História: 1ª Parada do Orgulho Gay da Bahia (com fotos)


Luiz Mott
Olhem que registro maravilhoso da história gay da Bahia! Quantos colaboradores na 1ª Parada, militantes e artistas vips continuam ativos! Nosso saudoso prof. Angelo Barroso, que brilhou de drag Queen, foi assassinado anos depois no RJ. Jean Wylys já nos apoiava em 2002!!! antes do BBB e de ser parlamentar. Felizmente, mudamos a parada de junho para setembro para evitar as chuvas.
Obrigado e aplausos a Marcelo, por seu pioneirismo e constância até hoje liderando com tanto profissionalismo e criatividade essa fantástica manifestação e visibilidade maciça LGBT.  Vamos que vamos bombar mais uma vez no próximo 9 de setembro. Faltam só 77 dias para o Mês da Diversidade e 11ª Parada Gay da Bahia. Só não vai quem já morreu.
Mott

Mais de 15 mil pessoas na Primeira Parada do Orgulho Gay da Bahia, 2002
Nem mesmo a forte chuva que caía na cidade de Salvador na tarde de 16 de junho impediu que mais de 15 mil pessoas, entre gays, lésbicas e simpatizantes fossem ao Campo Grande festejar o dia do Orgulho Gay. “A chuva só veio para reforçar que as pessoas não estavam ali só por brincadeira, tinha um motivo maior”, declarou, emocionado, Paulo da Paixão, militante do Grupo Gay de Camaçari, que veio para Salvador com dois ônibus. A Parada é um movimento político, absolutamente diferente dos demais. Ela se diferencia em muitos aspectos: em particular, por não ter especificamente uma reivindicação trabalhista ou econômica, iguais às que são promovidas pelos movimentos de classe. A Parada visa questionar a sociedade, no sentido da promoção da igualdade, da cidadania plena de gays, lésbicas e travestis, que continuam vivendo como indivíduos que habitam em uma sociedade paralela à vida das demais pessoas. Uma grande vitrine dessa "sociedade paralela" são as personagens que retratam o estilo de vida dos homossexuais na televisão. Na opinião do funcionário público Ângelo Barroso, 34 anos, “os gays foram para a rua porque houve uma mobilização para isso e por busca de igualdade de direitos, além de pedir respeito à diversidade”. A concentração foi marcada para as 14 horas, mas a Parada só foi aberta às 16 horas, com a presença do secretário de Promoção da Cidadania da Cidade de Salvador, Pedro Godinho, representando o prefeito Antonio Imbassahy. Logo após o discurso de Godinho, falaram, Marcelo Cerqueira, Presidente da Parada e Luiz Mott, do Grupo Gay da Bahia. O cantor Edson Cordeiro, protegido por um enorme guarda-chuva colorido, entoou o Hino Nacional ao som dos tambores possantes do Olodum, e, em seguida, a cantora Dora Santana, do Balé Folclórico da Bahia, cantou em louvor a Exu, pedindo passagem para os participantes. Ao mesmo tempo, Marcelo Cerqueira jogava milho branco na rua como parte da saudação. Pronto. Estava definitivamente aberta a Primeira Parada do Orgulho Gay da Bahia, enquanto caía "o maior toró". 

A marcha saiu do Campo Grande e percorreu toda a extensão da Avenida Sete de Setembro. Uma enorme bandeira colorida, com 40 metros de comprimento, representando a diversidade das cores do arco íris, foi carregada pelos participantes, que, ao mesmo tempo em que exercitavam o seu orgulho de estarem presentes, se protegiam da forte chuva.

Dois trios elétricos, um do Bloco Tiete VIP's e outro do Bloco Traz a Massa, conduziram o povo até a Praça Castro Alves. O carro oficial, equipadíssimo com o som da Canal Comunicação, contou com as performances dos DJs mais badalados da cidade, cujos nomes dispensam comentários: Márcio Santos, Márcio Bastos, Chiquinho, Eckel Júnior e Santoro. Os meninos deram um verdadeiro show e tocaram todos os hits internacionais consagrados pelos gays de todo o mundo. Já o Trio Traz a Massa, que seguiu na frente com a banda feminina Egrégoras, levava a multidão fascinada pelos ritmos do Axé, Dance e muito Pop.
Parada valorizou cultura regional

Para fugir dos modelos das paradas que acontecem no mundo inteiro, a Primeira Parada do Orgulho Gay da Bahia buscou inovar. O toque regional foi dado em dois momentos: o primeiro foi a referência à religião africana, a qual os gays baianos têm forte identificação. A Segunda foi a presença de baianascaracterizadas à frente da marcha. “Para mim a figura da baiana foi posta como um patuá, um amuleto de sorte que abria os caminhos com a ponta da lança de Exu”, disse Oséas Santana, homossexual e praticante da religião na Bahia.
A cultura baiana na Parada também se fez presente com a participação das bandas de percussão do Bloco Olodum, Muzenza e Suing do Pelô. Além, é claro, dos diversos grupos de dança africana que vieram prestigiar o evento.


Uma participação muito providencial foi a do Grupo Boca de Lata, de Ituberá, que viajou horas de ônibus e veio emprestar o seu nome e valor social ao evento. A vinda do Boca de Lata foi incentivada pelo Partido Verde, especialmente, por Juca Ferreira e Edson Duarte. Um presente surpresa aos homossexuais.
Praça Castro Alves reviveu gloria gay
A praça Castro Alves, um antigo recinto de freqüência homossexual por diversos anos, reviveu em uma só noite, a alegria e o orgulho de gays, lésbicas e simpatizantes. Não poderia ser diferente. Os shows da Praça começaram às 18 horas, com a banda Nossa Juventude, que fez um pagodão e agradou a "gregos e troianos". Os moços começaram o som agradecendo e expressando a felicidade de cantar e colaborar com a sua música na luta contra o preconceito. Logo em seguida, a cantora Viva Varjão e a sua banda de funk deram continuidade à noite homenageando cantores como Cássia Eller, Renato Russo e Cazuza. Viva, que já tem nome de festa, expressava muita felicidade e desenvoltura sendo a mestre de cerimônias. “Poder cantar no dia do Orgulho Gay para aquela multidão foi maravilhoso, sublime, uma sensação muito boa”, declarou a vocalista. Durante o espetáculo, Viva recebeu no palco nomes importantes da música baiana, como Márcia Short, Sylvia Patrícia, Nana Meireles e Diogo Lopes. 

Um dos pontos altos de sua apresentação foi quando ela chamou Emanoele Araújo e Rebeca Matta. Juntas, elas cantaram a música “De Noite na Cama”, de Caetano Veloso. As fãs mais atiçadas lançaram-se ao palco, sendo retiradas pelos seguranças. “Esta parte foi super divertida, tudo improvisado, a galera gostou muito do som e da algazarra no palco”, acrescentou Viva.
O cantor Edson Cordeiro foi o show mais esperado da noite e os fãs não arredaram o pé da Praça até que ele entrasse no palco. Acompanhado de dois dançarinos, ele reviveu canções da música dancing internacional e sucessos como "Conga", de Gretchen.
Edson Cordeiro foi um grande divulgador da Parada. Ele acreditou e garantiu a sua participação, contrariando alguns que diziam: "você vai cantar para três gatos pingados?", desde que o evento era só uma vontade do Grupo Gay da Bahia. Deste modo aproveitou todas as suas possibilidades de falar sobre o assunto na mídia nacional e o fez com muito boa vontade. “Cordeiro é um artista corajoso, engajado, que todos nós devemos apoiar, comprar e promover o seu disco” - disse Luiz Mott, presidente do GGB.









Mudanças no próximo ano já são previstas
A comissão da Parada para 2003 já está sendo formada. Ela tem a missão de dar sustentabilidade, tanto financeira quanto social, para a implementação do próximo evento. De acordo com Marcelo Cerqueira, presidente da Parada, “a idéia de não ter mais o palco fixo, e somente a estrutura de trios, é muito bem vista pelo povo, além de ser mais prática. O percurso também deverá ser alterado. Se não houvesse chuva, o espaço do Campo Grande à Praça Castro Alves não caberia de tanta gente”.

Para o próximo ano estão previstos diversos eventos paralelos, como feira de produtos e serviços, roupas, acessórios, arte e cultura e a participação do Festival de Cinema Gay e Lésbico de Berlim, com filmes do mundo inteiro. Uma outra novidade que promete dar o que falar será o Bloco da Parada, só com música eletrônica. O Bloco terá a finalidade de gerar renda para financiar a realização Parada propriamente dita. Uma página na internet já está sendo montada para promover o desfile de 2003 e convidar pessoas de outros estados e países para virem a Salvador, por ocasião do evento. Do mesmo modo, já existe contato com agências de viagens que irão atuar como parceiras antes e durante o evento. A Tours Bahia Internacional, que antes só fazia receptivo, agora entra no mercado de emissão de bilhetes e será uma das agências conveniadas. A agência conta com uma boa logística tanto no Brasil quanto no exterior.






Aos patrocinadores e apoiadores da Parada, aquele obrigado!
Este evento foi um sucesso porque a população gay, lésbica e simpatizante de Salvador acreditou e apostou na idéia. Não temos palavras para agradecer a pessoas como os jornalistas Jamil Moreira Castro, Marrom, Jean Wylys, Suzana Varjão, Demóstenes, Toni Pacheco, Biaggio Talento; aos veículos de comunicação Jornal A Tarde, Correio da Bahia, Tribuna da Bahia, Muvuca Baiana, Rádio Transamérica, Itaparica FM, Rádio Metrópole FM; a pessoas e entidades que promoveram a Parada junto à sociedade baiana e formadores de opinião; aos patrocinadores que ajudaram, doando verbas e serviços para a viabilidade do evento.
Nossos agradecimentos a Preservativos Prudence, Pathfinder do Brasil S/C Ltda, Ministério da Saúde, Bahiatursa e USAID. 


Especialmente a Prefeitura de Salvador, ao carinho pessoal do Prefeito Antônio Imbassahy, um estadista, competente e antenado para as transformações da vida moderna; a Senhora presidente da EMTURSA, Eliana Dumêt; José Correia, gerente de projetos especiais e, finalmente, Alexandre Franco de Carvalho, do Cerimonial da Prefeitura, um amigo do peito. 

Agradecemos também a Engenho Novo, agência que elaborou todas as peças publicitárias, na conta zero. 


Ao apoio dos empresários GLS: Queens Club, Bar Quixabeira, Bar Red Blue, Boate Gloss, Bar Camarim, Boate BRW, Touchê Creperia, barracas do Charles e Aruba, Bar Âncora do Marujo, Boate Caverna, saunas Rios, Phenix e Olympus. Foi muito bom tê-los conosco este ano. Esperamos contar com esta força em 2003. Voila!!!


Luiz  Mott

Comentários

  1. Me sinto emocionada em relembrar esse momento tão importante da minha descoberta homossexual e adolescência. A primeira foi a melhor. Bons tempos aqueles.

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