Sofia Amer: Uma borboleta começa a sair do casulo. Apoie.

Por Sergio Viula




Marcos Aurélio Amer estabeleceu uma amizade comigo via Facebook há algum tempo. De início, eu não suspeitava que ele fosse uma pessoa trans. Isso se deu principalmente porque nenhum procedimento de transição havia sido iniciado. Uma pessoa transgênera, porém, não é o que se faz dela a partir de tais procedimentos - sua identidade precede qualquer mudança e é justamente sua identidade que a move a transformar-se para se tornar mais fiel a si mesma.

Marcos, a quem eu passei a tratar como Sofia, nome que ela mesma adotou, escreveu o seguinte em sua timeline. Trata-se de um primeiro passo para informar aos amigos e amigas sobre sua transexualidade. Não é fácil ser visto de uma forma por três décadas e passar a agir de outra maneira de uma hora para outra. Na verdade, nunca é de uma hora para outra, mas quem compreende isso se a própria pessoa não se colocar claramente a esse respeito?

Sofia escreve então...

SOBRE MINHA TRANSIÇÃO: de Marcos para Sofia.



Sempre soube que eu era ela, que ela era eu, que eu sou ela, e que ela é o que quero ser e sempre tive medo de ser. Por mais que tente, por mais que me esforce, já não consigo ser eu mesmo sem que eu seja ela, só ela, seria lutar em vão contra o que sou. Não, Marcos não quer mais ser Marcos, pois, já não consegue não ser Sofia. 



E
u preciso de Sofia como Sofia precisa de mim, aliás, não apenas preciso ser Sofia como Sofia também só precisa ser eu, e desde que libertei Sofia do Marcos, Marcos não pode mais não ser Sofia - aquela Sofia que, trancada em mim, sofria; sofria por causa das suas roupas que não eram suas, por causa de um corpo que não era seu.



Obrigado a quem entende essa minha luta e me ajuda nessa transição.


Posteriormente, Sofia escreveu sobre a necessidade de se aceitar e de ter ajuda quando se é transexual. E por ajuda, ela se referia a apoio moral, emocional. 

POR FAVOR, LEIAM, É SOBRE TRANSSEXUALIDADE: A NECESSIDADE DE SE ACEITAR E E TER AJUDA.

Não é uma coisa que me aconteceu por acaso, da noite para o dia. Isso me persegue desde a infância, quando usava, sem ninguém saber, roupas femininas de minha irmã, quando assistia à novela e me imaginava uma daquelas mulheres lindas, mas, com o tempo, fui sufocando minha transexualidade, pois, sempre ouvi dizer que, sendo homem, querer ser mulher é feio, mesmo sem saber que não se tratava de querer ser mulher, mas, de que eu era uma mulher, ainda que numa forma errada, digo, num corpo que não me agradava aos olhos.

Assim, fui encarcerando no meu mais profundo âmago o meu verdadeiro eu, a mulher que eu era para ser o homem que nunca fui, ou nunca gostei de ser, e muitas vezes chorei, sim, à noite chorei por odiar quem eu era - melhor, quem eu não poderia ser. Mas, como poderia ser o que eu queria ser se naquela época não tinha quem me ajudasse?

Hoje, tenho o Vereador Carlos Guto Lopes, tenho outros amigos e amigas. Mas, quando era uma criança me tornando um adolescente, não tinha ninguém, nem informação sobre ser trans, ou que era ser trans. E aí, guardei a mulher que era na imagem de um homem que nunca gostei ser, e afogando essa mulher em lágrimas, ou a torturando com cortes na pele, cortes que fazia por odiar o corpo que nunca gostei de ter.

Agora, não tem jeito. Não posso mais enjaular a mulher que de mim sempre lutou para sair e dar a mim a sua forma, quando você conhecer alguém trans, ajude, você não sabe o quanto é dolorido para um/uma trans passar por isso sozinho/a, ajude, é questão de humanidade.

Sofia cita o vereador amigo dela, porque foi ele quem a apoiou na busca por assistência médica. Porém, Sofia precisa de apoio financeiro também. Primeiramente, para realizar os exames que darão início aos procedimentos médicos. Por isso, sugeri que ela começasse uma vakinha online hoje. O valor é muito pequeno, mas vai cobrir as despesas com exames. Sem os exames, ela não pode começar os procedimentos de transição.

Quem é leitor desse blog sabe que já ajudamos um jovem trans com a campanha "Eu sem camisa". Bart conseguiu fazer a operação de mamoplastia masculinizadora. Ele é um homem transgênero. No caso de Sofia, os procedimentos serão outros, visto que ela é uma mulher transgênero.

De qualquer modo, conto com o apoio dos leitores para ajudar Sofia Amer a vencer essa primeira etapa.

A vakinha online encontra-se aqui:




https://www.vakinha.com.br/vaquinha/me-ajude-no-meu-processo-de-transsexualizacao




Com relação a seu corpo, Marcos sempre se sentiu como se estivesse usando roupas estranhas, roupas que não condiziam com aquilo que sempre se sentiu ser, isso desde criança.

Com relação a seu corpo, Marcos sempre sentiu vergonha da sua imagem no espelho, da sua forma masculina, do seu órgão sexual, da seus primeiros pelos no rosto, do seu nome, de ser tratado no pronome ele, Marcos nunca gostou de ser Marcos. E quando criança, Marcos gostava de se refugiar no sono só para sonhar que não era Marcos, que não era o menino Marcos, mas, Sofia, a menina Sofia, com seu corpo de menina que sempre quis, com sua forma feminina que sempre quis.

Marcos sempre lutou contra Marcos, pois, nunca gostou de ser Marcos, Marcos quer ser Sofia, Sofia não quer ser Marcos, e tem gente que não entende, mas, essa luta entre Marcos e Sofia sempre foi minha luta particular, uma guerra que só agora tive a coragem de vencer, e que preciso vencer.

Ou eu venço, ou essa guerra me vence.

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