Relatório do GGB sobre homofobia em 2013: um morto a cada 28 horas

Homofobia no Brasil: um LGBT morto a cada 28 horas em 2013




Estudo publicado esta semana pelo Grupo Gay da Bahia (GGB) aponta que 312 gays, lésbicas, transexuais e travestis foram mortos no país em 2013. O Relatório de Assassinatos de Homossexuais em 2013 apresentou aumento de 7,7% na comparação com o ano anterior. No total, 186 homossexuais (59%), 108 travestis e transexuais (35%), 14 lésbicas (4%) e dois bissexuais (1%), além de dois heterossexuais (1%) foram mortos, dando uma média de um assassinato a cada 28 horas. Também foram incluídos pela primeira vez no estudo, realizado há 30 anos, 10 suicídios cometidos por bullying e homofobia.

O estado de Pernambuco figura o campeão de assassinatos de LGBTs, com 34 mortes, seguido por São Paulo, com 29 mortes. Os locais mais seguros para os LGBTs seriam o Acre, sem registro de morte de LGBT há 3 anos, e Espírito Santo, cujas 2 ocorrências representam 0,52 mortes para cada milhão de habitantes; o Pará com 0,63, São Paulo com 0,66, Rio Grande do Sul com 1,16, Minas Gerais com 1,21 e Rio de Janeiro com 1,22 mortes para cada milhão de habitantes.

Segundo o relatório, LGBTs entre 20 a 40 anos (55%) são os mais assassinados, embora 7% dos homossexuais tinham menos de 18 anos, sendo o mais jovem uma travesti de apenas 13 anos morta em Macaíbas, Rio Grande do Norte. 100 dos assassinatos foram praticados com arma branca (faca, punhal, canivete, foice, machado, tesoura), 93 com armas de fogo, 44 espancamentos (paulada, pedrada, marretada), 31 por asfixia e 4 foram queimados.

Os requintes de crueldade encontradas nestas mortes monitoradas por meio de relatos da imprensa incluem excesso de tiros, afogamentos, atropelamentos, enforcamentos, degolamentos, empalhamentos, violência sexual e tortura. 


Para antropólogo Luiz Mott, fundador do GGB, “99% destes homocídios contra LGBTs têm como agravante seja a homofobia individual, quando o assassino tem mal resolvida sua própria sexualidade e quer lavar com o sangue seu desejo reprimido; seja a homofobia cultural, que pratica bullying e expulsa as travestis para as margens da sociedade onde a violência é endêmica; seja a homofobia institucional, quando o Governo não garante a segurança dos espaços frequentados pela comunidade LGBT ou como fez a presidente Dilma, ao vetar o kit anti-homofobia, que deveria ter capacitado mais de 6 milhões de jovens no respeito aos direitos humanos dos homossexuais”.

Na região Sul, o Paraná teve 15 mortes, Rio grande do Sul 13 e Santa Catarina registrou oito assassinatos de LGBTs. O Sul concentrou 34% dos crimes no país, ficando sendo menos seguro do que o Centro Oeste e a região Norte. O Nordeste mais uma vez foi a região onde mais se assassinou LGBTs no país. Curitiba ficou entre as 6 capitais onde mais se matam homossexuais no país, com 9 crimes no ano passado.

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