TIME HEALTHLAND: HIV Continua a se Espalhar entre Homens Gays


HIV Continua a se Espalhar entre Homens Gays - Demonstra Estudo

Até em países que têm feito grandes avanços em reduzir o peso da AIDS, a epidemia continua crescendo entre homens gays
Por Alice Park | @aliceparkny | 
TRADUÇÃO: SERGIO VIULA para o BLOG FORA DO ARMÁRIO

BRUCE AYRES / GETTY IMAGES

Enquanto os maiores pesquisadores de AIDS se reúnem para a Conferência Internacional de AIDS em Washington, D.C., cientistas informam que, a despeito de avanços no controle da expansão do HIV, a doença continua a se espalhar em proporções alarmantes justamente no segmento populacional em que apareceu pela primeira vez – os homens gays. 


Numa série de trabalhos no Lancet dedicados às dinâmicas do HIV entre homens gays (um grupo de epidemiologistas prefere defini-los como homens que tem sexo com homens - HSH), cientistas dizem que o permanente peso da AIDS sobre esse grupo deve-se a uma combinação de estilo de vida e fatores biológicos que colocam estes homens em risco mais elevado. Os índices estão subindo em todos os países ao redor do mundo. 


Num estudo, conduzido por Chris Beyrer, do Centro para Saúde Pública e Direitos Humanos (Center for Public Health and Human Rights) da Escola de Saúde Pública de Johns Hopkins Bloomberg (Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health), pesquisadores analisaram os relatórios de observação e estudos de HIV entre HSH, incluindo informações de relatórios de rotina de países membros da ONU. Os índices de HIV entre homens gays têm variado de 3% no Oriente Médio a 25% no Caribe. Em todas as nações que relataram, os índices estavam em ascendência, até mesmo em nações desenvolvidas como os EUA, a Austrália e o Reino Unido, onde o HIV está caindo de modo geral. 


Na verdade, diz Beyrer, a renda financeira não parece importar quando se trata da tendência do HIV entre HSH. Nos EUA, por exemplo, os índices de infecção entre homens gays têm aumentado à taxa de 8% a cada ano desde 2001, contribuindo para uma taxa de prevalência de 15% e colocando os EUA ao lado de países como a Tailândia, Malásia e algumas nações africanas e caribenhas onde nem conscientização para HIV/AIDS nem as drogas terapêuticas são divulgadas. A prevalência do HIV entre HSH no Brasil, Canadá, Itália e Índia variam entre 11% e 15%, enquanto muitos países ocidentais têm taxas mais baixas, em torno de 6%. 


Especialistas em saúde pública têm se preocupado com os crescentes índices entre HSH por anos agora, considerando a epidemia atual como a segunda onda – a primeira tendo ocorrido nos anos 80. As infecções de hoje, dizem eles, estão afetando a nova geração de homens que não viveram a devastação inicial da AIDS nos primeiros anos, quando não existiam drogas terapêuticas e o diagnóstico era uma sentença de morte. Mensagens de saúde pública sobre práticas de sexo seguro e testagem para homens gays têm minguado ao longo dos anos, e agora, dizem alguns especialistas, uma nova geração de homens em risco tem que ser educada sobre a doença. 


O HIV tem sido sempre mais comum entre homens gays, mas Beyer e seus colegas dizem que fatores tradicionais de risco podem não explicar inteiramente a onda em muitos casos. Tradicionalmente, especialistas em HIV têm apontado comportamentos de alto risco, tais como sexo sem proteção, ter parceiros múltiplos, drogas injetáveis e uso de drogas em geral por tornar os homens gays mais vulneráveis à infecção. Mas pode haver razões biológicas para o aumento do risco também. Por exemplo, existem 18 vezes mais chances de transmissão de contaminação por HIV através de sexo anal do que através de sexo vaginal, o que pode explicar por que o vírus continua a crescer entre homens gays, apesar do fato deles ainda receberem uma gama de informações para conscientização sobre o HIV e sobre tratamento de saúde pública. “Se a infecção por HIV em HSH for fortemente determinada biologicamente, será que a abordagem atual dos programas de HIV para HSH, a qual repousa sobre estratégias de informação, educação e mudança de comportamento, faz sentido?” – escreve o autor. “A epidemiologia sugere que uma reforma urgente se faz necessária.” 


É por isso que a última informação sobre o uso de tratamentos contra o HIV para proteger pessoas saudáveis contra a infecção, uma estratégia conhecida como profilaxia pré-exposição (PrEP), são de especial interesse para especialistas em saúde pública. Num outro trabalho na série Lancet, pesquisadores estimam que cerca de 25% das novas infecções entre HSH poderiam ser evitadas se práticas de prevenção, tais como PrEP fossem combinadas com estratégias existentes, tais como aconselhamento em sexo seguro e uso de preservativos. 


Mas a chave para fazer esses esforços funcionarem está em providenciar assistência de saúde à comunidade. Em outro trabalho na série, pesquisadores documentaram o fato de que muitos assistentes de saúde não são treinados ou equipados para identificar, tratar e aconselhar homens gays sobre o risco de HIV. Em alguns países, o estigma contra o HIV continua a diminuir a habilidade dos médicos em adequar cuidados aos HSH em risco de infecção. “Assistência Clínica de excelência para minorias sexuais e de gênero é um direito humano fundamental, e o apoio de profissionais de saúde se faz necessário para sua provisão” escrevem os autores. 


A série destaca ao mesmo tempo o quanto temos avançado na compreensão e controle do HIV, e como, apesar dos avanços no desenvolvimento de drogas terapêuticas e consciência social, estamos ainda permitindo que o HIV leve a melhor sobre nós.










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Meus Amigos,

Acabei de ler e assinar este abaixo-assinado online:

«CONTRA FECHAMENTO DE LEITOS HOSPITALARES NO SUS - HIV/AIDS»


Eu concordo com este abaixo-assinado e acho que também concordarás.

Assina o abaixo-assinado aqui 


e divulga-o por teus contatos.

Obrigado.

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