Transexualidade e Suicídio - um alerta de Daniela Andrade




TEXTO DE DANIELA ANDRADE


Nos EUA as taxas de suicídio entre as pessoas transgêneras é 26 vezes maior que a do restante da população.

E no Brasil? No Brasil não existimos, somos invisíveis para o governo, sociedade e movimentos sociais, salvaguardando raras e modestas iniciativas. Mas é sabido que o maior grau de violência e o maior número de assassinatos de pessoas LGBTs se dá justamente com o grupo de travestis e transexuais.

Há um vácuo total no que diz respeito ao conhecimento e a promoção de políticas públicas para as demandas e reivindicações da população trans*.

Nome social não é conquista, é esmola que não funciona na ampla maioria dos lugares, conquista seria se a lei de Identidade de Gênero (ou lei João W Nery) proposta por Erika Kokay e Jean Wyllys no começo desse ano fosse aprovada. Mas será que seria aprovada quando? Há 17 anos inúmeros projetos de leis similares têm sido colocado em consulta no Congresso Nacional e jamais votados.

Enquanto isso seguimos sem ter direito a ter nosso nome e gênero respeitados, e tudo se arrasta com sacrifício e lentidão no judiciário, em que juízes muitas vezes preconceituosos decidem por vias esdrúxulas que você pode se chamar Maria mas continuará com sexo masculino nos documentos, ou chamar João e continuar com sexo feminino.

Enquanto isso, há raros equipamentos de saúde pública no Brasil que atendam as demandas dessa população como a hormonioterapia. Sem falar que próteses para essa população costumam ser vistas como luxo, estética, jamais como necessidade e, portanto, não são cobertas pelo governo, o que leva centenas de travestis e transexuais a recorrerem ao danoso silicone industrial, que muitas vezes causa-lhes sérios problemas de saúde ou óbito.

Enquanto isso continuamos marginalizad@s, excluíd@s do mercado de trabalho formal e com grande parte tendo de recorrer à prostituição - e o problema aqui não é se prostituir, quem escolher se prostituir, é uma escolha legítima e que deve ser respeitada. Mas, dado o nível do preconceito por conta de nossa identidade de gênero, dado o grau de escolaridade geralmente baixo entre essa população, dado o fato de que a sociedade desde sempre nos associou à marginalidade e ao crime e inclua aqui os empresários e os que fazem as entrevistas de emprego, quase que não restam outras opções. E devem ser aplaudidas as que se prostituem, por que além de enfrentarem violências dos clientes, ainda enfrentam violência da polícia e da sociedade, assim como devem ser aplaudidas as que com uma luta heroica superaram esse círculo vicioso de exclusões.

Enquanto isso muitas pessoas travestis e transexuais continuam tendo de abandonar a escola, dado o preconceito e discriminação generalizados vindos inclusive de professores que não respeitam o nome e o gênero das pessoas travestis e transexuais.

Enquanto isso muitas pessoas travestis e transexuais continuam sendo expulsas de casa por seus familiares, onde muito cedo precisam saber como se virarem sozinh@s na rua.

Enquanto isso continuamos constando nos manuais de diagnósticos médicos como fetichistas e transtornad@s mentais.

Enquanto isso pessoas esperam por 3, 5, 10, 15 anos em uma fila à espera de uma cirurgia de transgenitalização que pode nunca chegar, já que há raros hospitais que as realizam no Brasil.

Enquanto isso, continuamos a não existir para a população, a menos que queiram fazer piada nos programas de humor ou dizer que somos marginais nos programas policiais ou constarmos como enfeites ao pronunciarem "transgêneros" ou "travesti e transexual" quando precisam falar as sigla LGBT e LGBTT.

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COMENTÁRIO DESTE BLOGUEIRO

TRANSFOBIA gera desespero. DESESPERO gera suicídio. Por um mundo LIVRE  de TRANSFOBIA.

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