Depois de uma semana praticamente desplugado das redes



Essa semana - entre segunda-feira e sábado -, estabeleci um desafio para mim mesmo: passar uma semana sem postar nada no Facebook, exceto na minha fan page do blog Fora do Armário. 

Qual era o objetivo disso?

1. Ver se conseguiria ficar sem usar as redes tanto tempo sem sofrer alguma 'crise de abstinência';

2. Reduzir a número de publicações de links. Publico várias vezes por dia; 

3. Redescobrir o que faria com o tempo que sobrasse dessa 'retirada' planejada.

De onde veio essa ideia?

1. Profissionais de saúde mental vivem alertando para a dependência das redes sociais. Achei que valia a pena aplicar algumas daquelas sugestões;

2. Meu marido sempre diz que quem publica muito, "cansa" a timeline alheia. E, sem o menor constrangimento, diz que eu deveria publicar menos. Achei que deveria considerar isso também. 

3. Achei que a reação das pessoas diante da ausência de links - especialmente em grupos -  poderia me dizer algo sobre o item 2;

4. O fato de ter obtido pouco mais de 300 curtidas na fan page do Fora do Armário entre os meus quase 2.000 amigos, mesmo convidando-os pessoalmente, é outra coisa que me fez pensar no que significa estar supostamente associado a tanta gente. Essa fan page tem quase 1.000 curtidas, mas cerca de 700 cliques não vieram de amigos meus. O mesmo acontece com a fan page do meu segundo livro

Não posso deixar de me perguntar se é o caso de haver quem secretamente curta a fan page do blog Fora do Armário ou dos livros, mas internamente morrrrra de medo de ser visto como gay ou lésbica só porque curtiu uma página com essa temática. Se essa minha suspeita estiver certa, será lamentável observar que em pleno século 21, esse tipo de medo ainda reine na cabeça de tanta gente. 

Por outro lado, quero dar meus parabéns e deixar meus agradecimentos aos amigos e leitores HETEROSSEXUAIS que curtem as fan pages do blog e dos livros. O número é proporcionalmente enorme!!!;

Os 349 amigos que até o momento desse post tinham curtido a fan page do blog estão na galeria abaixo. Os outros quase 700 não estão associados diretamente a mim no meu círculo. E os quase 1600 que nunca clicaram em curtir a página talvez não o tenham feito distração, como foi o caso de um querido amigo que curtiu a página essa semana e é um super fã do blogue:


OBRIGADO, AMIGOS E AMIGAS. 


4. Para confirmar minhas suspeitas de que a maioria das pessoas não dá a mínima para convites de amigos, criei um 'evento' só para pedir que 719 amigos visitassem a fan page do livro Crônicas de um Casamento Duplamente Gay - o que dá um puta trabalho, porque é preciso marcar um por um na ferramenta de convite. O resultado não surpreendeu: Somente 10 pessoas curtiram a página como resultado desse convite. 

Claro que isso pode ser um sintoma de que as pessoas estão cansadas de serem convidadas por tanta gente o tempo todo para isso e aquilo. Se for verdade, a pergunta que fica é: Vale a pena investir tempo para criar eventos ou páginas e convidar os amigos? 

Curtir uma publicação ou página é um carinho em quem recebe, mas também é uma maneira de apoiar a divulgação das mesmas. As pessoas na foto abaixo são minhas amigas que curtiram a página do livro. As que curtiram, mas não são minhas amigas pessoais na rede não estão nessa foto. Meu objetivo é demonstrar o que venho dizendo até aqui. Vejamos:

O número de amigos que curtiram é de 111. O número total de amigos que estão comigo no Facebook hoje é de 1.841. Isso quer dizer que esses queridos e queridas que carinhosamente curtiram a página do livro representam somente 0,06% do meu total de amigos. 

A esse seleto grupo, meu muito obrigado. De coração. 

20 pessoas, entre amigos e não amigos, além de curtirem, também compartilharam a página - o que é mais raro ainda. ;)


DE NOVO, OBRIGADO, AMIGOS E AMIGAS.


As reações ao meu "desafio" de uma semana away

Só recebi três reações: 

Uma desagradável: um cara que nunca falou comigo, mas estava num grupo do qual também participo, questionou minhas razões para fazer isso, alegando que era mera autopromoção. Não era, mas se fosse? Qual seria o problema. As pessoas estão em redes sociais para encontrar novas pessoas, manter-se informadas, compartilhar ideias e promover campanhas, produtos, sites, etc. 

Depois de responder pacientemente que se tratava apenas de uma tentativa de reduzir tempo online, e que meu aviso ali tinha apenas o objetivo de deixar claro que meu sumiço por uma semana (entro e publico várias vezes por dia) não se devia a algum aborrecimento com o grupo, ele continuou "sem entender". Não tenho paciência para alimentar esse tipo de discussão inútil. Assim, apenas disse que estava indo, porque meu objetivo era justamente não ficar online por muito tempo. Despedi-me cordialmente e fui. Fiquei pensando numa coisa que ele disse. Como é que ele nunca me viu no grupo se eu faço parte do mesmo há tanto tempo e publico diariamente e várias vezes todos os dias??? 

De novo, a ideia de que não ouvimos uns aos outros, não vemos um ao outro, apesar das redes sociais supostamente servirem para 'socializar' as pessoas. 

Dois outros membros do grupo fizeram comentários carinhosos, um deles inclusive destacando a importância que minhas postagens têm para ele, pessoalmente. Agradeci o carinho, é claro. Foi estimulante. Mas também fui breve para não perder o foco. 

Fora essas três pessoas, ninguém mais se manifestou - o que me leva a concluir que pode ser verdade que as pessoas não se ouvem nas redes sociais.  Também pode ser que algumas delas até quisessem dizer algo, mas preferiram respeitar o meu momento. Isso é nobre. Será que estou enganado ao supor que essa tenha sido uma minoria bem reduzida.



Qual foi o ganho real?

1. Li três livros só nesse período (segunda a sábado). Dois da editora Brejeira Malagueta e um da editora Quatro Cantos;

2. Assisti a filmes no Centro Cultural da Caixa Econômica Federal (RJ): O Homossexual no Cinema Brasileiro;

3. Visitei a exposição Amor, Amor, Amor no Centro Cultural do Banco do Brasil, onde também visitei a exposição Resistir é Preciso, organizada pela Fundação Carlos Herzog. Esta última uma verdadeira aula de história e um urgente lembrete do horror que foi a ditadura militar;

3. Assisti ao filme A Trapaça no Artplex Botafogo ontem e jantei com o marido para lá de meia-noite, com direito a uma garrafa de vinho e profiteroles de sobremesa, no restaurante La Mole, em frente à praia de Botafogo no Centro Empresarial Rio.

E tudo isso numa semana de (muito) trabalho como qualquer outra.

Que lições sugiro que meus leitores tirem de tudo isso? Você pode pensar em outras. De qualquer modo, aprender com a experiência alheia é mais 'barato'. 

Sugestões

1. Não limite suas experiências socioculturais às redes sociais. A vida acontece lá fora. Facebook, Twitter e outros semelhantes são apenas sombras da vida real ^^; 

2. Quando online, se você realmente perceber que algo é importante, construtivo ou simplesmente divertido sem ser ofensivo, curta ou siga. Não precisa curtir tudo por aí, é claro. Ninguém é obrigado a gostar disso ou daquilo. Nem precisa explicar porque não curtiu, é lógico. Porém, não custa fortalecer o que nos fortalece como indivíduos livres, justos, sábios, etc. Tem coisa boa nas redes sociais. É só aproveitar quando topar com elas. 

Particularmente, não penso que seja preciso ganhar algo em troca para indicar determinados serviços, produtos, sites, pessoas, etc. Isso não seria uma recomendação genuína. Quem realmente acompanha o que publico verá que mesmo sendo autor, eu adoro indicar livros de outros autores que eu tenha gostado, inclusive escrevendo posts com fotos dos livros lidos e links para compra. 

Da mesma maneira, o fato de ter um blog não impede que eu indique outros sites que eu considere relevantes. Já fiz isso até para entrevistas que concedi a jornais e outros veículos. 

Quando alguém pensa diferente de mim em alguma coisa, isso não impede que eu recomende algo construtivo que ele/ela tenha dito, escrito ou feito. A minha perspectiva é sempre a de multiplicar o que fortaleça aquilo que nos torna melhores ou aquilo que de melhor fazemos, dizemos, escrevemos, construímos. E por melhor, refiro-me à qualidade e ao conteúdo. Este tem que ser minimamente humanista. 

Essa semana me ajudou a rever muita coisa. Por isso, publicarei esse post em todos os grupos onde coloquei o banner do 'desafio auto-imposto'. Espero que seja visto como um follow-up. Depois disso, meu objetivo é publicar apenas uma vez por dia em grupos, talvez até menos. 

Meu foco, como sempre, estará no blog Fora do Armário e também na fan page deste, que servirá como referência para quem está no Facebook. Quem não quiser perder as postagens precisará visitar a fan page regularmente ou curti-la. Afinal, é para isso que ela existe. E isso, de novo, me ajudará a ficar menos tempo online e a maximiza-lo para outras coisas.

Contatos pessoais e comentários diretamente dirigidos a mim serão sempre bem-vindos e devidamente respondidos. Isso, eu garanto. ;)

E o Twitter?

É semelhante, especialmente quando se trata de retuitar algo relacionado às iniciativas de pessoas LGBT dentro do segmento. Muita coisa não passa de fofoca de bastidores no twitter ou piadas sobre celebridades e outros 'midiáticos'. Sempre que sou mencionado num tweet, e considero o link interessante, compartilho aquela mensagem. Alguns amigos também fazem o mesmo comigo. Mas, pergunto-me porque muitas pessoas não passam adiante coisas que sejam do interesse do que chamamos comunidade LGBT. De novo, refiro-me principalmente aos gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros que estão entre os meus 1.046 seguidores naquela rede.

Claro que já tive tweets que foram super re-tuítados. Claro que quando isso acontece, a empolgação com aquela rede social aumenta. É assim com todo mundo, obviamente. Mas, acho que ainda é preciso desenvolver a noção de que precisamos promover aquilo que diz respeito à comunidade sexodiversa e transgênera - não exclusivamente, mas principalmente.  

Meu objetivo nas redes

1. Manter contato facilmente com as pessoas que me interessam;

2. Promover campanhas, serviços e produtos que digam respeito à comunidade LGBT;

3. Multiplicar tudo o que fortaleça as noções e práticas humanistas secularistas no Brasil e no mundo;

4. Abrir uma janela para que mais pessoas conheçam e acessem o blog Fora do Armário;

5. Tomar conhecimento das tendências e das reações ao que acontece em nossa sociedade entre as pessoas que utilizam as redes.

Bem, espero que esse post tenha sido útil de alguma forma. Só queria compartilhar algumas das minhas ideias e sentimentos ao longo dos últimos dias e dessa singela experiência de abstinência ou otimização do meu tempo online.

Um ótimo domingo a todos e todas, especialmente aos amigos e amigas que têm se tornado queridos a partir das redes!

Sergio Viula

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