Entrevista com Roberto Fukumaro: Primeira Parada de Mogi das Cruzes foi um sucesso.

Parada de Mogi das Cruzes, 2018 - em primeiro plano, Roberto Fukumaro, nosso entrevistado.



Fora do Armário: Qual foi o tema dessa primeira Parada LGBT na história de Mogi das Cruzes, SP?

Roberto Fukumaro: Nossa Voz, Nosso Voto! Respeito já! O tema é quase igual da Parada de SP, porque tem um peso politico nas eleições do legislativo e do executivo nesse ano.

Fora do Armário: Quem organiza a Parada? Vocês têm alguma forma de patrocínio?

Roberto Fukumaro: Foi a primeira Parada realizada no município de Mogi das Cruzes (29/04). Sua construção e realização ocorreram graças à associação Fórum Mogiano LGBT (a associação nasceu em 2014, priorizando a criação do Conselho Municipal LGBT projeto que está parado na prefeitura), que protocolou o pedido nas secretarias municipais no mês de agosto de 2017 para sua realização no fim do ano, em 10 de dezembro, mas foi acabou sendo vetado pela prefeitura que alegou que as festas natalinas comprometeriam os recursos. A decisão da prefeitura ocorreu depois de várias reuniões, mas esta só se pronunciou quanto à proibição na véspera e mesmo assim com uma justificativa  discriminatória. 

Em fevereiro retomamos o pedido para a Parada. e desta vez o secretário municipal da cultura tomou a frente em favor do evento ao mesmo tempo que a Secretaria da Cultura do Estado de SP abria um edital possibilitando que 12 cidades fossem contempladas com um trio elétrico e uma atração local. Eu fiz a inscrição que pedia relatório sobre o município, atuação da militância e carta de anuência da prefeitura, no dia 29 de março saiu o resultado do edital, que colocava Mogi das Cruzes entre as 12 cidades contempladas e desta forma tivemos condições de realizar a Parada.

Fora do Armário: Quantas pessoas participaram? A imprensa deu visibilidade à Parada na cidade? Vocês acharam a cobertura positiva?

Roberto Fukumaro: Prevíamos que entre 3 a 5 mil pessoas participariam da Parada, mas no dia foram calculadas 5 a 10 mil pessoas por vários indicadores. A imprensa mais importante, como a TV Globo e jornais de grande circulação regional, destacaram a Parada e também as mídias alternativas como YouTubers, blogueiros, etc. Essa divulgação do evento é ainda mais importante diante de uma cidade com perfil conservador na política e com poder econômico, onde somente festas religiosas merecem destaques.

Fora do Armário: Quais são as principais demandas da comunidade LGBT de Mogi? O que vocês consideram que já avançou na cidade?

Roberto Fukumaro: A principal demanda está em políticas públicas com atenção à população LGBT. A indiferença e a ignorância, junto ao preconceito velado, são os principais desafios que enfrentamos. Portanto, nosso trabalho é pioneiro. seja para auxiliar as pessoas trans em tirar seus documentos, ou para que tenham o seu nome social reconhecido, até casos de violência em que acompanhamos a investigação. A repercussão de um movimento articulado em defesa à população LGBT abriu algumas portas, mesmo porque temos leis e repasse de recursos que visam atender o segmento social, mas são avanços lentos que pioram com a falta de recursos públicos e com pressão de alas conservadoras.

Fora do Armário: Que mensagem você deixaria para o público do blog Fora do Armário?

Roberto Fukumaro: Quero pedir que deem importância e reservem tempo para atuar na pauta LGBT, seja qual for a atividade social de que participem. Vejo muitas pessoas LGBT que procuram a gente em momentos de injustiças, sofrimento e violência, mas que não têm uma preocupação enquanto cidadão, pessoas sem uma consciência política para cobrar o Estado de Direito. Precisamos de pessoas que atuem, não somente como ativista, mas que tenham a postura de denunciar, levantar a causa para que a indiferença não prevaleça, precisamos estudar mais e entender as várias questões que envolvem a orientação sexual e a identidade de gênero. Atualmente, temos produção acadêmica e obras traduzidas que precisam ser divulgadas para que o empoderamento ocorra, com conteúdo e ação para uma militância LGBT.



Roberto Fukumaro, professor de História e presidente do Fórum Mogiano LGBT.










 Fonte: http://www.odiariodemogi.net.br/wp-content/uploads/2018/04/PARADA-LBGT.jpg


Comentários

  1. Quero agradecer a atenção e sensibilidade que o Sérgio Viula tem a temática LGBT e de como o movimento ocorre no país, com seus desafios e conquistas. É uma pauta dos direitos humanos e tem fundamental importância para uma sociedade inclusiva sem os ranços de valores históricos da opressão. Parabéns pelo trabalho.

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    1. Eu que agradeço, amigão. Trabalho como o seu e de sua equipe me enchem de orgulho e dão espervses a muitas pessoas que poderiam pensar que era impossível fazer um movimento lindo desse aí em Mogi, mas só até vcs irem lá e fazerem. Ano que vem aeea maior e melhor ainda. Parabéns e obrigado por me conceder essa entrevista.

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