Mães pela Diversidade, parabéns pelo dia de vocês!






Um dos maiores problemas que muitas pessoas LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneras) enfrentam é o preconceito dentro da própria casa. Não bastasse o que muitos deles e delas passam em meio à sociedade fora de casa, esses filhos e filhas ainda enfrentam discriminação dentro da própria casa.

Um dos casos mais macabros que demonstra a que ponto pode chegar a LGBTfobia doméstica foi o do jovem Itaberli Lozano, assassinado pela própria mãe Tatiana Lozano. A mãe, evangélica como mostrava seu perfil no Facebook, contratou assassinos para matar o filho por ser gay, armando uma emboscada dentro da própria casa. Como eles não tiveram coragem de terminar o "serviço", a própria mãe deu cabo da vida dele, conforme investigações policiais.

Casos como esse são apenas o sintoma mais agudo de um mal que assola muitas crianças, adolescente e jovens entre as opressoras paredes de um lar LGBTfóbico - a rejeição e perseguição por parte de pais e/ou irmãos dessas vítimas.

Em meio a tanta ignorância e violência, surge um oásis de amor e boa vontade que vai se espalhando pelo Brasil afora - o coletivo Mães pela Diversidade.

Entre essas mães que valorizam a diversidade sexual e de gênero em seus filhos e filhas, contrasta frontalmente com a mãe homicida citada anteriormente a postura de Dinalva, essa mãe evangélica que demonstra, na prática, que ser religioso não é sinônimo de ser LGBTfóbico.




Dinalva
Maceió, AL

“Acho que a gente por ser evangélica, jamais deve discriminar, a gente tem mais é que orar, pedir para Deus abençoar, dar livramento das coisas que acontecem na rua... ligo para ele a cada dez minutos para saber como ele está.” 
(Dinalva)




Maju Giorgi, coordenadora nacional do Mães pela Diversidade 
abraçada por seu filho André - foto: Revista Forum.


Maju Giorgi, coordenadora nacional da ONG explica do que se trata esse coletivo:

“Somos um movimento orgânico sempre em reinvenção que tem como objetivo levar a aceitação a todo o Brasil”, define Majú Giorgi, coordenadora nacional da ONG, que também integra o Conselho Latinoamericano de Mães LGBT.



Além de participar de eventos como a Parada Gay e de atuar junto à ONU, a principal função do Mães pela Diversidade hoje é informar os pais sobre o mundo LGBT. “A ignorância é o que causa o ódio; queremos modificar a cultura para mudar a política”, explica Giorgi. Ela acredita que, assim como o jovem que se assume, a família também precisa de “apoio para fornecer apoio”. Por isso, em suas últimas ações, a ONG tem participado de treinamentos em multinacionais e de eventos em universidades.
(Fonte: Revista Cult)

O coletivo cresce a cada dia e as mães se conectam a partir das mais diversas cidades brasileiras.

No Distrito Federal, a coordenação do coletivo está sob a responsabilidade de Ângela Moysés.


Ângela Moysés - foto e trechos da entrevista à Agência de Notícias UniCEUB


Em entrevista à Agência de Notícias UniCEUB, Ângela também fala sobre o preconceito que ainda causa dor aos filhos LGBT no seio de suas próprias famílias.

"Infelizmente, ainda existe um grande número de casos em que o preconceito começa em casa, sim, causando violência física, às vezes, e sempre psicológica ao nossos jovens LGBTs. Então, a gente entende que a família, ela deve ouvir o seu filho, o sua filha, procurar informações corretas sobre o assunto e acolher. Família têm que acolher, família tem que amar."


As Mães pela Igualdade abraçam todas as mães e pais que procuram ajuda para lidar com seus próprios sentimentos e/ou falta de conhecimento sobre gênero e diversidade sexual. São esses dois fatores que geralmente levam a muitos equívocos da parte de pais contra seus filhos ou filhas LGBT.

O Globo Repórter fez matéria e veiculou as vozes de algumas dessas mães, alguns desses pais, seus filhos e amigos. A matéria foi veiculada em 23/09/2016. Serão sete minutos e quarenta segundos de muita emoção. Assista:



Para saber mais sobre o coletivo Mães pela Igualdade, que também inclui pais, como o querido Avelino Fortuna, que teve seu jovem filho Lucas Fortuna assassinado durante uma viagem de férias em Pernambuco, visite o grupo Mães pela Diversidade no Facebook:








Assista também esse vídeo do Ministério Público de Pernambuco com foco sobre essas queridas mães que lutam por inclusão e igualdade na diversidade:




O Blog Fora do Armário deseja um feliz dia das mães a todas essas mulheres que amaram e continuam amando seus filhos e filhas LGBT, sambando na cara do preconceito que ainda domina tantas mentes por aí. 

Queridas Mães pela Igualdade, continuem sendo essas guerreiras cheias de coragem e de ternura que fazem a diferença na vida de seus próprios filhos(as) e na vida de tantas outras pessoas que testemunham o amor de vocês. 


Acreditem, chorei enquanto preparava esse singelo post lendo e ouvindo o que vocês dizem, especialmente as vozes daquelas mães e daqueles pais que perderam seus filhos para a LGBTfobia. 

Obrigado pela resiliência de vocês. Que o amor de vocês se espalhe de norte a sul, e de leste a oeste do Brasil.



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Vocês são um patrimônio de inestimável valor para a construção de um país, ao mesmo tempo, diverso e inclusivo. 



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