20 de Novembro - Dia Internacional da Memória Trans




No Brasil, hoje é Dia da Consciência Negra. Fiz minhas homenagens via Facebook, mas isso obviamente não é suficiente. Vi muitos negros trabalhando em lojas fechadas no feriado que deveria, mais do que nunca, ser seu dia de descanso, de reivindicação e de celebração. 

Mas hoje também é o Dia Internacional da Memória Trans. Organizações e cidadãos de vários países dedicam algum tempo a lembrar das transexuais, travestis e outros grupos transgressores dessa ditadura de gênero binária determinada pela genitália de nascença - que nem sempre é tão definida assim, vale lembrar - que foram mortos/mortas por motivação transfóbica ou por transfobia associada a outras motivações. 

Esse cartaz divulgado via redes sociais é muito apropriado. Não sei quem foi o autor ou a autora, mas ele fala mais alto do que muito discurso por aí. Resta saber se as pessoas terão ouvidos para ouvir e olhos para ver. Espero que sim, porque continuaremos falando e mostrando os avanços e os obstáculos do Movimento Transgênero até que ninguém possa dizer que nunca ouviu falar sobre esse assunto e até que as pessoas transgêneras tenham seus direitos individuais garantidos.

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Gostei desse panorama histórico sobre a instituição desse dia, divulgado por Alexsander Lepletier via Facebook.




"O Dia Mundial da Lembrança Trans ocorre anualmente no dia 20 de novembro. É uma data para relembramos todas as pessoas assassinadas por motivos transfóbicos.

O Dia Mundial da Lembrança Trans foi fundado em 1998 por Gwendolyn Ann Smith, uma mulher trans designer gráfica, colunista e ativista, para relembrar o assassinato de Rita Hesler em Allston, Massachussets. No que foi seguida por diversas pessoas trans ativistas e pessoas aliadas da comunidade trans em São Francisco, que decidiram que era hora de lembrar de todas as demais pessoas trans assassinadas em diversas outras cidades.

Rita era uma mulher trans negra que foi brutalmente espancada e recebeu 20 golpes de faca no peito em seu apartamento por um homem desconhecido. Seu corpo foi encontrado no dia 28 de novembro de 1998.

À polícia, sua irmã contou que na noite anterior Rita foi vista na companhia de dois rapazes em um bar, sendo que um dos quais a seguiu até em casa. O suposto assaltante não levou qualquer joia, dinheiro ou objeto de valor de seu apartamento. O Boston Globe informou na ocasião que Rita trabalhava como prostituta com o nome de Naomi, mas que não há qualquer evidência de que ela tenha sido atacada por um cliente.

Muitas pessoas da comunidade trans norte-americana sustentam que se tratou de um crime de ódio por conta da forma brutal com que houve o assassinato, com diversos hematomas e escoriações pelo seu corpo e tendo o assassino não roubado qualquer objeto de dentro de sua casa. Esse fato levou a comunidade trans e seus aliados a fazer uma vigília com velas acessas e a promover uma marcha em Allston, em dezembro daquele ano.

Desde quando foi fundado, o Dia Mundial da Lembrança Trans, conhecido internacionalmente pela sigla TDOR, angariou diversas pessoas preocupadas com os assassinatos das pessoas trans.
Em 2010, 185 cidades em 20 países fizeram manifestações em função do TDOR.

Geralmente são lidos nesses atos os nomes das pessoas trans que tiveram suas vidas ceifadas no último ano em função da transfobia. Lembrando aqui que como esse tipo de crime é subnotificado, não sabemos exatamente quantas e onde são as pessoas trans assassinadas por motivos transfóbicos.

Os atos geralmente contam com pessoas fazendo vigílias com velas acesas, exposições artísticas, apresentação de filmes e diversas marchas.

Sendo o Brasil o país campeão mundial de assassinato de pessoas travestis e transexuais, é importante também relembrarmos a memória de tantas pessoas dessa comunidade, extremamente vulneráveis e invisíveis, que perderam suas vidas em função do ódio que a sociedade nutre contra as pessoas que possuem uma identidade de gênero divergente da maioria. Um país em que a expectativa de vida de uma travesti ou mulher transexual é de apenas 30 anos."

Daniela Andrade

Lista de vítimas - Indianara Alves Siqueira

BASTA DE TRANSFOBIA!

Comentários

  1. "Vi muitos negros trabalhando em lojas fechadas no feriado que deveria, mais do que nunca, ser seu dia de descanso, de reivindicação e de celebração."
    Sendo os LGBTs que mais sofrem preconceitos não deveria ser feriado também nos respectivos dias?
    O que me assusta é muita incoerência por aí nessa de "feriado", "explicitação de preconceitos" etc.

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    1. Pois é, a questão é: por que é que o feriado é da Consciência Negra e os negros continuam trabalhando para que os brancos se divirtam? Essa é a razão da frase citada. :)

      Não podemos dizer que os LGBT sofrem mais preconceitos que os negros. São dois preconceitos igualmente cruéis. Podemos dizer que os negros conseguiram a criminalização do racismo - que não é só contra negro, mas no Brasil, por razões históricas tem sido principalmente contra negros - e nós LGBT ainda não conseguimos a criminalização da homofobia e da transfobia - o que mais importante que qualquer feriado.

      E é verdade, tem muito preconceito sendo celebrado por gente mesquinha, especialmente nas redes sociais. Felizmente, muita gente, mas muita mesmo, tem acordado para o fato de que desrespeitar um direito humano é colocar todos os outros em risco.

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