Cônjuge do jornalista que denunciou vigilância da NSA foi detido no aeroporto de Londres

Brasileiro arbitrariamente detido em Londres

David Miranda (esquerda) e o jornalista Glenn Greenwald, no Rio de Janeiro. David foi detido por autoridades inglesas no aeroporto de Heathrow.  Arquivo Pessoal/Jornal O Globo


David Miranda tem um relacionamento estável com o jornalista Glenn Greenwald, autor das reportagens que revelaram a vigilância de civis pela NSA (Agência de Segurança dos Estados Unidos). Domingo passado, 18/08, ele foi detido no aeroporto de Heathrow, Londres.

De acordo com o jornal O Globo online, David retornava para o Rio de Janeiro de uma viagem a Berlim, quando foi parado por oficiais e informado que seria interrogado com base no artigo 7 da lei de terrorismo, de 2000, que se aplica apenas em aeroportos, portos e áreas de fronteira, permitindo aos agentes deter e interrogar indivíduos.

O jovem de 28 anos ficou detido por nove horas, o máximo que a lei permite antes que seja solto ou formalmente preso. De acordo com autoridades, a maioria das investigações com base nesta lei - 97% - dura menos de uma hora, e apenas uma a cada duas mil pessoas fica detida por mais de seis horas.

Miranda foi solto sem nenhuma acusação, mas os agentes confiscaram equipamentos eletrônicos, incluindo telefone celular, laptop, câmera, cartões de memória, DVDs e jogos.

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores manifestou "grave preocupação com o episódio" e disse que "trata-se de medida injustificável por envolver indivíduo contra quem não pesam quaisquer acusações que possam legitimar o uso de referida legislação". O governo brasileiro também afirmou esperar que incidentes como este "não se repitam".

Pelo Twitter, a ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, afirmou que "o imediato protesto do Itamaraty diante da retenção arbitrária de brasileiro em Londres representa toda a nação".

No seu blog, no "Guardian", Glenn diz que tratou-se de um ataque à liberdade de imprensa e uma mensagem de intimidação pela divulgação da espionagem.

"Mas a última coisa que este ato vai provocar é nos intimidar ou nos deter de fazer nosso trabalho como jornalistas. Pelo contrário: irá nos encorajar mais para continuar denunciando", afirmou no blog.

Esta lei tem sido criticada por dar à polícia amplos poderes para revistar pessoas sem autorização prévia ou forte suspeita. Os detidos não têm direito imediato ao aconselhamento jurídico, e é um crime se recusar a cooperar com o interrogatório. No último mês, o governo britânico anunciou que reduziria o tempo máximo de detenção para seis horas e prometeu uma revisão da lei.


Leia a notícia na íntegra em: http://oglobo.globo.com/mundo/companheiro-de-jornalista-que-denunciou-vigilancia-da-nsa-foi-detido-em-aeroporto-9601713#ixzz2cPSTccnp

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