Dia dos professores: compartilhando para inspirar



Por Sergio Viula


Dia 15 de outubro é dia dos professores, essa classe essencial para nossa sociedade, mas geralmente ignorada. Pelo menos, até o que o "boneco" entre em recuperação ou prova final. hehehehe Fato. Há pais de alunos menores que não dão a mínima às dificuldades que o filho enfrenta ou promove em sala de aula. Sim, porque existem alunos com dificuldade de aprendizagem, mas também existem aqueles que vão para a sala de aula com os mais diversos objetivos, menos aprender alguma coisa. 

Infelizmente, não percebem que o mundo fora da sala de aula não será tão tolerante quanto os professores que tentam prepara-lo para enfrentar a realidade lá fora. O "mercado" tem sido impiedoso até mesmo com indivíduos super especializados, imaginem com alguém que, apesar de alfabetizado, é incapaz de interpretar um texto! Ou tome como exemplo alguém que sabe as quatro operações básicas da matemática (soma, subtração, multiplicação e divisão), mas não tem a menor ideia de como utiliza-las para algum fim, além de calcular quantos pontos faltam para seu time vencer o campeonato. Mais ainda, tome alguém que "estuda" uma língua estrangeira, termina um curso depois de anos de "estudos", e não sabe expressar um ponto de vista que vá além do "eu acho...", "eu gosto...", "eu não gosto...". 

E tudo isso por quê? Simplesmente porque nunca se interessou de fato ou, na pior das hipóteses, teve um professor de meia tigela que nunca buscou alternativas inteligentes que pudessem favorecer o aprendizado. Isso acontece, e todo mundo, inclusive eu, conhece algum. 

Contudo, na minha experiência diária atual, o que tenho visto é um magistério empenhado em ensinar, assim como muitos alunos ávidos por aprender, mas existe sempre uma "meia-dúzia" que não quer nada com a hora do Brasil, como diz meu pai. ;) Ainda assim, o professor comprometido não desiste, mesmo sabendo que os resultados nunca chegarão perto dos obtidos por ele e por aqueles alunos que são tão comprometidos quanto ele.

Quem me dera que os alunos, cujos pais tanto investem neles entendessem o valor (mais do que o custo) de tudo isso! 

Quem me  dera os pais entendessem que professores não fazem milagres e que eles mesmos precisam se envolver no processo pedagógico, fazendo sua parte em casa. Mas, com isso quero dizer algo totalmente diferente de tarefa do "bonequinho", porque, caso contrário, "tadinho", ele não vai saber fazer... Fazer isso pode levar esse "pobrezinho" a nunca enfrentar desafios com segurança, com auto-estima, com empenho, com disposição para o sacrifício, para o esforço pessoal. O dever de casa está completo, mas o aluno continua incompetente naquele tema, tanto quanto era antes de seus espertinhos pais fazerem o que ele mesmo deveria ter feito. 

Quem me dera os pais não enfiassem o filho em zilhões de tarefas ou atividades extra escolares que só os estressam, exaurem e fazem com que entrem em sala de aula como zumbis querendo dormir por um milhão de anos. O professor pode dançar a rumba que o aluno não terá a menor reação. O corpo está ali, mas a mente só enxerga travesseiros.

Quem me dera as escolas deixassem de agir como fábricas, achando que basta "fabricarem" uma infinidade de artigos, leiam-se tarefas, para se mostrarem eficientes em sua "linha de produção". Essa fábricas de doidos multiplicam disciplinas, provas e projetos de todos os tipos - todos ao mesmo tempo, diaa após dia, incluindo finais de semana - pensando que assim justificarão os altos preços das mensalidades junto aos pais que confundem filho ocupado com filho sem encrenca. Canso de perguntar aos alunos na segunda-feira: "O que vocês fizeram no final de semana?", e ouvir: "Estudei." For dog's sake (lol), todo mundo devia ter um dia de descanso, de mudança de rotina, de desopilação, mas esses alunos estudam neuroticamente para três provas em cada dia da semana que vai se iniciar, todos os dias. 

Bem, provavelmente, essa não é a realidade de todos os alunos e professores. Estou me referindo a alunos de classe média, estudando em escolas particulares. É claro que, na rede pública, os professores reclamam do contrário: os alunos não estudam como deviam, seja em sala ou em casa. É gritante o contraste entre a carga de informação que têm os alunos anteriormente mencionados e estes. Mas, nem sempre tais conteúdos foram adquiridos na escola. 

Os alunos a que me referi antes costumam viajar pelo Brasil e pelo mundo a cada período de férias, e voltam cheios de experiências na bagagem. Além disso, geralmente têm pais que não ficam apenas discutindo a violência na favela, a invasão da polícia, as contas a pagar no final do mês, a gravidez precoce da própria filha ou da filha da vizinha, com que roupa vai ao baile funk, que horas é o churrasco na laje da dona fulana, o que o pastor disse para fazer ou deixar de fazer, e por aí vai. Os pais daquelas crianças e adolescentes viajados têm negócios: são engenheiros, médicos, advogados, pesquisadores, enfim, seus filhos estão expostos a conversas que os colocam em contato com realidades e desafios aos quais as crianças das camadas mais pobres dificilmente terão acesso.  E por isso mesmo é que eu sou a favor de políticas inclusivas para reduzir as desigualdades. Pelo menos, para dar aos interessados em superar a pobreza uma margem maior de chances do que teriam se fossem deixados à própria sorte.

Mas, ninguém se engane. Não são todos os alunos oriundos desses lares abastados que pensam acima da média, especialmente quando o papo é sociedade, diversidade, políticas de promoção social, e coisas desse gênero (muitos só pensam na tristeza de não terem ainda o último lançamento da marca tal nos EUA que ainda não chegou ao Brasil - futilidade total!). Do mesmo modo, nem todo aluno das camadas mais pobres é apenas um produto do meio que o circunda. Já tive alunos extraordinariamente inteligentes, informados, críticos e inclusivos em turmas de projetos sociais com os quais trabalhei em favelas.

E aí vemos que os extremos são sempre  prejudiciais: estudar neuroticamente ou não estudar de modo algum são comportamentos igualmente danosos para a saúde mental e a vida social ou para a preparação para o futuro. Ambos cobram algum preço.

O equilíbrio é tudo. E cada um precisa encontrar o seu nessa empreitada que se chama educar(-se): professores, escolas, pais e alunos. 

Não apenas isso, mas a sala de aula tem que ser um ambiente de crescimento em termos de conteúdos, mas também de expansão de horizontes, seja no que diz respeito a si mesmo, ao outro mais próximo, bem como em relação às realidades mais distantes, porque, no final das contas, tudo isso pode e deve ser integrado e usado para construir o novo, o mais excelente, o que promove mais felicidade, mais prosperidade, mais conforto para si mesmo e para o mundo ao seu redor.

E aqui vai uma homenagem especial aos professores que se feriram em sua missão de ensinar. Meus votos de superação e felicidade plena àqueles que já foram ameaçados e agredidos por alunos; àqueles que já foram injustiçados por diretores, coordenadores e afins; àqueles que já foram demitidos por politicagem de alunos e/ou seus pais, quando esperam que o professor seja um "doador de médias" e não um "facilitador da aprendizagem" de fato; àqueles que já foram discriminados por serem LGBT, negros, mulheres, portadores de necessidades especiais, moradores de bairros menos favorecidos; àqueles que foram aposentados antecipadamente por invalidez, devido ao stress descomunal a que foram repetidamente submetidos em sala de aula e em outras dependências da escola, seja na relação com alunos, pais, colegas de trabalho ou "superiores" na hierarquia de comando. A todos esses e muitos outros, um abraço especial e meu encorajamento a que se vejam, antes de tudo, como seres humanos belos, inteligentes, criativos e interessantes, e não apenas como uma engrenagem nessa máquina de produção de mão-de-obra que deixa a desejar até nisso. Caso continuem no magistério, apesar de toda essa pressão em contrário, tenham coragem e força sem perderem a doçura. E acima de tudo, aquele saudável orgulho próprio, aquele prazer de ser quem se é - o que não tem nada a ver com a prepotência ou a soberba. Caso tenham deixado o magistério, que sejam bem-sucedidos por onde quer que forem. 

Um parabéns especial aos professores que se aposentaram por tempo de serviço, exercendo a função sem jamais terem perdido o "tesão" pelo ofício, pelo desenvolvimento pessoal e dos outros. VOCÊS SÃO HERÓIS E HEROÍNAS!

Nesse dia dos professores, preparei esse vídeo que você poderá assistir abaixo, falando um pouco da minha experiência como professor e do que considero ser o nosso papel para além de qualquer relação de compra e venda. Assista. Depois deixe um comentário. Essa troca é preciosa.

Feliz dia dos professores!






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