SUS vai oferecer pílula que promete prevenir HIV

MAIS INFORMAÇÕES SOBRE O PrEP (PROFILAXIA PRÉ-EXPOSIÇÃO)


Por Sergio Viula

A Folha de São Paulo e outros veículos de comunicação informaram que o governo brasileiro vai oferecer o antirretroviral Truvada pelo Sistema Único de Saúde. A medida é vanguardista, uma vez que o Brasil será um dos poucos países a oferecer essa possibilidade de prevenção gratuitamente à população. O tratamento beneficiará pessoas em comportamento de risco ou em relações sorodiscordantes (uma pessoa tem o vírus HIV mas a outra não) em que haja exposição ao vírus.

Muitas pessoas já celebram a iniciativa. Sim, essa é uma boa medida. Concordo plenamente. O que me preocupa é que muitas pessoas já estão achando que é o fim da dinastia da camisinha, que reina absoluta como meio seguro de prevenção desde o início da epidemia. Eis aí um engano que pode custar caro. E por quê?

Primeiro, porque nenhum remédio é 100% seguro. Pensar que basta tomar o Truvada uma vez e todos os seus problemas estarão resolvidos é mito. O remédio tem que ser tomado diariamente, ou seja, a pessoa dependerá do remédio permanentemente - o que pode gerar sérios efeitos colaterais. O site www.bulario.com lista VINTE efeitos indesejáveis do Truvada (um comprimido com dois retrovirais: tenofovir e emtricitabina):

1.  Diarreia;
2.  náusea;
3.  vômito;
4.  tonturas;
5.  dor de cabeça;
6.  urticária na pele;
7.  cansaço extremo;
8.  dor, dor de estômago;
9.  dificuldade em dormir;
10. sonhos anormais;
11. problemas de digestão;
12. enfartamento;
13. gases;
14. urticária;
15. manchas vermelhas e inchaço na pele;
16. coceira;
17. escurecimento da pele em manchas;
18. dificuldade em respirar;
19. inchaço do corpo;
20. confusão.

Em segundo lugar, mas não menos importante, está a taxa de sucesso do Truvada. Ela é muito alta (86%), segundo a pesquisadora Valdiléa Veloso, pesquisadora da Fiocruz, em entrevista à Folha de São Paulo. Bem, na prática, isso quer dizer que de cada 100 pessoas que fizerem uso desse tratamento, pelo menos QUATORZE INDIVÍDUOS não conseguirão impedir a contaminação. Em outras palavras, quem usar Truvada para substituir a camisinha ainda correrá mais risco de ser contaminado, apesar da ingestão do remédio, do que aqueles ou aquelas que só se relacionarem com o uso do preservativo.

Em terceiro lugar, o site bulario.com também alerta para o seguinte: "Truvada está contraindicado para crianças e adolescentes com menos de 18 anos, pacientes com alergia à emtricitabina, ao tenofovir, ao tenofovir disoproxil fumarato, ou a outros componentes da fórmula." 

A matéria da Folha de São Paulo não fala sobre isso e nem diz como o governo tratará desses casos. Portanto, jovens menores de idade que transarem sem camisinha, pensando que poderão utilizar o Truvada sem qualquer restrição em função da menoridade, podem descobrir - tarde demais - que se enganaram. 

Vale ressaltar que o Truvada oferece riscos extras para quem tem problemas nos rins, doenças no fígado como hepatites crônicas de tipo B ou C, diabetes, excesso de peso, colesterol elevado ou se tiver intolerância à lactose. Além disso, durante o tratamento com o Truvada, existe também o risco de se contraírem infecções oportunistas, doenças autoimunes, problemas ósseos ou outras complicações que ocorrer devido ao tratamento. Por causar tontura em muitos pacientes, recomenda-se que durante o tratamento com Truvada, o paciente não dirija veículos ou máquinas.

Resumo da ópera: É ótimo que o governo ofereça essa opção de prevenção pré-exposição ao vírus HIV (PrEP). Porém, ela não substitui a camisinha. E se o Truvada apresenta êxito em taxas consideradas elevadas em comparação com outros procedimentos (a camisinha ainda é a prevenção mais segura), por outro, ele não previne outras DSTs (doenças sexualmente transmissíveis). O Ministério da Saúde oferece informações importantes sobre algumas delas, como você poderá ver abaixo:




Cancro mole (cancroide)

Condiloma acuminado (Papilomavírus Humano - HPV)

Doença Inflamatória Pélvica (DIP)

Donovanose

Gonorreia e infecção por Clamídia

Hepatites virais

Herpes genital

Infecção pelo HTLV

Linfogranuloma venéreo (LGV)

O que é aids

Sífilis

Tricomoníase


Por tudo isso, use o Truvada se preciso... SE PRECISO. Não cometa o erro de substituir a camisinha pela ingestão desse comprimido todos os dias a perder de vista. Camisinha é assim: Colocou, usou, tirou, jogou fora: É vida que segue, e que segue sem maiores dores de cabeça. Aliás, transar deveria sempre aliviar as tensões, não aumentá-las. 




Divirta-se, ame, goze muito, mas não deixe de cuidar seu corpo e o do corpo de quem você ama. Cuidando, a gente pode curtir muito... e sempre.

Comentários

  1. Informação é sempre a melhor prevenção.

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    1. Verdade, Cecília. Só fiz uma alteração no início do último parágrafo (abaixo da foto do rapaz com a camisinha no dedo). ^^ Havia feito uma redundância sem querer. Obrigado pelo comentário, amiga linda! Te adoro!

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