Comunidade LGBT realiza 2ª Parada do Orgulho LGBT em Uganda

2ª Parada LGBT Anual Realizada em Uganda


Manifestantes na segunda parada anual do orgulho lgbt em Entebbe, 03 de agosto de 2013. (Hilary Heuler/for VOA)



Hilary Heuler

04 de agosto de 2013


KAMPALA, UGANDA — No sábado, 03 de agosto, a comunidade LGBT de Uganda saiu das sombras com perucas vermelhas e glitter.

A segunda Parada LGBT do país, realizada numa praia de Entebbe, atraiu uma centena de pessoas ansiosas por dizerem ao mundo que estão fora do armário, que têm orgulho de serem quem são e que não têm medo de demonstrar.

Confiança crescente

A parada do último ano, a primeira na história de Uganda, foi interrompida pela polícia, e várias pessoas foram presas. Mas o fato de que eles puderam coloca-la na rua deu à comunidade confiança renovada, diz o ativista Kelly Mukwano.

“Aquele sucesso nos deu confiança de que podemos fazer" - disse Mukwano. "Estamos ficando mais confiantes com o tempo.”

Beyondy, que se apresentou em 03 de agosto de 2013, 
diz que foi espancada pela polícia na última parada, em 2012 (Hilary Heuler/for VOA)


A marcha de sábado foi acolhida na paisagem verde de um jardim botânico a cerca de 32 km de Kampala. Mas esse ano, a polícia foi informada antecipadamente e as autoridades não interferiram. Alguns manifestantes sentem que é apenas uma questão de tempo até que eles possam marchar pelas ruas da capital.

“Gente, são pasos de bebê" - disse um dos manifestantes. "Hoje, estamos aqui, a quilômetros de distância de Kampala. Passos de bebê. Em breve marcharemos pela Rua Kampala.”

História triste


Uganda tem um rastro triste quando se trata de direitos gays.

O país ganhou manchetes em 2009 com a introdução de um projeto de lei draconiano contra a homossexualidade que propunha a pena de morte para atos de suposta "homossexualidade grave". O projeto de lei ainda está para ser debatido pelo parlamento.

A legislação proposta incrementou a homofobia em Uganda e levou alguns homossexuais a fugirem do país. Mas, de acordo com Sandra Ntebi, que lida com segurança para a comunidade gay e lésbica, o número de ativistas também tem crescido.

“Temos mais energia do que há três ou cinco anos atrás quando o projeto de lei havia acabado de ser entabulado e todos estavam fugindo" - disse Ntebi. "Nós não sentíamos que merecíamos realmente permanecer em nosso país. Mas a maioria de nós decidiu colocar os pés no chão de novo e lutar pelos nossos direitos dentro de casa.”

Não há dúvida de que ser homossexual em Uganda ainda é difícil. A polícia regularmente interrompe eventos realizados pela comunidade gay e lésbica, e homossexuais são frequentemente deserdados por suas famílias e escorraçados por amigos. A violência e a intimidação acontecem regularmente.

As condições melhoram


Mas Mukwano insiste em que a situação em Uganda tem sido exagerada pela mídia internacional, e que já muitos países piores.

“As pessoas estão morrendo na Etiópia" - disse Mukwano. "As pessoas estão morrendo em toda parte no mundo. Na Jamaica, as pessoas têm sido espancadas o tempo todo por serem gays. Então, eu acho que é um exagero dizer que Uganda é o pior lugar para ser gay.”

Uma transexual brilhantemente vestido, que se apresenta como Beyondy, disse que aquele evento de sábado simplesmente a libertou.

“Ano passado, eu fui uma das pessoas que foram espancadas pela polícia" - disse Beyondy. "Então, hoje, estou feliz que possamos estar livres. Ninguém está vigiando ou interrompendo nossa marcha.”



Fonte: http://www.voanews.com/content/second-annual-gay-pride-parade-held-in-uganda/1723313.html

Tradução: Sergio Viula (http://www.foradoarmario.net)


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COMENTÁRIO DESTE BLOGUEIRO


Hoje, às 16:45, no Centro Cultural da Justiça Federal, em frente à Cinelândia, falarei sobre isso e muito mais num debate após o filme "Deus Ama Uganda". O evento é uma iniciativa da Anistia Internacional durante o Festival do Rio. Meu amigo Marcio Retamero também estará à mesa. Apareçam lá.






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