Herói gay do ataque terrorista em Sydney morre como cidadão de segunda classe

Café na cidade de Sydney (Austrália) invadido e dominado por um extremista islâmico





Herói gay do ataque terrorista em Sydney morre como cidadão de segunda classe


Postado em: 12/16/2014 pelo The Huffington Post

Traduzido por Sergio Viula
  

Muitas vezes em tempos de crise descobrimos heróis improváveis; indivíduos que vão além do dever. Muitas vezes essas pessoas são gays. 

Em épocas passadas, esse fato seria ignorado, ou não comentado. Podia até ser um fardo. Oliver Sipple foi um fuzileiro naval que encarou combate no Vietnã. Em casa, ele continuava no armário, mas em São Francisco, ele tinha alguma chance de viver sua própria vida. 

Ele estava em pé do lado de fora do St. Francis Hotel em 1975, onde o presidente Gerald Ford estava aparecendo. Enquanto Ford deixava o prédio, uma mulher que estava de pé ao lado de Sipple ergueu uma pistola para o presidente. Ela disparou, mas não antes que Sipple visse o que estava acontecendo e pulasse sobre ela, desviando seu braço e fazendo-a errar o alvo.


Esse ato fez com que ele ganhasse a atenção da mídia - algo que ele não queria. Ele não queria que seu nome fosse conhecido. Mas a mídia foi implacável. Ele pediu que não revelassem que ele era gay, algo que ele escondia de sua família, mas, é claro que a história saiu - a fome da mídia por frissom raramente respeita as pessoas, e os jornalistas se sentem imunes às consequências de suas ações - afinal, elas vendem muitos jornais e não é a vida deles que está sendo ferrada.


A mãe de Sipple soube que seu filho era gay e o deserdou - exatamente o que ele temia. Apesar de mais tarde, ele ter se reconciliado com seus pais, sua saúde mental se deteriorou. Ele bebia intensamente, ficou morbidamente obeso, e foi encontrado morto com a idade de 47.


 

Enterro de Tori, o gerente do café, assassinado durante o ataque do extremista muçulmano





Em Sydney, um homem mentalmente perturbado, agarrando-se ao extremismo religioso como desculpa, fez reféns aos clientes de um café. Durante quatro horas, ele ameaçou-os e usou-os como escudos. As negociações com a polícia estavam aparentemente conduzindo a lugar nenhum e o cerco estava além do humanamente suportável.


Esse homem sozinho tinha mais de uma dúzia de pessoas sob seu domínio, mas estava ficando sonolento. Ele começou a cochilar, mesmo tentando lutar contra o sono. 


Os reféns estavam cansados, mas ter uma arma apontada para si é algo que mantém você alerta. À medida que o terrorista cochilava, os reféns corriam para a porta e para a segurança - mas não todos eles.


Um homem se atracou com o terrorista. Tori Johnson tinha 34 anos. Ele gerenciava o Lindt Chocolate Café havia dois anos. Funcionários e clientes todos diziam que ele era um homem bom, um homem gentil. Ele também era um homem gay.


Johnson tentou tirar a arma para proteger os outros reféns enquanto eles fugiam, mas ele foi alvejado na tentativa. Seu ataque distraiu o terrorista. Os outros escaparam e o som do tiro fez a polícia entrar.  e matar o homem armado. Um outro refém também morreu na cena, mas de um ataque cardíaco a caminho do hospital depois de ser atingido.


Tori Johnson não voltou para casa naquele dia, ele morreu no hospital. Ele nunca pôde dizer novamente a seu parceiro por 14 anos, Thomas Zinn, que ele o amava, ou que ele queria que ele pegasse as meias ou qualquer coisa que se giz a alguém que é o amor da sua vida, com quem você compartilha seu coração e seu lar. 


O parceiro de Tori, Thomas, e sua família, publicaram uma declaração: "Estamos tão orgulhosos do nosso lindo menino Tori, ido desta terra mas para sempre em nossas memórias como a mais fantástico parceiro na vida, filho e irmão que jamais poderíamos desejar."


Mark Bingham era um homem gay no voo 93 da United Arilines em 11 de setembro de 2001. O avião estava nas mãos de sequestradores. Ele estava voltando para casa em São Francisco para ser acompanhante no casamento de um amigo. Os sequestradores tomaram o avião e Bingham, assim como outros passageiros, foi levado para a parte de trás do avião. Ele ligou para sua mãe e deixou uma mensagem dizendo a ela o que estava acontecendo. Outros passageiros também ligaram para casa e souberam do ataque às Torres Gêmeas. Bingham e os outros passageiros decidiram correr apra o cockpit e tomar o avião de volta.


Eles lutaram com os sequestradores, que perderam o controle do avião, espatifando-se num campo vazio em vez de atingir a populosa Washington, DC.


O padre Mychal Judge era o sacerdote e capelão do Corpo de Bombeiros de Nova York. Quando ele soube dos ataques em Nova York, ele correu para as Torres Gêmeas e começou a dar a extrema unção aos que estavam morrendo. Ele entrou nas Torres e começou a ajudar os que precisavam. Quando a Torre Sul entrou em colapso, estilhaços voaram pelas janelas e o mataram.


O corpo dele foi o primeiro a ser recuperado e levado ao médico legista, dando-lhe a duvidosa distinção de "Vítima 0001". O padre Judge também era um homem gay. Ele discordava do ensino católico e dizia: "Será que há tanto amor no mundo para que possamos nos dar ao luxo de discriminar qualquer tipo de amor?"


Além de sua orientação sexual, o que Tori Johnson, Oliver Sipple, Mark Bingham e Mychal Judge tinham em comum é que eles era heróis, mas não por natureza. Fundamentalmente, eles eram bons homens atirados em circunstâncias horríveis que agiram de maneira consistente com sua própria moral e caráter. Heróis são boas pessoas enfrentando circunstâncias incomuns e permanecendo fiéis a seu caráter.


Ontem, soubemos que Tori Johnson era um bom homem.


O Primeiro Ministro Australiano Tony Abbott chamou Tori Johnson, e a outra vítima de "boas pessoas". Sim, Tori era uma boa pessoa, mas para o Primeiro Ministro Abbott ele ainda não era bom o suficiente, pelo menos não quando se tratava de casamento.


Tori e seu parceiro de 14 anos, Thomas, nunca puderam se casar, não na Austrália. Tori e Thomas mereciam os mesmos direitos que outros australianos. Mas esse direito foi negado, e agora, para Tori, é tarde demais.


O Primeiro Minsitro Tony Abbott colocou flores e disse belas palavras, mas ainda está lutando para negar os direitos ao casamento a "boas pessoas" como foi Tori Johnson. 


Se Abbot deseja honrar o heroísmo Tori Johnson, ele deveria pressionar pelo casamento igualitário. Pelo menos, ele deveria sair do caminho e deixar que sua bancada partidária tivesse liberdade para votar de acordo com a consciência dela. Por todos os casais como Tori e Thomas, é hora de aprovar a legislação sobre casamento do Senador David Leyonhjelm.


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