Primeira vítima de homofobia no Brasil ganhou monumento. Você soube disso?


Lápide em homenagem ao índio Tibira, primeira vítima de homofobia no Brasil, 
é inaugurada pelo Governo do Maranhão Semana Estadual de Direitos Humanos 
(2016)


O monumento foi inaugurado em 2016. Saiu no site oficial do Governo do Estado do Maranhão, inclusive. Mesmo assim, eu só fiquei sabendo desse marco na história do Brasil hoje, graças ao amigo Ricardo Rocha Aguieras pelo Facebook.

O site Queer Feed colocou uma matéria naquele mesmo ano explicando quem era o índio Tibira, considerado a primeira vítima de homofobia no Brasil. Você pode ler a matéria AQUI.

Veja o artigo do Grupo Gay da Bahia sobre isso:

Salvador, BA, sábado, 6 de dezembro de 2014 – 1614: poucos meses após sua instalação no Maranhão, os franceses, liderados pelo capuchinho Frei Yves d’Evreux, foram informados da existência de um famoso “Tibira”, termo da língua tupi para descrever os índios homossexuais. Na época a sodomia era considerada pela Cristandade “o mais torpe, sujo e desonesto pecado”. E para evitar um temido castigo divino e aterrorizar eventuais futuros amantes do mesmo sexo, ordenaram os capuchinhos a captura e prisão do índio gay, que foi sumariamente julgado, batizado e condenado a morte. Estouraram o Tibira amarrado na boca de um canhão, ao pé do Forte de São Luís, caindo seu corpo estraçalhado na baía de São Marcos, “para limpar a nova conquista do abominável e nefando pecado de sodomia.” Tal execução, arbitrária e sem autorização do Papa ou da Inquisição, é detalhadamente descrita e justificada pelo missionário em seu livro História das coisas mais memoráveis acontecidas no Maranhão nos anos de 1613 e 1614, comparando o infeliz índio gay recém batizado com São Dimas, o bom ladrão perdoado por Jesus no Calvário.

Para celebrar o 4º Centenário dessa cruel execução, o GRUPO GAY DA BAHIA (GGB) escolheu 9 de dezembro, véspera do Dia Internacional dos Direitos Humanos, para o lançamento mundial da campanha pela canonização de São Tibira do Maranhão, primeiro mártir gay das Américas. Como estratégia, exige o pedido de perdão público por parte do Superior Geral da Ordem dos Capuchinhos de Roma por esse abuso fundamentalista, já que os missionários não tinham autoridade para condenar a morte os sodomitas (gays).

O GGB requer igualmente que o Governo do Maranhão e a Prefeitura de São Luis construam um monumento em homenagem ao mártir gay Tupinambá no mesmo local onde foi executado na boca de um canhão, na confluência da atual Rampa do Palácio com a Avenida Beira Mar.

Ainda visando resgatar a heroicidade do primeiro mártir gay indígena brasileiro, vítima da homofobia religiosa, o GGB enviou ofício à CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, solicitando formalmente que interceda junto ao Vaticano para a abertura de processo de canonização do Tibira do Maranhão, alegando o precedente do Bom Ladrão, que apesar de seu passado pecaminoso, Jesus o perdoou garantindo-lhe um lugar como santo no céu. O mesmo ocorreu com esse índio gay maranhense, que ao ser executado, como garantiu seu juiz e executor, o capuchinho Yves Évreux, “sua alma imortal foi levada pelos anjos ao Céu, pois morreu logo depois do batismo, certeza infalível da salvação daquele a quem Deus concedeu tal graça, tão rara como o arrependimento do bom ladrão na cruz, a quem Jesus prometeu: Hoje estarás comigo no Paraíso!”

O GGB conclama igualmente à FUNAI, Fundação Nacional do Índio e Associações de Povos Indígenas do Brasil para que encampem essa campanha para que a Igreja Católica eleve Tibira aos altares como mártir, já que foi executado devido à homofobia e ao etnocentrismo europeu-cristão, considerando que a homossexualidade masculina e feminina era fartamente praticada e respeitada entre todos nossos povos nativos, embora contemporaneamente seja discriminada, sobretudo nas aldeias e culturas que foram convertidas ao fundamentalismo cristão.

Com essa campanha, o Grupo Gay da Bahia pretende igualmente chamar a atenção para as execuções que continuam a vitimizar os homossexuais no Brasil contemporâneo: 50% dos assassinatos de lgbt do mundo ocorrem no nosso país, um “homocídio” a cada 28horas. Um total de 284 crimes homofóbicos somente neste ano.

No dia 9/12, 3ª feira, 18hs, no foyer da Biblioteca Central dos Barris o GGB fará o lançamento de dois livros: “São Tibira do Maranhão, 1614-2014, Índio Gay Mártir”, de autoria de Luiz Mott e do cordel “TIBIRA DO MARANHÃO: Santo Homossexual”, da cordelista e doutora da UFBa, Salete Maria.

Nessa esquina, na orla de S.Luís, local do futuro monumento ao Tibira, aí ele foi executado na boca de um canhão.


(Fonte: Grupo Gay da Bahia)
Transcrevo aqui também a mensagem de Ricardo, que foi justamente quem me chamou atenção para esse momento histórico, visto que além de ter sido a primeira vítima de homofobia no Brasil, Tibira também é o primeiro homenageado com um monumento com tema gay no Brasil.


Ricardo Rocha Aguieiras
ay Da Bahia - GGB Ggb da Bahia II, isso é tão maravilhoso, que não pode passar em branco, todos militantes e líderes gays têm obrigação de aplaudir. E foi, também, o primeiro caso de homofobia registrado no Brasil!!! Obrigado, por sua incansável e já histórica Luta, Luiz Roberto de Barros Mott!!!

"" Hoje tivemos o prazer de Participar do lançamento do memorial do nosso I Mártir LGBT da historia do Brasil um índio que tem por nome São TIBIRA do Maranhão que pela sua FORMA DE AMAR morreu fuzilado por uma sociedade que queria lhe impor um padrão impedindo-o de amar quem ele quisesse.

Nos dias atuais a historia se repete, a cada 28 minutos um LGBT é mortx, discriminadx e jogadx as margens da sociedade principalmente as nossas irmãs TRAVESTIS, TRANSEXUAIS E TAMBÉM OS NOSSOS IRMÃOS TRANSEXUAIS que muitas das vezes lhes são negados direitos como o mercado de trabalho independe da área, acesso a UNIVERSIDADE, que cada vez mais tem sido um espaço de opressão e repressão por professores e estudantes fundamentalistas que proferem seu discurso de ódio, onde muitas delas são mortxs no seu ponto de trabalho (pistão) para poder viver e sobreviver.

ÍNDIO TIBIRA nos deixou um legado que mesmo sendo perseguido e morto em nenhum momento deixou de AMAR.
BOLSONARO, FELICIANO, TEMER,FUNDAMENTALISTAS e ETC. Vocês não impedirão a nossa FORMA DE AMAR iremos resistir como muitos LGBTs que resistiram na luta; nós iremos resistir, o nosso amor vai vencer o ódio!!!
São Tibira do Maranhão, ora pro nobis!!! """


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