The Advocate: Não, a Homossexualidade não é uma invenção do Ocidente

Não, a Homossexualidade não é uma invenção do Ocidente

Relacionamentos tradicionais não podem ser usados para alimentar a mentira de que casamentos entre pessoas do mesmo sexo são uma ideia Ocidental.





Por CHARLES J. UPCHURCH em 16 de maio de 2014 para The Advocate.

Traduzido por Sergio Viula para o blog Fora do Armário.

A alegação por parte de alguns líderes africanos de que a homossexualidade é um produto de exportação Ocidental - usada mais recentemente pelo presidente ugandense Yoweri Museveni  para defender a cruel legislação de seu país - não passa sequer pelo teste da risada. Mas para ir além das gargalhadas, será útil ler Boy-Wives and Female Husbands (em tradução literal Garotos-Esposas e Maridos Fêmeas), escrito por Will Roscoe e Stephen O. Murray, publicado em 1998. O livro, que se baseia em parte em estudos etnográficos mais antigos, cataloga uma grande variedade em termos de homossexualidades nativas africanas que faz as identidades sexuais ocidentais parecerem nitidamente estreitas.  A miríade de exemplos de  Garotos-Esposas e de Maridos Fêmeas sugere que, dentre as forças concorrentes de homossexualidade e homofobia, somente esta última poderia ser plausivelmente considerada uma importação.

» O povo Fante de Gana acreditava que as pessoas que nascem com almas pesadas — qualquer que seja o sexo — desejariam mulheres, enquanto aquelas com almas leves desejariam os homens.

» Na sociedade Akan, assuntos lésbicos eram "virtualmente universais"; algumas mulheres compravam camas extras para acomodar múltiplas parceiras.

» Entre os Zande do sudoeste do Sudão, um guerreiro que escolhesse casar-se com um garoto fazia um pagamento em lanças aos pais do garoto, dirigindo-se a eles como gbiore (sogro) e negbiore (sogra).

» O povo Ovigangella da Angola usava o termo kuzunda para descrever um tipo de masturbação mútua no qual uma glande era esfregada contra a outra. "Masturbação solitária é tão estranha... que não existe uma única palavra para ela.”

» Na sociedade Ashanti, garotos mais velhos penetravam garotos mais jovens ou envolviam-se em relações anais (conhecidas como jigle keton).

» O povo Lovedu de Lesoto era governado por rainhas que tinham que tomar esposas e até reunir haréns femininos.

» Na África do Sul, trabalhadores migrantes frequentemente tomavam parceiros masculinos, que eram conhecidos como "esposas das minas".

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