A farsa de Fátima teve um novo capítulo às vésperas do dia 13 de maio de 2017

Por Sergio Viula

A chamada Senhora de Fátima com véu.


A maioria das religiões prega alguma concepção de imortalidade, seja ela qual for. Entretanto, ninguém parece gozar de imortalidade mais do que mesmas religiões, que sempre encontram algum modo de apelar aos sentimentos dos desavisados e ingenuamente crédulos. Essa semana, pudemos testemunhar mais uma dessas artimanhas. Trata-se da farsa de Fátima,  sempre acrescida de mais algum componente. Desta vez, o componente foi a canonização de dois dos pastorinhos, que alegadamente teriam visto Sua Senhora: Francisco e Jacinta. 

De acordo com o relato oficial registrado pela Igreja Católica Apostólica Romana, doravante chamada apenas de igreja romana, as três crianças teriam visto Sua Senhora pela primeira vez em 13 de maio de 1917 - o que, não por mera coincidência, coincide com o período da I Guerra Mundial, que começou em 1914 e terminou em 1918. Nesse período, a igreja romana também temia que a Rússia dominasse terras sobre as quais o papa tinha influência direta. Entre outras razões, esse temor se devia ao fato de que a igreja oficial na Rússia era e continua sendo a Igreja Ortodoxa Russa, doravante chamada de igreja ortodoxa, que tem um patriarca com poderes semelhantes ao do papa. 

A suposta visão teria se repetido durante seis meses seguidos, sempre no dia 13, exceto no mês de agosto, quando teria acontecido no dia 19 - sabe-se lá por que razão a virgem teria se atrasado. As aparições encerraram-se no dia 13 de outubro de 1917.

Lúcia, porém, a mais velha dos três videntes, parecia ser a líder do grupo. Ela vivia aterrorizando os menores com historietas sobre o inferno, as quais os pequenos levavam a sério por demais. A própria Lúcia parece ter sido manipulada pelo padre local e mais tarde por muitas autoridades eclesiásticas, uma vez que as supostas ocorrências passaram a ganhar vulto e a atrair multidões. Seu triste destino, porém, foi ser encerrada em um convento carmelita, condenada ao silêncio. 

A pergunta que não quer calar: Por que será que tiraram uma garota adolescente de casa, de pais sem recursos e ignorantes, trancafiaram-na em um convento, condenando a pobre coitada ao silêncio perpétuo? Provavelmente, porque ela poderia dar com a língua nos dentes e estragar tudo, é claro.

Você pode se perguntar: Mas, e Jacinta e Francisco? Eles não poderiam falar? 

Não. Eles morreram ainda crianças sem qualquer assistência especial por parte da igreja romana.

Veja bem: Duas crianças especialíssimas - afinal, viram Sua Senhora, e várias vezes - morrem em tenra idade, eliminado qualquer possibilidade de que falassem a respeito do assunto a outros interessados em investigar o suposto milagre de Fátima.

Agora, depois de construírem um suntuoso santuário, venderem centenas de milhões de rosários e terços, arrecadarem doações inestimáveis, receberem heranças de fiéis falecidos, entre outras coisas, a igreja romana decide canonizar Francisco e Jacinta, alegando que um milagre foi confirmado no sul do Brasil - mais uma obscura manobra para exaltar a tal Senhora e seus videntes, que nem ao sol pouparam, uma vez que alegam os mais crédulos que Sua Senhora teria feito o sol girar em torno de si mesmo e ser visto sem que os olhos dos expectadores se ofuscassem - "milagre" negado por muitos que ali estiveram presentes, apesar de outros jurarem que o viram.

Mais por que tanta movimentação na Cova da Iria? 

Só para suposta Senhora do Rosário de Fátima pedir que rezassem o rosário, e avisasse que se os homens não se arrependessem, um castigo viria. 

O quÊÊÊÊÊÊ? Só isso?

Sim, só isso. 

E agora, convenientemente, a igreja romana canoniza os dois pobres coitados, mortos prematuramente e aterrorizados por ideias infernais, quase às vésperas do dia 13 de maio - dia em que Sua Senhora supostamente aparecera pela primeira vez, e que é véspera do dia das mães esse ano -, atraindo milhões de pessoas ao LUCRATIVO templo de Fátima e chamando atenção de centenas de milhões ao redor do mundo, fazendo inveja aos mais competentes marqueteiros da história do capitalismo.

Uma multidão manipulada através de relatos sem a menor evidência de que sejam verdadeiros despeja DINHEIRO, fé e esperança num buraco sem fundo chamado religião, que por meio de apelos falsamente maternais, têm enriquecido e prosperado em todos os sentidos há exatos 100 anos nesse 13 de maio de 2017. Aí, você pode se perguntar quais serão as cenas dos próximos capítulos dessa farsa. Minha resposta simples e direta é: Quem viver, verá.


Os três pirralhos videntes: Lúcia, Francisco e Jacinta.

Desde pequeno, vejo a imagem de Fátima e as fotos desses três. Minha família é de origem portuguesa e passei minha infância na igreja romana. Sempre me perguntei por que três criaturas que dizem ter visto "aquela linda senhora" teriam expressões faciais tão suspeitas. Imaginem se eles tivessem visto o capeta, então.

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