Autora assume posição cristã favorável aos direitos LGBT


Autora assume posição cristã favorável aos direitos LGBT

O novo livro de C.S. Pearce busca convencer cristãos conservadores a evoluir em sua visão das pessoas LGBT people — um caminho que ela própria trilhou.

POR TRUDY RING

24 DE DEZEMBRO DE 2012 7:01 (EUA)

C.S. Pearce

Caso você ouça comentários homofóbicos de um/a parente, especialmente se for um cristão conservador, nas festas de fim de ano, há um livro recém-lançado que você pode recomendar a esta pessoa: Nisto acreditamos: a atitude cristã em relação aos direitos civis LGBT(*), de C.S. Pearce.

No livro, Pearce discute e descontrói argumentos baseados na Bíblia que cristãos conservadores utilizam contra os LGBT, argumentos que Pearce denomina “mitos.” Ela prossegue, usando a Bíblia para mostrar que o cristianismo não exige que seus seguidores sejam antigay e examina o mal que tem sido praticado contra as e os LGBT em nome da religião.

Diversos aspectos da vivência de Pearce a colocam numa boa posição para tratar do assunto. Ela é diretora de relações com a mídia na Escola de Teologia de Claremont, um seminário cristão ecumênico, e na Universidade Lincoln de Claremont, instituição que serve de guarda-chuva para o seminário e seus equivalentes judeu, muçulmano, budista, hindu e jainista. Ela descreve seu local de trabalho, em Claremont, no Estado da Califórnia (EUA), com sendo “um ambiente muito estimulante do ponto de vista intelectual e espiritual.” Ela é uma mulher heterosexual, casada, algo que ela reconhece que a torna mais palatável aos leitores “que ainda acreditam que os gays são ‘pervertidos.’” O mais importante de tudo, no entanto, é que ela trilhou o mesmo caminho que agora ela convida seus leitores a tomar.

Pearce, que é hoje em dia uma adepta progressista da Igreja Episcopal, cresceu no sul da Califórnia numa família cristã evangélica conservadora, o que foi um dos fatores que a motivou a escrever o livro. “Pelo fato de eu própria vir de um meio evangélico conservador, tenho muita familiaridade com suas crenças a respeito das pessoas LGBT — há muitos anos eu compartilhava estas crenças,” afirma em entrevista a The Advocate. “Além disso, sou testemunha de muitas coisas maléficas e dolorosas que alguns de meus parentes e amigos evangélicos infligiram e infligem às pessoas homossexuais em função destas crenças.”

“O momento me pareceu maduro para assumir, com muito tato e cuidado, um posição crítica aos cristãos conservadores a fim de incentivá-los a pelo menos reconsiderarem e, com esperança, mudarem suas crenças. Minha formação anterior me permitiu fazê-lo de uma maneira que tinha mais possibilidade de ser levada em conta por eles,” continua Pearce. “Há muitos anos tenho sentido que precisava fazer algo para compensar os estragos que têm sido feitos até agora.”

Ela observa no livro que, por muitos anos, considerava que as e os LGBT fossem “pervertidos nojentos,” acreditava que a homossexualidade era uma opção e achava que não conhecia nenhum/a homossexual pessoalmente. No fim das contas, ela percebe que estava equivocada sobre todos esses assuntos. Anos após terminar o colégio, descobriu que dois de seus amigos eram gays e no fim da década de 1980, no Dia Nacional “Fora do Armário” (nos EUA), um de seus colegas favoritos de trabalho assumiu-se perante ela como sendo gay. Além disso, no início dos anos 1990 seu marido, Daniel Pearce, um medico proveniente de um meio evangélico conservador semelhante ao dela, decidiu dedicar ao menos uma parte de seu tempo como clínico ao tratamento de pessoas com HIV. Como consequência destes fatores, ela e o marido “vieram a conhecer muitos/as LGBT que era pessoas maravilhosas,” escreve ela, fazendo-os rever suas crenças.

Na entrevista, ela relata que sua família frequentava uma igreja cristã evangélica sem denominação específica, depois de saírem da Igreja Presbiteriana “porque os presbiterianos eram excessivamente liberais.” Ela prossegue dizendo que “meu pai lia a Bíblia para nós todas as noites e frequentar o culto era obrigatório. Num determinado momento, constatei que estas crenças com as quais cresci era problemáticas e antiéticas fazendo com que eu abandonasse o cristianismo inteiramente. Entretanto, nunca deixei de rezar ou de admirar Jesus — eu apenas tinha vergonha de ser chamada de cristã. Felizmente, descobri que havia outras opções no cristianismo. Retomei meu caminho de volta à igreja e sou atualmente uma cristã na progressista tradição episcopal.”

Pearce afirma que muitos cristãos não têm noção do mal causado por sua homofobia. “Na década de 1990, um dos meus parentes ‘consolou’ uma mãe que tinha perdido seu filho, meigo mas que vivia no armário, para a AIDS com palavras em tom trágico que diziam que o filho dela tinha escolhido dar as costas a Deus e por isso estava colhendo as consequências de suas ações,” afirma a autora. “Outro amigo e muitos membros de sua família numerosa e unida repudiaram completamente o irmão quando este se assumiu, que o levou a uma espiral de depressão que o abateu durante anos.”

A partir daí, ela passa boa parte do livro dando detalhes quantos aos malefícios e estragos provocados por pessoas que acham que estão fazendo a vontade de Deus, sendo que ela também inicia uma discussão em que fornece aos cristãos conservadores “uma sólida posição bíblica em favor dos direitos civis dos LGBT, uma vez que a Bíblia é muito importante para eles e geralmente não se dão conta dos argumentos que podem ser extraídos dali,” afirma.

(*) Título original em inglês: This We Believe: The Christian Case for Gay Civil Rights.

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Enviado por Lula Ramires por e-mail.

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