Centro LGBT / Cyndi Lauper - deixe de lado o que já leu e assista esse vídeo



Você já viveu ou imaginou o que significa viver na rua? 


Viver na rua é não ter um lugar para dormir, não ter onde fazer suas necessidades fisiológicas, não ter onde guardar comida ou prepara-la, não ter onde tomar banho, não ter onde guardar seus pertences, ainda que sejam um par de sapatos e algumas peças de roupa.


Viver na rua é correr o risco de ser atacado dormindo, espancado acordado, violentado em qualquer beco, assassinado a qualquer momento.


Viver na rua é não conseguir emprego por não ter endereço de residência comprovado. É nunca receber correspondência. É enfrentar o sol, a chuva, o vento, o frio, a sujeira, ficar doente e não ter onde se tratar.


Muita gente vive nas ruas desse país. O Rio de Janeiro, cidade onde moro, parece estar se aperfeiçoando na arte de abandonar seus desafortunados e loucos à própria sorte nas esquinas. Nunca vi tanta gente sem-teto nessa cidade como hoje em dia. E escrevo isso aos 44 anos de idade.


As histórias são tão diversas quanto diversas são as pessoas, mas quando se trata de diversidade sexual e de identidade de gênero, as coisas tornam-se ainda mais complicadas.


É grande o número de crianças e jovens lésbicas, gays, bissexuais e transgênero nas ruas desse país. 


O motivo geralmente é a homofobia/transfobia dentro da própria casa, gerando agressões e fuga ou mesmo a expulsão deliberada. 


Sem autonomia jurídica devido à menoridade, essas crianaças e adolescentes acabam sendo alijadas ao vento sem lenço e sem documento. 


Muitas são agredidas, violentadas e até mortas. A maioria vira mendigo. Algumas acabam não vendo outro jeito de sobreviver, senão juntando-se a outros desafortunados já acostumados a praticar o ilícito: pequenos furtos, por exemplo.


Sem apoio da sociedade e do governo, essas crianças e adolescentes não conseguirão sair da situação de miséria e risco em que se encontram. Sem educação, saúde e abrigo, esses pequenos cidadãos sem qualquer vivência de cidadania crescerão sem qualquer possibilidade de superar o destino impetrado sobre eles por causa da homofobia e da transfobia de seus familiares.


Nos EUA, coisa semelhante acontece. Contudo, uma iniciativa está fazendo história. A cantora Cyndi Lauper decidiu fazer algo em prol dos jovens LGBT sem-teto de Nova York. E foi algo lindo, digno de ser copiado. 

Cyndi Lauper

Assista o vídeo para compreender do que realmente se trata. Não basta ter ouvido falar. É preciso ver.


Esse blog (Fora do Armário) noticiou a intenção da cantora de abrir esse centro assim que ela divulgou seu plano há um ano. Dá gosto ver que o sonho foi realizado. 


Fica aí o vídeo pela primeira vez legendado em português. Meu objetivo é que mais pessoas tenham acesso a esse belo exemplo.


DENÚNCIA


Aproveito a oportunidade para lembrar que, no Brasil, diversos "centros de recuperação para viciados em droga" são mantidos por igrejas evangélicas ou membros destas. Esses locais são geralmente um depósito de gente, sem qualquer preparo por parte de seus organizadores. Ainda que haja uma exceção ou outra, via de regra esses ambientes só promovem os interesses particulares de seus dirigentes. 


Uma coisa, porém, não muda em relação a esses locais e seus dirigentes: PESSOAS GAYS, TRAVESTIS E TRANSEXUAIS são atendidas nesses locais como se fossem doentes ou possessos por espíritos. Quando aceitam a internação por desespero em relação a seu total desamparo, são agredidos em sua autoestima, que é ainda mais violentada pelo tratamento desumano que recebem ali. Por fim, saem de lá com traumas que não tinham e com uma lista de serviços prestados sem qualquer remuneração.


RESUMINDO: Centro de recuperação evangélico não é solução. É parte do problema. 


Se você já esteve em centro de recuperação e foi tratado indignamente por ser LGBT, denuncie. Ligue 100 e escolha a opção LGBT no menu. Depois, converse com o atendente. Isso não pode continuar.

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