Santo Curupira, o estilista Ronaldo Ésper agora faz o garoto propaganda anti-gay da Igreja Universal? Vou alfinetar!








Por Sergio Viula


Recebi uma notificação do F5 (Folha de São Paulo) sobre uma matéria intitulada "'Não sou mais homossexual por força da minha vontade', diz estilista Ronaldo Ésper". Estranhei muitíssimo. Por que será que um homem que se apresentou de maneira glamourosa e afetadíssima ao longo de seus 72 anos de idade diria isso agora?

A resposta veio logo que comecei a ler a matéria.

Segundo a Folha, Ésper teria dito o seguinte:

"Depois de um período de crise muito grande, parti para outra direção na minha vida. Hoje não sou mais homossexual, por força da minha vontade, porque ninguém se cura disso". 

Sobre as falácias da "reversão sexual", clique AQUI.

A matéria diz que essa declaração teria sido feita ao programa "Sensacional" (RedeTV!), que vai ao ar neste domingo (26). Pensei até que pudesse se tratar apenas de mais um truque da emissora para ganhar audiência domingo que vem. E todos sabemos que tem coisa muito melhor para ver no Fantástico. Refiro-me à série "Quem sou eu?", que está apresentando matérias excelentes sobre pessoas transgêneras, especialmente transexuais. Não deixe de assistir essa série do Fantástico. Você vai ganhar muito mais com isso do que com as intrigas do alfinetador metido a chique, com certeza.

Todavia, minhas suspeitas de que isso seria apenas um truque para captar audiência começaram a ruir quando li o seguinte na Folha:

"De acordo com o estilista, ele encontrou apoio na Igreja Universal. 'Há alguns anos eu estava à beira do suicídio. Se não tivesse sido acolhido da forma que fui, teria me matado'."

Claro que as pessoas encontram diferentes maneiras de lidar com ideias suicidas, e dificilmente existe um ser humano que nunca tenha considerado tal possibilidade, mas a maioria não se demora nesse tipo de pensamento. Todavia, quando a ideia se torna uma obsessão, ela pode se tornar extremamente perigosa para a vida do indivíduo dominado por ela. 

Qual seria a melhor saída nesse caso? Procurar um bom psicólogo ou psiquiatra. Muitas vezes, apenas falar com um bom amigo pode ser suficiente para ajudar a maioria das pessoas que se sentem assim. Como as igrejas são bem treinadas na recepção de visitantes, não é difícil confundir hospitalidade (muitas vezes interesseira) com amizade. Porém, como diz o ditado: Nem tudo que brilha é ouro. Prova disso pode ser encontrada na própria matéria. Veja o que diz a Folha:

"Apesar de dizer que não é mais homossexual, Ronaldo Ésper ainda não agradou totalmente os membros da igreja que frequenta. 'Outro dia um pastor me falou: 'mas e os trejeitos?' Eu falei: 'pastor, os trejeitos não vai ter jeito, né?'"

Vejam bem: Amigos de verdade não exigem que você deixe de ser você mesmo. Ésper pode ter se empolgado com a falsa paparicação da maioria dos pastores daquela organização e de alguns de seus membros, mas a emoção dos primeiros contatos é tão passageira quanto o estado sólido de uma pedra de gelo exposta ao sol do meio-dia. Em outras palavras, essa empolgação não dura nada. Quer ver um caso recente? Sugiro que leia: A travesti-propaganda de Feliciano diz que não existe "cura gay".

Ésper nunca teve filhos, mesmo assim diz que não gostaria de ter um filho gay. Que bom que não teve filho algum. Aliás, essa deveria ser a sina de todo homofóbico, todo homem ou mulher que diz que prefere ter um filho bandido a um filho gay, por exemplo. Não deveria ter filho algum. 
No caso dele, pode ser que não tenha gerado porque não quis, mas bom seria que todo LGBTfóbico fosse estéril e nunca adotasse criança alguma. Gente assim é altamente nociva para a vida de crianças indefesas. A LGBTfobia leva muitas crianças e adolescentes ao suicídio porque estas não suportam a pressão do preconceito dos pais, instilado continuamente através de falas como essa, e geralmente corroborado por gente estúpida na igreja que frequentam ou na escola em que estudam. Assista o filme abaixo:


Aliás, pessoas como Ésper, e até mesmo o falecido Clodovil, são geralmente incensadas por fascistas e fundamentalistas religiosos porque incorporam e reproduzem o discurso destes, mas com um diferencial: SUPOSTAMENTE com mais autoridade por serem parte do grupo ao qual desprezam. Só que isso não as transforma em autoridade alguma nesse sentido. 

Em outras palavras, pessoas que reproduzem estupidez continuam sendo estúpidas dentro ou fora do grupo contra o qual dizem tais imbecilidades. Ésper não é exceção.

Quanto à solidão que ele vincula à sua homossexualidade, sugiro que qualquer um aqui visite o asilo para idosos mais próximo e veja quantos homens e mulheres heterossexuais, pais e mães de um bando de filhos, estão abandonados lá, até mesmo sem visita dominical. A solidão nada tem a ver com orientação sexual, identidade de gênero, formação de família ou opção por viver sozinho. Ela tem a ver com contingências típicas da vida e da personalidade humana, tão diversa quanto a areia do mar. E há quem esteja cercado de parentes e amigos e ainda se sinta sozinho justamente porque não se sente à vontade sendo quem é entre eles. Esse geralmente é um problema deles que você assume como seu. Mande tudo para o cacete e seja você mesmo, feliz do seu próprio jeito. Leia "Família é tudo, uma vírgula".

Sobre a pergunta "para onde te leva tudo isso?", feita por ele de modo retórico durante a entrevista, minha resposta é a seguinte: Depende de para onde você quer ir e de como conduz a si mesmo. 
Ésper, por exemplo, foi parar no fosso de seu frágil castelo: virou seguidor de Edir Macedo e massa de manobra na mão de pastores picaretas que nunca estarão ao lado dele quando precisar, mas que certamente esperam morder um pouco da riqueza que ele acumulou, se é que não está falido também e procurando alguma corrente da prosperidade, tão fake quanto os pastores aos quais ele anda se submetendo.




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