Fotógrafa capta imagens de muçulmanos gays e muçulmanas lésbicas

El-Farouk (esquerda) e seu marido Troy - Toronto


Com informações da CNN
Traduzido e adaptado por Sergio Viula

A fotógrafa Lia Darjes passou algum tempo fotografando El-Farouk e seu marido, Troy, em seu quarto lilás em Toronto, Canadá. Os homens, ambos muçulmanos, convivem com seu gato preto envoltos numa confortável aura doméstica. 

Mas, El-Farouk não nutre ilusões: "Eu poderia lhe dizer onde estou agora e pareceria ser um lugar bastante feliz, mas a jornada até esse lugar não foi fácil."

Ele contou à fotógrafa que muitos como ele já sofreram "violência espiritual, quando você ouve que há algo profundamente errado com você."

"Como resultado, muitas pessoas queer acabam deixando a religião ou pulando fora da religião ou mantendo um relacionamento não saudável com a religião."



Fotógrafa Lia Darjes


Em Paris, Lia Darjes, a fotógrafa que captou as imagens dessas pessoas queer e muçulmanas, passou algum tempo com Ludovic-Mohamed Zahed, um imã assumidamente gay que abriu a primeira mesquita simpatizante aos homossexuais na cidade.

"As reações foram bastante veementes" - disse-lhe ele. "Ser muçulmano, árabe e gay e, portanto, membro de vários grupos minoritários abriu meus olhos: As minorias estão sendo discriminadas, particularmente em tempo de crise econômica. Nós temos que saber mais sobre o Islã e temos que entender quem somos realmente para combatermos a homofobia."

Foi nas reuniões de oração que Darjes conheceu uma mulher muçulmana que estava pela primeira vez, desde que havia se assumido, frequentando a reunião de oração sem se sentir culpada. De acordo com Darjes, a mulher estava "se sentindo aliviada em estar na comunidade de novo."

Nos Estados Unidos, apesar de não ter encontrado eventos e perceber que as pessoas são extremamente fechadas, ela acabou conhecendo um homem gay e imã, Daayiee Abdullah, que já tinha sido da Igreja Batista do Sul dos Estados Unidos e se tornou muçulmano quando estudou o Corão em Pequim. Ele abriu uma mesquita gay em Washington.

Abdullah disse a Darjes: "Como um imã inclusivo que também é gay, eu entendo o conflito dos muçulmanos homossexuais. Quando eu me converti ao Islã há 34 anos, eu não falava árabe ainda. Estava estudando na Universidade de Pequim, e o primeiro Corão que eu li foi em mandarim. Foi uma bênção para mim. Conhecer o islã no Oriente Próximo e no Ocidente, e viver lá para continuar formando minha compreensão de que o Islã não é monolítico, foi necessário."

"Não é apenas um religião ou crença; é também uma formulação que depende da cultura onde entra. Alá demonstra que existe uma grande diversidade já na criação. A questão é: Nós respeitamos isso?"

Em países como o Irã, por exemplo, homossexuais são punidos com a pena de morte, inclusive enforcamentos em praça pública. Samira é uma mulher iraniana. Ela diz o seguinte:

"Eu vim de um país onde ser gay é punível com a morte. Em 1979, quando a Revolução Islâmica começou, minha família imigrou para o Canadá, onde eu cresci bastante secular."

Darjes disse que as comunidades LGBT com as quais ela trabalhou eram "muito positivas" e mais ousadas do que nunca. 

"Eu raramente tive a sensação de que estava indo trabalhar com pessoas traumatizadas" - disse ela. "Você tem uma sensação de que chegou a algo, que eles encontraram algo bom nessas associações e reuniões."


Lia Darjes é uma fotógrafa que mora e trabalha na Alemanha. Ela é representada por Picturetank. Você pode segui-la no Facebook e Instagram.

Sara - Nova York

Saadiyi: "Ser queer e muçulmana significa para mim que eu posso ser quem Deus queria que eu fosse."

Samira, iraniana e lésbica vivendo no Canadá

Um casal de mulheres se abraça em London. Elas não quiseram autorizar a publicação de seus nomes.

Daayiee Abdullah - Washington

Shahbaz - Los Angeles

Joey - Los Angeles. Ele era ateu e se converteu ao islamismo por causa da leitura de um livro de ficção que tematizava punk e islamismo. 

Jason - Los Angeles

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COMENTÁRIO DESTE BLOGUEIRO

Pessoalmente, nutro a crença de que o islamismo que essas pessoas LBGT praticam está passando pelo mesmo fenômeno de secularização que o cristianismo e o judaísmo têm passado: Por séculos, foram extremamente separatistas, discriminadores, perseguidores, tendo assassinado muita gente inocente que não se submetia plenamente a seus ditames. Existe no Corão árabe, assim como na Torá judaica e na Bíblia judaico-cristã material suficiente para se colocar fogo em cidades inteiras, para se destruir crianças e velhos, para se apedrejar mulheres, LGBT, praticantes de outras religiões, etc. O que impede que essa barbárie tome conta de todos os ambientes em que esses textos circulam é que eles não são as únicas ou mais poderosas vozes ouvidas ali. Existem outras: a da secularização, das ciências da natureza, das tecnologias e das ciências humanas. 

A tranquilidade que esses muçulmanos LGBT demonstram hoje não é mérito do Corão em si. Eles tiveram que entender, para começo de conversa, que a interpretação 'tradicional' daqueles textos podia estar equivocada e - se fosse o caso - reinterpretá-las.

Esses muçulmanos fotografados estão, sem sombra de dúvida, realizando uma transformação para melhor no sistema de crenças e/ou comunidade de fé no qual se inscrevem. 

É só o começo, mas é um começo interessante e digno de nota.

Porém, que ninguém se iluda: esses lindos LGBT muçulmanos que transitam pelo Canadá, Estados Unidos e Inglaterra devem estar no topo da lista dos infiéis e blasfemos que merecem a morte na opinião de um considerável número de muçulmanos ao redor do globo, inclusive os que migraram para os países onde esses muçulmanos LGBT desfrutam da liberdade civil e secular que lhes permite crer, celebrar, pregar, orar como na qualidade de LGBT muçulmanos ou até mesmo desertar desse sistema de crenças sem serem decapitados, enforcados ou apedrejados. 

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