LGBT temem que a polícia os chantageie depois que o presidente do Zimbabwe permitiu a espionagem nas telecomunicações




Robert Mugabe, presidente do Zimbabwe


Traduzido e adaptado por Sergio Viula 


O Zimbabwe autorizou as agências de segurança a espionarem ligações, mensagens de texto e uso da internet de cada cidadão - e as pessoas LGBT temem que elas sejam a mais atingidas.

Muitas pessoas gays, bissexuais e trans do Zimbabwe já vivem com medo de perseguição pelas autoridades e vivem 'escondidas' de suas famílias. Qualquer atividade sexual entre pessoas do mesmo sexo é ilegal e o recentemente eleito president Robert Mugabe já ameaçou aumentar a repressão.

Agora o governo do Zimbabwe disse que a polícia e as agências de segurança não precisarão mais de uma razão justificável para monitorar telefones ou uso privado da internet.

As empresas de telecomunicações têm que fornecer um banco de dados com todos os usuários, o qual poderá ser acessado pelas autoridades quando elas quiserem, graças a essa nova lei efetivada ontem (1 de outubro de 2013).

A legislação deflagrou um clamor entre muitos cidadãos do zimbabue para com os defensores dos direitos humanos e especialistas em legislação dizendo que ela viola direitos constitucionais à privacidade.

Mas os cidadãos lésbicas, gays, bissexuais e transgênero dizem que ela dá carta branca às autoridades para os assediarem, intimidarem, aprisionarem e chantagearem, usando evidências de comunicações interceptadas.

Gays e lésbicas reportam diversos casos de chantagem praticada pela polícia. Uma vez que eles tenham provas de que a pessoa é gay, lésbica, bissexual ou transgênero, eles extorquem dinheiro para não entregar as informações a jornais sensacionalistas que proliferam no país. A pessoa passa a ter que pagar por proteção. 

Tendei B, um ativista do Zimbabwe, diz: "Como um homem gay, eu sinto que não tenho qualquer proteção pela lei, mesmo que eu quisesse reparação."

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COMENTÁRIO DESTE BLOGUEIRO 

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