Fidel Castro deixa legado de opressão, dizem muitos LGBT cubanos


Tradução: Sergio Viula
The Advocate

BY TRUDY RING

Fidel Castro deixa legado de opressão, dizem muitos LGBT cubanos

Castro em 1985 numa foto da Associated Press por Charles Tasnadi



Muitos chamam atenção para o lugar que os homens gays ocuparam em campos de trabalho forçado e que pessoas com HIV amargaram em quarentena, enquanto outros dizem que algumas das políticas de Castro beneficiaram a nação.

A morte do líder revolucionário Fidel Castro despertou a reflexão de  muitos ativistas LGBT sobre a história de opressão sob o regime.

“Eu não me alegraria com a morte de ninguém — ninguém,” disse ao Washington Blade Herb Sosa, um cubano-americano que dirige o grupo LGBT chamado Unity Coalition que tem base em Miami. “Mas o falecimento há muito esperado de um dos monstros Castro que têm imposto aproximadamente seis décadas de opressão, dor e morte a tantos cubanos traz um certo desfecho para muitos.”

Castro, que morreu na sexta-feira passada, aos 90 anos, liderou uma rebelião que derrubou o ditador de direita Fulgêncio Batista em 1959. Ele se tornou o primeiro-ministro da ilha-nação, e depois presidente, liderando o governo comunista. 

Cuba descriminalizou as relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo em 1979, mas outras ações sob o comando de Castro não foram benéficas para os cidadãos LGBT. Por exemplo, na década de 1960, ele "enviou milhares de homens gays e outros considerados inaptos para o serviço militar aos campos de trabalho forçado conhecidos como Unidades Militares para Ajuda à Produção,” destaca Blade. E na década de 1980 e no início da década de 1990, o governo colocou pessoas com HIV em regime de quarentena em sanatórios.

Em 2010, numa entrevista a um jornal mexicano, Castro se desculpou pelo tratamento do regime às pessoas LGBT. Ele estava fora do poder havia dois anos à época, tendo passado a liderança do governo aos seu irmão. A filha de Raúl, Mariela, se levantou como defensora dos direitos LGBT cubanos nos anos recentes. Ela ganhou elogios de vários setores, mas James Kirchick, escrevendo no The Daily Beast, descreveu seu trabalho como um "versão de cruzada dos direitos gay".

"Não importa quão melhor a vida para cubanos gays possa ter se tornado desde os dias de trabalho nos campos de trabalho forçado, isso está acontecendo no contexto de uma sociedade totalitária cujos cidadãos não podem votar, têm liberdades básicas negadas como o direito de falar ou protestar livremente, e não podem formar organizações independentes do governo", escreveu Kirchick.

Existem outros, incluindo alguns ativistas LGBT, que têm louvado o governo de Cuba por prover educação e assistência de saúde gratuitas, enquanto combatem a pobreza e a discriminação, destaca Blade.

“A dor, o vazio, a repressão são muito intensos e sentimentos difíceis de separar", disse ao Blade o blogueiro cubano Francisco Rodríguez Cruz, que apoia a família Castro. "É como atravessar minha história de vida."


E alguns gays e ativistas que atuam no combate à AIDS que visitaram Cuba mais cedo este ano observaram uma cena gay florescendo e relataram que o sistema de saúde administrado pelo governo tem beneficiado os cubanos que vivem com o HIV. Os Estados Unidos proibiram viajar e comercializar com Cuba em 1961, mas o presidente Obama agiu para normalizar as relações com a aquela nação há cerca de dois anos.

De todo modo, muito ainda precisa ser feito para avançar os direitos humanos, incluindo os direitos LGBT, em Cuba, dizem os ativistas. "A morte de Fidel Castro nos convida a continuarmos calmos e focados sobre nosso ativismo para realizar a mudança em Cuba, ao contrário de festejarmos sua morte", disse ao Blade Nelson Gandulla Díaz, presidente da Fundação Cubana para os Direitos LGBTI sábado passado.

"Fidel se foi, mas Raúl continua', acrescentou ele. "A luta continua."


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