‘Praia do Futuro’ é um dos filmes mais sensíveis que o cinema brasileiro já produziu.

‘Praia do Futuro’ é um dos filmes mais 

sensíveis que o cinema brasileiro já produziu.


Lançado em 2014, Praia do Futuro, é dirigido por Karim Aïnouz e protagonizado por Wagner Moura. O filme estreou no Brasil em  15 de Maio de 2014 e o que se vê são 90 minutos de sensibilidade. Não há piadas de mau gosto, nem efeitos especiais, nem clichés, nem aquela tática de entrecruzar diversas histórias. As tomadas são predominantemente olho no olho. Lindas paisagens compõe o cenário Brasil-Alemanha.

A classificação é 16 anos, como acontece com todos os filmes que têm alguma cena mais ousada. Sim, para os curiosos e as curiosas, Wagner Moura aparece nu e há umas três cenas de amor entre Donato e Konrad. Também há uma cena de nudez feminina. Não vou me alongar nisso para não estragar as surpresas estético-eróticas dessas cenas, que só tornam o filme ainda mais belo.

A obra é dividida em três partes:

Um herói partido ao meio;
O abraço do afogado;
Um fantasma que fala alemão.



Wagner Moura estabelece um novo marco em sua carreira. Ele é genial! Em Praia do Futuro, o ator se descola totalmente de seu onipresente personagem de Tropa de Elite - o Capitão Nascimento. Ninguém poderia deixar mais claro do que Wagner Moura que é possível ser heterossexual e fazer um personagem homoafetivo com a densidade psicológica de Donato.



O alemão Konrad (Clemens Schick) é outro achado! Ele cresce no filme, tornando-se absolutamente indispensável do momento em que entra em cena até o fim.



O irmão de Donato - o menino/jovem Ayrton (Jesuíta Barbosa) - começa o filme tomado de admiração pelo irmão mais velho. Porém, devido às circunstâncias desencadeadas pela viagem de Donato para a Alemanha e sua permanência lá, o jovem acaba tendo que enfrentar a realidade de que seu herói é apenas um ser humano dominado pelo medo, tentando encontrar paz.

Essa semana, muita gente comentou a notícia de que pessoas estavam se levantando e saindo do cinema. Aparentemente, houve casos em que 40 pessoas fizeram isso.  

Bem, eu assisti o filme no Odeon, nesta sexta, 23/05/14, na sessão das 18:20, e não vi uma pessoa sequer reclamar, se contorcer ou levantar. Todas estavam com os olhos pregados à tela até o fim.

Eu já havia respondido aos posts de quem demonstrava alguma preocupação com essa atitude ridícula de alguns espectadores pelo Facebook. Reproduzo a mesma aqui:

“Não se surpreendam com grupinhos que vão ao cinema ver Praia do Futuro e levantam dando showzinho de nariz torcido. Foram lá só para isso. Só para dar esse showzinho. Ninguém estava enganado. Ele já deu entrevista para todo lado falando do filme. Gente babaca não falta. Agora, o negócio é ignorar esses idiotas e curtir a sessão, com pipoca, guaraná e beijo na boca. Nada disso é por acaso: fundamentalismo, conservadorismo, direita e esquerda igualmente babacas. VOU ASSISTIR ATÉ O FINAL DE SEMANA. PARABÉNS, WAGNER MOURA!”

E fui mesmo!

Odeon, Cinelândia, 23 de abril de 2014, 18:20.


VEJA O TRAILER E ASSISTA O FILME.
Esse já entrou para a história do cinema nacional, com certeza!



Comentários

  1. Sérgio, você já assistiu o filme alemão "Free Fall"?
    Eu assisti no último domingo egostei muito. É um filme alemão que conta a história de uma policial em treinamento que se envolve com um colega de academia. Paralelamente ao romance começa a crise de identidade do protagonista, pois o mesmo é casado e sua esposa espera o primeiro filho. O filme também mostra que a homofobia pode partir até mesmo daqueles a quem chamamos de amigos.
    Li que o diretor gostou tanto de Brokeback Mountain que resolveu filmar a sua própria versão da história com os dois policiais. O filme foi teve boa aceitação. Caso não tenha visto, fica a dica. Eu gostei.

    Ricardo.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado pela dica, Ricardo. Vou tentar assistir. Está em cartaz nos cinemas, é? Vou conferir Obrigado novamente.

      Excluir
  2. Assisti o PRAIA DO FUTURO ontem. Moro em Fortaleza, no bairro vizinho ao da Praia do Futuro.
    A sala de cinema estava lotada das mais diversas configurações de casais, solteiros e solteiras.
    Todos co-existindo tranquilamente e muito mais preocupados com as ótimas mensagens que o filmes trazia.
    Parecia uma utopia estar na paz daquela sala.
    Recomendo demais este filme.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Deixe suas impressões sobre este post aqui. Fique à vontade para dizer o que pensar. Todos os comentários serão lidos, respondidos e publicados, exceto quando estimularem preconceito ou fizerem pouco caso do sofrimento humano.