Absurdo! A Suécia está para deportar um jogador de futebol (gay!!!) de volta para a Libéria

Por Sergio Viula
Com informações do The Scotsman



Conhecida por ser progressista com relação aos direitos das pessoas LGBT, a Suécia está a ponto de cometer uma tremenda injustiça contra um jogador de futebol, que é imigrante gay assumido, oriundo de um país extremamente homofóbico - a Libéria.

O jogador liberiano Andrew Nagbe está atualmente num centro de detenção esperando ser devolvido à Libéria.

"Eu serei espancado e violentado todos os dias até ser libertado e sair do país de novo", disse Andrew Nagbe, um jogador de 22 anos que foi preso por oficiais da imigração no festival do Orgulho LGBT de Estocolmo no final de julho. 

O Festival é um dos maiores eventos da Europa e inclui música, artes e políticas de inclusão dos direitos de lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros. Políticos geralmente participam da marcha, incluindo o Primeiro Ministro Stefan Löfven. 

O jogador liberiano estava participando dos eventos do Orgulho LGBT com seu namorado no dia da detenção. Ele havia originalmente viajado para a Suécia com o time sueco Umeå FC antes de ser negociado para uma liga de times menores. Quando ele foi preso, ele estava jogando com o Södertälje FK. 

“Eu quero jogar futebol e viver com um homem gay assumido na Suécia,” disse o meio de campo ao jornal sueco Dagens Nyheter quando foi entrevistado na detenção.

A deportação torna-se ainda mais grave, porque é ilegal ser assumidamente gay na Libéria. Ele poderá sofrer graves represálias, pois como ele mesmo diz, "todo mundo que eu conheço na Libéria sabe que eu sou gay agora, e eles não vão se segurar". 

A Suécia é o lar de vários jogadores de futebol abertamente gays, e é geralmente considerada um modelo de tolerância no esporte. 

O serviço sueco de imigração sustenta que as alegações de Nagbe de ser gay e de poder vir a ter sua segurança comprometida se ele retornar para casa não são verificáveis. Somente apresentando novas evidências é que Nagbe poderá apelar à lei nesse sentido.

Metin Rhawi, executivo chefe do time  Södertälje FK e político do partido governante Social Democratic descreveu a decisão como "sem coração". "Deveria alguém apavorado em perder a vida ser deportado tão friamente?", disse ele aos jornalistas locais. A menos que o clube de Nagbe possa orquestrar a libertação dele, o jogador será despachado para a Libéria em 23 de Agosto. Portanto, dois dias depois desse post ser publicado no Blog Fora do Armário.

O cinismo das autoridades que pedem novas evidências é gravíssimo desrespeito à dignidade da pessoa de Andrew Nagbe e devia ser motivo para os suecos se mobilizarem firmemente, especialmente a comunidade LGBT sueca. 

Sobre a situação das pessoas LGBT na Libéria, vale recordar que a presidenta daquele país, ganhadora do prêmio Nobel em 2012, defendeu as leis anti-gays do seu país, gerando enorme desconforto e revelando a que ponto vai a ignorância dessas pessoas: 

"Ganhadora de um prêmio Nobel, a presidente da Libéria, Ellen Johnson Sirleaf, chocou a comunidade internacional ao defender a lei que condena atos homossexuais no país. A declaração foi feita em uma entrevista conjunta com o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair ao jornal "The Guardian".(O Globo)


Nessa época, tramitava um projeto de lei na Libéria conhecido como "Projeto Matem os Gays". O Geledés registrou o que estava acontecendo: "A ex-primeira-dama da Libéria Jewel Howard Taylor apresentou um projeto de lei [en] para tornar a homossexualidade um crime a ser punido com pena de morte. Jewel é uma senadora e ex-mulher do ex-presidente Charles Taylor. a Uganda re-apresentou [en] um polêmico projeto de lei anti-gay semelhante recentemente."

"A homossexualidade é ilegal em 38 países africanos [en] e pode ser punida com a morte na Mauritânia, Sudão e no norte da Nigéria." (Geledés) 

E para piorar, durante a epidemia de Ebola, várias igrejas e até bispos disseram que a epidemia era um castigo de Deus sobre a Libéria por causa dos homossexuais. 

'Em outubro de 2014, Lewis Zeigler, arcebispo de Monrovia (Libéria), afirmou que a epidemia de Ebola é um castigo de Deus por causa da expansão da prática da homossexualidade." (Paulo Lopes)

É para esse país que a Suécia quer deportar o jogador Andrew Nagbe, gay assumido e imigrante.


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