Esse pai homofóbico não vai reclamar o corpo do filho morto em Orlando




Traduzido por Sergio Viula para o blog Fora do Armário - www.foradormario.net (08/07/16)




O trágico massacre na boate Pulse em Orlando deixou toda a comunidade queer bem como todo o país devastado e em estado de luto permanente. Vigílias emocionadas foram realizadas em nível global.

Todos os eventos no  Orgulho [LGBT] de Nova York dos quais participei foram momentos extremamente chorosos, quando todos nós pranteamos coletivamente a pungente perda de membros jovens e inocentes de nossa comunidade sagrada.

Os corpos dos inocentes foram todos liberados aos parentes mais próximos, e até mesmo o corpo do atirador Omar Mateen foi recolhido.


Porém, o corpo de um homem não foi recolhido pelo pai. Na verdade, o pai dele recusou-se terminantemente a recolher o corpo do próprio filho. E tudo por causa da feiúra terrível do ódio e da homofobia.

Enquanto a homofobia em si mesma não tem rosto, há historicamente uma questão gigantesca em torno da humilhação queer na comunidade latina.

O site Orlando Latino reporta:

Essa história é parte das histórias não contadas de vítimas latinas no massacre da boate Pulse.

As autoridades não divulgaram o nome do homem cujo corpo foi deixado para trás para não "vitimizá-lo ainda mais", mas foi confirmado que ele era Porto-riquenho. O site continua:

A dor de ser Porto-riquenho e gay é real... Na cultura machista da ilha (em comparação com a dos Estados Unidos), a tendência anti-gay não é sutil e tem alcançado os níveis mais altos do governo.

The Advocate comentou que esse tipo de homofobia não é de modo algum nova e remete à epidemia de AIDS que matou a melhor parte de uma geração. “Números incontáveis de homens gays jovens morreram e familiares não reclamaram os corpos de seus entes supostamente amados."

É tão devastador pensar que um familiar deixaria o corpo de seu filho para trás porque se envergonha assim de sua sexualidade. Se você retirar as camadas de ódio, o cerne da homofobia é e sempre foi a vergonha. Nada mais tóxico nesse mundo do que a vergonha. É a vergonha que nos leva a nos machucarmos a nós mesmos e é ela que faz que as pessoas (como nesse caso devastador) machucarem outras. Não haverá trégua até que nos livremos da vergonha.

A vítima, cujo pai se recusou a recolher o corpo do próprio filho, será sempre amada e abraçada por uma família maior, a família queer dele. Às vezes, sua família não é composta por membros de sua família biológica, mas, ainda por outros mais fortes: sua comunidade.

Não há comunidade mais forte e mais amável que a comunidade queer, e nós somos uma força poderosa da natureza que lamentará para sempre a morte cada uma das 49 vítimas do Massacre de Orlando.

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