Sr. Luiz Carlos Ruas, um homem que destoava da sociedade hipócrita em que viveu até se encontrar com dois transfóbicos assassinos




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COMENTÁRIO DESTE BLOGUEIRO:

Matéria na Folha de São Paulo sobre a prisão do segundo suspeito do crime:


Luiz Carlos Ruas

A vítima de assassinato no metrô de São Paulo pelas mãos de Alípio Rogério Belo dos Santos e de Ricardo do Nascimento Martins (ver foto ao final desse post), de acordo com as primeiras investigações policiais, chamava-se Luiz Carlos Ruas

Ele era vendedor ambulante e defendeu duas travestis que os dois canalhas, segundo os investigadores, estavam agredindo. As câmeras do metrô mostram o momento do espancamento que culminou na morte do Sr. Luiz.

No Brasil, travestis e transexuais são espancadas e mortas com requintes de crueldade por transfóbicos dessa espécie quase todo dia. É justo que a morte de Luiz Carlos Ruas chame a atenção de toda a sociedade, especialmente por ter sido resultado de seu posicionamento contrário àquela violência. Contudo, uma pergunta insiste em se colocar diante de mim: Por que as mortes de travestis e transexuais, além de gays, lésbicas e bissexuais (328 até a data desse post, segundo o site "Quem a Homofobia Matou Hoje?") são repetidamente lançadas no mar do esquecimento por grande parte da mídia, do governo e da sociedade civil? Por que tantos crimes ficam sem solução, apesar dos índices alarmantes de violência mortal motivada por LGBTfobia?

Sr. Luiz Carlos Ruas, se o senhor pudesse me ouvir, eu diria que, felizmente, o senhor destoava da sociedade hipócrita e omissa na qual viveu até se encontrar com esses dois criminosos. O senhor demonstrou ter aquele tipo de caráter que falta a muitos dos nossos concidadãos, à maioria das nossas autoridades e muito mais ainda à maioria dos ditos "líderes espirituais" que arrebanham milhões de ovelhas e bilhões de reais todos os anos, enquanto insuflam ódio comparável ao de muitas dessas gangs urbanas compostas por idiotas metidos a exterminadores do que eles consideram a escória desse país formado por tantos ignorantes preconceituosos, quando são eles, na realidade, a verdadeira escória da humanidade. Infelizmente, o metrô falhou em garantir a devida segurança que poderia ter evitado o que lhe aconteceu. É indesculpável que tamanha agressão seja praticada nas dependências de uma empresa que conta com o que poderia ser considerado um pequeno exército de seguranças e não houvesse uma dupla sequer para conter aqueles dois ou chamar reforços.

Descanse em paz, Sr. Luiz, e que os seus algozes não tenham paz e nem descanso até que cumpram as devidas penas por tamanha crueldade.

Ricardo do Nascimento Martins - um dos suspeitos do assassinato do Sr. Luiz Ruas. 

Alípio Rogério Belo dos Santos (à esquerda) e de Ricardo do Nascimento Martins (à direita), o mesmo da foto com a camisa com o rosto de Jesus (acima).

Comentários

  1. História horrível, mas, infelizmente, tão cotidiana.

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    1. Obrigado pelo comentário e solidariedade, Cecília. Você é uma pessoa de uma sensibilidade e inteligência raras. Obrigado mesmo.

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