Homens gays cada vez mais têm filhos através de barriga solidária



Traduzido e adpatado por Sergio Viula
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Homens gays cada vez mais têm filhos através de barriga solidária






Cliff Hastings e Ron Hoppe-Hastings com seus filhos gêmeos de 11 meses, Alexandra e Sydney, concebidos com a ajuda de uma doadora de óvulos e gestados no útero de uma mãe de "barriga solidária". Cada vez mais, os homens gays estão recorrendo a doadoras de óvulos e "barrigas solidárias" para terem filhos. (Zbigniew Bzdak/Chicago Tribune) 



Cliff Hastings e Ron Hoppe-Hastings disseram seus votos em 2011 durante uma cerimônia de união civil. Mais tarde, eles tornaram-se pais juntos.

"Choramos copiosamente," disse Hastings, 41 anos. O tema da paternidade era emocionalmente tocante para eles. Os dois realmente queriam ter filhos, mas havia uma questão: "Não sabíamos quais eram as opções. Ambos pensávamos que ter filhos poderia ser mais uma espécie de sonho do que uma realidade de fato."

Hoje, Hastings e Hoppe-Hastings são pais orgulhosos de duas meninas gêmeas com 11 meses de idade. Elas foram concebidas através de óvulos doados e gestados através do que se costuma chamar "barriga solidária" (quando uma mulher se dispõe a cultivar o óvulo fertilizado por outras pessoas, carregando-o em seu próprio útero). Até recentemente, esse processo era muito comum para casais heterossexuais que não podiam ter filhos por motivos relacionados à fertilidade ou à saúde. Agora, cada vez mais casais gays recorrem a essa técnica.

Não existem registros exatos de quantos homens gays estão tendo filhos através de fertilização in vitro e barriga solidária, mas observadores dizem que este número está crescendo.

Uma pesquisa informal sobre clínicas de fertilidade em mais de 10 cidades americanas feita pelo jornal Chicago Tribune através do site FertilityIQ (www.fertilityiq.com), uma página onde os pacientes avaliam seus médicos de fertilidade, descobriu que 10 a 20 por cento dos óvulos doados estão indo para homens gays que desejam ter filhos via "barriga solidária", e em muitos lugares os números subiram 50 por cento há cinco anos.

O custo continua sendo uma grande barreira, de acordo com o co-fundador do FertilityIQ Jake Anderson, com valores cobrados de homens gays que variam entre 100 mil dólares e 200 mil dólares.

O casal Hastings e Hoppe-Hastings pensou em adotar os filhos que desejavam ter, mas, algo mudou o curso das coisas: Cerca de três anos atrás, uma das colegas de turma de Hasting dos tempos de ensino médio postou fotos em seu Facebook. Ela estava grávida, e quando Hasting a parabenizou, ela explicou que tratava-se de "barriga solidária", e que estava carregando o bebê de um casal heterossexual. A amiga colocou Hastings em contato com a mesma agência que havia preparado tudo para que ela fosse "barriga solidária" para aquele casal. A organização era a Family Source Consultants em Chicago.

Desde o primeiro encontro com a agência, ele diz que sentiu que era o que devia fazer.

Houve alguns impasses também. A primeira doadora de óvulo escolhida pelos pais não passou no exame psicológico. Depois, a primeira "barriga solidária" que eles escolheram, que era uma mulher casada e mãe, moradora de Indiana, concordou em carregar seus bebês, mas depois de algumas semanas, ela mesma enviou uma mensagem de texto para Hastings. Sua igreja não havia aprovado que ela fosse "barriga solidária" para um casal homoafetivo. Ela recuou.





10 a 20% dos óvulos doados geram filhos para casais gays.



"Aquilo foi difícil para nós", diz Hoppe-Hastings, 32 anos, um pai "dono-de-casa" que, junto com Hastings, treina o time campeão de garotas na Faculdade Parkland. "Nós quase nos sentimos como se tivéssemos perdido os bebês de certa maneira, porque já estávamos adiantados no processo, e então tivemos que voltar à estaca zero."

Os pais ficaram um mês sem fazer nada em relação à gravidez, mas quando retomaram o processo, parece que tudo simplesmente fluiu.

"Nossa mãe de 'barriga solidária' e o doador do óvulo simplesmente parecem ter caído no nosso colo através da agência," diz Hoppe-Hastings. "Nós as entrevistamos no mesmo dia e simplesmente nos apaixonamos por ambas, então tudo funcionou perfeitamente."

Os óvulos foram extraídos da doadora e fertilizados. Então, dois dos melhores embriões foram implantados no útero da "mãe solidária"; um deles biologicamente pertencente a Hastings e o outro pertencente a Hoppe-Hastings.



Porém, houve mais acidentes de percurso: As garotas nasceram com 6 meses de gestação e tiveram que passar 19 dias na unidade neonatal do hospital. Hoppe-Hastings foi até Chicago para estar com suas filhas e foi hospedado pela Casa Ronald McDonald. O plano de saúde da companhia inicialmente considerou a hospitalização dos bebês como "fora da cobertura", uma discriminação dispendiosa que acrescentou stress aos pais.

No final, porém, tudo funcionou. A empresa do plano de saúde cedeu e as garotas foram para casa em paz.

Hoje, as meninas estão engatinhando e aprendendo a andar.

"Elas são perfeitamente saudáveis," disse Hastings. "Elas são gigantes. O médico fica constantemente surpreso de que ela sejam prematuras."


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