Daniel Dobson, filho do proeminente pastor de West Michigan, Ed Dobson, fala sobre como é ser um cristão gay

Daniel Dobson - Courtesy Art 

 
Daniel Dobson, filho do proeminente pastor de West Michigan, Ed Dobson, fala sobre como é ser um cristão gay


Um tiroteio numa rua para Baghdad ajudou Daniel Dobson a tomar coragem e sair do armário como homem gay.

Dobson, com 18 anos então, havia estado no Iraque por apenas algumas semanas, quando o Exército Americano ficou sob o fogo cerrado da Al Qaeda. Ele ficou momentaneamente paralisado com medo, só tomando coragem depois de ler um verso de Hebreus que ele havia colocado sobre seu escudo.

Ao mesmo tempo em que o ataque de 2004 foi aterrorizante para o jovem, isso o ajudou a se preparar para um momento que seria ainda mais assustador dália a dois anos. Ele se pôs à porta de seus pais e repetiu Hebreus 13:5-6 para si mesmo. Depois, disse aos dois: “Mamãe, papai, eu sou gay, e ainda amo Jesus. Nada vai mudar.”

Depois do silêncio da surpresa, seu pai disse: “Ainda amamos você. E nada vai mudar.”

O alívio ao ouvir isso foi “absolutamente gigante”, diz Dobson, agora com 28 anos de idade. “Era quase como se eu pudesse respirar de novo.”

Levou 13 anos para que ele comunicasse sua orientação sexual a seus pais. Hoje, Dobson se sente preparado para contar a todos nós. Ele deseja que as pessoas saibam que é possível ser gay e cristão fiel ao mesmo tempo. As passagens bíblicas que geralmente são citadas para condenar a homossexualidade não se aplicam a dois homens ou duas mulheres que se amam ou ao casamento gay, afirma Dobson.

“Muitos gays e lésbicas estão feridos porque não sabem que está tudo OK”, diz ele.

Dobson revela que, desde os 13 anos, sabia que era gay, mas nunca agiu assim. Essa parecia ser a escolha mais sábia para alguém crescendo num mundo evangélico conservador.

“Eu pensava que se eu falasse sobre isso, seria isolado, perderia todos os meus amigos”, diz ele. “Por muito tempo orei para que eu não fosse gay.”


Ele manteve sua orientação sexual em segredo depois de se alistar no Exército, onde serviu por dois períodos no Iraque. Ele amava o militarismo – e ainda é um especialista na Reserva – e não queria colocar em risco sua possibilidade de servir ao Exército durante a agora extinta política do “não pergunte, não diga”.

Porém, um quase noivado com uma garota o convenceu de que não poderia viver uma mentira. Ele se perguntava por que Deus o criaria gay e depois o condenaria por isso. Mas, à medida que ele estudava a Bíblia, ele descobriu que nada condenava relações entre pessoas do mesmo sexo entre adultos no sentido moderno.

Ele finalmente resolveu contar a seus pais, Ed e Lorna, contando com a coragem desenvolvida em combate e com sua certeza do amor de Deus.

“Passou a ser uma questão de integridade pessoal para mim, que eu tinha que ser honesto comigo mesmo e com o mundo,” diz Dobson, que acredita que seja hora de falar às pessoas que sofrem desnecessariamente e de conter as atitudes de ódio contra os gays.

“Por causa do que os cristãos dizem sobre gays e lésbicas, eles não conseguem compartilhar Jesus de modo algum. Eles prejudicam o reino e ferem Jesus. O que eles dizem não tem a menor possibilidade de ser guiado pelo Espírito (Santo).”

Traduzido e adaptado do 
texto de Charley Honey, colunista de religião para o MLive/The Grand Rapids Press.


--------------------------------

COMENTÁRIO DESTE BLOGUEIRO


Que bom que cristãos gays, lésbicas, bi e transexuais estão assumindo seu lugar nas comunidades de fé em que escolheram viver. Um mundo com religiões pluralistas e inclusivas é muito melhor do que um mundo mergulhado em fanatismo homofóbico, misógino, xenófobo, etc.

Pessoalmente, acho muito melhor viver livre de qualquer vínculo com religiões ou organizações religiosas. Mas, penso que todos têm o direito de professar a religião que bem entenderem num ambiente onde sejam respeitados em suas identidades e afetividades.

Daniel Dobson foi muito corajoso. Desejo que se muito feliz e que seja um ativista da diversidade e da igualdade, porque nossas singularidades não podem ser desculpa para alijar este ou aquele indivíduo dos direitos que são reconhecidos como universalmente humanos.

Comentários