Pastor acusado de pedofilia pela ex-mulher, a pastora Bianca Toledo, fala sobre o que passou.

Por Sergio Viula
Atualizado às 18:46 de 13/07/16.



Não sei se vocês lembram, mas a Pastora Bianca Toledo fez um vídeo com suporte textual sobre o suposto crime de pedofilia de seu marido Felipe Heiderich. O Blog Fora do Armário enfocou o assunto, porque o caso se tornou público e notório. Veja aqui: http://www.foradoarmario.net/2016/07/escandalo-pastora-bianca-toledo-fala.html


Quando publiquei o caso aqui no Fora do Armário, eu disse que era preciso tomar cuidado com esse tipo de linchamento público, porque tudo estava muito contraditório no discurso dela. Além disso, ela se associou a pessoas que geralmente abordam o tema de modo intempestivo e desequilibrado como numa cruzada contra o ex-marido.

Agora, Felipe vem a público e revela o que aconteceu com ele em casa, no manicômio e na prisão. Veja o que ele fala no vídeo e tire suas próprias conclusões, mas não deixe de ler o post anterior, preferencialmente antes de assistir o vídeo.



A cruzada contra pessoas LGBT não poupa estratégias, mesmo as mais sórdidas, para difamar, excluir e até destruir as pessoas que são identificadas assim. O principal pretexto é geralmente esse que usaram contra Felipe.

Se ele for culpado, como eu disse antes, deve ser condenado. Mas além da acusação da ex-mulher e pastora Bianca Toledo, os juízes ainda não encontraram qualquer evidencia, caso contrário ele não estaria solto agora. Além disso, a pastora revela homofobia em cada coisa que diz sobre a suposta homossexualidade de Felipe - tema que ele não aborda em seu vídeo, diga-se de passagem.

Infelizmente, a considerar o discurso dele, parece-me que o pastor acusado continua subjugado pelas mesmas crenças que ainda castram tantas pessoas. Por outro lado, ele tem se inspirado nessa fé para lutar e esclarecer as acusações que lhe fizeram. Tomara que tudo se esclareça mesmo, doe a quem doer.

Veja o nível do discurso de Magno Malta, um senador ligado à bancada evangélica, referindo-se ao Felipe Heiderich (o pastor do primeiro vídeo), estimulado pela pastora Bianca Toledo.

Malta condena, desumaniza, tripudia sobre o nome do acusado sem qualquer prova ou sentença judicial sobre o caso. Veja o discurso desse senador e compare-o com o relato de Felipe. 

A investigação segue, mas o que chama atenção é que Magno Malta diz que "foi buscar os fatos". Que fatos, porém, se nada foi comprovado ainda? Tudo o que ele tinha era um relato, uma acusação, que pode estar redondamente equivocada. 

Felipe passou pelo manicômio e pela prisão. Levando em conta o apocaliptismo de gente como esse Magno Malta, não podemos aceitar prontamente que esse discurso apaixonado seja tão-somente motivado pelo interesse no bem-estar da criança, uma vez que nem havia sido feita qualquer investigação, e que esse parlamentares que se inscrevem na mesma comunidade de fé que Malta geralmente são tempestuosos no que diz respeito à sexualidade humana e adoram associá-la a parafilias e desordens quando percebem qualquer sinal de diversidade. Felipe pode ser gay - ninguém sabe. Pode ser pedófilo ou não, assim como tantos outros homens heterossexuais, homossexuais e bissexuais. Mas essa acusação de crime não está demonstrada.  Por que fazer um discurso incendiário como esse, então?

A motivação pode ser a de se distanciar de Felipe, à mera menção de pedofilia, mesmo que ainda não comprovada. Afinal, Malta faz questão de defender sua classe: pastor pedófilo não é pastor; é criminoso disfarçado, oportunista - conforme a introdução de seu pronunciamento faz questão de deixar claro. Será que em nome de salvar a honra da classe, ele poderia estar linchando publicamente a honra de alguém que nunca cometeu crime, só porque a acusação (fundada ou infundada, não se sabe ainda) lhe causa pânico, esta seria mais uma razão para que o público questionasse a honestidade da classe pastoral de um modo geral e da comunidade que ela preside como um todo?

De novo, se Felipe for achado culpado, deve ser condenado. 

Mas condená-lo - e Malta queria prisão perpétua, porque não pode advogar a prisão de morte como disse no discurso (!!!) - é uma temeridade. 

E de novo, ele inscreve a suposta orientação homossexual de Felipe no mesmo pronunciamento em que vocifera contra a suposta pedofilia de Felipe (nada comprovada). Enquanto isso, os grandes "inocentes" nessa história toda são os "verdadeiros" pastores - entre eles os que lançaram um cruzada contra Felipe sem a menor garantia de que ele fosse culpado de algum crime. O senador e evangélico Magno Malta não perde a oportunidade de colocar a homossexualidade num contexto de pedofilia, mesmo que pretextando que não é o assunto e dizendo que se Felipe é gay, ele (o senador) "não tem nada a ver com isso". Tem certeza, senador? 



Veja o antes e depois de Felipe (agora solto) depois dessa crise:


Na foto à direita, depois do manicômio e da prisão.



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