Jogador de Basquete explica por que saiu do armário depois de ser violentado

O astro do esporte também discutiu sua batalha contra a depressão e sua quase tentativa de suicídio.


A notícia foi publicada por Joe Williams
no portal Pink News em 1 de abril de 2016


Traduzido por Sergio Viula para o Blog Fora do Armário



Nathan quase perdeu a vida enquanto batalhava contra a depressão



Nathan Fort disse que decidiu sair do armário depois de sobreviver a uma tentativa de suicídio quase fatal e à superação de violência sexual.
O jogador de basquete universitário admitiu que antes de se resolver quanto à sua sexualidade, ele havia sido homofóbico e "odiado" pessoas LGBT.

Ele disse inclusive que "gays não tinham qualquer propósito no mundo", porém acrescentou que sabia que, no fundo, estava apenas tentando esconder seus verdadeiros sentimentos.

Depois de lutar para superar seus verdadeiros sentimentos, Fort considerou tirar a própria vida pulando num precipício. Numa reviravolta cruel, ele caminhou para longe da beirada do precipício, escorregou e caiu em segurança.

Apesar de sua experiência de quase morte, Fort diz que sentiu-se mais forte e corajoso o suficiente para ter seu primeiro encontro gay.

Porém, o encontro não foi como o planejado. Os acontecimentos tomaram um rumo sinistro.

“Deixamos o clube juntos, meu coração batia rápido, excitado e nervoso sobre o que a noite poderia trazer" - escreveu Fort no Outsports.

“Ele dirigiu e conversamos. Parecia que seria a primeira vez perfeita com outro cara."

“Não foi. Ele me jogou fora do carro. Abusou de mim sexualmente. Ele me drogou. Ele me violentou.".

“Ele mudou minha vida. É uma luta apenas escrever algumas linhas sobre isso, mas é parte de quem sou agora.”

“É importante para mim compartilhar isso agora, porque eu sei que muitos outros caras já estiveram em situações semelhantes" - explicou ele.

O astro do esporte diz que o incidente "forçou-o de volta ao armário" e ele levou um ano inteiro para se resolver sobre o que havia acontecido.

Apesar dos traumas que ele experimentou, Fort diz que finalmente ganhou coragem para se assumir para seus colegas de time, amigos e familiares.

Ele diz que está compartilhando sua história para encorajar outros que possam estar lutando para se resolverem quanto à própria sexualidade.

“Não desperdice sua vida vivendo deprimido como eu vivi, ao ponto daquela depressão quase tirar minha vida."

“Não deixe que ninguém o impeça de fazer o que você deseja na vida, porque é a sua vida, não a deles.”

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COMENTÁRIO DESTE BLOGUEIRO

A experiência de sofrer abuso sexual contada por Nathan Fort ilustra o fato de que homens também estão sujeitos ao 'estupro'. E, pasmem as senhoras e os senhores, mas só recentemente o estupro deixou de ser considerado apenas a penetração da vagina contra a vontade da mulher, sendo a aplicação do termos estendida a qualquer violência desse tipo, independentemente do gênero da vítima. 

Sobre isso, os interessados podem ler esse artigo de Silberth Steffany de Souza (Lei do estupro e suas consequências) apesar de não haver perfeito consenso se a palavra se aplica aos homens também.

Outrossim, é incrível a capacidade humana para transformar a tragédia em força. A vida de Nathan estava provavelmente acima da média geral em termos de vantagens, mas ele só conseguia ver o que não existia: erro em ser gay. Focado no imaginário produzido pelos discursos circundantes e internalizados, ele criou uma realidade paralela, como a maioria dos auto-homofóbicos faz, e vivia como se não fosse gay, mesmo sabendo que era. Quando ele finalmente decide agir de acordo com os seus sentimentos, dá o azar de sair com o tipo errado de cara. Mas, ele pega essa tragédia, transforma em força e expande seu ser para além de qualquer outra medida que já tivesse experimentado antes. Vontade de potência! Vida que vibra em busca de mais, de ser mais, de ser maior e melhor!

Ele mesmo já deu o recado no final: Viva sua vida como você deseja, porque ela é sua, não dos outros.

Eu deixo outro recado aqui: Seja criterioso na escolha da pessoa com quem você vai se relacionar e o do lugar onde isso vai acontecer. Tem muita gente maravilhosa por aí, mas também tem uns crápulas capazes de sorrisos lindos e vestidos com roupas perfumadas. 

Ah, mas nunca deixe de viver por causa do medo. Seja apenas prudente dentro do que se pode ser prudente. 

Outras coisa: sempre transe com camisinha, seja qual for o seu estado sorológico (positivo ou negativo para HIV e outras DSTs).

No mais, que tudo seja gostoso e deixe vontade de 'quero mais'.

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