Maio, no Parque das Ruínas: As divinas mãos de Adam

Por Sergio Viula





Fui convidado pelo meu querido amigo e escritor, Roberto Muniz, para assistir uma peça cujo texto é de sua autoria - As divinas mãos de Adam. A peça está sendo apresentada no Parque das Ruínas, Santa Teresa, um dos mais bucólicos bairros do Rio de Janeiro, durante todo o mês de maio, sempre às 16h.

Hoje foi o primeiro dia de apresentação no aconchegante teatro do Parque das Ruínas. Porém, a peça já foi apresentada em Botafogo, em sua estréia e primeira temporada; depois, São Paulo; em seguida, Teresina, capital do Piauí; e agora voltou ao Rio, onde tudo começou.

O enredo desafia o público a fazer profundas reflexões sobre os corpos e seus afetos, e sobre a vida com suas potências e limites.

O drama é apresentado em dois extremos:



Stephen e Adam (foto: Dulce Siqueira)


De um lado Stephen, um homem cego, praticamente imóvel e lamentando não ter se permitido inocentes prazeres que poderiam ter sido proporcionados pelo corpo de outro homem.

Do outro lado, Adam, um jovem de 20 anos que tenta se estabelecer numa cidade diferente, sem ter a menor ideia de como vai lidar com essa nova situação.

O diálogo que se desenrola desde o começo é singelo, provocador e inspirador.

Adam, Stephen e Rita (foto: Dulce Siqueira)

Mas Rita, a irmã de Stephen, que se acha muito bondosa por "apoiar" o irmão em sua "invalidez", revela-se extremamente mesquinha, reprimida e incapaz de respeitar o ser humano indobrável que jaz diante dela.

Os embates discursivos que se desenrolam entre os três dão o que pensar.

A peça dura uma hora e não apresenta nenhum final mirabolante, mas traz lágrimas aos olhos, especialmente quando Adam pronuncia suas últimas palavras antes de se acenderem as luzes da plateia.

Trata-se de um espetáculo belo, emocionante e necessário em tempos nos quais a empatia anda escassa e a repressão ultrapassa qualquer limite racional. E me refiro especialmente àquele tipo de repressão que nasce de neuroses negadoras do corpo e dos afetos.

Detalhe: A peça não tem patrocínio e está sendo realizada por meio de uma vakinha online. Você pode colaborar por aqui: AS DIVINAS MÃOS DE ADAM. Dependo do valor, você pode ganhar presentes que incluem ingressos e até o livro. Confira.






Não deixe de assistir esse lindo trabalho. O ingresso inteiro custa apenas 30 reais, que podem ser pagos na bilheteria do teatro.

Final do espetáculo, plateia aplaudindo de pé - foto: Dulce Siqueira

Dica para chegar:

De carro (Uber ou táxi), são uns 15 minutos do centro, no máximo. E para quem for de ônibus, tem o 007 (Central - Silvestre), 006 (Castelo - Silvestre, ponto final bem em frente à ABI, na rua Araújo Porto Alegre).




Roberto Muniz, autor do texto "As divinas mãos de Adam" (Facebook)


Emer Lavinni, diretor do espetáculo (ao centro), Sergio Viula e Andre Dias.
Foto: Dulce Siqueira


Da esquerda para a direita: Andre Dias, Dulce Siqueira, Ana Carolina Rainha, Mário Cardona, Sergio Viula e Héctor Medina



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“AS DIVINAS MÃOS DE ADAM”, a primeira montagem de um texto do piauiense  e escritor Roberto Muniz Dias e direção de Emer Lavinni reestreia no Parque das Ruínas no dia 06 de maio (domingo).


Após sucesso de público na Casa Rio,em Botafogo, o drama premiado em 2015 como melhor texto teatral pelo Prêmio Dalcídio Jurandir, "As Divinas Mãos de Adam”, do escritor e dramaturgo Roberto Muniz Dias, se apresentará noParque das Ruínas nos dias 06, 13, 20 e 27 de maio, com sessões sempre aos domingos, às 16h.

A peça leva o público a questionar pensamentos e crenças com temas sensíveis, como desejo na velhice, solidão, homoafetividade, homofobia, religião, compaixão, preconceitos e deficiência física. 

Dirigida por Emer Lavinni e realizado pela Cia Popular Versátil, o drama que é dividido em dois atos, narra a história de Adam (Héctor Medina) um jovem imigrante, que passa dificuldades em um país distante e Stephen (Mario Cardona), um paraplégico que ainda acredita em alguma humanidade com a possibilidade de sentir prazer. E Rita (Ana Carolina Rainha), frustrada e rancorosa, responsabiliza o irmão, Stephen, pela sua falta de conquistas. Unidos por sentimentos de raiva, tristeza, incapacidade e desejos reprimidos, eles entram em confronto por algum fato que pode ter acontecido.  

O drama é dividido em dois atos. No primeiro temos Adam – um jovem imigrante, morando num país distante de sua terra natal. Saiu de casa para novas oportunidades numa cidade grande. Sem emprego, morando num albergue, sem o apoio da família, nem amigos. A beira do desespero, tentando se manter numa cidade prestes a engoli-lo vivo, procura por emprego nos classificados do jornal impresso de maior circulação. Aceitou uma oportunidade de emprego um tanto quanto estranha. A caminho da provável entrevista de emprego, Adam repensa arrisca-se nesta inusitada forma de ganhar dinheiro.

Nos classificados lia-se: “Paga-se bem para desempenhar serviços sexuais [masturbação] a um homem cego e que não tem controle completo das mãos. Ambos os sexos”. Este homem do anúncio é Stephen, paraplégico, sem os devidos movimentos das pernas e das mãos. Mas que ainda acreditava em alguma masculinidade e humanidade, expressas pela possibilidade de ainda sentir prazer. Medo, confusão, tensão e empatia, neste primeiro ato, dão lugar a uma inusitada amizade. No segundo ato, temos a presença de Rita, que cuida do irmão e aparece, de repente, no quarto, deparando-se com uma cena inesperada. Então, começa a fazer suposições que afetam as individualidades dos dois homens, confrontados pela mentira, o onírico e o divino. Mas o que de fato aconteceu? Que transformações se operaram naquelas três pessoas tão diferentes? No final, somos defrontados com nossos próprios desejos, pensamentos e crenças.

Para o autor: romancista, dramaturgo e mestre em Literatura pela UNB, transpor para o palco questões  presentes na sociedade moderna como afetividade, respeito à diversidade, bem como assuntos relacionados às pessoas com deficiência física são temas importantes para trazer à comunidade a conscientização sobre diferentes formas de afetividade e inclusão social. A peça gira em torno de áreas como Psicologia e Sociologia pela abordagem de temas sensíveis como homoafetividade, deficiência física, homofobia e sexualidades.


SOBRE O AUTOR:

Roberto Muniz Dias é piauiense radicado em Brasília há 10 anos, é romancista, contista, poeta, artista plástico e mestre em Literatura pela UNB (Universidade de Brasília). Também formado em Direito, integra a Comissão de Tolerância e Diversidade Sexual da 93ª Subseção de Pinheiros da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional São Paulo. Foi premiado pela Fundação Monsenhor Chaves com menção honrosa pela obra “Adeus Aleto”. Publicou ainda “Um Buquê Improvisado”, “O Príncipe - O Mocinho ou o Herói podem ser Gays”; Errorragia: contos, crônicas e inseguranças; Urânios; A teia de Germano; Uma cama quebrada (peça de teatro); Trilogia do desejo (coletânea de romances) e recentemente foi premiado pela FCP (Fundação cultural do Pará com o texto teatral 2015 AS DIVINAS MÃOS DE ADAM) como melhor texto teatral. Lançou recentemente o livro EXPERIENTIA, coletânea de suas primeiras peças de teatro.


SOBRE O DIRETOR:
Emer Lavinni,recentemente finalizou as novelas "Eta Mundo Bom" e "Pega Pega" na TV Globo e no momento se prepara para encabeçar também a equipe de direção junto ao diretor Jorge Fernando na próxima novela das 19h, Verão 90 graus.


FICHA TÉCNICA
Elenco: Ana Carolina Rainha, Héctor Medina e Mario Cardona
Texto: Roberto Muniz Dias
Direção Artística: Emer Lavinni
Iluminação: Anauã Vilhena
Cenário e Figurino: Nina Nabuco
Trilha Sonora Original: Lucas Simonetti
Fotografia: Helton Santos
Fonoaudióloga: Leila Mendes
Assessoria Imprensa: Dulce Siqueira /Komulinka Comunicação.
Realização: Cia Popular Versátil

SERVIÇO:
Espetáculo:   As Divinas Mãos de Adam
Temporada: Dias 06 -13 -20 e 27 de maio de 2018
Horário: Domingos, às 16h.
Local: Centro Cultural Parque das Ruínas
Endereço: Rua Murtinho Nobre, 169, Santa Teresa –RJ.
Ingressos: R$30,00 (inteira), R$20,00 (meia)
Informações: 2215-0621
Capacidade: 80 lugares
Gênero: Drama
Duração: 60 min.
Classificação etária: 14 anos

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