Homofobia e Líder LGBT morto no Complexo do Alemão

Luiz Moura, o Guinha, foi morto a tiros - Reprodução internet



FONTE: O GLOBO em 21/12/2014.
RIO - Coordenador do programa Rio sem Homofobia, da Secretaria de estado de Assistência Social e Direitos Humanos, Cláudio Nascimento acredita que a morte do presidente da Associação de Moradores do Conjunto das Casinhas (Complexo do Alemão), Luiz Moura, morto a tiros no sábado próximo à Rua 2, está relacionada à homofobia. Mais conhecido como Guinha, o líder comunitário era fundador do movimento LGBT da comunidade e organizava a Parada Gay local que, em setembro, chegou à segunda edição, quando reuniu mais de duas mil pessoas.

De acordo com CláUdio Nascimento, o órgão recebeu denúncias pelo Disque Cidadania LGBT que atribuem a morte de Guinha a represálias do tráfico de drogas e a religiosos fundamentalistas da comunidade, que não teriam aprovado a realização da Parada Gay do Complexo do Alemão. Ex-garoto de programa e ex-travesti, Guinha foi personagem do documentário "Favela Gay", de Cacá Diegues e Renata Almeida Magalhães.

— Já recebemos denúncias de que a razão do crime está relacionada à homofobia, estimulada pela intolerância de religiosos radicais. Alguns criminosos e religiosos fundamentalistas não concordavam com a realização da Parada Gay, que Guinha realizava mesmo sem a “pseudo-autorização“ que esses setores queriam impor ao movimento LGBT. Ele era um militante dos direitos humanos e participava das ações de cidadania promovidas pela UPP local, o que pode ter contribuído para aumentar a irritação do tráfico. Já encaminhamos essas denúncias para a secretaria estadual de Segurança, para o governador e para as chefias das polícias, para auxiliar nas investigações — afirma Nascimento, que conhecia o ativista há quatro anos e esteve no enterro, realizado na tarde deste domingo, no cemitério de Inhaúma. 


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