Lutador profissional sai do armário depois de encontrar o amor


Por Sergio Viula
Com informações do Gay Star News
Originalmente escrito por David Hudson


Mike Parrow, de Orlando, Flórida, fala publicamente sobre sua sexualidade pela primeira vez em matéria exclusiva do Gay Star News 







Mike Parrow, 34, diz que finalmente decidiu sair do armário para os amigos, a família e os companheiros lutadores há quatro anos. Isso aconteceu na mesma época em que ele encontrou, e se apaixonou, pelo homem a quem ele recentemente pediu em casamento.

Essa imponente figura de 1,93 m e 136 quilos lutou com poderosos oponentes, mas não foi no ringue que ele enfrentou as maiores batalhas. Suas lutas interiores por causa da homofobia internalizada o levaram a pensar em suicídio e a buscar terapias de conversão, também conhecidas como "cura gay".

Filho de um policial com uma professora, ele passou para a faculdade de Direito, mas decidiu seguir sua voz interior: "Alguma coisa simplesmente me disse: Sabe de uma coisa? Experimente. A pior coisa que pode acontecer é você não gostar. A faculdade de Direito sempre estará lá.’

Foi assim que ele seguiu adiante, rumo à sua primeira fase de treinamento na 3D Academy, em Kissimmee, Flórida. Isso foi em 2009.





Apesar das exigências físicas do curso, Parrow topou o desafio.

"Eu sou uma pessoa extremamente competitiva. Extremamente competitiva. Eu odeio absolutamente perder. Então, em tudo que eu fiz na minha vida, eu estabeleci alvos para mim mesmo."

A dedicação de Parrow o levou a muitos lugares nos ringues independentes. Atualmente, ele compete em todo o território americano através das empresas de luta Evolve e MLW.
Lutas com sua sexualidade

Apesar de Parrow estar OK com relação à sua mudança para a Flórida e sua decisão de se tornar um lutador profissional, outras partes de sua vida não estavam tão bem assim.

"Eu sempre soube que era gay. Isso nunca foi uma questão na minha cabeça. Mas ao crescer, eu frequentei uma escola católica por toda a minha vida. Minha mãe é professora de escola dominical. Eu vim de uma pequena cidade no estado de Nova York. Não havia uma pu
jante comunidade gay por lá." 



"Talvez seja uma escolha", Parrow se lembra de ter pensado. 

"Então, eu tentei esconder isso. Eu joguei futebol americano e fiz muitas das coisas de homem. Não era por eu ser gay. Aquelas eram coisas em torno das quais eu gravitava - coisas competitivas. A única exposição que eu via de qualquer cultura gay era extremamente efeminada e isso era o que aparecia na TV. Eu não sou como Jack em Will and Grace, então eu não sou gay."

Escondendo a homossexualidade

As tentativas de esconder sua homossexualidade incluíram namorar mulheres.

"No começo, quando você é mais jovem, é fácil - você é jovem. Mas quanto mais velho eu ficava, mais difícil se tornou manter qualquer tipo de relacionamento afetivo com uma mulher."

Tentando sair do armário

Ao tentar dar seus primeiros passos para fora do armário, Parrow acabou se enfiando ainda mais dentro dele. Ele pensou: "Estou numa nova cidade, ninguém me conhece. Estou no final dos meus 20 anos. Vamos tentar!".

Infelizmente, as coisas não saíram como planejado. Ele se deparou com gays muito mesquinhos e cruéis. Eles o consideravam "gordo", "feio", "um enrustido". "Naquele momento, eu estava tentando entender o que estava acontecendo", diz Parrow.

"Eu descobri que você pode passar constrangimentos por ser muito masculino na comunidade gay recente, o que é realmente muito estranho, mas acontece."

"E isso me fez voltar para o armário em vez de seguir adiante. Então, eu me enterrei na luta e foquei na minha carreira. E eu tive algum sucesso, mas isso continuava no fundo da minha mente."

"Isso se tornou meu maior medo. Será que alguém vai descobrir a meu respeito? Será que minha carreira vai acabar? Será que as pessoas são me verão como gay, mais do que quem sou e como vai meu trabalho?"

"Eu orei a Deus e disse: Ei, mostre-me o que eu preciso fazer. Apenas mostre-me um sinal. Mostre-me algo: Eu sou gay? Eu sou hétero?"

Terapias de conversão

Sobre as "terapias de conversão", ele diz:

"Era uma piada completa. Algo hilário. Basicamente, eles diziam: 'Nós vamos te apresentar garotas e é disso que você vai gostar'. O quê, tudo assim de repente? Um, não! Esse é exatamente ponto. Nós não gostamos de garotas!"

A resposta da psiquiatria

Parrow foi ver um psiquiatra. Ele disse o seguinte: "Não há nada errado com você. Você está deprimido porque você é gay!" 

Insistente, Parrow disse que queria consertar isso.

"Isso é algo que você não pode consertar", disse o psiquiatra.

"Isso é algo que me faz rir agora, mas eu levava isso a sério naquele tempo: 'Não, eu quero consertar isso'. E então, uma coisa estranha aconteceu. Eu conheci meu noivo."






O namoro e o noivado

Parrow namorou Morgan por quatro anos e meio. Um dia antes de conversar com o repórter do Gay Star News, ele havia proposto casamento.

"Eu fui a um bar com amigos para jogar sinuca, e ele estava sentado no bar sozinho. Eu soube logo: Aquele é meu sinal".

Parrow não disse anda. Alguns dias depois, ele estava no supermercado e Parrow o seguiu para um lado e para outro. De novo, o fortão não disse nada.

"Naquele tempo, eu estava atuando como bar tender. Três dias depois, ele entra no meu bar com a tia dele - era como um bar e restaurante - e eu finalmente conversei com ele."

"Partimos então para o nosso pior encontro, pois eu não tinha ideia de como falar com homens. E foi engraçado, mas eu disse a ele: 'Você nunca vai conhecer meus amigos, eu provavelmente nunca sairei do armário, e o único momento em que você poderá me ver é nessa casa'."

"Algumas semanas depois de conversarmos sobre isso, ele rompeu comigo. E foi a primeira vez na minha vida que eu me senti completamente arrasado. Foi aí que eu soube."





"Você precisa começar a ser você mesmo."

"Eu disse a mim mesmo: 'Se você quer que isso funcione, você precisa parar de ficar tão assustado. Você precisa começar a ser você'."

"Ele me ligou de volta e eu disse: 'Nós começaremos tudo de novo e eu prometo que teremos um encontro de verdade. Nós vamos sair, vamos fazer coisas reais'."

"E ele disse: 'Isso é tudo o que eu peço'. E daquele diz em diante, pouco a pouco, tudo melhorou."

"Eu trabalhei a coragem para estar com ele e para contar ao meu melhor companheiro de luta. Na verdade, ele é meu gerente. Ele foi a primeira pessoa a quem contei, e ele pensou que fosse piada no começo."

"Todo mundo para quem eu contei pensou que eu estivesse brincando. A percepção deles sobre os gays era totalmente diferente. Então, quando eu contei a eles, ele ficaram chocados, mas toda vez que eu conto a alguém fica mais fácil, e eu sempre tento contar isso as pessoas."

A reação da família

Logo depois de conhecer Morgan, Parrow contou à família. Segundo ele, todos o apoiaram - o que o surpreendeu em função de seus temores iniciais.

A reação mais surpreendente veio de seu pai.

"Eu contei ao meu pai e ele disse: 'Sim?' E eu disse: 'Sim?' E ele: 'Bem, você tem que me dar algum crédito. Eu sou um detetive. Eu meio que percebi que todas as garotas que você manteve eram para negar que você não gostava de garotas, eu estava apenas esperando que você me contasse!'"

A resposta de sua mãe (professora de escola dominical) foi simples: "Deus não comete erros."


A reação dos outros lutadores


Parrow tem orgulho em estar noivo do homem que ele ama e está feliz com o modo como sua carreira vai indo. Ele diz que raramente experimentou homofobia no circuito de luta.

Parrow diz que as duas empresas de luta com as quais ele trabalha são fantásticas!

Porém, vez por outra, ele se depara com algum tipo de comentário ofensivo em certos ambientes.

"Você ouve muitas coisas no vestiário que nunca diria na vida real. As pessoas lançam insultos à direita e à esquerda. Então, eu simplesmente abordo o caso quando sinto que já foi longe demais. Talvez não seja contra mim, mas se foi longe demais, eu me dirijo a eles. Eu digo: 'Vocês realmente acham isso necessário agora?'"

Parrow diz que os lutadores geralmente têm curiosidade sobre algumas coisas e que está aberto a conversar sobre essas questões. Ele não é alvo de ataques pessoais por parte de colegas, mas se um dia o for, ele diz que não recuará. É do tipo que encara. ^^

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