Theresa May diz aos líderes dos países da Commonwealth: Nós "lamentamos profundamente" as leis anti-gays da era colonial

Theresa May diz aos líderes dos países da Commonwealth:

Nós "lamentamos profundamente" as leis anti-gays da era colonial.




Traduzido e adaptado por Sergio Viula
Texto original de Nick Duffy
Fonte: Pink News
Em 17 de abril 2018





Theresa May (Jack Taylor/Getty Images)



A Primeira Ministra da Inglaterra Theresa May disse aos líderes da Commonwealth (53 países independentes que já estiveram sob o domínio britânico) que o Reino Unido "lamenta profundamente" seu legado de leis anti-gays.

36 dos 53 países da Commonwealth continuam a criminalizar atos sexuais entre pessoas do mesmo sexo, baseados principalmente em leis impostas durante o período colonial britânico que nunca foram repelidas.

Mais de um bilhão de pessoas vivem sob leis anti-gays no território compreendido pela Commonwealth.

Falando num encontro para líderes governamentais de países da Commonwealth (em inglês, Commonwealth Heads of Government Meeting - CHOGM) em Londres nessa terça-feira, May respondeu aos pedidos de ativistas LGBT por um pedido de desculpas em função do terrível legado do Reino Unido sobre esse assunto. 

Dirigindo-se aos líderes de governo no evento, Theresa May disse:

"Por todo o mundo, leis discriminatórias produzidas há muitos anos continuam a afetar as vidas de muitas pessoas, criminalizando as relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo e falhando em proteger mulheres e meninas." 

"Estou muito ciente de que essas leis foram frequentemente estabelecidas pelo meu país. Elas estavam erradas naquela época e estão erradas agora."

"Como Primeira Ministra do Reino Unido, eu lamento profundamente que tais leis tenham sido introduzidas e o legado de discriminação, violência e até morte que persistem até hoje."

Thereza May acrescentou:

"Como uma família de nações, temos que respeitar as culturas e tradições uns dos outros, mas temos que fazê-lo de uma maneira tal que seja consistente com nosso valor comum de igualdade – um valor que está claramente estabelecido na Carta da Commonwealth."

"Os anos recentes trouxeram progresso. As três nações que descriminalizaram as relações homossexuais mais recentemente são todas membros da Commonwealth, e desde que os líderes governamentais se encontraram da última vez, a Commonwealth concordou em reconhecer sua primeira organização para pessoas lésbicas, gays, bissexuais e transgêneras."

"Todavia, resta muito a ser feito. Ninguém deveria sofrer discriminação ou perseguição por ser quem é ou amar a quem ama."

"O Reino Unido está pronto a apoiar qualquer membro da Commonwealth que deseje reformar a ultrapassada legislação que torna tal discriminação possível, porque o mundo mudou", acrescentou May.

Theresa May e o Príncipe Harry estiveram presentes ao evento. (Simon Dawson/Getty)



Theresa May disse: "Se a Commonwealth quiser permanecer num mundo assim, precisamos demonstrar nosso propósito renovado. Temos que demonstrar do que a Commonwealth é capaz, e esse encontro pode ser o momento no qual essa mudança começa a acontecer."

As declarações da Primeira Ministra vieram depois que uma petição com mais de 100 mil assinaturas solicitando que o assunto fosse tratado no evento foi realizada por ativistas juntamente com pressão feita pela Rede de Igualdade da Commonwealth (Commonwealth Equality Network - TCEN).

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