Toni Reis e David Harrad: Pessoas que fizeram e continuam fazendo história no Brasil.

É uma terrível característica do ser humano esquecer ou não perceber as contribuições que certas pessoas fazem ao avanço dos direitos humanos na sociedade. Toni Reis e David Harrad, que hoje são militantes conhecidos em todo o território nacional, são duas dessas pessoas que marcaram positivamente a história do nosso país nas últimas décadas, e das quais não podemos nos esquecer.

Gostaria de pensar aqui especificamente a questão do direito ao casamento para pessoas do mesmo sexo no Brasil. 

Em 08 de junho de 2008, o Fantástico mostrou o drama que Toni Reis e David Harrad enfrentavam para permanecerem juntos e a estratégia que eles tiveram que usar para evitar a deportação de David, que é cidadão britânico e não se enquadrava em nenhum dos pré-requisitos para a obtenção de visto permanente. Assista a matéria. Em três minutos, eles mostraram ao Brasil inteiro o que significa estar desprovido de um direito tão básico como o direito de casar-se com quem você ama, simplesmente porque ama alguém do mesmo sexo.


No dia 09/05/11, os dois fizeram história de novo, assinando o primeiro contrato de união civil depois da decisão do Supremo Tribunal Federal que reconhecia igualmente as uniões civil heterossexuais e homossexuais. A união foi oficializada 20 anos depois dos dois começarem a namorar. O cartório foi o do 6º Tabelionato de Curitiba, PR. 


O casal publicou a seguinte carta aberta endereçada ao STF:

“Obrigado ao STF por nos ter considerado pessoas – cidadãos e cidadãs – portadores de dignidade que devem ser tratados em pé de igualdade. Nos últimos tempos alguns parlamentares e alguns religiosos homofóbicos tentaram abalar nossa autoestima, humilhando-nos com suas falas obscurantistas, arrogantes e autoritárias a nosso respeito, igual aos que achavam que a terra era quadrada e nos queimaram na fogueira. Não é mera retórica dizer que o STF lavou nossa alma”, é o que diz um trecho da carta.

Reis ressalta que a decisão do STF não traz perda para ninguém. “E o melhor de tudo é que Brasil inteiro ganha com a decisão do STF. Ninguém perdeu. O Brasil ficou maior, mais belo, mais colorido, mais humano e mais feliz”, escreve ele, que também destaca que muitos casais não vão mais precisar viver com medo. “A decisão do STF abre caminho para que, aos 60 mil casais homoafetivos recenseados pelo IBGE, se somem milhões de outros casais que ainda vivem sob o medo da chacota, da discriminação e da exclusão social”.

Adoção

Os dois já planejavam adotar há muito tempo. E conseguiram. Em setembro de 2011, conheceram Alyson. O menino foi morar com os pais em dezembro de 2011 e, em junho de 2012, eles conseguiram a guarda definitiva (a adoção). Agora ele se chama Alyson Harrad Reis e não podia estar mais feliz.

Toni Reis, David Harrad e Alyson 

Desta vez, é Alyson que faz história. Ele acaba de lançar, aos 13 anos, o livro "Jamily, a Holandesa Negra - a História de uma Adoção Homoafetiva." Saiba mais aqui:

Apesar do Alyson ser o mais conhecido em fotos e entrevistas, a família Harrad Reis cresceu. Veja só o tamanho do clã agora:

Da esquerda para a direita:
David, Alyson, Jéssica, Filipe e  Toni. Os cachorros são  Honney  e Vitor.

Com a possibilidade de converter as uniões civis estáveis em casamento propriamente dito ou mesmo de fazer o casamento sem ter que passar pela união civil, os casais de pessoas do mesmo sexo passaram a ter os mesmos direitos que qualquer outro casal - o que se coaduna com os princípios de igualdade estabelecidos pela Constituição Federal.

Toni Reis avança ainda mais na sua luta por um Brasil mais justo, e lança, nesse ano de 2014, sua candidatura a deputado estadual pelo estado do Paraná. O blog Fora do Armário não poderia deixar de dar todo apoio a Toni Reis nessa empreitada. Fica aqui a dica para os paranaenses: Votem em Toni Reis e ajudem o Brasil a progredir como Estado laico, pluralista e igualitário.




Comentários

  1. Que história! Quanta luta! Quanta resistência! Quando leio ou assisto coisas assim, lembro de tudo o que a guerreira e militante Cassandra Rios sofreu e teve que resistir para chegarmos onde chegamos.

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