Revoltante: O matador de travestis


Por ALINE RIBEIRO


Capítulo 3
O matador de travestis
Depois do Carandiru, Letang levava o que parecia uma vida ordinária. Casado pela segunda vez, o jovem soldado da Rota morava com a mulher e dois filhos, trabalhava como policial à tarde e, nas horas vagas, fazia bicos de segurança. Na noite de 12 de março de 1993, cinco meses após o massacre, deu os primeiros indícios de que se transformava ao andar pelo lado selvagem de São Paulo.

De folga, Letang perambulou por duas horas na Zona Oeste, uma área de classe média. Dirigia um Fusca bege 1974. Numa área de prostituição, parou o carro, baixou o vidro do passageiro e chamou um travesti que esperava por um cliente. José Wilson da Silva, de 30 anos, conhecido como Valéria, curvou-se até o veículo para combinar o programa. Segundos depois, levou um tiro fatal no rosto. Naquela mesma madrugada, Letang já havia matado outros dois travestis: os irmãos Reginaldo e Jaime Félix da Silva, de 22 e 24 anos, de codinomes Viena e Wilma. Letang desferiu vários golpes contra o corpo sem vida de Reginaldo. Usou um objeto cortante, arrancou o pênis do cadáver e o colocou na boca da vítima.

Um professor de balé testemunhou um dos crimes. Dois travestis anotaram a placa do Fusca. Letang foi expulso da polícia tempos depois. Em seguida, foi condenado a 44 anos e quatro meses de prisão pelos assassinatos cometidos naquela noite. Ficou 18 anos preso. Na cadeia, Letang se tornou evangélico, fez faculdade de sociologia e trabalhou num escritório de advocacia. Chegou a responder a outros 18 inquéritos. Muitos deles, que envolviam homicídio, foram arquivados por falta de provas. Letang costumava agir sempre da mesma forma. Abordava o travesti e, sem motivo aparente, disparava na direção do rosto. “Assim como outros assassinos em série, ele tinha uma assinatura própria: um tiro no olho direito”, diz a criminóloga Ilana Casoy, autora de Serial killers – Made in Brazil.

Letang saiu da cadeia em 16 de março de 2011. Depois de 71 dias, voltou a atacar. 


Atenção: Esse é apenas um dos capítulos dessa matéria. Ele também participou do massacre do Carandiru. Leia a matéria na íntegra, especialmente o capítulo que se segue a esse AQUI.

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COMENTÁRIO DESTE BLOGUEIRO

Incrível como as igrejas evangélicas atraem psicopatas. Não que a maioria dos crentes o seja, mas incrível como a maioria dos psicopatas facilmente se integram nesses cultos. Mais impressionante ainda é a teimosia da mulher e dos filhos em dizer que não há nada de errado com o marido e pai. Como assim? O que mais ele precisa fazer para mostrar que é perigoso, inclusive para a própria família. Como será que ele agiria se um dos filhos dissesse que é gay? Ou se cismasse que a mulher o trai? Ao que tudo indica, não é só ele que está doente. E pior: na igreja, ele ficará ainda mais convencido de que aqueles que não leem na cartilha da igreja merecem mesmo sofrer. Afinal de contas, não seria a doutrina do inferno a maior prova de que deus concorda com ele? 

Esse cristianismo é mais doente do que alguns outros, mas todos eles padecem de um mesmo mal: desprezar o corpo, seguir pregadores da morte e acreditar em vidas pós-mundanas. Tudo isso parece justificar a negação de tudo o que é da terra, da nossa fantástica corporalidade e do potencial de realização que ela nos proporciona. Patológico mesmo... Pena que custa caro para quem não padece dessa patologia, sempre que um bandido psicopata desses decide se livrar daquilo que deseja ao mesmo tempo  em que despreza.

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