Estudo: Pais Adotivos Homossexuais Dão Ótimos Pais


Estudo: Pais Adotivos Homossexuais Dão Ótimos Pais


Traduzido por Sergio Viula
para o Blog Fora do Armário
Original: Aqui


libertygrace0/Flickr

PROBLEMA: Devemos permitir que crianças em alto risco no sistema de apoio que precisam de lares e famílias amáveis sejam adotadas por casais homossexuais? A resposta rápida é "sim," mas é sempre bom ter o apoio da ciência.

METODOLOGIA: Este é o primeiro estudo a comparar crianças que são adotadas a partir do sistema de amparo (abrigos) por homens gays, mulheres lésbicas, e casais heterossexuais, e traçar seu progresso ao longo do tempo, explica o autor e líder do projeto Justin Lavner, um candidato a doutorado na UCLA (Universidade da Califórnia, Los Angeles). Os pesquisadores acompanharam 82 crianças no Condado de Los Angeles - 22 das quais foram adotadas por pais ou mães homossexuais, com a idade média de quatro anos - e avaliaram-nas depois de dois meses, um ano, e dois anos a contar de sua alocação nas famílias adotivas.

Enquanto os estudos prévios haviam sido feitos com crianças adotadas por pais gays ainda bebês, as crianças acompanhadas nesse estudo começaram com uma série de fatores biológicos e ambientais de risco já atuando contra elas -  tais como nascimento prematuro, exposição a substância pré-natal, e abuso ou negligência -  identificados  pelos pesquisadores a partir de registros públicos.

RESULTADOS: As crianças nos três tipos de lares se beneficiaram da adoção: em média, elas obtiveram ganhos significativos no desenvolvimento cognitivo - seus índices de QI aumentaram  10 pontos em  média - e elas mantiveram níveis estáveis de problemas de comportamento. Além disso, as crianças adotadas por pais gays ou mães lésbicas começaram, na verdade, com mais fatores de risco, e tinham mais probabilidade de ser de uma etnicidade diferente de seus pais adotivos, mas depois de dois anos elas estavam em pé de igualdade com seus colegas heterossexualmente adotados.

CONCLUSÃO: A co-autora Letitia Anne Peplau colocou sucintamente: "Não existe evidência científica para discriminar pais gays e mães lésbicas."

IMPLICAÇÕES: Mais de 100.000 crianças em abrigos nos EUA precisam de lares. Um potencial de 2 milhões de casais homossexuais estão interessados em adotar, de acordo com um estudo de 2007. Somente 19 estados (e o Distrito de Columbia) permitem que casais gays adotem. Mesmo em estado onde é legal, acrescenta Lavner, a discriminação contra pais homossexuais torna menos provável que se consiga a adoção. Os números - e agora a evidência científica - falam por si mesmos.


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LINDSAY ABRAMS - Lindsay Abrams é parceira editorial do The Atlantic Health channel. Seu trabalho também apareceu no  The New York Times.

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COMENTÁRIO DESTE BLOGUEIRO

E o Brasil? 

No Brasil, mais de 37 mil crianças vivem em abrigos, de acordo com o portal do Conselho Nacional de Justiça. Esse número pode ser ainda maior. O IBGE identificou 60 mil casais homoafetivos no último censo brasileiro. Se apenas metade desses casais adotassem, o número de crianças em abrigos chegaria próximo ao zero.

Vale lembrar que muitos casais ainda não se identificaram no Censo por conta do preconceito da família. Muita gente vive uma relação estável sem assumir que é um casamento, apenas aparentando amizade (para a família) ou parentesco (para os amigos). Estes precisam superar essa 'fase' para tornarem-se aptos a assumir qualquer responsabilidade paterna ou materna. 

O Supremo Tribunal Federal equiparou as uniões civis homoafetivas às heteroafetivas - o que facilita a conversão em casamento e também abre caminho para a adoção, apesar de ser ainda um processo lento. O Jornal O Globo fez matéria comemorando o Dia dos Pais com primeiro casal gay a adotar no Brasil.

Os desafios de criar um ou mais filhos, sejam biológicos ou adotivos, são sempre enormes, qualquer que seja o tipo de casal. Tempos atrás escrevi um post sobre paternidade. Recomendo a leitura para quem gosta de pensar no assunto ou já é pai/mãe.

Espero pelo dia em que o Brasil não terá mais filhos abandonados ou órfãos sem lar. Trabalhemos duro até que vejamos esse dia raiar.

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