, que eu não sabia o que era, mas queria. A gente transou. Foi consensual e muito gostoso.

Aos 16 anos, abandonei o catolicismo e fui para a igreja evangélica. Trabalhava como office-boy numa empresa com vários evangélicos e começou a doutrinação. Gostei do entusiasmo que eles tinham com a palavra de Deus. Conheci um pastor e fiquei maravilhado com sua educação. Aquilo tudo me encantou.

Evangélico, fiquei dois anos sem ligar para sexo

Cheguei à igreja evangélica carregando o fardo de ser gay, mas não revelei meu “problema”. Os irmãos me ofereceram conforto e acolhimento. “Deus vai cuidar de você. Ele perdoa.” A partir do dia da minha “conversão” à igreja evangélica, vivia atarefado, e até meus pais se juntaram ao culto. Por dois anos, fiquei tão envolvido com a obra que parei de pensar em sexo. Achei que estava curado. Mas meu desejo não deu trégua por muito tempo. Conheci um rapaz na igreja e ficamos. Tentei me afastar, mas estava apaixonado. Chorava toda noite perguntando a Deus por que tinha nascido assim e, já que tinha, por que isso era errado. Ficamos outra vez, mas eu achava que tinha que me esforçar mais para virar heterossexual.

Na minha cabeça da época, essa “recaída” se devia ao fato de eu ser novo na igreja. Acreditei que o que me faltava era uma relação sexual adequada, ou seja, com uma mulher. Mas, pelas leis da igreja, eu não poderia transar namorando. “Tenho que casar”, pensei. Pouco tempo depois, comecei a namorar a mulher que viria a ser minha esposa. Para mim, era a redenção. Eu ficaria livre da “tentação da carne”, da “abominação” que era ser gay.

Casei antes dos 20 anos. Minha esposa também era da igreja, uma mulher ótima.

Eu a amava e conseguia, sim, me excitar e ter relações com ela. Nós dois chegávamos ao orgasmo, inclusive, porque não sou besta. Sabia como dar prazer a ela. Achei que estava livre da homossexualidade. Curado, como se diz. Mas, aos poucos, fui percebendo que o tesão que eu sentia por ela era diferente do que eu sentia por homens.

Entrei para o seminário aos 22 anos e fui estudar teologia para virar pastor da igreja batista – diferentemente da católica, ela permite que os pastores/padres se casem. Trabalhei para a congregação de graça por anos, porque achava que aquilo dava sentido à minha vida. Recusei ofertas de emprego e até aumento de salário para conciliar meu trabalho como professor com a vida religiosa. Não falo isso para me vangloriar, mas para mostrar que tentei, de coração, seguir os princípios da religião.

Estudar teologia me ajudou a acordar. 

Antes, eu lia a Bíblia como uma verdade absoluta, sem contestação. Mas, no seminário, a gente se aprofundava a ponto de saber que a Bíblia não é uma coisa que Deus entregou pronta na mão de alguém. Foram vários textos e alguém decidiu “este serve”, “este não serve”. Um dos livros supostamente escritos por Moisés narra a morte dele. Como é que ele poderia ter escrito depois de morrer? Psicografou?!

Demorei para formular esses questionamentos, porque a pior coisa para o crente é ser blasfemador. E duvidar dos dogmas é pecar em pensamento. Eu dizia para mim: “Não vou pensar nisso. Ainda não sou teólogo formado nem com experiência o suficiente. Depois volto a essa questão.” Mas não conseguia deixar totalmente pra lá.

Os caras do grupo de cura gay se pegavam

O grupo para curar a sexualidade, o Moses, só agravou meu sentimento de que alguma coisa não estava certa. Um dos líderes do grupo era nosso garoto-propaganda, um ex-gay que teria se curado ao entrar para a igreja e arrumado uma noiva. O que pouca gente sabe é que os dois se separaram sem terem tido relações e ele continua solteiro até hoje. Eu via gays de todos os tipos. Uma vez veio um cara trazendo o sobrinho, que era uma bicha daquelas afetadas. Tive pena dele, um alvo fácil para o preconceito. Depois que o tio saiu da sala, ele me contou que tinha sido abusado por todos da família! Depois de sofrer tanto, o “demônio” era ele.

Escondíamos as recaídas dos “ex-gays”

Depois de saber de mais uma de muitas escapadas, uma das organizadoras me disse: “Sergio, será que estamos nos enganando? As pessoas não mudam!”. Nosso discurso era “Deus transforma. Deus te cura”. Só que isso não acontecia! E tinha muita má-fé envolvida, já que o grupo costumava usar como casos de sucesso os gays que se “tornavam” héteros, mas nunca mostrava o contrário. E, de 50 ex-gays que a gente via, 51 voltavam à vida de antes!

Mesmo com todas essas evidências, só resolvi me assumir e abandonar o grupo Moses depois de uma viagem a Cingapura, em 2000, pela igreja. Eu estava tentando reprimir sonhos que andava tendo com homens e só orar e jejuar não estava resolvendo. Passei um mês rezando com líderes da igreja evangélica. Ao fim da viagem, conheci um filipino por acaso e tivemos uma noite intensa. Eu estava cansado de brigar com quem eu era, mas ainda levaria dois anos para me assumir.

Saí do armário e da igreja!

Em 2002, me abri para minha mulher e passei a dormir no quarto do meu filho. Ela não aceitava. Fui à minha primeira boate gay, sozinho, e passei a noite ouvindo Madonna. Eu adorava, mas era outra coisa que eu não podia assumir na igreja. O problema é que me senti desamparado e sem amigos. Todo mundo que eu conhecia era da igreja. Me vi privado de contar histórias para meus filhos à noite antes de dormir. Aí, minha esposa pediu para voltar e topei.

Tentei essa vida hétero por mais dois anos, mas não dava certo. Saí do armário de vez em 2004, após 14 anos de casamento. Meus filhos e meu sogro foram os únicos que encararam a situação numa boa. Dessa vez consegui me adaptar porque encontrei um antigo aconselhado, gay, que me ajudou na transição ao me apresentar pessoas novas.

Vivo fora do armário há dez anos. Tive um casamento com um homem, o Emanuel, que durou sete anos e terminamos em um divórcio amigável. Levei quatro anos para ser tolerado pela minha ex e aceito pelos meus pais. Eles achavam que casa de gay tinha porta giratória, de tanto homem que entra e sai. Também pensavam que as camisinhas usadas ficavam espalhadas no corredor. Tudo bobagem!

Foi difícil superar a separação, mas em fevereiro de 2016 conheci o André no carnaval e renasci. Fui viajar para Belo Horizonte e nos apaixonamos. Em março, um mês depois, ele jogou tudo para o alto e se mudou para o Rio de Janeiro. Foi lindo. Hoje estamos vivendo juntos e muito felizes. Nossa relação é formada por parceria. E não me arrependo. Me aceitar do jeito que sou me fez ver beleza na vida e nas pessoas. Sinto como se vivesse num canto iluminado do mundo. E o melhor é que não tenho que pagar o dízimo para entrar.

Sérgio Viula, 47 anos, professor, Rio de Janeiro, RJ


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Fonte: http://soumaiseu.uol.com.br/noticias/superacao/fui-pastor-e-tentei-curar-gays-ate-que-sai-do-armario.phtml#.WPaH2vkrIdW



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Pastor que tentou “curar” gays por 18 anos, resolveu sair do armário

Publicado por: Alana Beltrão

PUBLICADO EM : 21/04/2017 ÀS 11:19


Depois de lutar contra sua homossexualidade e tentar “curar” gays, pastor revela sua verdadeira orientação sexual.

Sérgio Viula, professor, de 47 anos, revelou para a revista “Sou Mais Eu”, do portal UOL, que durante 18 anos atuou como #Pastor de uma igreja evangélica e neste périodo ele tentou sem sucesso “curar” gays. Na verdade o que ele tentava era reprimir seus desejos homossexuais. Em seu depoimento Sérgio, afirmou que não existe ex-gays e que é mais fácil uma ´”vaca voar” do que um homossexual ser curado.

Desisti de “curar” gays e saí do armário


O ex-pastor contou que fez de tudo para anular seus desejos, ele conta que acreditava que a igreja seria seu refúgio e que através da sua fé e dedicação as palavras sagradas conseguiria se manter longe de outros homens. Contudo os desejos sempre assombravam sua vida.

Sérgio contou que nasceu em uma família católica conservadora, mas que desde de criança sabia que era #gay, contudo vivendo no seio de uma família preconceituosa, ele nunca teve liberdade para conversar sobre sexualidade. Ele relata que teve uma educação machista e homofóbica tanto em casa como na escola e igreja.

O professor disse que sua primeira experiência sexual com outro garoto foi aos 12 anos de idade. Aos 16 ele abandonou o catolicismo e conheceu a igreja evangélica quando era office-boy de uma empresa onde trabalhava.

Nesta época ele se viu encantado com a empolgação dos evanglicos com a palavra de Deus e então conseguiu durante dois anos suprimir seus desejos sexuais. Ele não revelou a ninguém na igreja sobre sua homossexualidade e passou a fazer parte do “Moses” (Movimento da Sexualidade Sadia), onde os gays procuram a conversão e/ou cura.

Sérgio disse que estava se sentindo seguro até que conheceu um rapaz na igreja e eles acabaram saindo juntos. Nesta época ele acabou se desesperando e chegou a conclusão que o melhor era se casar e formar uma família tradicional. Sérgio de casou antes dos 20 anos, com uma jovem da igreja.

Aos 22 anos entrou para o seminário com a intenção de se tornar pastor da igreja Batista. O ex-pastor continuou trabalhando no “Moses”, onde continuava a vivenciar a farsa da “cura” gay. Durante doto este tempo ele continuava dando suas escapadas e chegou a conclusão que ele não poderia mais continuar vivendo uma grande ilusão.

Depois de 14 anos de casamento, com dois filhos, em 2004, Sérgio resolveu assumir sua homossexualidade, ele confessa que não foi fácil, sua ex-esposa nunca o aceitou assim, já seus filhos e sogro o apoiaram.

O professor contou que esteve casado por sete anos com um homem, que foi muito feliz e que o relacionamento terminou de maneira amigável. De acordo com Sérgio não foi fácil superar a separação, porém no carnaval de 2016 ele viajou para Belo Horizonte onde conheceu André, o grande amor de sua vida e eles estão vivendo felizes no Rio de Janeiro.

Fonte: Blasting News


FONTE: http://www.polemicaparaiba.com.br/polemicas/pastor-que-tentou-curar-gays-por-18-anos-resolveu-sair-armario/



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Pastor que tentava “curar” gays há 18 anos sai do armário e apresenta namorado


Web Evangelista Wagner Jr. 4/20/2017 07:22:00 AM


Sérgio contou que nasceu em uma família católica conservadora, mas que desde de criança sabia que era gay, contudo vivendo no seio de uma família preconceituosa, ele nunca teve liberdade para conversar sobre sexualidade. Ele relata que teve uma educação machista e homofóbica tanto em casa como na escola e igreja.


O professor disse que sua primeira experiência sexual com outro garoto foi aos 12 anos de idade. Aos 16 ele abandonou o catolicismo e conheceu a igreja evangélica quando era office-boy de uma empresa onde trabalhava.


Nesta época ele se viu encantado com a empolgação dos evangélicos com a palavra de Deus e então conseguiu durante dois anos suprimir seus desejos sexuais. Ele não revelou a ninguém na igreja sobre sua homossexualidade e passou a fazer parte do “Moses” (Movimento da Sexualidade Sadia), onde os gays procuram a conversão e/ou cura.


Sérgio Viula, professor, de 47 anos, revelou para a revista “Sou Mais Eu”, do portal UOL, que durante 18 anos atuou como Pastor de uma igreja evangélica e neste período ele tentou sem sucesso “curar” gays. Na verdade o que ele tentava era reprimir seus desejos homossexuais. Em seu depoimento, Sérgio afirmou que não existe ex-gays e que é mais fácil uma “vaca voar” do que um homossexual ser curado.


O ex-pastor contou que fez de tudo para anular seus desejos, ele conta que acreditava que a igreja seria seu refúgio e que através da sua fé e dedicação as palavras sagradas conseguiria se manter longe de outros homens. Contudo os desejos sempre assombravam sua vida.


Sérgio disse que estava se sentindo seguro até que conheceu um rapaz na igreja e eles acabaram saindo juntos. Nesta época ele acabou se desesperando e chegou a conclusão que o melhor era se casar e formar uma família tradicional. Sérgio se casou antes dos 20 anos, com uma jovem da igreja.


Aos 22 entrou para o seminário com a intenção de se tornar pastor da igreja Batista. O ex-pastor continuou trabalhando no “Moses”, onde continuava a vivenciar a farsa da “cura” gay. Durante todo esse tempo ele continuava dando suas escapadas e chegou a conclusão que não poderia mais continuar vivendo uma grande ilusão.


Depois de 14 anos de casamento, com dois filhos, em 2004, Sérgio resolveu assumir sua homossexualidade, ele confessa que não foi fácil, sua ex-esposa nunca o aceitou assim, já seus filhos e sogro o apoiaram.


O professor contou que esteve casado por sete anos com um homem, que foi muito feliz e que o relacionamento terminou de maneira amigável. De acordo com Sérgio não foi fácil superar a separação, porém no carnaval de 2016 ele viajou para Belo Horizonte onde conheceu André, o grande amor de sua vida e eles estão vivendo felizes no Rio de Janeiro.


(UOL)


FONTE WEB EVANGELISTA: http://webevangelista.blogspot.com.br/2017/04/pastor-que-tentava-curar-gays-ha-18.html


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Ex-pastor “sai do armário” após ter tentado curar gays

Por PN -20 abril, 2017



Bloco / Flickr


“A verdade é que sei que sou gay desde criança. Eu não sabia o nome que isso tinha, mas já achava os meninos muito mais interessantes que as meninas.” O autor dessa frase é Sérgio Viula, 47 anos, professor do Rio de Janeiro. Antes das salas de aula, no entanto, Sérgio era pastor e frequentava grupos de cura gay.

Ao site Sou Mais Eu!, Sérgio contou a sua história de luta contra o que ele realmente era.

Ele revela que chegou a igreja evangélica carregando o fardo de ser gay, mas não falou sobre o seu “problema”. Ele diz também que os irmãos lhe ofereceram conforto e acolhimento.

“Meu desejo não deu trégua por muito tempo. Conheci um rapaz na igreja e ficamos. Chorava toda noite perguntando a Deus por que tinha nascido assim e, já que tinha, por que isso era errado. Ficamos outra vez, mas eu achava que tinha que me esforçar mais para virar heterossexual”, contou.

Logo depois, ele entrou para o seminário e foi estudar teologia para virar pastor da igreja batista. “Recusei ofertas de emprego e até aumento de salário para conciliar meu trabalho como professor com a vida religiosa. Não falo isso para me vangloriar, mas para mostrar que tentei, de coração, seguir os princípios da religião”, disse.

Nesse tempo, ele entrou para o grupo Movimento pela Sexualidade Sadia (Moses), mas isso só agravou o sentimento de que estava agindo contra a sua natureza.

“Não existe cura gay. Ex-gay é uma coisa tão real quanto vaca que voa. Fui conselheiro de um grupo de ‘reversão de homossexualidade’ por sete anos e nunca vi nenhum gay virar hétero. Muito pelo contrário: vários homens lá de dentro acabavam se envolvendo”, explicou.

A saída do armário de Sérgio ocorreu em 2002 quando contou para a mulher. Para o mundo, ele se assumiu gay em 2004, após 14 anos de casamento. Hoje, ele é casado com um rapaz de Belo Horizonte.

“Nossa relação é formada por parceria. E não me arrependo. Me aceitar do jeito que sou me fez ver beleza na vida e nas pessoas. Sinto como se vivesse num canto iluminado do mundo. E o melhor é que não tenho que pagar o dízimo para entrar”, contou.


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FONTE DO SITE CIBÉRIA: https://ciberia.com.br/ex-pastor-sai-do-armario-apos-ter-tentado-curar-gays-15751#comment-1887


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Pastor que tentou "curar" gays por 18 anos, resolveu sair do armário

Depois de lutar contra sua homossexualidade e tentar "curar" gays, pastor revela sua verdadeira opção sexual.

Pastor conta como foi difícil esconder que era gay.


Sérgio Viula, professor, de 47 anos, revelou para a revista "Sou Mais Eu", do portal UOL, que durante 18 anos atuou como pastor de uma igreja evangélica e neste périodo ele tentou sem sucesso "curar" gays. Na verdade o que ele tentava era reprimir seus desejos homossexuais. Em seu depoimento Sérgio, afirmou que não existe ex-gays e que é mais fácil uma ´"vaca voar" do que um homossexual ser curado.

Desisti de "curar" gays e sai do armário

O ex-pastor contou que fez de tudo para anular seus desejos, ele conta que acreditava que a igreja seria seu refúgio e que através da sua fé e dedicação as palavras sagradas conseguiria se manter longe de outros homens. Contudo os desejos sempre assombravam sua vida.

Sérgio contou que nasceu em uma família católica conservadora, mas que desde de criança sabia que era gay, contudo vivendo no seio de uma família preconceituosa, ele nunca teve liberdade para conversar sobre sexualidade. Ele relata que teve uma educação machista e homofóbica tanto em casa como na escola e igreja.

O professor disse que sua primeira experiência sexual com outro garoto foi aos 12 anos de idade. Aos 16 ele abandonou o catolicismo e conheceu a igreja evangélica quando era office-boy de uma empresa onde trabalhava.

Nesta época ele se viu encantado com a empolgação dos evanglicos com a palavra de Deus e então conseguiu durante dois anos suprimir seus desejos sexuais. Ele não revelou a ninguém na igreja sobre sua homossexualidade e passou a fazer parte do "Moses" (Movimento da Sexualidade Sadia), onde os gays procuram a conversão e/ou cura.

Sérgio disse que estava se sentindo seguro até que conheceu um rapaz na igreja e eles acabaram saindo juntos. Nesta época ele acabou se desesperando e chegou a conclusão que o melhor era se casar e formar uma família tradicional. Sérgio de casou antes dos 20 anos, com uma jovem da igreja.

Aos 22 anos entrou para o seminário com a intenção de se tornar pastor da igreja Batista. O ex-pastor continuou trabalhando no "Moses", onde continuava a vivenciar a farsa da "cura" gay. Durante doto este tempo ele continuava dando suas escapadas e chegou a conclusão que ele não poderia mais continuar vivendo uma grande ilusão.

Depois de 14 anos de casamento, com dois filhos, em 2004, Sérgio resolveu assumir sua homossexualidade, ele confessa que não foi fácil, sua ex-esposa nunca o aceitou assim, já seus filhos e sogro o apoiaram.

O professor contou que esteve casado por sete anos com um homem, que foi muito feliz e que o relacionamento terminou de maneira amigável. De acordo com Sérgio não foi fácil superar a separação, porém no carnaval de 2016 ele viajou para Belo Horizonte onde conheceu André, o grande amor de sua vida e eles estão vivendo felizes no Rio de Janeiro.



FONTE BLASTING NEWS: http://br.blastingnews.com/brasil/2017/04/pastor-que-tentou-curar-gays-por-18-anos-resolveu-sair-do-armario-001635849.amp.html



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Ex-pastor conta como 'saiu do armário' após tentar curar gay


Da redação
Postado em 2017-04-20 18:08:35



Sérgio disse que é gay desde criança já achava os meninos muito mais interessantes que as meninas.

Sérgio Viula, 47 anos, que atualmente é professor do Rio de Janeiro, antes era pastor e frequentava grupos de cura gay. Sérgio disse que é gay desde criança já achava os meninos muito mais interessantes que as meninas.


Sérgio contou a sua história de luta contra o que ele realmente era para o site Sou Mais Eu!, ele chegou à igreja evangélica carregando o fardo de ser gay, mas não revelou o seu “problema”. Os irmãos o ofereceram conforto e acolhimento. “Deus vai cuidar de você. Ele perdoa.” Mas seu desejo não deu trégua por muito tempo. Conheceu um rapaz na igreja que se envolveu. Chorava toda noite perguntando a Deus por que tinha nascido assim e, já que tinha, por que isso era errado. Ficou outra vez com esse rapaz, mas achava que tinha que se esforçar mais para virar heterossexual.


Logo depois, ele entrou para o seminário e foi estudar teologia para virar pastor da igreja batista. “Recusei ofertas de emprego e até aumento de salário para conciliar meu trabalho como professor com a vida religiosa. Não falo isso para me vangloriar, mas para mostrar que tentei, de coração, seguir os princípios da religião”, disse.


Nesse tempo, ele contou que entrou para o grupo Movimento pela Sexualidade Sadia (Moses), mas isso só agravou o sentimento de que estava agindo contra a sua natureza. Afirma não existir cura gay. Ex-gay é uma coisa tão real quanto vaca que voa. Vai por mim! Fui conselheiro de um grupo de ‘reversão de homossexualidade’ por sete anos e nunca vi nenhum gay virar hétero. Muito pelo contrário: vários homens lá de dentro acabavam se envolvendo.


FONTE PORTAL CM7: http://portalcm7.com/noticias/ex-pastor-conta-como-saiu-armario-apos-tentar-curar-gay/


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Polêmica: Ex-pastor conta como saiu do armário após tentar curar gays


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Polêmica: Ex-pastor conta como saiu do armário após tentar curar gays 


20 de abril de 2017 


“A verdade é que sei que sou gay desde criança. Eu não sabia o nome que isso tinha, mas já achava os meninos muito mais interessantes que as meninas.” O autor dessa frase é Sérgio Viula, 47 anos, professor do Rio de Janeiro. Antes das salas de aula, no entanto, Sérgio era pastor e frequentava grupos de cura gay.

Ao site Sou Mais Eu!, Sérgio contou a sua história de luta contra o que ele realmente era. Cheguei à igreja evangélica carregando o fardo de ser gay, mas não revelei meu “problema”. Os irmãos me ofereceram conforto e acolhimento. “Deus vai cuidar de você. Ele perdoa.” Mas meu desejo não deu trégua por muito tempo. Conheci um rapaz na igreja e ficamos. Chorava toda noite perguntando a Deus por que tinha nascido assim e, já que tinha, por que isso era errado. Ficamos outra vez, mas eu achava que tinha que me esforçar mais para virar heterossexual”, contou.


Logo depois, ele entrou para o seminário e foi estudar teologia para virar pastor da igreja batista. “Recusei ofertas de emprego e até aumento de salário para conciliar meu trabalho como professor com a vida religiosa. Não falo isso para me vangloriar, mas para mostrar que tentei, de coração, seguir os princípios da religião”, disse.


Nesse tempo, ele entrou para o grupo Movimento pela Sexualidade Sadia (Moses), mas isso só agravou o sentimento de que estava agindo contra a sua natureza. “Não existe cura gay. Ex-gay é uma coisa tão real quanto vaca que voa. Vai por mim! Fui conselheiro de um grupo de ‘reversão de homossexualidade’ por sete anos e nunca vi nenhum gay virar hétero. Muito pelo contrário: vários homens lá de dentro acabavam se envolvendo”, explicou.


A saída do armário de Sérgio ocorreu em 2002 quando contou para a mulher. Para o mundo, ele se assumiu gay em 2004, após 14 anos de casamento. Hoje, ele é casado com um rapaz de Belo Horizonte. “Nossa relação é formada por parceria. E não me arrependo. Me aceitar do jeito que sou me fez ver beleza na vida e nas pessoas. Sinto como se vivesse num canto iluminado do mundo. E o melhor é que não tenho que pagar o dízimo para entrar”, contou.


FONTE: PORTAL DE NOTÍCIAS.NET: https://www.portaldenoticias.net/polemica-ex-pastor-conta-como-saiu-do-armario-apos-tentar-curar-gays/