Como foi o 1º Encontro de Ateus (Rio de Janeiro)





1º Encontro Nacional de Ateus
Rio de Janeiro, Quinta da Boa Vista, 12/02/12

Comentário deste Blogueiro (Sergio Viula)

O 1º Encontro Nacional de Ateus, que reuniu ateus de vários estados do Brasil no mesmo dia, apesar de diferentes horários, foi planejado para coincidir com o dia de Charles Darwin, autor de A Evolução das Espécies.

No Rio de Janeiro, o encontro aconteceu na Quinta da Boa-Vista, a partir das 14h. E, acreditem ou não (kkk), já tinha gente lá antes das 14h. Cheguei às 13:50 e um simpático grupo já aguardava a galera que pretendia participar do encontro. Depois que o grupo chegou a uns 20, fomos para baixo de uma frondosa árvore, tentando escapar ao sol, e com uma bandeira branca com o A num círculo aberto, indicando a que público se destinava o encontro, começamos a conversar sobre o propósito de nosso encontro.

O grupo cresceu. O número certo, eu só saberei depois que os organizadores divulgarem. Será um número exato, porque fizemos uma lista de presença, com meios de contato, para futuros encontros, mas acredito que houvesse umas 50 pessoas presentes.
Sergio Ortiga, associado à Atea, abriu os trabalhos (kkk). Depois, o professor de Direito Luís Fernando Couto, da UERJ, falou sobre uma série de questões importantes que deveriam ser pensadas pelo grupo.  Sua palestra foi tão provocativa de reflexões e sentimentos que várias pessoas participaram com intervenções as mais diversas. Coisa bela no movimento ateu é a diversidade entre os próprios ateus sobre os mais variados temas, com um único ponto pacífico que os interliga: a não-crença na existência de divindades.

Uma das frases que mais me chamaram a atenção na fala do professor Luís Fernando Couto foi que “o aspecto civilizatório das religiões – se houve – acabou.” Pressupostos religiosos intrometendo-se nas políticas públicas só atravancam o avanço da sociedade e o desenvolvimento da nação.

Depois do experiente professor, o jovem Igor, com apenas 17 anos, e uma fala inteligente, bem articulada e inflamada, falou sobre quando tornou-se ateu e como foi difícil se colocar como tal para uma família, na qual a mãe era extremamente religiosa e o pai, apesar de utilizar muito o bom senso, ainda mantinha uma crença em deus. Estudante do Colégio Pedro II, em Realengo, Igor é amigo de Daiane, uma das principais cabeças na organização do encontro aqui no Rio.

Depois de Igor, foi a vez do historiador Lair Amaro dos Santos Faria, que falou sobre questões históricas relacionadas à figura de Jesus e à formação do cânon das escrituras cristãs. Sua palestra foi interessantíssima. O ponto alto foi destacar que apenas 18% de tudo o que os quatro evangelhos considerados canônicos pela igreja ocidental pode ser atribuído ao primeiro século. O restante é acréscimo posterior. E, mesmo a parte que pode ser contextualizada realmente no primeiro século, não tem nada de divina. A análise é puramente histórica. O professor Lair escreveu um livro baseado em sua tese de doutorado, intitulado “‘Quem vos ouve, ouve a mim’: Oralidade e Memória nos Cristianismos Originários”, lançado pela editora Kline.

Depois da palestra do professor, tivemos ainda a intervenção de última hora, e por isso mesmo muito espontânea de um participante que foi religioso por 50 anos e é ateu há 20, totalizando 70 anos de muita saúde, alegria e vibração. Ele fez comentários apaixonados sobre o que ele considera a não-existência de Jesus. Apesar de não estar agendado como palestrante, isso demonstra a liberdade de expressão que as pessoas desfrutaram durante o encontro.

Fotos foram feitas, e um vídeo também - tudo para registrar esse momento. Prometo acrescentá-las assim que forem divulgadas. ;)

Depois disso, voltei para casa, mas a maioria ainda ficou por lá trocando ideias e tomando alguma coisa, fosse água, refrigerante ou cerveja.  A água foi garantida pelos organizadores. O restante estava à venda nas barraquinhas típicas da Quinta da Boa Vista.

Foi uma tarde deliciosa de troca, desafio, reflexão. E uma decisão: queremos fazer a diferença para a construção de um Estado verdadeiramente laico, e para isso vamos fortalecer as organizações que já existem e trabalhar em conjunto para garantir a tão propalada, mas ainda minada por fundamentalismos e compromissos escusos entre os governos e os interesses de certos ramos religiosos – o que subverte a laicidade tão almejada pelos mais esclarecidos cidadãos desse país, e não necessariamente ateus. ;) 




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Comentários

  1. Magnífico encontro! Além disso, pude conhecer pessoalmente alguns amigos com quem só me comunicava virtualmente.

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    1. É verdade, Fred. Meu sentimento foi o mesmo.

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  2. Eu queria ter ido no daqui de São Paulo, mas choveu muito antes e depois, e o parque do Ibirapuera (local do encontro) não é um lugar muito bom para se estar numa hora dessas. Mesmo assim, soube que foram umas 40 pessoas.

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    1. De fato, a chuva atrapalha nessas horas. Aqui tivemos a sorte de ter sol a tarde toda. Voltei com cara de apache: pele vermelha. hehehe Mas, valeu muito ter ido. :) Acontecerão outros. Na próximo, compareça e leve outros. ;)

      Abração, menino!

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  3. Sergio,
    Queria destacar o espírito de comunhão que tivemos no grupo. O fato de que muitos participantes tenham se sentido tão à vontade para fazer suas declarações e dividir com todos seus pontos de vista e experiências me pareceu o que de mais importante aconteceu. Foi uma tarde quente e "longa" mas o tempo passou sem que notássemos isso. Queria agradecer por este seu relato tão bacana, pela sua presença e pela participação ativa que vc teve no nosso encontro. Vamos começar a nos mobilizar e organizar o próximo. Grande abraço e até breve.

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    1. Obrigado pelo comentário, Sergio. Quero estar com vocês no próximo, e no que depender de mim, pode contar com divulgação e apoio.

      Abraço forte,
      Sergio Viula

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