Presidente da Indonésia finalmente fala contra o agravamento da discriminação anti-LGBT no país



Por Tekendra Parmar @TekendraParmar
Para a TIME
Em 20 de outubro de 2016
Traduzido por Sergio Viula



Pela primeira vez, o presidente indonésio Joko Widodo condenou publicamente a discriminação contra a comunidade LGBT. Os comentários de Jokowi vieram em meio ao clima hostil para a comunidade LGBT indonésia




O presidente da Indonésia Joko “Jokowi” Widodo fez seu primeiro comentário público contra a crescente discriminação experimentada pela população LGBT do país.

“A polícia tem que agir [para protegê-los]” - disse Jokowi à BBC. “Não deveria haver discriminação contra ninguém", declarou ele.

As declarações vieram meses depois de uma crescente retórica anti-LGBT por parte de políticos e oficiais e também diretivas anti-LGBT por instituições governamentais.

Em fevereiro, a Comissão de Proteção à Criança Indonésia apoiou uma proibição contra a representação de "comportamento LGBT" como normal na televisão e no rádio.

Em setembro, o Ministro das Comunicações do país anunciou uma proibição contra 80 sites da internet e apps voltados para a comunidade LGBT, à guisa de proteger crianças e reforçar leis contra a pornografia.[N.T.: Ações como essas já levaram um casal que publicou um singelo beijo numa página do Facebook à prisão. Confira aqui em português:

Semana passada, o Ministro da Juventude e dos Esportes da Indonésia proibiu membros da comunidade LGBT de se inscreverem para a competição Embaixadores Jovens Criativos (Creative Youth Ambassadors competition) — chegando a exigir uma carta de "negativa" da parte do médico sobre a orientação sexual do participante.

“A atrasadíssima declaração de apoio à não-discriminação contra LGBT é uma lufada de ar fresco uma vez que oficiais e políticos indonésios continuam com investida abusiva, mal-informada e homofóbica", disse à TIME o pesquisador sobre LGBT na organização Human Rights Watch Kyle Knight. “Um próximo passo lógico seria repelir diretivas discriminatórias anti-LGBT [por instituições governamentais].”

Todavia, Jokowi qualificou suas declarações à BBC reafirmando que "em termos de nossas crenças, [o estilo de vida LGBT] não é permitido, o Islã não o permite.”

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“A grossa capa de sanção social criada pela cacofonia anti-LGBT de dúzias de figuras públicas não se dissolverá simplesmente porque o presidente finalmente expressou seu apoio aos direitos básicos", diz Knight. “Mas isso sinaliza que a administração Jokowi está interessada numa Indonésia inclusiva e segura para todos — e cada elo do governo tem a obrigação de e o interesse em manter essa posição.”

— Com texto de Yenni Kwok através de Tekendra Parmar para a TIME.

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