A cada 25 horas, um LGBT é assassinado no Brasil - Relatório 2016 (Grupo Gay da Bahia)

A cada 25 horas, um LGBT é assassinado no Brasil - Relatório 2016 (Grupo Gay da Bahia)



Agradecimentos:
Marcelo Cerqueira 
Paulinho GSP 
Leodvam A. Silva 
Deco Ribeiro 
Paul Beppler 

E a todos os Lgbts do Brasil 
que nos enviam noticias. 

Autores:
Luiz Mott
Eduardo Michels 
Paulinho


Clique numa das fotos acima e você será redirecionado para o relatório do GGB.


ASSASSINATO DE LGBT NO BRASIL:

RELATÓRIO 2016



343 LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais) foram assassinados no Brasil em 2016.

Nunca antes na história desse país registraram-se tantas mortes, nos 37 anos que o Grupo Gay da Bahia (GGB) coleta e divulga tais homicídios. A cada 25 horas um LGBT é barbaramente assassinado vítima da “LGBTfobia”, o que faz do Brasil o campeão mundial de crimes contra as minorias sexuais.

Matam-se mais homossexuais aqui do que nos 13 países do Oriente e África onde há pena de morte contra os LGBT.

Tais mortes crescem assustadoramente: de 130 homicídios em 2000, saltou para 260 em 2010 e para 343 em 2016. Durante o governo FHC mataram-se em média 127 LGBT por ano; no governo Lula 163 e no governo Dilma/Temer, 325.

Segundo o antropólogo Luiz Mott, responsável pelo site Quem a homofobia matou hoje, “tais números alarmantes são apenas a ponta de um iceberg de violência e sangue, pois não havendo estatísticas governamentais sobre crimes de ódio, tais números são sempre subnotificados já que nosso banco de dados se baseia em notícias publicadas na mídia, internet e informações pessoais. A falta de estatísticas oficiais, diferentemente do que ocorre nos Estados Unidos, é prova da  incompetência e homofobia governamental, já que a Presidenta Dilma prometeu aprovar, mas mandou arquivar o projeto de lei de criminalização e equiparação da homofobia ao racismo.”

2016 foi marcado por dois assassinatos que revoltaram o país: no Metrô de São Paulo no dia do Natal, o vendedor ambulante Luiz Carlos Ruas, foi massacrado até à morte, quando tentava defender um gay e uma travesti perseguidos por dois lutadores marciais; o segundo caso foi o adolescente Itaberly Lozano, 17 anos, espancado, esfaqueado e carbonizado por ordem da própria mãe evangélica. Outros casos de LGBTfobia chocaram pelos requintes de crueldade: o professor universitário Elessandro Milan, 34 anos, de Porto Velho, foi degolado e esquartejado; Wagner Pereira, comerciante de Belém, foi morto com 80 facadas; em Santa Luz, Bahia, dois professores foram encontrados carbonizados dentro do porta malas de um carro; a travesti Brenda foi espancada e jogada de cima de uma alta passarela em Castanhal, Pará; R.S., homem-transexual, 17 anos, foi executado com 17 tiros e teve o corpo arrastado por um carro em Porto Alegre.

31% desses assassinatos foram praticados com arma de fogo, 27% com armas brancas, incluindo ainda enforcamento, pauladas, apedrejamento, muitos crimes cometidos com requintes de crueldade: tortura, queima do corpo.

Travestis geralmente são assassinadas a tiro ou espancadas na rua, enquanto gays são mortos dentro de casa, com objetos domésticos: facas, fios elétricos, sufocados na cama, muitas vezes encontrados pelos vizinhos somente pelo odor do corpo já em putrefação.

Dos 343 assassinatos, 173 eram gays (50%), 144 (42%) trans (travestis e transexuais), 10 lésbicas (3%), 4 bissexuais (1%), incluindo 12 heterossexuais, como os amantes de transexuais (“T-lovers”), além de parentes ou conhecidos de LGBT que foram assassinados por algum envolvimento com a vítima, como o ambulante do metrô de S. Paulo ou por serem confundidos com gays.

Proporcionalmente, as travestis e transexuais são as mais vitimizadas: o risco de uma “trans” ser assassinada é 14 vezes maior que um gay, e se compararmos com os Estados Unidos, as 144 travestis brasileiras assassinadas em 2016 face às 21 trans americanas, as brasileiras têm 9 vezes mais chance de morte violenta do que as trans norte-americanas. Segundo agências internacionais, mais da metade dos homicídios de transexuais do mundo, ocorrem no Brasil. 

14 das vítimas não fica evidente se eram homens-transexuais ou lésbicas masculinizadas, já que as reportagens, nem mesmo suas fotografias, esclarecem sobre sua auto-identificação. Embora tenhamos solicitado às lideranças de transexuais-homens que nos ajudassem em tal identificação, não obtivemos resposta. Mais da metade desses supostos homens-trans foram assassinados por arma de fogo.

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