Marielle Franco e Anderson Gomes: Um mês sem respostas

Por Sergio Viula




Marielle Franco e Anderson Gomes:
Um mês sem respostas.


A vereadora carioca e seu motorista (amigo) foram assassinados há exatamente um mês no centro do Rio de Janeiro. Manifestações se espalharam pelo Brasil e por diversas cidades do mundo. A assessora de Marielle, sobrevivente ao ataque, saiu do país por amor à própria vida. Porém, nenhuma reposta definitiva foi dada a respeito de quem seriam os mandantes e os executores dessa barbárie. A polícia diz que está investigando e que não pode divulgar o que já sabe para não atrapalhar o andamento das investigações. É compreensível. Os criminosos são astutos. A sociedade brasileira e a comunidade dos países que evoluíram na concepção e nas ações que garantem os direitos fundamentais do ser humano exigem que os culpados sejam devidamente punidos. 

Na véspera do "aniversário" de um mês desse crime, a Procuradoria Geral da República sinaliza que não pretende deixar impune a discriminação e a incitação ao ódio contra a população negra e LGBT, só para citar duas. Bolsonaro e um de seus filhos são indiciados por racismo e ameaça a um jornalista.

Obviamente, nenhuma condescendência para com esse tipo de atitude criminosa pode ser demonstrada sem que a pessoa que a manifeste se torne cúmplice desses canalhas.

No Brasil, os registros de assassinatos contra pessoas LGBT - a maioria com requintes de crueldade - crescem a cada ano. 


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Eduardo Michels em 14/04/18:

OS NÚMEROS DA LGBTFOBIA

O Grupo Gay da Bahia (GGB) organiza essas informações há mais de três décadas e os registros têm aumentado nos últimos anos. De 2000 até 2017, o Grupo calcula um total de 3.963 casos, entre homicídios e mortes violentas contra a população LGBT. https://homofobiamata.wordpress.com/

O país registra atualmente, uma morte a cada 19 horas. Só no ano passado, 445 gays, lésbicas e travestis foram mortos, a maioria com requintes de crueldade, segundo o relatório do Grupo Gay da Bahia (GGB, 2017).

O GGB coleta seus dados através de levantamento limitado em jornais e internet. Para o Grupo a falta de estatísticas oficiais sobre crimes de ódio, tais como nos EUA, que possuem coleta rigorosa de estatísticas sobre “hate crimes” colabora para menosprezar os dados.

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Porém, Bolsonaro nega cinicamente que exista homofobia no Brasil, enquanto ele mesmo espalha ódio aos gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros.

Bolsonaro também nega que exista racismo no Brasil, mas o conteúdo e o modo como se refere aos negros deixa claro seu desprezo pela diversidade racial no Brasil. E por "racial", refiro-me às variações na cor da pele da população brasileira - em sua maioria parda ou negra.

Bolsonaro já foi condenado e teve que pagar indenização por dizer à uma colega parlamentar que só não a estuprava porque ela não merecia, como se ser estuprada fosse um privilégio que o criminoso concedesse à vítima e configurando apologia ao estupro. Maria do Rosário, a quem ele dirigiu essa infâmia provavelmente era desprezada porque, entre outras coisas, tinha cargo equivalente ao de ministra, sendo responsável pela Secretaria de Direitos Humanos, que era ligada à presidência da república no governo Lula-Dilma. 

Marielle era mulher, negra e bissexual, ou seja, tudo o que esse patife odeia e difama. Não é de surpreender que ele permaneça absolutamente calado a respeito desse crime há exatos 30 dias agora. Seu silêncio indica três coisas, pelo menos:

1ª - Ele não pode dizer o que pensa porque o que ele pensa sobre isso é provavelmente tão criminoso quanto o que ele disse a Maria do Rosário.

2ª - Ele não tem qualquer compromisso com a justiça e a igualdade - coisas que deveriam nortear seu mandato como legislador.

3ª - Sua aparente intolerância contra o banditismo no Brasil é seletiva.

Há quem pense que Bolsonaro esteja em lado oposto ao dos facínoras que nos governam ou que já nos governaram ao longo dos últimos 30 anos. Não. É justamente o contrário: Ao longo de quase trinta anos de mandatos em diferentes casas legislativas (nesse momento na Câmara Federal), Bolsonaro nunca fez nada pelo país. Nem mesmo uma CPI contra a corrupção do governo estadual, quando era deputado na ALERJ e muito menos na Câmara dos Deputados, onde se alinha com o que temos de pior por lá: as bancadas da bíblia, do boi e da bala, indicando claramente que ele apoia visões com fortes tendências teocráticas, pró-desmatamento e pró-armamento de civis, os quais são muitas vezes incapazes de lidar com o mais leve ataque de fúria.

O mimimi dos bolsominhos, agora preocupados com seu arremedo de mito, não vai deter a Justiça, como esperamos eu e tantos outros cidadãos comprometidos com uma visão pluralista e inclusiva de sociedade.

E cá para nós, Bolsonaro e seu clã seriam menos fétidos se fossem apenas inúteis, mas vão muito além disso - são nocivos, pestilentos e venenosos do ponto de vista político-econômico-social. Não só NÃO ajudaram o Brasil a melhor sob qualquer aspecto, mais ainda atrapalham ativamente o processo civilizatório nacional.



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#MarielleVive
#JustiçaParaMarielle



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