National Geographic coloca uma garota trans na capa

Com informações de Jennifer Gerson Uffalussy (YAHOO)
Traduzido e adaptado por Sergio Viula


Foto: Cortesia da National Geographic


A CAPA DIZ O SEGUINTE:

Edição Especial

Revolução de Gênero

"A melhor coisa sobre ser uma garota é que agora eu naõ tenho que fingir ser um garoto."

Janeiro 2017




A edição de janeiro de 2017 da revista National Geographic é de um completo ineditismo nestes 128 anos de história da publicação: Pela primeira vez, a capa apresenta uma pessoa trans.

A edição especial, intitulada “Gender Revolution” apresenta entrevistas com mais de 80 jovens transgêneros ou com gênero fluido ao redor do globo.

E o mais notável de tudo - a pessoa que teve a honra de ser a capa é uma garota transgênero de 9 anos, Avery Jackson, moradora da cidade de Kansas em Missouri.

A capa reproduz as palavras de Avery: "A melhor coisa sobre ser uma garota é que agora eu não tenho que fingir ser um garoto."

Avery ganhou notoriedade nacional nos EUA por causa de um diário em vídeo que ela criou e publicou para ajudar aqueles que não compreendem o que significa ser uma garota trans a captarem esses sentidos. 

Infelizmente, muitas pessoas jovens trans ainda lutam contra o estigma que persiste e frequentemente leva à discriminação e à violência. Setenta e cinco por cento dos jovens trans relatam que se sentem inseguros na escola, de acordo com o Centro Nacional para a Igualdade Transgênero (National Center for Transgender Equality). Numa pesquisa nacional sobre discriminação contra pessoas trans, 78 por cento dos estudantes reportaram assédio, 35 por cento disseram que foram fisicamente agredidos, e 12 por cento reportaram violência sexual.

Além disso, 90 por cento dos estudantes transgêneros reportaram ter ouvido comentários negativos nas escolas sobre sua expressão de gênero, e outros 39 por cento dos alunos reportaram terem ouvido professores e outros membros da esquipe escolar fazendo tais comentários.

Esses tipos de sentimentos ameaçadores podem ter consequências trágicas. De acordo com Centros para Prevenção e Controle de Doenças (em inglês, CDC), 25 por cento de todos os jovens transgênero relataram terem tentado o suicídio. Por causa disso, o CDC recomenda que as escolas proíbam reiteradamente o bullying, o assédio, a violência contra todos os alunos, que identifiquem "locais seguros", onde os alunos LGBT possam receber apoio de seus professores e administradores escolares, que encorajem agremiações estudantis organizadas e dirigidas por alunos para promoverem um ambiente seguro e acolhedor, e que facilitem o acesso à serviços voltados para a comunidade, tais como serviços de assistência social, psicológica e de saúde para a juventude LGBT.

Estima-se que 2 a 5% de todos os americanos sejam indivíduos transgêneros.



A revista National Geographic explica as razões para esse número especial aqui (em inglês), mas na verdade... nem precisava. Parabéns aos editores da revista pela iniciativa!!!  POR QUE ESSA EDIÇÃO?


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Atualização em 23/12/16

Desprezíveis "trolls" estão assediando chocantemente a menina Avery Jackson, 9 anos, e sua mãe desde que ela apareceu na capa da National Geographic (notícia acima).

Evangélicos de direita lançaram uma campanha contra a revista - com a American Family Association convocando seus aliados a assediarem a editora da revista, Susan Goldberg, a quem eles rotularam de "abusadora" de crianças.

Desde que esse grupo lançou essa campanha difamatória e persecutória, uma onde de mensagens terríveis também foi direcionada à família de Jackson, cujos contatos pessoais foram vazados online por ativistas anti-transexuais.

A mãe dela, Debi Jackson, recebeu mensagens dizendo que ela devia ser "exterminada", assim como outras que a xingavam de "doente" e incentivando-a a cometer suicídio.

Em resposta às mensagens, Debi Jackson escreveu no Facebook:

"Obrigado a todos pelos comentários carregados de ódio e ameaças!"

"Estou guardando cada um para mostrar aos legisladores por que leis contra discriminação e crimes de ódio são necessárias. Vocês estão fazendo a obra de Deus. Sejam abençoados!"

Em resposta ao abuso e às críticas, a editora da National Geographic, Susan Goldberg, escreveu uma carta aberta. Esses foram alguns dos pontos que ela colocou na carta:

"Desde que eu compartilhei as fotos da capa de nossa edição especial sobre gênero no Instagram, Facebook e Twitter, dezenas de milhares de pessoas têm enviados suas opiniões, que vão desde expressões de orgulho e gratidão até a mais completa fúria. Alguns prometeram cancelar suas assinaturas."

"Esses comentários são uma pequena parte da profunda discussão que está em andamento a respeito de gênero agora mesmo."

"Nossa edição de janeiro foca principalmente sobre pessoas jovens e como os papéis de gênero funcionam ao redor do mundo. Para [a realização de] uma de nossas histórias, que também transformamos numa série de vídeos, estivemos em oito países e fotografamos 80 crianças de nove anos, as quais nos contaram de modo corajoso e honesto sobre como o gênero influenciou suas vidas".

"Uma delas era Avery. Ela decidiu viver como uma pessoa assumidamente transgênera desde a idade de cinco anos, e captou a complexidade da discussão sobre gênero."

"Hoje, nós não estamos apenas conversando sobre papéis de gênero para garotos e garotas - estamos falando sobre nosso envolvimento em compreender as pessoas num espectro de gênero.

"Esperamos que essas histórias sobre gênero despertem conversas profundas sobre quão longe fomos nesse assunto - e quando ainda há para avançarmos."

(Informações por PINK NEWS)

Eu também espero. 
Sergio Viula

Leandro Karnal fala sobre gênero: 
http://www.foradoarmario.net/2016/11/careca-de-saber-leandro-karnal-fala.html


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RETROSPECTIVA 2016 (LGBT)
foradoarmario.net



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