13 Coisas que não se deve dizer às pessoas bissexuais

13 Coisas que não se deve dizer às pessoas bissexuais

Sim, pessoas bissexuais realmente existem, mas não são mais — ou menos — promíscuas, monogâmicas ou indecisas que quaisquer outras pessoas.

por ELIEL CRUZ para The Advocate em 02 de junho de 2014

Traduzido por Sergio Viula para o blog Fora do Armário


Como um homem bissexual orgulhoso de si mesmo, há anos tenho navegado pela área cinzenta e complicada que minha identidade ocupa no espectro da sexualidade. Apesar de todos os ganhos que a comunidade LGBT conquistou, bissexuais ainda são vistos com dúvidas — ou rechaço direto — por gays, lésbicas e heterossexuais igualmente. Desde pessoas me perguntando se eu já sou um "gay completo" até outras questionando minhas motivações, eu já devo ter ouvido de tudo.

Infelizmente, o pensamento binário daqueles que negam a existência da bissexualidade oprime a todos, perpetuando padrões inabaláveis de identidade, sejam heteronormativos ou homonormativos. Ser íntimo de alguém do mesmo sexo não significa que você seja gay, exatamente como ser íntimo de alguém do sexo oposto não significa que você seja heterossexual — simplesmente significa que você se encontra em algum lugar do lindo e fluido espectro da sexualidade.

Então, aqui estamos nós no supostamente iluminado ano de 2014, e todavia, a bifobia persiste. Sem obedecer qualquer ordem em particular, aqui vão algumas das mais cansativas mentiras que a sociedade realmente precisa parar de contar sobre a comunidade bissexual.


1. Bissexuais não existem.

Essa é a primeira e mais difundida mentira sobre a bissexualidade. Algumas pessoas simplesmente não compreendem uma sexualidade na qual os indivíduos sejam atraídos por mais de um gênero. Você pode testar as águas, mas você em algum momento vai escolher um lado, segue o raciocínio. Mas pessoas bissexuais não precisam de ciência  —  ou da aprovação daqueles que se sentem atraídos por apenas um dos gêneros  — para provar que existem.

2. Bissexuais estão apenas passando por uma fase. 

Sim, é verdade que existem muitos gays e lésbicas que usaram a bissexualidade como uma forma de reduzir o impacto de se assumirem para seus pais conservadores. Muitos podem ter se identificado como bi por um tempo, enquanto estavam ainda tentando compreender sua própria orientação. E ao mesmo tempo que se assumir é uma decisão intensamente pessoal, as estratégias de alguns não deveriam invalidar as identidades da maioria, para a qual a bissexualidade não foi uma "pedra de apoio", mas um destino concreto e final. 

3. Bissexuais são sexualmente gulosos.

Pessoas bissexuais não são automaticamente mais promíscuas do que qualquer outra pessoa — gay ou heterossexual. Ser atraído por mais de um gênero realmente atrai mais parceiros em potencial, mas não aumenta as probabilidades de se conectar física e emocionalmente com o dito parceiro em potencial. E assim como ter um gosto eclético não torna alguém em alcoólatra, ser bissexual não faz de ninguém um guloso.

4. Bissexuais são traidores.

Um traidor é um traidor. Pessoas bissexuais traem, e o mesmo fazem pessoas que se identificam como heterossexuais, gays, transexuais, ou o que quer que seja. A sexualidade de uma pessoa ou sua identidade de gênero não a obrigam a trair.


5. Todos os bissexuais são poliamorosos.
Enquanto o poliamor parece se mostrar mais prevalente na comunidade queer, não há informação consistente que conecte o poliamor mais diretamente aos bissexuais do que às pessoas de quaisquer outras orientações sexuais. Buscar esse tipo de estrutura de relacionamento não está ligado a uma ou outra sexualidade especificamente.

6. Bissexuais tem medo de compromisso.

Ser atraído por ambos os gêneros não tem nada a ver com compromisso. Alan Cumming abordou essa concepção errônea numa cândida entrevista no ano passado. "Eu tenho um apetite sexual saudável e uma imaginação saudável" - disse Cumming à revista Instinct. "Eu ainda me defino como bissexual apesar de ter escolhido estar com Grant. Eu sou sexualmente atraído pela forma da fêmea apesar de estar com um homem e acho apenas que os bissexuais têm uma reputação ruim."

7. Todas as mulheres são bissexuais.

A sexualização da mulher não conhece fronteiras na cultura contemporânea. Mas só porque a mídia do mainstream continua a explorar a sexualidade feminina, numa clara tentativa de vender produtos, não significa que todas as mulheres transitem entre os dois lados, a la Shakira e Rihanna em "Can't Remember to Forget You." Desculpe, Shakira, não vamos comprar o que aqueles quadris estão vendendo.

8. Bissexuais são atraídos por qualquer coisa que se mova.

Ah, por favor. Só porque alguém é bissexual não significa que ele não tenha padrões. Essa é a mesma lógica que os caras homofóbicos usam para explicar porque não querem dividir um vestiário com homens gays. Você bem que gostaria que estivéssemos olhando para o seu material, querido.   

 9. Bissexuais não são atraídos por gêneros binários.

Robyn Ochs
A respeitada ativista bissexual Robyn Ochs descreve a bissexualidade como o potencial "de ser atraído — romântica e/ou sexualmente — por pessoas de mais de um sexo e/ou gênero, não necessariamente ao mesmo tempo, não necessariamente do mesmo modo, e não necessariamente com a mesma intensidade." Então, não, não tem nada a ver com binarismos, minha gente.

10. Bissexuais espalham HIV.

Homens que fazem sexo com homens não estão em risco desproporcional de infecção por HIV. Os bissexuais também não estão mais propensos a espalhar a doença do que os outros — tomar as devidas precauções é necessário, independentemente de sua orientação sexual. Sempre use proteção, conheça o estado sorológico de seu parceiro e o seu próprio.


11. Bissexuais vivem para sexo a três.

Sexo a três não é uma marca do estilo de vida bissexual  — é apenas uma opção, do mesmo modo que o são para qualquer outro ser sexuado.

12. O apagamento dos bissexuais é um mito.

De fato, a Comissão de Direitos Humanos de San Francisco publicou um relatório de cinquenta páginas em 2011 sobre a invisibilidade bissexual dentro da comunidade LGBT, demonstrando que o fenômeno está vivo e em boa forma. Como detalhado pela comissão,  palavreado como  "casamento gay" ou "homossexualidade" não é inclusivo e apaga a identidade das pessoas bissexuais. E mesmo os principais festivais do Orgulho objetivando ser inclusivos parecem ignorar a mensagem. 

13. Bissexuais são uma comunidade pequena.

Em 2007, uma pesquisa com 768 autoidentificados lésbicas, gays e bissexuais descobriu que um total de 48,9 por cento se identificava como bissexual — aproximadamente metade. Os bissexuais podem não falar tanto quanto seus irmãos gays e lésbicas, mas isso deve-se mais a estigmas persistentes do que à falta de força numérica. Gostem ou não, a comunidade bissexual está aqui, e está aqui para ficar. 


Comentários

  1. Matéria esclarecedora e necessária para derrubar rótulos e trabalhar a inclusão. A comunidade LGBT deveria refletir mais sobre estes aspectos da pesquisa acima e abrir mais espaço para os bissexuais. Não adianta ter a letra B no nome da comunidade. É necessário que haja acolhimento daqueles que representam este tipo de orientação sexual, que é tão real, quanto qualquer outro, do seguimento. Não podemos aceitar que a discriminação comece na própria "casa".

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  2. Muito bom seu texto. As vezes eu ainda acho que bi não existem e fico confuso comigo mesmo, como se tudo fosse apenas uma enorme confusão.

    P.S. Convenhamos que os quadris da Shakira são bem convincentes haha

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    1. Eu só traduzi, mas que bom que vc curtiu! Realmente, a Shakira, mesmo parada, sacode qualquer um(a)... hehehehe

      Abração, Lucas.

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