BUCKINGHAM, AMANTE DE DOIS REIS, PAI E FILHO (1)


Têtu – setembro 2012 – página 100
Enviado por Luiz Mott por e-mail
Nota de Sergio Viula: Jacques Stuart ou também chamado James Stuart (ou Stewart) era também conhecido como Seumas Stiubhart em Escocês. É dele que fala o texto abaixo. Confira.


BUCKINGHAM, AMANTE DE DOIS REIS, PAI E FILHO (1)
Por MICHEL LARIVIÈRE

Proclamado rei da Escócia em 1567 com a idade de um ano por nobres revoltados contra sua mãe Maria Stuart, Jacques VI vive sua infância sob a copa de diversos regentes. Inteligente, ele se beneficia de uma brilhante educação humanista graças a George Buchanan, que tinha sido o professor de latim de Montaigne. Jacques jamais teve amantes, é para os rapazes que ele volta seus desejos. Desde sua adolescência ele manifesta uma suave amizade por Patrick Gray e por Alexandre Lindsay, antes de cair apaixonado por seu primo Esmé Stuart d´Aubigny, que chega da França. Aubigny inicia o jovem rei nos prazeres praticados na corte de Henrique III e vai permanecer longo tempo o favorito titular. Jacques eleva seu amante à dignidade de duque de Lennox.

Mas os condes protestantes reprovam abertamente ao favorito “por governar o rei pela luxúria”. Em agosto de 1582, eles conseguem sequestrar Jacques VI, para aprisiona-lo no castelo de Rutwen. O rei, temendo que assassinem seu amante, cede às exigência dos revoltados: ele aceita que Lennox seja exilado na França onde ele morre no ano seguinte após ter ordenado que seu coração fosse embalsamado e enviado ao rei da Escócia que só tinha 16 anos!

Educado na religião calvinista, Jacques VI da Escócia, após ter habilmente bordejado entre os partidos católico e protestante, deve escolher seu lado. Sem estado d´alma, com a promessa de lhe suceder, ele deixa a rainha Elisabeth I da Inglaterra aprisionar e decapitar sua mãe, Maria Stuart, chefe dos católicos.

Mas o rei deve pensar em assegurar sua sucessão: ele se casa em 1590 com a princesa Ana da Dinamarca. Ele terá três filhos, dos quais Charles I que, em 1625, esposará Henriqueta, irmã de Luiz XIII, e a princesa Elisabeth que, esposando um príncipe alemão, será a base da Casa de Hanover.

Tendo assegurado sua dinastia, o rei se vangloria então sem vergonha: “A rainha é a única mulher com a qual eu deitei!”

Em 1603, Jacques VI da Escócia é recompensado pr ter tomado partido dos protestantes. Ele recolhe a herança da rainha Elisabeth I, sem filhos, e torna-se rei da Inglaterra sob o nome de Jacques I.

Sua homossexualidade é conhecida da Corte, como era o lesbianismo da defunta rainha. “Nós tivemos o rei Elisabeth, agora, nós temos a rainha Jacques!”, dizem os Londrinos.

Esse coroamento reunindo a Grã-Bretanha e a Escócia é um triunfo, pois, além disso, o calvinismo e a Igreja anglicana se reconciliam contra o papa, seu inimigo comum. Mas essa não é a opinião do rei, que, graças a união dos dois reinos, quer impor a seu povo uma única e mesma religião. Erro de julgamento! Ele desagrada os puritanos e atrai o ódio dos católicos, Se bem que eles não representem que uma vintena da população, os “papistas”, como se diz então, tentam em 1605 com a cumplicidade da Espanha um golpe de Estado conhecido sob o nome de “Conjuração das pólvoras”, que visa, por uma gigantesca explosão, matar o rei, todos os lordes e os deputados das Comunas. Uma traição faz descobrir o complô. Os católicos são agora submetidos a leis de exceção, sua religião é interditada, os padres expulsos.

Sua posteridade e seu poder assegurados, o rei não tema mais se mostrar com charmosos efebos que atuam, travestidos, os papéis de mulheres nas peças de Shakespeare e de Marlowe. Como ele se permite beijá-los na boca em público, seus sujeitos podem facilmente adivinhar o que ele faz no privado.

Mas o rei não se contenta com seus amores furtivos, ele precisa de um companheiro para todos os instantes do qual ele possa apreciar a beleza, o espírito e a conversação. Os favoritos titulares se sucedem: John Ramsey, James Ray, promovido a visconde de Doncaster depois conde de Montgomery, Robert Carr, magnífico rapaz que é feito gentleman de Chambre e conselheiro privado em 1612, conde de Somerset em 1613.

Tornando-se o primeiro personagem da Corte, o comportamento insolente de Carr contribui para o declínio da popularidade do rei. Jacques I se cansa desse amante bissexual e o aprisiona com sua esposa na torre de Londres onde o casal morre em 1622.

É chegada a hora de Buckingham... O arcebispo de Cantorbery, conhecendo os gostos do rei e desejando que o novo favorito lhe deva seu lugar, faz de modo com que o belo George Villiers encontre o soberano em 1615 durante um divertimento dado pelos estudantes de Cambridge.

George tem 22 anos, magro, bem grande, as pernas longas e afiladas, ele tem o porte bem formado, uma mão delicada com dedos finos, uma boca sensual com lábios perfeitamente desenhados, um nariz reto, olhos maliciosos e carinhosos. Ele respira saúde, alegria de viver, desejo de ser amado. O coração de Jacques I derrete como neve no sol. O rei, então com idade de 48 anos, cai loucamente apaixonado.

A ascensão do novo favorito é fulgurante: visconde em 1616, conde em 1617, e enfim duque de Buckingham em 1623. O rei tem o hábito de partilhar o poder com o amante titular. Todos os favoritos precedentes tinham recebido responsabilidades políticas, quais quer que fossem suas capacidades. Buckingham é inteligente, mas ele despreza o bem público. Ele sonha sobretudo em se enriquecer e a colocar sua família e seus amigos obtendo títulos e privilégios. Sua mãe o segue na ascensão: condessa em 1618, marquesa em 1619, duquesa em 1623. O jovem príncipe de Galles, Charles, fica primeiramente enciumado pelos privilégios exorbitantes que obtém o favorito de seu pai. Mas Buckingham age com tanta habilidade que consegue logo cercar também o herdeiro do trono... (A ler na Têtu de outubro.)

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