Conferência LGBTQ na "capital gay" da China é desfeita

Chineses LGBTQ parecem estar sob nova onda de repressão governamental


Com informações da REUTERS via NBC News
Traduzido e adaptado por Sergio Viula


PEQUIM —  Organizadores de uma conferência LGBTQ na "capital gay" da China tiveram que cancelar o evento essa semana pela segunda vez em alguns meses. Trata-se de um seminário que pretendia expandir a conscientização sobre assuntos lésbicos, gays, bissexuais e transgêneros.

O grupo chinês Speak Out havia marcado a conferência na cidade de Chengdu, na província de Sichuan no dia 23 de julho último, mas os donos do local cancelaram a reserva, alegando conflito de eventos, disse o grupo.

Não é ilegal ser gay na China, mas ativistas LGBTQ dizem que atitudes profundamente conservadoras contra a homossexualidade em alguns setores da sociedade têm levado a ocasionais repressões governamentais.


Imagem: Jovens seguram bandeiras durante sua parada anti-discriminação em Changsha, 17 de maio de 2013. AFP/Getty Images



Muitas pessoas ficaram surpresas com o cancelamento. Muitos jovens chineses consideram Chengdu como "gaydu", ou "a cidade dos gays", devido à sua liberalidade quanto aos LGBTQ.

"O local da conferência, o teatro Jinsha, nos disse que uma atividade oficial do governo foi marcada para ser realizada no mesmo dia, o que nos deixou sem escolha, exceto cancelar" - disse à Reuters o fundador de Speak Out, que se identificou apenas como Matthew.

Um administrador no teatro disse à agência Reuters que não estava ciente da situação.

Speak Out teve problemas semelhantes quando tentou organizar um conferência sobre direitos gays na cidade de Xian em maio último.

O cancelamento provocou centenas de postagens no Weibo, uma plataforma de mídia social exclusivamente chinesa, com muitas pessoas expressando sua solidariedade.

Peng Yanhui, um proeminente ativista LGBTQ estava agendado para conclamar o fim da "terapia gay" na conferência.

Algumas pessoas são forçadas por seus pais ou cônjuges a se tratarem em hospitais onde são diagnosticadas como tendo "desordem de preferência sexual". Muitas são forçadas a tomar drogas e passar por tratamentos de eletrochoque.

Em 2014, Peng processou uma clínica de terapia de conversão por causa do sofrimento pelo qual passou, e ganhou. As autoridades fizeram a clínica remover propagandas sobre seu serviço da Internet.

"Fiquei muito triste com o cancelamento," disse Peng a Reuters.

Até 2001, a China considerava a homossexualidade uma desordem mental.

Há poucos dias, a China já havia banido "conteúdo gay" de vídeos, não especificamente conteúdo obsceno como alguns poderiam pensar precipitadamente. Saiba mais sobre isso AQUI. O governo está aparentemente conduzindo uma nova onda de repressão às pessoas LGBTQ no país.

NOTA: O jornal britânico The Guardian fez matéria sobre o caso de Peng e fez menção a alguns outros casos, inclusive o meu. Quem quiser dar uma olhadinha, pode acessar a matéria aqui: http://www.foradoarmario.net/2016/02/the-guardian-faz-materia-sobre-cura-gay.html

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