Menino que sofria bullying homofóbico se mata na Califórnia



O site The Advocate publicou ontem que um menino que morava no norte da Califórnia cometeu suicídio depois de ser vítima de bullying por ser o único garoto na torcida organizada da escola. Nos EUA, as meninas são famosas como torcedoras, enquanto os meninos exibem sua força e dureza nas quadras de futebol americano. Novamente, o binarismo de gênero reforçando estigmas.

Ronin Shimizu tirou sua própria vida na quarta-feira, conforme reportagem do The Sacramento Bee. Ele tinha doze anos e estava na sétima série.

“Eu ouvia pessoas chamando ele de gay porque ele era um líder de torcida,” disse um amigo a uma afiliada da CBS em Sacramento. 

Daniel Thigpen, o porta-voz da Folsom Cordova Unified School District, onde o menino estudava, disse ao Bee que houve vários relatos de que Shimizu era assediado e que os oficiais do distrito “investigaram cada um deles completamente e tomaram as ações devidas para cada caso.” Ele acrescentou que a escola tem um progama anti-bullying muito amplo,

Os amigos de Shimizu, entretanto, disseram à afiliada da CBS que o bullying continuava e que o jovem simplesmente não aguentou mais.  
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COMENTÁRIO DESTE BLOGUEIRO
O caso fez esse blogueiro pensar em diversas coisas:


1º) A Califórnia tem leis contra o bullying escolar, mas as escolas continuam falhando em grande medida;

2º) Dizer que isso é de menina e aquilo de menino só reforça o binarismo de gênero, fortalecendo preconceitos sempre que alguém não se enquadra nessas convenções arbitrariamente (para não dizer estupidamente) estabelecidas;

3º) Alunos, professores e outros membros da comunidade escolar precisam ser abordados sempre que praticarem bullying, educados, corrigidos, e se não houver outro jeito, punidos com suspensão, transferência ou demissão (no caso de professores e outros funcionários);

4º) Todas as crianças devem ser ensinadas a ver a homossexualidade, a bissexualidade e a transgeneridade como características tão pessoais e moralmente neutras quanto a cor da pele, a classe social, as origens familiares;

5º) Crianças lésbicas, gays, bissexuais ou transgêneras devem entender que não valem menos que qualquer outra e que devem ter orgulho de si mesmas. Crianças que sofrem  por simplesmente serem LGBT são geralmente aquelas que aprenderam a se odiar já em casa. E quando são alvo de bullying na rua ou na escola, acreditam que não têm valor, porque foi isso que seus pais lhe disseram direta ou indiretamente.

6º) Pais e outros responsáveis por crianças LGBT não devem ter vergonha de agir em favor do filho ou da filha em função de sua possível homossexualidade, bissexualidade ou transgeneridade. Brigue por ele (pelos meios lícitos) como brigaria se o xingassem por qualquer outra característica pessoal.


Criar filhos e educar alunos e colegas de trabalho para uma vida mais feliz – isso é o que interessa. E isso nunca será uma realidade se não aprendermos a nos amar, respeitar os outros e preferir o silêncio à fofoca e a palavra amiga à indiferença.

Comentários

  1. Há quem pense que a homofobia só está estampada na agressão física, no homicídio aos homossexuais, mas o bullying com enfoque na orientação sexual e na identidade de gênero demonstra a mesma homofobia e pode ser tão nocivo quanto a violência física porque atinge a psiquê e a alma do indivíduo que se não estiver bem resolvido pode fazer uma loucura. Foi o que aconteceu com esta criança que ainda estava em processo de formação de personalidade, desenvolvimento da autoestima e compreensão da sua própria identidade. O que ele fez é lamentável. Ele foi vítima da crueldade de pessoas que sentem prazer na desgraça do outro. Infelizmente, o bullying muitas vezes parte do próprio professor ou de outro funcionário da escola que com seus comentários preconceituosos fere a vítima e ainda desperta nos outros alunos a sede por um ataque coletivo à vítima que nem sempre consegue superar a discriminação e se autoafirmar. Um poema que fiz retrata bem esta realidade. Veja: Ainda há muito por fazer (Um poema de Katia Viula contra o bullying homofóbico)

    Educação é direito de todos. Incluir é do governo obrigação.
    No entanto, não vemos nisso nenhuma grande ação.
    Todos devem ser tratados sem nenhuma distinção,
    Mas não é isso o que ocorre com o corpo discente, não.

    Os alunos sofrem preconceito entre si
    E por parte do corpo docente também já vi.
    Se os meninos são educados, a eles se referem como viados.
    Se as meninas são valentes, dizem que delas se ressentem.

    Se alguma garota é aflorada, dizem que é safada.
    Não percebem que seus hormônios estão em ebulição.
    É uma fase de descobertas e muita azaração.
    Tolerância é preciso e também muito respeito.

    Se não sabem lidar com as diferenças, interfira, senhor prefeito.
    Cadê o kit tão criticado que lidaria com temas complicados?
    Por que, presidenta, não chegou às mãos dos interessados?
    Educar é preciso, corrigir não é nocivo.

    Nocivo é tapar o sol com a peneira.
    Fazer de conta que bullying é besteira.
    Que futuro queremos para nós?
    Que sociedade queremos construir?

    Aquela que até agora só soube destruir
    A autoestima, o amor próprio, o orgulho de ser?
    Queremos um Brasil melhor, queremos crescer.
    Para nunca mais crime de homofobia a gente ver.

    Crime cultivado desde a infância.
    Educadores não trabalham a tolerância.
    Na escola, lá fora, em casa, na família,
    Devemos dialogar, conviver... Não somos uma ilha.

    Precisamos respeitar uns aos outros para ter um mundo melhor,
    Onde a discriminação seja um passado enterrado, para não ficar pior.

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