Veja o resultado de uma enquete sobre literatura lésbica feita no Dia da Visibilidade Lésbica


No Dia da Visibilidade Lésbica, 29 de agosto de 2005, lancei uma enquete através do bate-papo do Grupo de Literatura com Temática LGBT no Facebook. A pergunta era simples e direta:

"VC já leu algum livro com tema lésbico? Lembra do nome e da autora/autor? #visibilidadelésbica"

A pergunta foi enviada para 200 pessoas, divididas em quatro grupos de 50. O resultado foi fechado no dia seguinte. Veja o que foi encontrado:


No grupo 1:

SETE pessoas responderam, mas só UMA tinha lido e era uma mulher. Vários livros foram citados pelos outros participantes e todos eles eram off-topic. Houve uma discussão acalorada entre dois participantes que chegaram a se estranhar, porque um criticava o descaso da comunidade LGBT para com seus autores, especialmente os mais recentes. Os livros lésbicos citados nesse grupo foram:





Livros lidos citados no grupo:


All Star xadrez, de Dandara Pinheiro
As rosas e a revolução, de Karina Dias

Um dos participantes nem sabia por que estava naquela conversa. Pelo jeito, nem lembra que um dia solicitou entrada no Grupo de Literatura LGBT, que é fechado e só se ingressa por solicitação própria. A regra principal do grupo é: "Se não for literatura com temática LGBT, não publique aqui. É spam."

No grupo 2: DEZESSETE pessoas responderam. Só UMA (um homem) havia lido. Todas as outras pessoas falaram sobre livros gays, filmes gays, alguns comentaram sobre Cassandra Rios e Virgínia Wolf, mas já haviam dito que nunca tinham lido um livro com temática lésbica sequer.

O que havia lido citou "O lesbianismo no Brasil", de Luiz Mott. Interessante que tenha sido sobre lésbicas, mas na voz de um gay - o que não desmerece o livro. Muito pelo contrário, Mott escreve lindamente.

Um dos respondentes, que obviamente faz parte do Grupo de Literatura com Temática LGBT, assim como os demais, disse, contudo, que não gosta de ler, mas que pretende ler algum dia para ver se pega o gosto.

Livro lido citado no grupo:

"O Lesbianismo no Brasil", de Luiz Mott.

No grupo 3:

DEZESSEIS pessoas responderam. SETE haviam lido algum livro com temática lésbica. Uma pessoa pediu para alguém atualiza-la sobre como ela entrou nesse grupo. Outra disse que também não sabia.

Livros lidos citados:

Frente e Verso, de Lucia Facco, Laura Bacellar e Hannah Korich
O último dia de outono, de Valéria Melki Busin
Lua de prata, de Valéria Melki Busin
Contos com temática lésbica, de Rose Madeo
Romances lésbicos, de Cassandra Rios
O Diário Roubado, de Régine Deforges
Carol, de Patrícia Highsmith
Entrevistando Jenifer, Paola Milano
Poemas Escolhidos de Elizabeth Bishop, Paulo Henriques Britto
Um Porto para Elizabeth Bishop, Marta Góes


No Grupo 4:

SEIS pessoas responderam. Somente UMA pessoa havia lido, apesar de alguns respondentes terem falado sobre autoras lésbicas como a escritora Rose Madeo, por exemplo.


Livro lido citado:

A noite tem mais luzes, Cassandra Rios




OBSERVAÇÕES MINHAS A PARTIR DESSA ENQUETE:

Sobre o desempenho dos quatro grupos, cada um com 50 pessoas, totalizando 200 pessoas perguntadas, dentro de um universo atual de 4.202 pessoas no Grupo de Literatura com Temática LGBT, gostaria de destacar os seguintes dados:

200 perguntados.

46 respondentes.

10 pessoas leram algum livro com temática lésbica.

14 livros diferentes com o tema foram citados.

Os outros 36 respondentes falaram sobre tudo, inclusive literatura gay, bissexual e transgênero. Portanto, totalmente off-topic em relação à pergunta geradora da conversa, cujo recorte era literatura lésbica, especificamente.

Das 134 pessoas que não deram a mínima para a pergunta, muitas saíram da conversa antes mesmo da primeira resposta ter sido dada no grupo.

Algumas pessoas eram autoras e aproveitaram para fazer (ou só fizeram) propaganda de seus livros, em vez de responder a pergunta geradora da conversa.

As autoras mais discutidas foram Rose Madeo, Karina Dias, Cassandra Rios e Elizabeth Bishop.

Duas editoras foram nominalmente citadas: Metanoia e Escândalo. Claro que foram citados livros da Editora Malagueta, mas seu nome não veio à baila. Vale lembrar que as editoras Escândalo e Malagueta encerraram suas atividades recentemente. E isso é outro sintoma do descaso da comunidade de gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros para com as produções que a contemplam. No caso da Malagueta, especificamente as lésbicas, já que a editora era dedicada exclusivamente ao tema. Mas, o que impede que os GBT leiam esse material ocasionalmente, pelo menos. Eu sou gay, li várias obras delas, e simplesmente adorei!

Entre os que responderam, alguns nem sabiam o que estavam fazendo numa discussão como essa, e o disseram com todas as letras.

Só consigo imaginar que a razão para isso tenha sido o esquecimento de que haviam aderido a um grupo fechado de Literatura com Temática LGBT em algum dia do passado recente ou remoto - o que parece revelar uma tendência dos membros das redes sociais para quererem fazer parte de algo que pode parecer chique (será que é mesmo?), apesar de não haver qualquer afinidade pessoal de fato com o tema do grupo.

Aparentemente, essa é uma tendência geral no Facebook: estar num grupo sem ter interesse nele. E faz até algum sentido quando o administrador adiciona gente que nunca solicitou entrar. Porém, no caso do Grupo de Literatura com Temática LGBT em apreço, só se entra por solicitação própria e com a aprovação do administrador.

Como funciona o Grupo Literatura com Temática LGBT no Facebook?

Em linhas gerais, as pessoas postam sem moderação prévia. Contudo, se não for relacionado à literatura com temática LGBT, a postagem será retirada do grupo assim que for identificada e sem qualquer aviso prévio, uma vez que isso já está estabelecido na descrição do grupo e na foto de capa do mesmo. O lema do grupo é claro: Se não for literatura com temática LGBT, não publique aqui. É spam.

Por causa dessa intransigência para com o "desvio" do tema do grupo, esse é o único que eu conheço cujos conteúdos são realmente exclusivamente de livros, autores, resenhas de livros, trailers de livros, comentários sobre editoras, dicas para escritores, etc.. Há outros no Facebook, mas apesar de terem o nome de literatura, estão abarrotados de filmes, dicas de maquiagem, pegadinhas do Sílvio Santos e outras atrações que têm seu valor, mas que não pertencem ao universo da persistente - e muitas vezes ignorada - literatura LGBT.

Assim, se você sentir desejo de participar desse grupo, porque curte o tema ou quer conhece-lo melhor, seja bem-vindo, seja bem-vinda! ;)

E por último...

A todos os que responderam e fizeram comentários, meu muito obrigado. Aos que me honraram com alguma menção pessoal carinhosa, dois "muito obrigados". 

A todos os que não responderam, faço a seguinte pergunta, que não precisa ser respondida em voz alta (pode ser apenas pensada):

É muito difícil dizer "Não" ou "Sim, o livro X"?

Se a reposta fosse negativa, uma palavra bastaria. Se fosse positiva, uma pequeníssima frase.

Como essa pergunta partiu de um grupo de interesse e foi enviada apenas para membros aleatoriamente escolhidos, sendo a primeira vez que isso acontece, cabe a reflexão.

E se você faz parte do grupo, mas não foi perguntado, não se aborreça com isso. Porque, como dito acima, as pessoas foram contatadas aleatoriamente dentre os membros do grupo. A culpa não é das estrelas... kkkkkkk

Um abraço a todas e todos! E mais leitura, galera! Especialmente, de obras escritas pelas nossas irmãs e irmãos de arco-íris.

Comentários

  1. Pois é, Sergio Viula, eu mencionei "Um Porto para Elisabeth Bishop", de Marta Góes. É uma bela peça de teatro. E tem uma página que eu de vez em quando uso em sala de aula, em aulas de Português. Tiro questões de Gramática a partir dela. E conto a história de amor dessa mulheres. Ninguém se escandaliza. Faço isso porque pode haver uma lésbica entre as adolescentes. Isso pode elevar sua autoestima.
    Mesmo que a Inquisição não queira gênero nos Planos de Educação, aprendi que devemos ser felizes mesmo sem permissão.

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