Presidente Nigeriano assinou lei que torna crime amar alguém do mesmo sexo

Goodluck Jonathan, presidente da Nigéria, institucionalizando a homofobia e a transfobia.



O presidente nigeriano, Goodluck Jonathan, assinou uma lei nesta segunda-feira que criminaliza relações entre pessoas do mesmo sexo com penas de até 14 anos de prisão.

Em desafio a pressões internacionais, a Presidência assinou um projeto aprovado em maio passado pela Assembleia Nacional.

A lei proíbe o casamento gay, as “relações amorosas” entre pessoas do mesmo sexo e a adesão a grupos de direitos LGBT. Duas leis similares foram propostas desde 2006, mas não passaram no Parlamento.

O sentimento anti-gay e a perseguição a homossexuais na África subsaariana é alto e pode ajudar Jonathan a se reeleger em 2015, embora ele ainda não tenha anunciado sua candidatura e sofra com uma deserção em sua base.

Países ocidentais como o Reino Unido ameaçam cortar a ajuda humanitária que dão a países que institucionalizam a perseguição contra homossexuais. No caso da Nigéria, a pressão funciona pouco porque o país é um grande exportador de petróleo.

"As pessoas que entram em um contrato de casamento do mesmo sexo ou união civil cometem um crime e são passíveis de condenação a uma pena de 14 anos de prisão ", diz o projeto de lei. "Qualquer pessoa que se registra, opera ou participa de clubes gays, sociedades e organizações direta ou indiretamente ou faz demonstração pública de relacionamento amoroso do mesmo sexo na Nigéria comete um delito e está passível de condenação a uma pena de 10 anos de prisão", diz outro trecho.





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COMENTÁRIO DESTE BLOGUEIRO

A África, depois de se livrar do colonizador (leia-se invasor e dominador), em vez de se tornar mais tolerante, inclusiva, pluralista e igualitária, promovendo o bem-estar de seu próprio povo em todos os sentidos e garantindo todos os direitos humanos, vai adotando crenças e tomando atitudes que colocam-na dois séculos atrás em relação a países como Brasil, Argentina, Chile, Uruguai e outros chamados de "países do Terceiro Mundo". Isso só para comparar com os mais próximos economicamente, ainda que nem tão próximos assim. Porém, se comparados aos países mais ricos, o atraso desses países africanos torna-se ainda maior.

Sim, foram europeus que arrastaram um sem-número de homens, mulheres e crianças para as Américas, lançando muitos deles ao mar por estarem doentes ou já mortos nos porões dos navios negreiros. Tudo isso, porém, com "fiel" a colaboração de negros africanos que caçavam, aprisionavam e vendiam africanos de outras tribos aos escravagistas. 

Em pleno século XXI, a história não mudou tanto. Africanos caçam africanos em nome de uma absurda e injustificável 'eugenia' sexual. Não se trata mais de apreender para escravizar. Agora, trata-se de identificar, caçar e imobilizar. 

Ou será que alguém pensa que 14 anos de prisão num país onde os direitos do ser humano são constantemente violados serão 14 anos de banho de sol e leitura construtiva na biblioteca da cadeia? 

Ninguém se iluda. Muitos dos presos que lá já se encontram (assassinos, estupradores, traficantes, dentre outros) também nutrem crenças e preconceitos comuns a muitos desses senhores e senhoras metidos a defensores de uma duvidosa moral e de ainda mais duvidosos bons costumes. Imoral é o que essa gente tem feito a cidadãos honestos que simplesmente querem amar e viver de acordo com sua subjetividade.  Foi assim que lésbicas, gays, bissexuais e trangêneros (LGBT) passaram a ser as presas da vez. 

O que esses "ilustres" governantes não percebem é que o fazem em nome de crenças e valores impostos por "brancos" (cristianismo burguês típico do século XIX). A África "pré-colonial" era tolerante com as relações entre pessoas do mesmo sexo, muito ao estilo grego. Quando esses senhores e senhoras cegos pela homofobia e pela transfobia dizem que "o ocidente quer perverter a África", não percebem que já perverteu. E fez isso quando lhe impôs o moralismo burguês batizado com termos cristãos e imposto por força de lei. Em vez de abolirem tudo isso, esses líderes cegos, influenciados por brancos homofóbicos, especialmente americanos, reforçaram o que de pior herdaram daquele imperialismo que os vampirizou por tanto tempo.

Quanto tempo até que esses governantes evoluam até o nível de Mandela, por exemplo?

Os países comprometidos com os direitos universais do ser humano não podem fazer vista grossa para tamanhas violações.

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